Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 93

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

A breve revelação do relógio de pulso recebeu uma resposta entusiasmada.


‘Claro que sim.’


Leonia, que vinha fingindo ser tímida, curvou os lábios numa expressão de sorriso sarcástico.


‘Meu pai é o modelo!’


O homem mais poderoso e magnífico do mundo—o duque Voreoti—havia mostrado seu pulso para todos verem.


Um pulso firme, envolto por músculos treinados. E ao redor, o relógio, elegante e refinado, era uma obra de arte em si próprio.


A pele parcialmente escondida sob a pulseira do relógio estava mais sedutora do que nunca.


“Phew!”


A filhote de fera, encantada com o charme do pai, finalmente deixou escapar sua admiração que vinha reprimindo.


“Você bebeu algo ou então...?”


Ferio, segurando-a nos braços, lançou um olhar de leve reprovação para Leonia.


Ele verificou o copo que lhe entregara anteriormente, quando ela disse estar com sede. Não tinha cheiro de bebida alcoólica.


“Estou apaixonada por quão incrível você é.”


“Você sempre gasta seu ar com o óbvio.”


“Essa frase só me deixou um pouquinho irritada.”


Mas, como era verdade, ela deixou passar—Leonia declarou com um sorriso satisfeito.


Suas perninhas, penduradas no ar, chutaram levemente.


“✧ Novelight ✧ (Fonte original) seu desempenho acabou por aí?”


Ferio pegou um pedaço de fruta e alimentou-a.


Ela tinha afirmado que agiria como uma menina tímida de sete anos, mas não conseguiu se segurar por muito tempo e voltou às suas travessuras habituais.


“Mmm! Mmmph mmmph...”


Leonia resmungou com a boca cheia de fruta, suas palavras eram ininteligíveis.


“Engula primeiro antes de falar.”


“...Sério mesmo?”


Depois de mastigar e engolir, Leonia balançou irritadamente o dedo.


“Ainda nem começou o verdadeiro espetáculo.”


Depois, ela levanta o olhar para cima.


No ponto mais alto da sala do banquete, uma bandeira amarela com a águia dourada imperial tremulava ao vento.


A pequena fera ainda aguardava a presa que ainda não tinha aparecido.


***


Leonia não tinha muita experiência com banquetes formais.


As únicas reuniões sociais que frequentara eram cházinhos organizados alternadamente pelos nobres pais, onde levavam as crianças, ou sessões de fofoca onde damas nobres desabafavam suas tensões com delicados acompanhamentos.


Por isso, esse banquete imperial parecia bastante diferente.


“Por que o Imperador não está aqui?”


Leonia perguntou, olhando para o todo vazio da cadeira principal.


“Porque ele perdeu a noção básica de decência.”


“Minha senhora, por favor, saiba que isso é uma exceção de verdade.”


Ferio amaldiçoou abertamente o Imperador, e Lupe rapidamente a avisou para não encarar isso como normal.


“Normalmente, ele já teria aparecido há bastante tempo. Especialmente porque este evento também é uma homenagem ao falecido Imperador.”


“Ver o rosto dele seria até uma coisa mais fácil de engolir, pelo menos.”


O problema agora era Leonia.


Mesmo que ainda estivesse animada graças à longa soneca, ninguém podia prever quanto tempo uma criança que costuma dormir cedo poderia aguentar.


“Droga... meu plano de caos...”


Leonia conhecia bem seu corpo.


Ela vinha dormindo mais ultimamente—provavelmente crescendo rápido—o que a deixava um pouco ansiosa.


Ela avaliou como se sentia. Na melhor das hipóteses, estimou que tinha cerca de uma hora de paciência restante.


‘Preciso passar para o Plano B?’


Deveria ela mostrar sua famosa birra de sono? Ela ainda estava decidindo quando—


“Duque Voreoti.”


“Aquela impressão que você deu antes foi… impressionante.”


Marquês Ortio e o Marquês de Hesperi se aproximaram e cumprimentaram.


Leste, Oeste e Norte.


Três das cinco regiões do Império estavam representadas pelos presentes.


Isso por si só já atraía atenção.


Mas a presença imponente desses nobres naturalmente criava uma certa distância do restante da multidão.


“Olá, jovem senhora.”


O Marquês Ortio foi quem a cumprimentou primeiro.


“Faz tempo que não te vejo.”


A mulher bonita, com cabelos azuis penteados de modo a cair até a metade da testa, sorriu suavemente.


Ela fazia referência ao breve encontro com Leonia na mansão do norte.


“Você já conhecia a jovem antes?”


O Marquês de Hesperi parecia surpreso, depois virou-se para cumprimentar Leonia com um sorriso caloroso.


Leonia respondeu ambas com um breve aceno de cabeça em sinal de reconhecimento.


“É segredo.”


O Marquês Ortio sorriu levemente.


Embora o encontro em que ela virou uma pantera da neve no Norte tenha sido breve, o marquês sabia muito bem que ela reconhecera sua verdadeira identidade.


Os adultos trocaram breves gentilezas e seguiram para discutir as consequências do incidente com o comércio ilegal de monstros que tinha sido tentado.


A questão ainda não havia sido divulgada oficialmente, então evitavam nomeá-la diretamente—mas Leonia compreendia perfeitamente.


“...”


Durante essa troca, Leonia deslizou para baixo dos braços do pai.


Ela ficara preocupada com quanto tempo Ferio a segurava.


“O Sul não apareceu de novo.”


Ferio disse enquanto a apertava contra si.


A criança se enroscou firmemente na perna dele, como uma boneca.


“De certa forma, estão ainda mais fechados do que o Norte.”


O Marquês Ortio respondeu, claramente sem surpresa.

“Marquês Meridio, sim, mas Duque Aust também...”


A conversa passou a se concentrar no Sul.


‘Meridio e Aust.’

Leonia ouviu com atenção.


No Império de Bellius, sempre existiram duas casas ducais.


Voreoti, a Fera Negra.


‘E a Baleia Safira.’


Leonia recordou o título da outra casa ducal.


Havia apenas dois duques no Império—um governando o Norte, o outro o Sul.

Ambas costumavam se manter afastadas dos assuntos públicos, mas, quanto à isolamento, Aust superava Voreoti por longe.

Tudo sobre a Casa Aust era um mistério.

Nada se sabia deles.

Pelo menos, os Voreoti governavam diretamente o Norte, exercendo imenso poder e presença.

Mesmo sem esforço, as pessoas os invejavam e ressentiam.

Mas a Casa Aust era diferente.

Suas ações eram tão vagas que o título de duque quase parecia sem sentido.

Existem registros antigos que indicam que o título "Governante do Sul" foi entregue há muito tempo à família do Marquês Meridio.

Na verdade, a maioria das pessoas hoje acreditam que a verdadeira governante do Sul era a família Meridio.

Mas Leonia sabia que era diferente.

‘Tudo uma farsa.’


Assim como os Voreoti possuem o poder das Garras da Fera, a família Aust herdou há tempos um poder místico próprio.

A família Meridio existia para servir os Aust—uma espécie de casa guardiã.

Por isso, ambos os lares usavam baleias como símbolo, diferenciando-se apenas na cor.

Apenas os Voreoti, como duques, sabiam dessa verdade.

Até a família imperial nada sabia do poder misterioso de Aust.

“Se eles não aparecerem, melhor assim.”

Como se esse lugar fosse algo especial de verdade.

O Marquês de Hesperi falou como uma brincadeira.

“Certamente.”

Ferio respondeu na mesma linha, dizendo que na verdade tinha inveja deles.

A conversa, que tinha como foco Meridio e Aust, acabou ali.

No fim, o que importava mesmo eram os nobres do Sul que não apareceram.

“E Olor?”

“Estão ali.”

Lupe apontou para um grupo distante.

No centro, dois homens de cabelo vermelho.

Visconde Olor e seu filho adotivo.

“Marquês de Pardus, vovô.”

Leonia avistou o Marquês de Pardus entre o grupo, aparentemente participando de uma conversa animada.

‘Pobre homem...’

Mas aos olhos de Leonia, a impressão era completamente diferente.

Na aparência, parecia estar se divertindo na conversa.

Por ela, parecia estar forçando um sorriso, suportando tudo com dificuldade.

Como se estivesse elogiando e bajulando pessoas que não suportava apenas para passar o tempo.

Ferio pensou exatamente a mesma coisa.

“Pai...”

Até Lupe olhava com pena para o pai.

‘Dificuldades na velhice...’

Ferio até se perguntava, a sério, se a personalidade astuta do marquês era um efeito colateral de passar tanto tempo com esses tipos de pessoas.

Com esse breve momento de compaixão pelo marquês, Ferio virou o olhar para os Olors.

E imediatamente olhou para outro lado.

Ele memorizara os rostos deles—não precisava mais ficar encarando.

Não tinha motivo para amaldiçoar seus sonhos por causa disso.

Esta tradução é propriedade intelectual da Novelight.

“É o Visconde Olor.”

O Marquês de Hesperi, que também observava na mesma direção, falou baixo.

Sua voz era cortante—como uma lâmina raspando uma terra áspera.

Significava que o marquês estava profundamente insatisfeito.

E, considerando quão severo foi o tono, apesar de seu esforço para conter a raiva, dizia muito.

Ele se recompôs rapidamente ao notar a expressão assustada de Leonia.

Leonia balançou a cabeça para mostrar que estava bem. O Marquês de Hesperi lhe deu um sorriso apologético.

“Que sem vergonha.”

O Marquês Ortio também não gostava do Rufião Vermelho.

Se isto não fosse o Palácio Imperial, ela teria ido lá e conjurado um feitiço neles na hora.

Por causa dessas pessoas, três regiões sofreram danos de vários graus.

“Olor...”

Leonia, observando por trás da perna do pai, murmurou suavemente:


“Que palavra feia.”

“Cuide da boca,” Ferio advertiu, franzindo a testa.

Lupe concordou com a cabeça.

Leonia fez o mesmo, mas não deixou de lançar olhares discretos ao Visconde Olor.

‘Bem... ele tem um rosto bonito.’

Principalmente o filho adotivo do visconde—um homem atraente, com traços gentis.

Um rosto que parecia demasiado bondoso para ignorar alguém necessitado—um alvo fácil.

‘Não se julga as pessoas pela aparência, de jeito nenhum.’

Ferio, com sua aparência agressiva e impressionante, talvez não fosse gentil, mas era um homem de princípios.

Por outro lado, o Visconde Olor—bonito e de expressão suave—era uma das figuras mais notórias como vilão na história.

Leonia aprendeu algo novo novamente.

A experiência realmente faz a diferença.

‘Hmm...’

De repente, surgiu uma questão.

‘Por que o Sul está deixando tudo isso acontecer?’

Olor andava com arrogância, exibindo uma postura de dono do pedaço, mesmo sendo o verdadeiro senhor do Sul o Marquês Meridio.

E, mesmo assim, ninguém questionava isso.

Era uma coisa para Aust ficar calado—mas para Meridio fechar os olhos também? Isso era estranho.

‘Se fosse meu pai, ele já teria quase destruído tudo.’

Na verdade, já tinha feito isso.

Leonia se lembrou do destino das três famílias que tentaram prejudicar o Norte.

Voreoti desprezava qualquer invasão ou contaminação de seu território.

Como a fera no brasão, tinham Instinto de animais territoriais.

E o Visconde Olor ousou brincar na terra da Fera Negra.

‘Todos vocês vão morrer logo,’

pelo que seu pai faria.

Leonia pigarreou baixinho, como se estivesse dando uma bufada de raiva, soltando um suspiro sério, como se ela mesma fosse puni-los.

‘Sério mesmo, não suporto esses caras.’

Leonia não se conformava com a cara de pau do pai e do filho Olor.

Por causa deles, monstros quase se espalharam por todo o Império, podendo causar um massacre catastrófico.

E ainda assim, eles ousaram mostrar o rosto num banquete só porque o incidente ainda não tinha sido divulgado.

‘Que sem vergonha... parecem normais.’

Depois de amaldiçoá-los mentalmente, Leonia finalmente desviou o olhar.

“Quando Sua Graça mostrou o relógio, o filho do Visconde Olor deu uma olhada escondida lá de trás.”

Marquês Ortio acrescentou de leve, como alguém orgulhoso por ter pego o infrator em flagrante.

“Agora que penso nisso, ouvi dizer que ele vai ficar noivo?”

O Marquês de Hesperi ofereceu uvas a Leonia enquanto dizia isso.

Leonia as aceitou com ambas as mãos e começou a mastigar.


‘Deliciosas!’


Uvas verdes, incrivelmente doces.


Vendo a criança aproveitar tanto, o marquês sorriu satisfeito.

“Por isso, todo mundo está lhe dando parabéns esses dias.”


“Ainda não se casou?”


Ferio pareceu surpreso.


Se sua memória não falha, o filho do Visconde Olor era mais velho que ele.


“Qual família é?”


Ferio rezou silenciosamente para que não fosse de uma casa do Norte.


“Uma família nobre do Sul.”


Casa do Conde Erbanu.


Aquele nome soou na cabeça de Leonia como uma banda de sino.

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