
Capítulo 91
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
O Palácio Imperial que se erguia diante deles era absolutamente enorme.
Mesmo em um país onde a autoridade imperial era considerada fraca, ainda assim era o maior império do continente.
E o palácio refletia sua reputação com sua grandiosidade impressionante.
Além de suas muralhas aparentemente sem fim, colossais torres rasgavam o céu.
Enquanto a carruagem lentamente passava pelo portão, um jardim que se estendia além do horizonte entrava na vista.
Aquilo por si só já era suficiente para entender o quão vasto o Palácio Imperial realmente era.
Leonia puxou a cabeça para trás e reafirmou sua determinação.
‘Destruir tudo!’
Ela não podia esquecer o motivo de estar ali.
Ela tinha planejado tudo com cuidado e até treinado um pouco. Estava completamente preparada para causar um alvoroço perfeito.
“Leonia.”
Ela olhou para cima, na direção da voz que vinha do alto.
“Essa confusão toda...”
Ferio já sabia exatamente o que ela estava pensando.
“Não precisa forçar tanto.”
Uma mão grande fechou suavemente ao redor da mãozinha dela.
No começo, ele também tinha ficado bravo com a mesquinhez da família imperial e tinha permitido que Leonia seguisse seu plano.
Claro que também ajudava o fato de ele ter a habilidade de limpar qualquer confusão que pudesse surgir.
Ferio ainda não tinha intenção de manter uma relação amistosa com a atual família imperial.
Porém, não havia benefício em deixar o imperador encontrar uma razão para desgostar de Leonia.
Não que eles pudessem fazer muito, mas atos mesquinhos como esse poderiam, mais tarde, se tornar um entrave para ela no futuro.
“Papai... você está preocupado comigo?”
Leonia arregalou os olhos comovida, com um brilho de emoção.
“Devo estar, não é?”
Ferio prendeu a língua suavemente. Claro que ele estava preocupado — afinal, era o pai dela.
“Tudo bem, papai.”
Ela não fazia isso só porque o imperador tinha tirado ela do sério.
Um convite para um banquete noturno não era coisa tão séria assim que não pudesse ser tolerada com um pouco de generosidade.
“Quer dizer, eu tenho que dar um oi, né?”
“Para quem?”
“Para todo mundo.”
Um sorriso convencido surgiu nos lábios de Leonia enquanto ela dizia isso.
Era um sorriso estranho demais vindo de uma criança de sete anos.
“Todos têm curiosidade sobre mim.”
A criança ilegítima sem mãe, o rato do orfanato sem raízes, uma menina com sangue sujo.
Leonia já sabia que rumores maliciosos sobre ela espalharam-se por toda a capital.
Ela se lembrava de cada um deles, sem esquecer de nada.
“Para ser sincera, sou um pouco grata ao imperador.”
Ele não criou, de certa forma, um lugar onde ela pudesse dar um oi para todo mundo?
A pequena fera não tinha intenção de desperdiçar a oportunidade que recebeu.
“Tenho que ensinar pessoalmente.”
Quem eu sou.
“Não deviam aprender o que acontece quando ousam mexer com a Casa Voreoti sem saber o seu lugar?”
Ela sorriu radiante ao dizer isso, seus lábios levemente separados revelando um par de dentinhos afiados.
Ferio permaneceu em silêncio enquanto ouvia.
Mas o sorriso suave em seu rosto não deixava dúvidas do quão profundamente satisfeito ele estava.
***
Chegando cedo ao salão do banquete, Carnis já se sentia exausto.
‘Deus, isso é cansativo.’
Sua expressão, ao pegar uma taça de champanhe, estava marcada pelo cansaço.
E com razão.
No momento em que ele e Abipher chegaram, nobres já se aglomeraram ao redor deles.
Ele já estava acostumado com isso, então aquilo não o incomodava particularmente.
Era o destino de um nobre que comandava o maior porto do império.
Mas suas perguntas eram grosseiras e absolutamente sem cortesia.
“Quando o Duque Voreoti vai chegar?”
“A senhorita também vai vir?”
“Vocês e o Duque são próximos há bastante tempo, não é?”
Esses nobres, que geralmente utilizam uma linguagem refinada e fingem elegância, estavam agora deixando a curiosidade correr solta.
Os dois mal escaparam após responder vagueando às perguntas.
Foi um dos banquetes mais cansativos que já participaram.
“Você está bem, querido?”
Carnis entregou uma taça para Abipher enquanto perguntava.
“Estou na merda,”
ela resmungou, bebendo de uma vez só.
Eles foram até a sacada pegar um pouco de ar fresco.
Finalmente sozinhas, Abipher começou a desabafar a irritação que vinha segurando há tempos.
“Que zoo é esse? Todo mundo veio aqui só pra olhar a senhorita.”
Cada pergunta cheirava a arrogância, como se Leonia fosse uma espécie de espetáculo.
“São ignorantes.”
Se Ferio tivesse aqui, nenhum deles teria ousado abrir a boca.
Mas ao verem o Conde e a Condessa Rinne como pessoas acessíveis, eles os cercaram em vez disso.
“Somos alvos fáceis.”
Entre todos que estavam no banquete, o casal mais próximo à Voreoti — e também o mais fácil de abordar — eram os Rinne.
“Você está indo muito bem.”
Carnis, sentido pena, acariciou suavemente sua testa com seus lábios.
Ele envolveu a cintura dela num gesto de apoio, e Abipher lhe deu um pequeno sorriso de gratidão.
Justamente quando estavam finalmente recuperando o fôlego, alguém os cumprimentou, com o queixo rechonchudo a balançar.
Era o Visconde Rebous Kerata.
“Visconde!”
Carnis o cumprimentou com verdadeira alegria pela primeira vez naquela noite.
“Como você tem passado?”
“Estamos indo bastante bem.”
Kerata deu uma risada retumbante — e, de fato, as coisas estavam indo bem para ele.
Após a queda da Guilda Tabanus, todos os seus antigos negócios migraram para os Guildas Rinne e Urbespe.
A família Kerata tinha obtido ótimos lucros com isso.
Também revelou o quanto a Guilda Tabanus tinha desviado de sua receita.
E, graças à Ferio limpar completamente o Norte antes de seguir para a capital, a hierarquia entre os nobres tradicionais e os novos foi restabelecida.
As linhagens antigas se tornaram ainda mais firmes, enquanto os recém-chegados se tornaram mais reservados.
“Está mais pacífico do que nunca.”
Rebous Kerata respondeu com seu sorriso caloroso habitual, embora fosse um nobre clássico do núcleo do império.
Em breve, também chegaram o Conde Bosgruni e o Conde Urmariti.
Naturalmente, a atenção dos nobres se voltou para eles.
As casas principais do Norte eram bem conhecidas até mesmo na alta sociedade do império.
Seu legado remonta a Voreoti mesmo, existindo muito antes do próprio império — linhagens antigas demais para medir só pelo título.
Ninguém se aproximava deles de forma leviana.
Graças a isso, Carnis e Abipher conseguiram respirar um pouco mais aliviados.
“Isso não é justo. Façam de nós também uma família principal.”
Carnis brincou, reclamando com humor.
De repente, o Visconde Kerata riu com diversão.
“Cuidado, hein. O marquês Hesperi pode ficar chateado se ouvir isso.”
“Se você for do Conde Rinne, o Duque sempre vai recebê-lo de braços abertos,”
disse o Conde Bosgruni com um sorriso.
“A propósito, o Duque ainda não chegou, né?”
“Ainda atrasado, como sempre.”
O Conde Urmariti e o Visconde Kerata olharam em direção às portas do salão do banquete.
As portas semiabertas eram a prova silenciosa de que o último nome na lista ainda não tinha aparecido.
O salão já estava cheio de nobres convidados, alguns dançando suavemente ao som da orquestra.
Se o Duque Voreoti não chegasse logo, as portas seriam fechadas em breve.
“Ele deve chegar em breve,”
disse o Conde Bosgruni, levantando sua taça com elegância.
Mesmo com a idade, sua postura permanecia impecável.
“Não é só o Duque. A senhorita também não costuma fugir de uma luta.”
“Como ela está esses dias?”
O Visconde Kerata perguntou sobre Leonia.
“Nossa filha veio até nós ao capital, e não para de falar que quer ver a dela.”
“Ai, que fofa.”
“Minha filha também ficou completamente encantada com a senhorita. Devíamos marcar um encontro entre as três para as brinquedinhas.”
“Até a filha do Rinne?”
Eles riram juntos, enquanto o Conde Bosgruni ria de alegria, comentando o quanto Leonia já era popular.
E então —
Uma comoção percorreu a multidão próxima à entrada do salão.
Ninguém precisava perguntar o motivo.
Por fim, Voreoti tinha chegado.
Esta tradução é propriedade intelectual da Novelight.
***
Antes de entrar no salão do banquete—
Leonia mais uma vez explicou seu plano de caos para Ferio e Lupe.
“Vou agir como se tivesse sete anos.”
“Você realmente tem sete,”
Lupe apontou calmamente.
“Quer dizer que vou agir como uma garotinha que tem medo de pessoas estranhas.”
Ela iria se agarrar só ao Ferio e fingir ser uma garotinha tímida e sensível, sobrecarregada com todas as novidades.
Essa era a primeira fase do plano.
“Tente fazer xixi na calça na frente do imperador.”
Ferio fez uma sugestão brincalhona.
“Posso acabar fazendo xixi em você, papai.”
Com esse aviso sombrio, Leonia abriu os braços.
Como sempre, Ferio a pegou com firmeza, de forma confiável, e Leonia envolveu o pescoço dele com os braços apertados.
“Preparada?”
Ferio bateu nas costas dela e perguntou.
“Manda eles trazerem!”
“Que coragem.”
“Não é coragem.”
A pequena fera levantou o queixo com arrogância.
“É confiança.”
Ela tinha uma arrogância tão cheia de orgulho que Ferio não pôde deixar de beijar sua bochecha.
Pai e filha trocaram olhares, compartilhando um laço de confiança e afeto.
A relação deles era sólida — nada poderia destruí-la.
“Visconde Ricoss.”
Ferio, agora com expressão séria, chamou Lupe.
A ternura em seus olhos negros — tão cheia de amor por sua filha — desapareceu atrás de uma máscara fria e calculada.
Apenas a ferocidade de uma fera selvagem permanecia.
E no entanto, a mão que acariciava suavemente as costas de Leonia, enquanto ela descansava no ombro dele, ainda transbordava ternura.
“Sim, Sua Graça.”
Lupe respirou fundo e também se recompôs.
Seu olhar, pesado e firme como um lobo das montanhas nevadas, aguardava a ordem de seu senhor.
“Vamos entrar.”
As portas do salão se abriram.
Ferio entrou.
A atmosfera, que até então tinha um sussurro suave por causa do vinho e da música suave, mudou imediatamente.
E então — com um simples olhar dele, era como se um balde de água fria fosse despejado em toda a sala.
O silêncio caiu instantaneamente.
Soando suave, cada passo dele ecoava nítido nos ouvidos de todos.
A atenção do salão inteiro se virou para eles.
“...Aquele é o Duque Voreoti.”
Finalmente, alguém falou num tom baixo, e nesse sinal, os nobres rígidos começaram a murmurar entre si.
“Por mais vezes que eu o veja, ainda dá calafrios.”
“Está tão atrasado...
“Deve achar que o mundo gira ao seu redor.”
“Ele é o Visconde Ricoss ao lado dele?”
Como se estivessem esperando por esse momento, os murmúrios se voltaram para Lupe.
“Dizem que o Duque lhe concedeu um título de nobreza.”
“Ele não é de uma das famílias principais do Norte agora?”
“É o filho mais novo do Marquês de Pardus.”
“Ele virou nobre principal, apesar de se opor ao pai?”
“Assim se faz uma ascensão bem-sucedida.”
Se alguém tinha informações, rapidamente as compartilhava. Se havia algo para criticar, todos caíam em cima ao mesmo tempo.
Os olhares de julgamento e de investigação faziam parte do pacote.
Ferio franziu um pouco o cenho.
A feiura mesquinha por trás do exterior glamoroso do salão de banquetes — essa era a verdadeira essência da multidão.
E exatamente por isso Ferio odiava lugares como aquele.
“Mas cadê a criança?”
Alguém perguntou.
Ferio e Lupe eram visíveis, mas a lendária jovem da Casa Voreoti não era vista em lugar algum.