Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 87

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Chegou o dia do banquete.


A atenção de todos os nobres do Império estava voltada para o Palácio Imperial, na capital.


Era o primeiro banquete comemorativo realizado em três anos, desde a morte do falecido imperador — e o primeiro promovido pelo Imperador Subiteo desde que ascendeu ao trono. Um evento de suma importância.


Mas aquilo não era tudo.


Rumores diziam que a jovem adorada pelo Duque Voreoti estaria presente.


Quando a notícia vazou, causou um alvoroço na capital, gerando especulações sem fim.


As pessoas sussurravam sobre o motivo do Imperador Subiteo ter convidado a jovem do Duque para o banquete imperial.


Alguns diziam que era uma jogada política do Imperador para afirmar sua autoridade sobre o Duque através de uma criança; outros achavam que era uma estratégia de publicidade para atrair atenção ao seu primeiro banquete oficial.


Mas os nobres não se preocupavam com a veracidade dos boatos.


No fim, o conflito entre a família imperial e o Norte era mais um espetáculo a ser apreciado.


Claro que ninguém podia dizer isso em voz alta. Afinal, o governante do Norte era muito mais assustador que a própria família imperial.


Além disso, a oportunidade de ver de perto a infame jovem da Casa Voreoti era irresistível demais para deixar passar.


Enquanto isso, a família Voreoti permanecia em silêncio.


Mesmo no dia do evento, a propriedade parecia não diferente do usual.


Silêncio absoluto.


Não havia movimento ou agitação na preparação para a viagem ao palácio.


O pai e a filha bestial não eram exceção.


De fato, sua atenção não estava no banquete — estava concentrada em outro lugar.


“Me conte mais sobre o Conde Urmariti, o vovô.”


Leonia perguntava enquanto se deitava na cama para tirar uma soneca.


Um ursinho de pelúcia de leão preto repousava em seus braços.


“Vai dormir.


Ferio, que viera para colocá-la na cama, abriu um livro de histórias. Era cheio de contos quentinhos e doces que ele às vezes lia para ela antes de dormir.


Porém, esse livro ainda permanecia intocado — nunca tinha sido aberto.


“Se dormir bem agora, não cochilará durante o banquete.”


“Dormir lá faz parte do meu plano de caos.”


“Então, melhor fazer xixi na calça mesmo.”


Ferio, preocupado de maneira até desnecessária, sugeriu enquanto observava que poderiam simplesmente embalar roupas extras e roupas íntimas.


“Você perdeu a cabeça...”


Leonia o olhou com olhos gelados, tão frios quanto uma geada. Ela não tinha intenção de se sujar só para provocar a família imperial.


“Tudo bem, tudo bem, eu tava brincando.”


Ferio finalmente fechou o livro de histórias.


Mais uma vez, a história quentinha de deitar não virou uma única página.


“Você tem curiosidade sobre o Conde Urmariti?”


“Sim!”


“O que você quer saber?”


“Tudo!”


Os olhos da pequena besta brilhavam. Ferio inclinou a cabeça levemente, olhando para ela.


“Quer morar com ele?”


A pergunta continha um tom de preocupação, só para o caso de precisar se proteger.


“De jeito nenhum!”


Assustada, Leonia jogou fora o cobertor e se sentou de repente.


“Só tenho curiosidade sobre minha mãe biológica e a família dela! Por que eu iria te abandonar?”


Ela repetia várias vezes que não era nada daquele tipo.


Foi só então que Ferio assentiu, um pouco aliviado.


“Aliás, Voreoti tem muito mais dinheiro.”


Ela declarou que nunca deixaria Voreoti até herdar tudo aquilo.


“Obrigado pela sinceridade mercenária.”


“Então, me diga — como ele é?”


“Ele realmente amava sua tia.”


Uma lembrança surgiu na cabeça de Ferio.


“Amava ela tanto que...”


Foi quando ele tinha apenas um ou dois anos a mais que Leonia.


“... depois que ela faleceu, ele lutou bastante tempo.”


“Hã? Tia... isso quer dizer...”


“Sua avó.”


“Ah...”


Então ela tinha morrido.


Leonia murmurou fraca.


Ela tinha intuido isso ao ouvir de Ferio, no dia anterior, que o Conde Urmariti tinha se casado novamente, mas enfrentar a verdade de fato a deixou inesperadamente melancólica.


“Com quem ele se casou de novo?”


“Com uma empregada que costumava ser companheira da sua avó.”


“Uau!”


Um pensamento proibido surgiu na cabeça de Leonia.

“Um triângulo amoroso entre o vovô, a vovó e a empregada...”


“Você, pequena insolente, respeitosa.”


Ferio imediatamente fez uma cara feia.


Para impedir que a imaginação de Leonia mergulhasse mais fundo naquele escândalo e desrespeito, ele rapidamente retomou o assunto.


“Sua tia sempre foi muito frágil.”


Ela morreu logo após dar à luz Regina.


Por causa disso, o Conde Urmariti ficou devastado e, naturalmente, não conseguiu demonstrar muito afeto por Regina também.


“Ele odiava minha mãe biológica?”


“Não.”


Ele simplesmente não tinha força para encarar seu próprio filho naquele momento.


Quando finalmente se recompôs, o Conde Urmariti começou a visitá-la regularmente, mesmo depois que Regina passou a morar na propriedade Voreoti por causa das Presas do Fera.


“Ele realmente a amava.”


Quando era menino, Ferio antes escondeu-se e assistiu às reuniões entre o Conde Urmariti e Regina.


Os dois sempre conversavam com calor no jardim ensolarado.

Ferio, ainda jovem, os observava escondido atrás de uma coluna, na sombra do corredor.

Achava aquilo estranho.

Porque nunca teve esse tipo de relacionamento com seus próprios pais.

“......”


Os olhos de Ferio se estreitaram um pouco.

Mesmo recordar aquilo brevemente trazia de volta aquela solidão silenciosa.

Foi só mais tarde que Ferio compreendeu que aquela dor no peito tinha um nome: “solidão”.

Nessa hora—


“Papai?”


Uma pequena sensação de calor tocou as costas da mão de Ferio.


A emoção fria desapareceu instantaneamente, substituída por um calor surpreendente.

“O que houve?”


Leonia, percebendo o silêncio repentino de Ferio, olhou atentamente para ele.

“Precisa fazer xixi? Posso te emprestar o penico?”


“... Obrigado por se preocupar à toa.”


“Vou lavar e te devolver.”


“Não precisa.”

Ele ficou surpreso, mas a melancolia tinha desaparecido sem deixar vestígios.

“O vovô sabe que ela é minha filha?”


“Não.”

Ferio ainda não tinha contado.

Como sempre, quando o assunto era a origem de Leonia, as próprias vontades dela vinham em primeiro lugar.

“Só três pessoas, além de mim, sabem a verdade do seu nascimento neste momento.”

A primeira foi Kara, depois Lupe, e a última foi o Marquês de Pardus.

“Então, o velho Marquês finalmente descobriu?”

Leonia fez uma careta. Vira-se bem aquela expressão de desprezo que ele tinha.

“Mas, papai.”

“O quê?”

“O vovô ficou triste?”

Leonia não especificou quando.

Ela não precisava.

Ambos sabiam exatamente o que ela queria dizer — quando Regina fugiu com um cavaleiro misterioso.

“Mesmo depois que a Casa Voreoti desistiu de procurar, o Conde continuou à procura dela às escondidas.”

“Entendo...”

Sua voz saiu carregada de emoção.

“Você ficou triste?”

Ferio perguntou.

“Só... sinto pena dele...”

Leonia ainda não criara uma forte ligação emocional com Regina.

Mas ela sentia pena do Conde Urmariti, que buscou sozinho sua filha desaparecida.

Sente pena de Regina, que morreu jovem — e da “Leonia original”, que ficou para trás.

‘Talvez lá também esteja assim?’

Talvez, naquele outro mundo, houvesse pessoas desesperadas procurando por ela também.

“......”

A ideia surgiu sem querer, logo se transformando em tristeza.

Seus braços, segurando o leão de pelúcia, começaram a tremer suavemente.

“Papai.”

Leonia chamou por ele, como se pedisse ajuda.

“Fica comigo até eu adormecer.”

Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.

Leonia deu tapinhas no espaço ao seu lado na cama. Logo, ouviu-se um leve movimento no cobertor.

Ferio deitou ao lado dela e estendeu um braço.

Leonia lentamente se arrastou para cima, colocando a cabeça no braço dele e encaixando o rosto no peito.

“Me acaricie, por favor.”

Pat, pat. Sua grande mão começou a acariciar suavemente suas costas.

Um suspiro de alívio nasceu sob o tecido da roupa de Ferio.

Ele observava silenciosamente sua filha.

“Você está bem?”

Ele perguntou novamente.

“...Estou um pouco triste agora.”

Não exatamente por Regina ou pelo Conde Urmariti, mas Leonia não mencionou o porquê.

Em vez disso, ela fechou os olhos e concentrou-se na mão de seu pai, no calor dele, no som do seu coração batendo.

Depois de se acalmar, Leonia abriu a boca.

“Depois, conte pro vovô Conde... tá bom?”

“Vou contar.”

“Obrigada, papai.”

“Não devia ter dito nada?”

“Não.”

Leonia balançou lentamente a cabeça. O sono trazido pelo alívio pesou suas pálpebras.

Seus olhos já estavam half-closed.

“Hora de dormir.”

Uma mão grande delicadamente cobriu seus olhos.

Aquele calor completamente bloqueou sua visão.

A sonolência a invadiu como uma onda antes que ela pudesse resistir.

Na verdade, Leonia sempre foi uma criança que adormecia facilmente, sem fazer alarde.

“Ainda bem...”

Antes de dormir de fato, ela usou as últimas forças para sussurrar:

“… Eu tinha alguém como você, papai...”

Ela tinha orgulho de alguém se importar com ela — aquela frase era tudo o que precisava dizer antes que o sono a levasse.

Ferio permaneceu ao seu lado, mesmo após ela ter adormecido.

Ele não parou de acariciar suas costas até se levantar.

Depois, saiu silenciosamente do quarto.

Ficando na porta, estavam Connie e Mia.

“Vou vir buscá-la mais tarde.”

Era uma ordem para deixar que ela dormisse tranquilamente até então.

Connie e Mia assentiram respeitosamente.

“Duque.”

Quando Ferio entrou no escritório, Lupe se aproximou.

“Esta é a lista de convidados do banquete.”

“Do Marquês de Pardus?”

“Chegou há pouquinho.”

“Não consigo deixar de sentir pena do seu pai.”

O Marquês de Pardus, sempre como homem do Imperador em público, havia tomado chá com ele duas vezes desde que chegou à capital.

Nesses momentos, Ferio sentia uma verdadeira simpatia pelo velho.

Essa lista de convidados era prova do esforço dele.

Enquanto escaneava a lista, sua testa se franziu.

“Olor...”

Um dos nomes na lista, de uma das Garças Vermelhas, irritou-o.

Depois de olhar para o nome por um tempo, Ferio perguntou abruptamente sobre o Norte.

“Alguma novidade?”

“Recebemos uma mensagem do Sir Mono.”

Parece que os jovens monstros libertados nas Montanhas do Norte finalmente se estabeleceram.

Relatos indicam que os ataques às aldeias começaram a diminuir.

“E...”

Lupe olhou ao redor, certificando-se de que estavam sozinhos na sala, e abaixou a voz.

“Eles ainda não falaram.”

Ferio veio com uma expressão de desgosto.

“As interrogatórias do Mono são conhecidas por serem implacáveis.”

E mesmo assim, eles aguentaram?

Resmungando para si, Ferio soltou uma risada curta, respirando fundo.

“Vamos ver até onde isso vai.”

Seus olhos negros, lentamente piscando, brilhavam com alguma coisa assustadora.

Desprezo e escárnio — direcionados àquela “coisa” — e, talvez, só talvez, um leve resquício de respeito.

A aura que Ferio emitia era tão fria que Lupe só conseguiu engolir em seco.

“Ultimamente, tenho pensado...”

O olhar de Ferio se fixou na pilha de livros sobre sua mesa.

Era de uma livraria que ele visitou com Leonia enquanto passeavam pela capital.

Dentre eles: um artigo acadêmico que despertou interesse na comunidade científica no ano anterior; um resumo de leis recentemente promulgadas ou reformuladas; um livro de teoria de administração, bastante popular entre os leitores; um texto clássico de um filósofo frequentemente citado em palestras na Academia.

E, por fim, o relatório sobre ruínas antigas — aquele que Ferio havia pedido especificamente.

“Posso ter subestimado isso.”

O relatório de investigação das ruínas antigas.

‘Nenhuma dessas coisas tem ligação, né?’

Ferio olhou para os livros que tinha comprado e deu uma risada de desdém.

Todos os cinco abordavam temas totalmente distintos.

Na verdade, os livros de gestão e filosofia eram compras por impulso — livros que ele se lembrava de ter lido na Academia e que achava que poderiam servir de disfarce.

“São mais complicados do que eu pensava.”

Ele pegou um dos cinco livros.

Um artigo que causou impacto assim que foi publicado.

“Qual deles você está se referindo?”

“Ambos.”

As Garças Vermelhas — e o pequeno filhote amarelo.

Ferio passou a mão pela capa do livro antes de colocá-lo de volta na mesa.

Ardea Bosgruni.

Esse era o nome do acadêmico, gravado suavemente onde seus dedos passaram.

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