Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 88

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“O cheiro de movimento no Norte, o Imperador apoiando e até patrocinando... e agora a tentativa astuta de culpar sutilmente a Imperatriz e o Oeste.”


Nenhum deles tinha conseguido fazer isso no passado.


“De fato...”


Lupe pensou por um momento antes de acenar com a cabeça.


O Imperador Subiteo e a Casa Olor, como ele se lembrava, jamais haviam sido tão audaciosos.


“Pelo menos não antes...”

Lupe vacilou, hesitando antes de dizer a data. Seu rosto ficou visivelmente pálido.


“Sim. Aqueles três anos.”


Ferio completou a frase por ele.


“Os anos em que estive preso na capital.”


Desde então, as coisas tinham ficado estranhas.


Nem a família imperial nem a Casa Olor tiveram coragem de provocar eventos de tamanha escala.


E, ainda antes disso, não tinham inteligência suficiente para planejá-los.


Então, quem?


Quem foi que mudou os dois?


Uma face surgiu na mente de Ferio.


A única pena verde entre os Cisnes Vermelhos — aquela que elevou uma casa de origem baixa à nobreza da noite para o dia. A única conexão entre a família imperial e a Casa Olor.


“Consorte Usia.”


O nome escapou de seus lábios — e até Ferio achou aquilo assustador.


“Ela não é uma mulher comum.”


Um brilho de algo afiado e sinistro passou pelo olhar do lobo negro enquanto ele encarava o vazio.


***


Quando Leônia abriu os olhos, já começava a escurecer.


“Durmi demais?”


“O banquete começa tarde. E para de falar.”


Ferio suavemente passou uma toalha morna e úmida pelo rosto dela.


Leônia pensou em reclamar da sensação de tudo estar tão à vontade, mas suas palavras saíram abafadas pelo pano que pressionava sua bochecha.


“Vamos comer agora.”


Ferio a levou até a sala de jantar.


“Papai.”


“O quê?”


“Ainda vamos ao banquete hoje, né?”


Para um evento como esse, tudo parecia demais relaxado.


Mesmo sendo à noite, a atmosfera tinha uma calma estranha.


“Comemos antes de sair.”


Ferio explicou que ela não teria muito o que comer depois de chegarem lá.


Na noite, os banquetes geralmente serviam bebidas alcoólicas, com poucas coisas que Leônia pudesse aproveitar.


“Melhor comer agora do que ficar com dor de estômago depois.”


Ferio resmungou que era exatamente por isso que odiava ela ir a banquetes.


“Oooh...”


Leônia olhou para ele fascinada. Depois sorriu.


“Você está mesmo agindo como um papai agora.”


“Eu já fui seu pai assim como não?”


“Quer dizer, você se tornou um verdadeiro profissional em cuidar de você.”


A risada dela explodiu como um presente.


Ferio não respondeu. Simplesmente deu um tapinha nela como se fosse algo normal.


As risadinhas de Leônia aumentaram até que, eventualmente, Ferio também não conseguiu conter um sorriso.


Sua frustração se suavizou.


O incômodo acumulado por tantas complicações ultimamente foi varrido por aquela gargalhada em um instante.


“Você é mesmo especial.”


“Hã? Do que você está falando?”


Leônia inclinou a cabeça.


Ferio passou por cima com um “Nada”.


O jantar era composto por comidas simples e reconfortantes, que ainda davam energia — totalmente ajustadas às necessidades de Leônia.


Depois de comer feliz ❀ ❀ (Não copie, leia aqui) a refeição preparada com tanto cuidado, Leônia passou cerca de uma hora lendo livros e passeando pelo haras para descansar.


Só então começou a se preparar para o banquete.

Primeiro, tomou banho em água morna, aplicou loção hidratante pelo corpo todo e secou bem os cabelos molhados antes de pentear com óleo para cabelo.


‘Espera aí.’


Então, ela teve uma ideia.

“Isso é igual a qualquer outro dia!”


Era a mesma rotina que ela fazia antes de dormir.


Mesmo que Ferio chamasse os banquetes imperiais de “ninhice” e sempre minimizasse, esse nível de indiferença na hora de se arrumar era sem precedentes.


Até sair na praça pública era mais elaborado do que isso.


“Não devia estar muito casual assim?”


Leônia perguntou a Mia, que estava escovando seu cabelo por trás.


Naquele momento, Connie delicadamente colocou o vestido para o banquete na cama.


Só então, Leônia sentiu que realmente estava se preparando para algo formal.


“Se fosse por nós...”


Mia bateu o punho de frustração.


“Vestiríamos você com todos os vestidos que conseguíssemos!”


“E tentaríamos vários penteados para ver qual ficava melhor em você!”


“Sapatos, acessórios — tudo mesmo!”


Connie também entrou na brincadeira.


Porém, logo suas expressões se desanimaram. Uma sombra de medo persistia em seus rostos.


“Mas o Mestre disse... se esse ‘banquete patético’ te cansasse, ele faria um banquete de sangue com nossas vidas...”


“Ele quis dizer mesmo,” gemeu Connie. “Eu quase desmaiei.”


“Ele falou isso?”

Leônia girou rapidamente, com os olhos arregalados.

Ela não podia acreditar.

Ferio não parecia uma pessoa que ameaçaria a equipe assim.

Mas as expressões pálidas e assustadas de Mia e Connie eram prova suficiente.

“Como o papai consegue falar coisa tão assustadora?”

Leônia prometeu repreendê-lo depois, agitando o pequeno punho para o ar.

“Né? Mas, falando sério, você não quer experimentar mais vestidos?”

“Não quer usar todos os tipos de sapatos e joias?”

Os olhares deles brilharam de esperança desesperada.

“Uhh...”


Leônia balançou a cabeça.


“Não.”


Ela rejeitou firmemente.


Arriscaria agora ajudar eles seria perigoso.

As lembranças de ter sido manipulada como uma boneca pelas criadas passaram por sua cabeça.


Graças às suas instintos aguçados — herdados do Caninos — Leônia evitou quase uma crise.


“Meu sonho é ser uma lady de um único vestido.”


Leônia percebeu o quanto a intenção do pai era profunda.


Ferio não tinha esquecido o quanto ela ficou sobrecarregada quando as criadas a trataram como uma boneca.


Por isso, ele tinha avisado elas com antecedência.


Leônia, recém-despertada para o verdadeiro amor paternal, ficou sem fôlego.


E prometeu diminuir um pouco as provocações aos músculos dele daqui para frente.


Enquanto isso, Connie e Mia pareciam completamente derrotadas.


“Mas você é tão adorável...”


Essa tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


“Queremos vestir você com todas as coisas bonitas...”


“E isso vai te levar à morte.”


Leônia alertou que seu pai não estava blefando — que já tinha um banquete de sangue plenamente projetado em sua cabeça.


Só então as duas criadas ficaram em silêncio. Apesar do pesar em seus rostos permanecer.


Leônia suspirou levemente, como se não tivesse escolha.

“Deixo vocês escolherem na minha prova de roupa.”

Ela sorriu como uma mãe prometendo um passeio por um campo de flores no próximo final de semana.


Connie e Mia iluminaram-se de alegria.


“Agora, vamos vestir você.”


Com a ajuda das criadas, Leônia colocu seu vestido.


“Uau...”


Ela ficou diante do espelho e levantou delicadamente a saia com ambas as mãos.


Depois virou de um lado, depois de outro, admirando-se com espanto.


“Que linda!”

“Você sempre foi linda, Senhorita.”

“Só agora está percebendo isso, não é?”


“Não leve tão a sério...”

Leônia lançou um olhar lateral às duas criadas, que a elogiavam com tanta dedicação — mas seus lábios já se abriam em um sorriso radiante.


“Falava do vestido, não de mim.”


O vestido feito pelo Barão Theon parecia feito para roubar toda a atenção. Era impossível desviar o olhar.


‘Sinceramente...’

Leônia sentiu-se culpada.

Ela não tinha expectativas altas.

No fim, quão bonito realmente poderia ser um vestido de criança pequena?

Quando fez o pedido ao Barão Theon e ao Abipher, imaginava algo sem graça.

Só tinha esperança de que os ombros não estivessem cheios de almofadas gigantes.

Mas o vestido acabado a deixou de queixo caído.

Seu formato era surpreendentemente simples.

Semi-sem alças, com cintura caída que ia um pouco além do quadril — nada de dramático.

Mas a habilidade mágica do Barão Theon transformou-o numa obra-prima.

Abaixo da cintura, uma saia macia se abria como flores de manhã, sobrepostas por penas densas e brancas como a neve.

Quando Leônia se movia, a saia de penas ondulava como asas.

Sem uma pena sequer solta.

“Connie, Mia! Olhem!”

Leônia, encantada com a saia de penas, apontou para sua cintura.

A sobreposição de renda preta reluzente repousava delicadamente sobre a parte superior da saia, exatamente onde as penas começavam a se espalhar.

Ela equilibrava discretamente o que poderia parecer um tronco exageradamente longo — mas Leônia focava na renda.

“Tem gemas na renda.”

Ela finalmente percebeu por que brilhava tanto — pequenas joias estavam costuradas nela.

Eram diamantes negros, minerados exclusivamente na pedreira da propriedade Voreoti.

Os mesmos que haviam nos olhos do seu ursinho de pelúcia leão.

Até a saia de penas cintilava, com pequenas pedras preciosas entre as plumas.

“O Barão Theon deve ter vendido a alma ao diabo por esse vestido!”

“Quer dizer algo bom, né?”

Connie perguntou, tentando acompanhar.

Mas a expressão de Leônia não era exagero.

Nada menos que um pacto com o diabo poderia ter produzido algo tão bonito.

A harmonia entre o preto e o branco era impecável.

O próprio Barão Theon tinha dito que se baseou nos campos de neve do norte — e não havia mentira nisso.

Esse vestido só poderia ser usado por alguém que carregasse o preto da Casa Voreoti.

Era só dela — de Leônia — e de mais ninguém.

“...Vamos arrumar seu cabelo agora?”

Connie, finalmente voltando ao senso, pegou uma escova.

“Estava pensando em um coque redondo com uma tiara. Que tal?”

“Podemos fazer duas tranças?”

Leônia perguntou.

“Mas esse é seu estilo de sempre.”

Como era uma ocasião especial, Mia sugeriu tentar algo diferente.

Todos os acessórios que trouxe eram grandes e enfeitados com gemas.

“Tranças me fazem parecer mais nova.”

Assim, relaxariam — e Leônia poderia dar um golpe.

“Você já é bemnova pra caramba, Senhorita.”

Connie falou suavemente.

“Depois dessa queda, você vai fazer oito anos. Ainda é bem jovem, né?”

“Ah, verdade.”

Momentaneamente esquecendo sua idade, Leônia entregou seu cabelo a Connie.

“Mas faz parecer que eu sou completamente inofensiva.”

“Você já é.”

“Pareço um alvo fácil?”

“Não foi bem isso que quis dizer...”

Ela quis dizer só que, recentemente, as bochechas de Leônia estavam mais cheinhas, fazendo-a parecer mais um bebê do que o habitual.

“Quem exatamente você pensa em ‘atacar’, Senhorita?”

Mia perguntou enquanto preparava os acessórios.

“Humm.”

Leônia coçou a ponta do nariz e deu uma resposta vaga.

“Somente... o Imperador.”

No espelho, as expressões de Connie e Mia se contorceram de horror absoluto.

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