
Capítulo 89
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Senhor, olha ali.”
Uma jovem empregada escondida atrás da esquina corou, suas bochechas sardentas ficaram vermelhas.
“Ah, que encanto, não é?”
A empregada mais velha, que estava atrás dela, bateu levemente na cabeça da mais jovem, como quem diz: Eu entendo exatamente como você se sente.
A nova empregada, que tinha entrado na primavera, fixava a entrada do salão com uma expressão atordamada nos olhos.
Estavam lá o Duque Ferio Voreoti e o Conde Ricoss, ambos trajando roupas para o banquete, esperando a jovem descer.
Os dois estavam mais elegantes do que de costume, claramente fazendo um esforço especial para a noite.
“O Senhor pode ser assustador, mas é bonito de ver.”
“Ele é tão lindo.”
“Pois é, olha só isso.”
A empregada mais velha riu com entusiasmo.
Ela também já tinha ficado encantada com a aparência do mestre, tão absorta a ponto de esquecer de ter medo.
' Aproveite enquanto pode.'
Ela não disse isso em voz alta.
Logo, essa jovem empregada perceberia por si mesma.
Apaixonar-se pelo seu charme wouldn’t durar muito tempo.
Em pouco tempo, ela entenderia o verdadeiro medo e se esforçaria para ficar bem longe.
“Mas... o que é aquilo?”
A jovem empregada ◈ Novedig ◈ (continue lendo) avistou algo estranho.
Sobre o braço de Ferio, que estava trajando um terno preto, havia algo semelhante a um pano branco.
A resposta à sua curiosidade veio inesperadamente, assim que Lupe também percebeu o item branco.
“Não é a roupa de fora da jovem senhorita?”
Lupe perguntou.
O que estava sobre o braço de Ferio era a capa que Leonia usaria no banquete.
“Por que o Seu Grace está segurando isso?”
“Quer que eu tire uma criança lá fora à noite sem vestir ela direito?”
Ferio olhou para Lupe com uma expressão de pura exasperação.
“O ar da noite faz mal às crianças. Preciso mesmo explicar algo tão básico pra você?”
“Não é bem isso que quis dizer...”
Confusa, Lupe apressou-se em acrescentar:
“Só pensei que, se fosse possível, uma empregada carregasse isso.”
Leonia tinha duas empregadas competentes ao seu lado — Connie e Mia.
Lupe perguntava por que o próprio Seu Grace teria que fazer isso.
“Estou carregando a capa da minha filha. Por que você se importa?”
Mas para a fera negra, essa pergunta soou irritante.
“Só estava curioso, é só isso.”
“Conde Ricoss, você tem ficado bastante atrevido ultimamente.”
“Devo mesmo costurar minha boca?”
Lupe, sentindo-se injustamente acusado, primeiro silenciou-se.
Hoje em dia, qualquer coisa que dissesse provocaria uma reação.
E, se insistisse mais, poderia acabar sendo arrastado e punido. Como um secretário competente, Lupe preferiu ler a situação e ficar calado.
'Ele nem se incomoda mais em esconder isso.'
No tempo em que ainda estavam no Norte, Ferio cuidava discretamente de Leonia.
Agora, não se importava com quem visse — ele a segurava com afeto indulgente, sem pudores.
Quem diria que a fera negra se tornaria um pai tão carinhoso?
'... Ou talvez isso não seja exatamente certo.'
Lupe franziu a testa.
Olhando para trás, Ferio sempre se importou profundamente com Leonia desde o começo.
É estranho perceber isso agora.
Que a fera negra tinha passado a possuir calor — sem dúvida, foi uma mudança positiva.
Porém, aos olhos de Lupe, alguém que conhecia o passado de Ferio às vezes parecia... um pouco triste.
Não só ele — todos que sabiam do passado de Ferio provavelmente sentiam o mesmo.
'Talvez... ele estivesse apenas sedento por afeição.'
O antigo Duque e a Duquesa criaram Ferio com disciplina severa.
Em contraste, Regina o tinha mimado mais do que até sua própria família.
Na época, até mesmo Lupe achava aquilo estranho.
Era tanto que até o Marquês de Pardus, uma vez, comentou que o garoto era uma pena.
“......”
Enquanto aquela estranha simpatia cruzava a mente de Lupe, algo chamou sua atenção.
Ferio mexia na manga da camisa, revelando seu pulso — e ali havia algo familiar.
Um relógio de pulso.
Preso bem firme, um relógio dourado com pulseira de couro preto brilhava na sua mão veia.
“O relógio fica ótimo em você.”
Lupe deu um passo para mais perto, admirando a peça.
O modo como Ferio brincava com a manga parecia um pouco mais que intencional, mas Lupe decidiu não pensar demais nisso.
“É… razoavelmente aceitável.”
Ferio murmurou exatamente a mesma coisa que tinha dito quando viu o relógio pela primeira vez.
'Você é péssimo em esconder as coisas.'
Lupe sorriu discretamente, pensando: Sua Excelência, seus lábios estão tremendo de orgulho.
Hoje em dia, todo mundo na mansão sabia que, quando Ferio dizia que algo era “razoavelmente aceitável,” significava que ele o valorizava como uma herança de família.
E o relógio nem tinha um dia completo de posse.
Porém, nesse breve período, já tinham várias visualizações — Ferio tinha sido visto abrindo a caixa para olhar para ele toda hora, ou tocando constantemente seu pulso esquerdo.
Leonia até passou por ele e brincou, “O momento chegou,” e caiu na risada.
Claro, ela estava sorrindo de orelha a orelha.
'De qualquer forma, é impressionante, mesmo depois de tantas olhadas.'
Lupe reavaliou novamente o valor daquele relógio de pulso.
Relógios eram itens de luxo que atraíam especialmente os homens.
Considerados de alto padrão, estimulavam a vaidade sutil dos nobres.
Esse era o ponto-chave.
Vaidade.
Junto com a funcionalidade, esse era o maior atrativo dos relógios de pulso.
Relógios de bolso ficavam escondidos na roupa — raramente eram exibidos. Mas o relógio de pulso? Um simples movimento de manga já permitia uma demonstração silenciosa.
'Assim que eles ganham dinheiro de novo com os Voreoti...'
Mais uma fonte.
Lupe vacilou por um momento, sua confiança minou.
Agora, ele era o cabeça da Casa Ricoss.
Um nobre convicto — mas ficou pensando se conseguiria sequer contribuir com uma gota d’água, diluída na sujeira sob as garras de Voreoti, para reviver a fortuna de sua própria família.
“Lupe.”
Ferio, que observava silenciosamente, soltou uma frase.
“Não fique com ciúmes assim.”
“...Hã?”
“Se você quer tanto um relógio, pede ao Leo depois.”
Ferio falou como se estivesse concedendo um favor, fazendo sua arrogante “generosidade” parecer algo natural.
Ele até acrescentou que ela poderia conseguir um desconto.
Lupe ficou sem palavras.
'A jovem senhorita já prometeu me presenteá-lo...'
No almoço, Leonia prometeu dar a Lupe e aos outros relógios também. Ela até entrelaçou seu dedo mindinho para selar o acordo.
'Melhor manter isso em segredo.'
Lupe, prudentemente, ficou calado.
Normalmente, quando Ferio tinha que ir a um banquete ou evento cheio de gente, seu humor caía e sua paciência ficava à flor da pele.
Na maioria das vezes, Lupe nem ousaria falar — ficaria quieto, na esperança de não provocar sua ira.
Mas agora, eles estavam conversando abertamente.
Qualquer um poderia perceber que tudo tinha acontecido por causa do presente de Leonia — o relógio.
'Nosso salvador.'
Lupe, em silêncio, reza em suas mãos, agradecendo de coração à jovem que trouxe paz ao Casa Voreoti.
“Papá! Senhor!”
Ferio e Lupe instinctivamente viraram suas cabeças ao ouvido da voz.
De entre os balaustrades do segundo andar, Leonia acenava entusiasmada, com apenas a cabeça aparecendo.
Lupe ignorou a voz de advertência de Ferio ao seu lado, murmurando: “Ela está sendo imprudente de novo.”
Logo, Leonia desceu as escadas.
Felizmente, ela estava bem aninhada nos braços de Meleis ao descer.
“Você esperou muito?”
Leonia correu até o lado de Ferio com passos rápidos e pequenos.
Ferio olhou para baixo, surpreso com a pequena criatura se aproximando dele.
No começo, ele nem conseguiu distinguir o que era aquele pacote — mas, à medida que se aproximava, começou a parecer mais e mais com sua filha única.
Foi só então que Ferio percebeu que aquela jovem senhora encantadora era, de fato, Leonia.
Foi a primeira vez na vida que ele se sentiu tão chocado a ponto de sentir os olhos saltando para fora.
Quando a menina sorriu para ele, o mundo ao redor deles pareceu escurecer como por mágica — só Leonia permanecia ali, cercada por uma luz branca radiante.
Lupe também ficou sem falar, admirado.
Era a expressão mais atordoada que ele já tinha usado na vida.
“Uau...”
Leonia não era diferente.
Com seus olhos grandes e redondos, ela observava Ferio e Lupe, ambos elegantemente vestidos, e de repente cobriu o rosto com as mãos.
O som foi tão agudo que até Ferio e Lupe, ambos em transe, finalmente saíram do espanto.
“Você está deslumbrante!”
Leonia sussurrou, quase chorando.
“Vocês dois estão tão bonitos...!”
“Senhorita, você também está absolutamente deslumbrante.”
“Que elogio tão clássico e sem graça.”
Ferio reclamou, dizendo que pelo menos poderia tentar parecer sincero.
“Vai lá e costure minha boca.”
Lupe deu um suspiro dramático — deve ser o único criado do mundo que é repreendido por elogiar a filha do patrão.
E não era bajulação — era algo sincero.
“Papá e senhorão estão tão incríveis que as garotas do bairro e até alguns solteiros vão se apaixonar por vocês!”
Leonia prendeu as mãos em sinal de preocupação fingida.
“E se até o imperador se apaixonar por vocês?”
Ela dramatizava, parecendo realmente preocupada.
Ao ouvir isso, Ferio e Lupe ficaram completamente pálidos — como se tivessem sofrido o insulto mais terrível do mundo.
“Se tem alguma coisa te incomodando, fala logo.”
“Não esconda — por que não me amaldiçoa direto?”
“Nossa, foi um elogio...”
Normalmente, eles deixariam as brincadeiras atrevidas de Leonia passarem, mas agora ambos a encararam com olhos desapontados.
Sentindo-se desconfortável, Leonia bateu levemente com a ponta do sapato no chão.
Depois, olhou para Ferio.
“Papá, como eu estou? Estou bonita?”
Ela mexeu timidamente os ombros, mãos enlaçadas atrás das costas.
A cada movimento, a coroa de flores em sua cabeça brilhava.
Desde os caules verdes até as delicadas pétalas, tudo era feito de joias.
“......”
Ferio olhou para ela em silêncio por um longo tempo.
A inclinação suave de sua cabeça mostrava como ele estava profundamente concentrado.
Mas quanto mais o silêncio se prolongava, mais o humor de Leonia parecia despencar.
'Será que não sou bonita...?'
Normalmente, ele lhe dava muitos elogios.
A pequena e adorable fera, agora desanimada, segurou a ponta do vestido e puxou um pouco.
Depois, olhou cautelosamente para Meleis atrás dela.
Quando seus olhares se cruzaram, Meleis lhe ofereceu um sorriso suave.
Durante a caminhada anterior, todos os empregados que passaram por ela a encheram de elogios.
Até o travesso Paavo ficou surpreso e mudo.
Meleis tinha certeza — não importa o que alguém dissesse, Leonia seria a estrela do banquete daquela noite.
Mesmo que as circunstâncias que a obrigaram a ir lá fossem completamente frustrantes.
Engolindo esse sentimento, Meleis murmurou baixinho.
“Olhe atrás de você.”
Leonia inclinou a cabeça.
“Atrás de mim? O que... o que tem atrás...?!”
Quando se virou como ela foi orientada, Ferio já estava agachado, de um joelho, bem na sua frente.
“Iuh! Nossa! Você me assustou!”
“Leonia, você acabou de falar uma palavra feia?”
Ferio a corrigiu com uma expressão séria.
“N-Não!”
Leonia balançou a cabeça apressadamente.
Recentemente, a Casa Voreoti tinha lançado uma campanha “Fale de Forma Adequada” para ajudar na educação emocional das crianças, por isso ela precisava tomar cuidado.
“Quero apenas que olhe a sementinha! A semente do grande Papá! Está perfeita!”
“E onde exatamente está essa tal sementinha?”
“Está bem ali!”
“Onde?”
“Obviamente, é...!”
Leonia quis responder com coragem, mas parou de repente, congelando.
Saiu suor da testa dela, e ela imediatamente fechou a boca.
'Quase que às cegas, fui para uma armadilha!'
Isso foi bem perigoso. Assustada, Leonia fechou os olhos rapidamente.
Ela quase olhara para baixo sem pensar — a caminho de se tornar uma degenerada completa.
“...Huh?”
Naquele momento, algo leve e macio foi colocado sobre seus ombros.
Leonia abriu os olhos bem fechados.