
Capítulo 73
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
...Na real?
Leonia deu de ombros.
Ela era a própria imagem da compostura.
Era óbvio o motivo de sua existência ter sido apagada das cartas de amor e propostas de casamento, mesmo sem precisar dizer em voz alta.
Todos a olhavam de cima a baixo—como a filha ilegítima da família Voreoti, nascida de uma mãe desconhecida.
Na sociedade nobre, o preconceito era profundo e estreito.
E esse era o coração da capital, onde os rumores sobre a família Voreoti estavam no pior estágio.
Nem mesmo o infame Duque do Norte poderia escapar à mancha de "um escândalo ilegítimo".
Mas Leonia não achava nada disso particularmente perturbador.
Estranho eu não ficar nem um pouco chocada.
Até ela mesma achava estranho. Se tivesse que arriscar um palpite, talvez fosse por não ter criado qualquer laço verdadeiro com os pais que a deram à luz.
Sua mãe fugiu por amor—uma membro afastada de um ramo da família Voreoti. Seu pai seria algum cavaleiro errante desconhecido.
Leonia não guardava amargura contra eles.
Talvez porque ela nem lembrava deles ao todo.
Não conseguia recordar de nada antes do orfanato.
Pobre Regina.
Quanto mais pensava, mais a sua própria mãe biológica parecia uma criatura lamentável.
Ela amava Regina?
Ela a valorizava?
Leonia tocou suavemente sua própria face. Pensava em como teria sido a vida daquela 'ela' antes de toda aquela gordura de bebê rechonchudo desaparecer.
Olhar para trás, e aquela versão mais jovem de si mesma tinha sido tão triste quanto Regina.
Paavo a observava com um olhar de silêncio e compreensão.
Enquanto Leonia, distraída, massageava a bochecha, perdida em pensamentos, Paavo interpretou tudo errado. Para ele, parecia que ela estava fingindo coragem em relação às suas origens.
Ele achava aquilo admirável e ao mesmo tempo comovente.
“Senhorita,”
Paavo ajoelhou-se e suavemente segurou sua mãozinha.
“Vamos nos divertir hoje?”
Hoje, os dois iam sair juntos.
Seguiam para a Academia—para visitar o irmão mais novo de Paavo.
Leonia pediu para ir, e Paavo prontamente concordou.
No entanto, após o incidente recente com a carta, Ferio ficou extremamente cauteloso em deixar Leonia sair sem ele.
Ele não proibiu as saídas completamente, mas quase isso.
No final, acabou dando autorização.
“Mas tem uma condição.”
Se alguém deixasse ela desconfortável ou dissesse algo desagradável, ela teria que contar pra ele imediatamente após voltar.
E Paavo deveria usar o uniforme oficial dos Cavaleiros de Gladiago enquanto estivesse com ela.
“Vamos andar com orgulho, para que Sua Alteza não fique preocupado.”
Paavo apertou a mão dela com segurança.
“...Mas você está calor, né?”
Leonia perguntou, olhando para ele em seu vestido sem mangas. Apenas olhá-lo fazia ela se sentir quente.
***
Leonia e Paavo seguiram até a Academia em um dos grandes carriões pretos providenciados por Ferio. Até os cavalos eram robustos — os maiores do norte, os mais fortes da propriedade.
No caminho, Paavo contou sobre seu irmão.
“Meu irmão mais novo se chama Bopa.”
“...O quê?”
“Bopa. Bopa Gaber.”
Paavo puxou uma carta que seu irmão tinha enviado.
Estava amarrotada por toda parte—prova de que Paavo tinha lido dezenas de vezes.
Que nomes são esses?
Ao contrário, era Bopa.
E invertido de novo—Paavo.
Leonia ficou completamente pasma com os nomes dos irmãos Gaber.
Não é de admirar que ambos tentassem cortar laços com a família.
Ela passou a acreditar que a rebelião deles começara com esses nomes.
Dar esses nomes aos filhos era basicamente um abuso infantil. Um crime doméstico.
“O que seu irmão estuda?”
“Ele está aprendendo relojoaria.”
“Uau, deve ser super inteligente!”
“Ele gosta de relógios desde que era pequeno.”
A família dele vendia bens de luxo, como joias e relógios, então seu interesse por eles era natural.
Até criança, se ele encontrasse um relógio quebrado, desmontava e remontava só por diversão, o dia todo.
Por causa disso, até Paavo já consegue fazer pequenos reparos em relógios.
“Até os outros cavaleiros da nossa ordem confiam em mim pra cuidar dos deles.”
Ele torceu os polegares, como se insinuasse uma renda extra agradável.
“...Você não é só um rostinho bonito, né?”
Hum, dinheiro é o melhor.
Leonia sorriu de maneira maliciosa, agitando os dedos, imitando a mesma brincadeira.
Soon, a carruagem chegou à Academia.
Naquele momento, um sino alto tocou pelos jardins — anunciando o fim da aula regular.
Pouco tempo depois, estudantes começaram a se amontoar ao redor do carrinho.
Paavo saiu primeiro.
“Pois então, senhorita.”
Com um movimento dramático do capa branca, Paavo abriu os braços. Atrás dele, o sussurro das estudantes aumentava.
Alguém comentou que ele era cavaleiro, outro que era uma besta do Norte — os boatos eram altos e claros.
Então, sem motivo algum, Paavo puxou seus longos cabelos cor de vinho para trás.
“......”
Leonia o encarou com um olhar que não dá para descrever.
Foi... impressionante.
De qualquer forma, graças à ajuda de Paavo, Leonia saiu do carrinho e entrou na Academia.
Registraram a visita e assinaram o livro de visitantes.
Na Academia, todos os estudantes precisavam ficar nos dormitórios durante o semestre.
Porém, podiam sair por um tempo após as aulas, e as famílias podiam visitar a maioria dos lugares do campus.
“E se alguém invadir?”
Leonia perguntou de repente, enquanto escrevia seu nome no livro de registros.
“Não precisa se preocupar!”
O funcionário assustado da Academia—claramente despreparado para uma visita surpresa da herdeira Voreoti—respondeu rapidamente.
“De um portão ao outro, todo o campus é protegido por artefatos mágicos de vigilância. Os dormitórios também estão protegidos do mesmo jeito.”
O funcionário ofereceu acompanhar, mas Leonia educadamente recusou.
“Vamos cuidar do nosso assunto com discrição e partir em silêncio.”
O funcionário ficou parado, estupefato com a maturidade daquela jovem.
Leonia segurou forte a mão de Paavo enquanto avançavam pelo interior da Academia.
Uma construção branca imaculada, com um teto envidraçado azul escuro.
O estilo arquitetônico exótico vinha do arquiteto-chefe—um imigrante do leste.
Mas por dentro, era muito imperial—excessivamente luxuoso.
Onde ela passava, as pessoas paravam para olhar.
Essa tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
Alguns olhavam abertamente, outros cochichavam com os colegas ao lado.
Alguns estudantes se assustaram com seus cabelos negros, enquanto outros apenas comentaram o quão fofa era a pequena Leonia.
“Está tudo bem?”
Paavo perguntou com cuidado.
Se ela sentisse qualquer desconforto, ele estava pronto para repreender todos e envolvê-la na capa na hora.
“Estou bem.”
“Não hesite em me dizer se não estiver.”
“Está melhor do que da última vez.”
Os olhares ainda eram desconfortáveis, mas definitivamente mais suportáveis do que antes.
“Hm, por que será?”
Leonia refletiu em voz alta. Inclinou a cabeça como se estivesse pensativa—um hábito—e, por perto, escapuliu um pequeno grito de animação.
Ela virou-se para a origem do som e avistou um grupo de três ou quatro garotas encarando-a com as bochechas vermelhas.
Claro, no instante em que ela virou, suas expressões ficaram pálidas.
Uau... Voreoti...!
Só o nome já era suficiente para assustar as pessoas.
Leonia se lembrou novamente do preconceito que existia contra o nome Voreoti em todo o império.
Quer dizer, quão assustadora poderia ser uma garota de sete anos virando a cabeça?
Não era ela que assustava. Era a família Voreoti por trás dela—e, especialmente, Ferio.
Mas eu nem sou assustadora.
Ela sorriu brilhantemente, tranquilizadora, e acenou com a mão.
Gradualmente, a cor voltou ao rosto das garotas. Depois de uma hesitação, elas devolveram o cumprimento.
“Olá, meninas!”
Ela chamou com uma voz encantadoramente animada, fazendo as garotas abrirem sorrisos largos e acenarem com entusiasmo.
“Coisinhas fofas,”
Leonia murmurou com carinho, virando-se para ir embora.
“Tudo no mundo era maravilhoso naquela idade—até mesmo folhas caídas podiam te fazer feliz.”
“Vovó?”
Paavo de repente recordou sua avó falecida, que o chamava de um apelido doce quando era pequeno.
Os dois seguiram caminhando.
“Então, onde vamos encontrá-lo?”
“Está na carta...”
Paavo puxou uma carta levemente amassada do casaco.
Seu irmão mais novo, Bopa, tinha escrito para se encontrarem sob a árvore de flores brancas no jardim esquerdo do prédio principal da academia.
“Como seu irmão é?”
Leonia perguntou, cansada de caminhar. Agora, ela estava confortavelmente apoiada nos braços de Paavo.
“Acho que ele não é seu tipo.”
Depois de um momento de hesitação, Paavo respondeu.
“...Como assim, meu tipo?”
Leonia, confiante e sem vergonha de suas preferências, franziu a testa diante do comentário casual.
“Bopa não tem muita carne no corpo.”
“Pois eu sou justa. Gosto de músculos magros também—”
“...Ele não tem músculo algum também.”
“Aish...!”
Leonia soltou um gemido teatral de desespero.
Ela rapidamente ajustou sua expressão, porém, ao perceber o olhar seco e mordaz de Paavo.
Ela tossiu de modo constrangedor.
“Eu não julgo as pessoas por esse tipo de coisa!”
“Mas você demonstra... preferência.”
“As pessoas podem entender mal se ouvirem isso!”
Leonia protestou rapidamente.
“Não é favoritismo—é... interesse seletivo.”
Paavo conteve o desejo de perguntar qual seria a diferença.
Se continuassem conversando, ele ficaria preocupado com o fato de os gostos escandalosos da jovem serem expostos para toda a Academia.
“Quando éramos crianças, meu irmão era muito fraco de saúde.”
Por causa disso, Bopa tinha doenças frequentes e não podia sair de casa com frequência.
Por causa disso, tinha pele pálida, era muito magro e frequentemente zoado pelos colegas do bairro.
“Me tornei cavaleiro também por causa dele.”
“Pra protegê-lo?”
“Ele era um menino tão gentil e dedicado.”
“Você também é gentil e dedicado, sabia...”
Leonia deu um tapinha na cabeça de Paavo, que lhe devolveu com um sorriso suave, agradecido.
De repente, uma pétala de flor branca passou suavemente pelo campo de visão deles.
A árvore de flores no jardim esquerdo da Academia balançava gentilmente com a brisa. Seus cpps brancos como neve se agrupavam como glicínias.
E, sob ela—
Alguém estava de pé sob os galhos floridos.
Sensível à presença, a figura virou lentamente.
Um cabeça de cabelo vinho—exatamente como Paavo—brilhava sob a luz. Estava cortada em um corte reto, até um pouco abaixo das orelhas.
Energia frágil de uke... [1]
Leonia se encheu de lembranças dos dias de fandom de sua juventude.
Mas Paavo era bastante bonito, então talvez esse também fosse um uke bem bonito...
Embora ela ainda hesitasse em olhar para Ferio com esses olhos—provavelmente porque sabia como a história original o vinculava à heroína Varia—outros personagens poderiam ser considerados.
Ele também parecia de fala mansa. Provavelmente um uke clássico gentil... não, isso está ultrapassado—como é chamado agora...
Com a cabeça cheia de pensamentos preconceituosos e não totalmente saudáveis, Leonia observou enquanto o irmão mais novo de Paavo se aproximava vindo debaixo da árvore.
Corte limpo de cabelo vinho. Pele delicada e clara.
“Irmão!”
Uma voz profunda e calorosa, cheia de alegria.
Braços musculosos e bíceps que se mexiam animadamente.
E a cada passo forte, os músculos das coxas sob o uniforme dele ficavam evidentes.
“......AIIIIIIIIIIH!”
Paavo soltou um grito de puro pânico.◈ Nоvеlіgһt ◈ (Continue lendo)
“É um uke tanque!”
Leonia gritou chocada, apontando o dedo trêmulo ao Bopa que se aproximava correndo.
“Por favor, não chame meu irmão assim!!”
Paavo, ainda meio gritando, deu um bofetada na mão de Leonia, que gesticulava em direção ao irmão dele.