
Capítulo 72
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
...O que é tudo isso?
Alguns dias depois.
Ferio apontou para uma caixa que estava sobre a mesa do escritório dele.
Ela estava cheia de cartas não abertas.
No momento em que Ferio viu a caixa, ele parou. Uma energia perturbadora irradiava das cartas dentro dela.
“São todas cartas de amor e propostas de casamento endereçadas a você, senhor.”
Tra gesticulou educadamente na direção da caixa com ambas as mãos.
“E todas chegaram só esta manhã.”
Não eram cartas coletadas ao longo de vários dias — todas foram entregues exatamente naquela manhã.
E essa não foi a única caixa. Momentos depois, os servos trouxeram mais duas caixas cheias de cartas.
“Para referência, excluímos encomendas e qualquer coisa muito grande.”
“…
“Achei melhor trazer para você saberem, então trouxe todos eles.”
Tra também parecia genuinamente surpreso com o aumento exponencial no volume de correspondências repentino.
Ferio sempre foi popular, mas esse nível de atenção era sem precedentes.
Normalmente, o nome “Voreoti” funcionava como um bom aviso.
“Uau.”
-> Uma cabecinha redonda apareceu por cima da borda da mesa.
“São todas para você, papai?”
Leonia perguntou com curiosidade inocente na voz.
Ela usava uma camisa de manga curta sob um vestido roxo de faixa larga, balançando levemente na ponta dos calcanhares enquanto observava, curiosa.
Sorrisos suaves surgiram nos rostos dos adultos na sala.
“Quando você entrou aqui?”
Ferio estreitou os olhos para cada um de seus subordinados enquanto fazia a pergunta.
Todos pareciam incomodados, mas acabaram abaixando a cabeça.
“Quando estavam carregando as caixas.”
Leonia, que tinha terminado o café da manhã, estava caminhando casualmente pela mansão quando começou a seguir silenciosamente os servos que estavam movendo as caixas.
Ela tinha um pressentimento de que algo interessante estava para acontecer.
E seu instinto estava certo.
“Então, todas essas cartas são de amor para o papai?”
“Não as confiro todas, mas...
Tra sorriu gentilmente, insinuando que essa era a probabilidade.
“Uau, pensei que você perderia seu charme depois de ter um filho, mas acho que não.”
“Isso nunca aconteceria.”
Ferio falou com certeza. Ele tinha uma compreensão bastante objetiva de sua aparência deslumbrante e de seu passado impecável.
Leonia lançou um olhar frio de lado para ele.
“...Só me ajuda a subir.”
Com a ajuda de Ferio, Leonia subiu na mesa e começou a vasculhar a caixa.
Logo, ela pegou uma carta e a examinou cuidadosamente.
“Parece uma carta de amor.”
Um envelope amarelo vivo, selado com cera que trazia três pétalas de flor. Até um leve aroma de perfume vinha do espaço na lacre.
“Pelo tom excessivamente alegre e leve, deve ser de uma mulher que se deixou levar completamente pela aparência do papai. Não é amor — é uma paixão passageira, como uma brisa que passa.”
“Você descobriu isso só com olhando?”
Lupe olhou para a carta e para Leonia, visivelmente assustado.
“Sim, essa mulher não é a certa.”
Leonia jogou a carta de lado com um movimento de pulso.
Lupe foi lembrado repentinamente de sua avó, a ex-marquesa de Pardus, resmungando e repreendendo seu marido nos anos finais de sua vida.
Tra pegou a carta descartada antes que ela caísse no chão com destreza.
E assim, Leonia entretinha-se examinando e deduzindo pelas cartas.
Enquanto isso, Ferio e os outros adultos haviam silenciosamente retornado aos seus respectivos postos de trabalho.
Leonia eventualmente desceu da mesa e sentou-se no sofá de recepção, organizando as cartas com calma.
Cartas de famílias que ela reconhecia iam para o lado direito. As que ela não conhecia, para o lado esquerdo.
Tudo que transmitisse uma vibração suspeita ou perigosamente clara era jogado sob a mesa em uma caixa separada, sem segunda olhada.
“Ah, é da Lady Hieina.”
Ao ouvir o nome, a mão de Ferio parou sobre seus papéis.
“Ela realmente gosta de você, hein?”
Havia uma pequena pausa, mas hoje ela tinha enviado sete cartas.
Sem nem olhar, Leonia colocou as cartas diretamente na caixa.
Um stalker que atormentava o pai seria tratado em nome de sua única e verdadeira filha.
“Ela já veio ao castelo?”
Com tamanha insistência, seria de se esperar que ela tivesse aparecido pelo menos uma vez.
“Ela nunca veio ao castelo.”
Tra acrescentou com um gesto de dedo na garganta: “Qualquer um que entrasse por ali seria logo detido pelos cavaleiros.”
Até mesmo o mais audacioso dos stalkers aparentemente valorizava a própria vida.
“Mas ela já veio, mais de uma vez...”
Lupe interrompeu, com o rosto pálido, como se estivesse lembrando de um trauma.
“Ela tentou, ‘por acaso’, cruzar o caminho do duque seguindo sua rota toda vez que ele saia do castelo. Foi aí que percebi — sim, mesmo na minha idade, quase me molhei todinho de medo.”
Leonia abriu a boca surpresa.
A Lady Hieina era uma stalker que excedia todas as expectativas dela.
“Ela rastreou os movimentos do papai?”
“Ela só o seguia e se adiantava.”
“Ela é insana.”
Leonia passou a mão pelo braço, arrepiada com os pelos eriçados.
“Você não tá errado, jovem senhora,” disse Tra com um sorriso irônico, “mas acho melhor não usar essa palavra...”
“Mas pensando bem...”
Leonia coçou o queixo, pensando.
“Se alguém vai casar com o papai, provavelmente precisa desse nível de obsessão e insanidade.”
“Você tem razão.”
“Concordo totalmente.”
Lupe e Tra concordaram com a cabeça.
“... Vocês estão passando dos limites.”
Ferio, que vinha ouvindo calmamente, deu um aviso direto, porém equilibrado.
Foi só aí que Lupe e Tra fecharam a boca e voltaram ao trabalho.
“E quanto a mim? Posso passar dos limites também?”
Leonia sorriu brilhantemente e apontou para si mesma.
“Você já perdeu a esperança faz tempo, hein.”
“Não desista de mim, papai!”
“Tô trabalhando. Silêncio.”
“Silêncio!”
Hop! A pequena fera bateu as mãos na boca.
Leonia voltou a ordenar as cartas em silêncio. Com a permissão de Ferio, até abriu algumas e percorreu seu conteúdo.
[Ao Black Beast, Mestre do Norte.]
Leonia fez uma careta.
Ugh, que infantilidade!
Essa abertura fazia sua pele exalar arrepios.
Claro, Voreoti tinha o apelido de Fera Negra, mas Leonia nunca tinha visto Ferio se referir a si mesmo assim.
“Chamaram o papai de ‘Fera Negra, meu senhor’.”
“......”
A sobrancelha de Ferio se contraiu enquanto assinava um documento. Lupe, logo ao lado dele, segurando o próximo, apertou os lábios com força.
Sim. Ele odeia isso.
Leonia voltou a ler a carta.
[Sempre que o sol do verão cega meus olhos, lembro do seu sorriso gentil, meu senhor...]
Seus olhos negros como ébano pararam na metade da página.
Seu sorriso?
Suave, até?
“Que tipo de besteira é essa — como espetar um nariz de palhaço com um picolé no meio de julho...”
Haa...
Com a frase afiada e vívida da filha, Ferio soltou um longo suspiro.
Mas Leonia ficou genuinamente perturbada.
Até onde ela sabia, Ferio não sorria facilmente. Ele não era alguém que oferecia calor ou gentileza a qualquer um.
Ele só faz isso comigo.
Não era arrogância — Ferio realmente só sorria e mostrava carinho para Leonia.
No romance original, é claro, ele só sorria para Varia, a protagonista feminina. Mas, por enquanto, só Leonia tinha o monopólio dessas expressões raras.
Suas suspeitas foram logo confirmadas por outras cartas.
“Essas mulheres sem vergonha...!”
“É sem vergonha, não ‘sem-vergonhice’,” corrigiu Ferio, clicando com a língua enquanto se levantava.
Leonia tinha estado agitadamente acenando a mãozinha, chamando-o para perto.
Ela entregou diversas cartas a ele.
“......”
Os olhos de Ferio se aguçaram enquanto começava a ler.
[Quando você apareceu na livraria...]
[A mão que aceitou o doce de fruta...]
[Nos encontramos no restaurante...]
“Foi por minha causa.”
Leonia indicou seu próprio peito com o dedo.
O motivo da súbita quantidade de cartas.
Todas essas mulheres tinham se apaixonado por Ferio enquanto ele estava com Leonia na rua.
A imagem do duque Voreoti temido e assustador tratando uma criança com raro carinho havia se espalhado pelo palácio como fogo selvagem.
No final, foi Leonia quem fez Ferio parecer assim — ela foi a principal responsável.
“Mas por que você acha que é sem vergonha?”
Ferio perguntou após terminar as cartas. Não havia nada particularmente escandaloso nelas.
“Nossa, escuta esse cara.”
Leonia pousou as mãos nos quadris, encarando-o de lado com uma expressão completamente desinteressada.
Os remetentes todas babaram pela bondade e atenção de Ferio com sua filha. Alguns admitiram que foi nesse momento que se apaixonaram por ele.
“Mas eu nem tô nelas.”
Ao ler cuidadosamente cada carta, Leonia percebeu uma coisa muito estranha.
Nessas cartas românticas e apaixonadas, [N O V E L I G H T], não havia uma única menção a ela.
Parecia que os autores a haviam apagado completamente, como se ela nunca tivesse existido, ou como se todos tivessem concordado em fingir que ela não estava lá.
“...Tra.”
Ferio chamou de repente.
O clima calmo do escritório mudou abruptamente—ficou pesado de uma desaprovação fria.
“Verifique todas as cartas aqui dentro.”
“Entendido.”
Tra, que auxiliava na papelada no fundo, pegou silenciosamente a caixa de cartas.
“Vou examinar cada uma e fazer uma lista de quaisquer com conteúdo suspeito ou inadequado.”
O mordomo perspicaz logo percebeu o que deixou Ferio tão irado — e o que ele precisava fazer a respeito.
“Tsc, esses dias...
Leonia balançou a cabeça, exasperada.
A lista de possíveis candidatas a madrasta havia sido drasticamente reduzida.