
Capítulo 74
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Irmão...”
Bopa olhou para o irmão mais velho com os olhos brilhando de lágrimas, ao vê-lo novamente depois de tantos anos.
Fortes dedos delicados gentilmente secaram a umidade dos cantos dos olhos dele.
“O que... o que aconteceu com você?!”
O momento emocional desapareceu instantaneamente para Paavo.
“Como isso aconteceu?! Por que diabos você virou Manus?!”
Foi praticamente um grito de desespero.
O irmão mais novo, antes delicado, que ele não via há anos, tinha ficado tão bem construído que parecia Manus, o cavaleiro mais fisicamente impressionante da Ordem de Gladiago.
Paavo ainda era mais alto, mas Bopa era visivelmente mais robusto.
“Lembra do que você me deu antes de sair de casa...?”
“Sim, eu te dei.”
A única fraqueza de Paavo sempre foi seu irmãozinho frágil.
Temendo que ele se sentisse só ou assustado sem ele, ele deu ao Bopa um urso de pelúcia firme como presente final—algo que pudesse apoiar-se em seu lugar.
“Aquele ursinho que você me deu é por isso que acabei assim.”
“O que diabos você fez com aquele pobre ursinho...?”
Paavo quase chorava ◆ Nоvеlіgһt ◆ (Só na Nоvеlіgһt).
“Treinei meus socos nele até ele explodir.”
Ao lembrar que seu irmão mais velho nunca pulava o treinamento enquanto se preparava para ser cavaleiro, Bopa transformou o ursinho em um saco de areia e deu golpes nele.
“E depois que explodiu, coloquei uma pedra pesada dentro, costurei de novo e usei para treino com peso.”
Quando sua resistência começou a aumentar, muitas coisas mudaram.
Com um corpo mais forte, um pequeno empurrão já era suficiente para afastar os valentões. Ele até parou de ficar doente com tanta frequência.
“Tudo graças a você, irmão mais velho.”
“Não... não é isso...”
Paavo não queria assumir a responsabilidade por aquele músculo.
Como membro da Ordem de Gladiago também, Paavo tinha músculos forjados por treinamentos rigorosos.
Ele entendia profundamente a estética e o esforço por trás da verdadeira força.
Era um dos cavaleiros que exibiam seus peitorais ao som das “canções musculares” de Leonia.
Mas ele realmente não queria que seu precioso irmãozinho se tornasse outro Manus.
E, acima de tudo, não queria admitir que tudo isso poderia ter começado por sua causa.
“Paavo oppa.”
Ao puxar lentamente uma manga para baixo, Paavo olhou para baixo.
“Você não vai me apresentar?”
Leonia olhava para Bopa com os olhos brilhando mais do que nunca.
Havia uma ganância oculta e maligna naquela expressão, como se estivesse avaliando-o como uma fera valiosa.
Nesse momento, Paavo compreendeu profundamente as dificuldades diárias de Ferio na criação dos filhos.
“Pois bem... fico feliz só de você estar bem.”
Talvez até demais—mas mesmo assim, já fazia anos desde a última vez que se encontraram.
Ele conseguiu, com esforço, abraçar o irmão que tinha crescido tanto que ambos os braços não eram mais suficientes para abraçá-lo completamente.
“Bopa, quero que você conheça alguém.”
Paavo virou-se para apresentar Leonia.
“Ela é a mocinha do Duque Voreoti. Esta é a senhorita Leonia.”
“Voreoti...”
Bopa repetiu o nome atordoado antes de se recompor.
“Desculpe a apresentação tardia! Sou Bopa Gaber, irmão mais novo—bem, do Sir Gaber aqui. Estou estudando relojoaria na Academia.”
“Prazer em conhecê—”
“Senhorita.”
Paavo balançou a cabeça.
Significava: sem títulos formais.
Por mais que Bopa fosse precioso para ele, Leonia não tinha motivo para falar com ele com respeito formal.
Esse tipo de coisa precisava ficar bem claro.
Na verdade, Bopa ficou visivelmente desconcertado com o tom polido de Leonia. Percebendo isso, ela rapidamente ajustou suas palavras.
Se continuasse falando formalmente, provavelmente ambos ficariam desconfortáveis.
“Eu sou Leonia. Prazer em conhecê-la.”
“É uma honra conhecê-la.”
Leonia estendeu a mão para um aperto de mãos.
Bopa hesitou, olhando para Paavo. Paavo apenas sorriu de forma constrangedora e deu de ombros.
Significava: vai lá, apenas aperte a mão dela.
“Mas esses músculos são incríveis.”
Assim que as apresentações terminaram, Leonia foi direto ao ponto principal.
“Como você treinou? Tem algum método especial?”
Suas mãos pequenas se moveram no ar como se estivessem amassando músculos invisíveis.
Ela não podia simplesmente ficar tocando nos músculos de Bopa sem permissão, então traçou sua forma com os olhos e dedos.
“Ah, bem...”
Enquanto Bopa gaguejava envergonhado, Paavo baixou suavemente entre eles.
“Que tal nos mostrar a Academia?”
“Huh? Ah, claro! Por aqui.”
Os irmãos, reunidos após anos, moveram-se em sintonia, sem nem uma ponta de constrangimento.
***
Enquanto Bopa guiava-os pela Academia, ele e Paavo trocavam novidades sobre suas vidas.
Mas a conversa não seguiu muito bem—as pessoas estavam constantemente olhando para Leonia.
Sensível à culpa, Leonia fez um convite para visitarem a mansão na próxima vez.
“Posso mesmo ir...?”
Bopa não conseguiu responder de imediato. Mesmo com o corpo maior, sua natureza tímida e cautelosa não havia mudado nada.
Paavo, lembrando do irmãozinho de quando era criança, de repente se sentiu emocionado.
“Claro! Você é meu irmão!”
Ele riu alto e deu um tapinha nas costas de Bopa.
Era uma brincadeira leve, encorajadora—mas ele se assustou com a massa dura das costas de Bopa, os músculos latissimus dorsi.
Depois, discretamente, tocou sua própria costas. Era quase igual à dele, depois de tanto treinamento.
“Vamos sair na próxima. E me conta mais sobre a Academia.”
“Y-Yeah! Se vocês vierem à mansão, a senhorita vai ficar super feliz também.”
“Ah...”
Bopa baixou rapidamente a cabeça, os olhos ardendo. Com cuidado, limpou as lágrimas úmidas com a manga.
“Por que chorando por uma coisa dessas?”
Leonia acariciou as costas de sua outra mão de forma reconfortante.
“Seu corpo pode ser grande, mas você ainda é só uma criança.”
Ela estendeu um lenço, claramente oferecendo para que ele enxugasse as lágrimas.
Mas Bopa já não precisava mais dele.
Quando um garoto muito mais novo chamou-o de “garoto”, suas lágrimas sumiram na hora.
Mesmo assim, não teve coragem de rejeitar um presente da jovem mocinha, então deu uma leves batidinhas ao redor de seus olhos molhados e devolveu o lenço.
Leonia sorriu satisfeita e guardou o lenço no bolso.
“A senhorita Bosgruni uma vez me disse: uma encharpe de dama existe para secar as lágrimas de um cavalheiro.”
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
“Bosgruni?”
Bopa Espreguiçou-se.]
“Você não quer dizer Ardea Bosgruni?”
“Você conhece ele?”
Leonia queria dizer Hero Bosgruni, mas o nome Ardea chamou sua atenção, então continuou perguntando.
“Ele foi professor na Academia até o ano passado.”
“Ah, é...”
Leonia lembrou de algo que tinha esquecido.
Antes de se tornar sua tutora, Ardea morava na capital.
Ferio tinha mencionado uma vez que ele era professor na Academia e membro do Instituto de Pesquisa.
“Ele era uma figura de destaque.”
“Sério?”
“Sério.”
Leonia e Paavo trocaram olhares.
Para Leonia, o Ardea que ela conhecia na mansão do norte não parecia alguém tão “grande.”
Ele ficava lendo o dia inteiro como uma estátua de pedra, e quando ensinava, torcia todas as perguntas só para atormentá-la.
Depois que Hero Bosgruni chegou como seu mestre de etiqueta, virou totalmente o jogo contra ele.
Essa foi a impressão que ela teve de Ardea.
Mas parecia que as pessoas da Academia, incluindo Bopa, o viam de forma diferente.
“Ele era excêntrico, com certeza, mas suas habilidades eram impressionantes. Existe até uma espécie de lenda de que todo aluno que ele favorecia tinha sucesso na vida. E não é boato—it’s real.”
Bopa se ofereceu para mostrar provas e os levou até uma sala de exibição.
Ela estava cheia de prêmios, conquistas e relíquias da longa história da Academia.
“Uau!”
Leonia não pôde deixar de soltar um suspiro—e o som ecoou na sala.
“Olha aqui.”
Após diversos troféus, certificados, até uma espada concedida por um antigo imperador—
Bopa apontou para placas cobertas por uma parede inteira.
Elas listavam os nomes dos oradores mais destacados—os melhores alunos da história da Academia.
“O Duque Voreoti também está aqui.”
Ele apontou para a sétima placa a partir do final.
Paavo levantou Leonia para que ela pudesse ver melhor.
“Nome do papai...”
Seu dedinho pequeno traçou as letras gravadas.
Na placa de bronze lisa, o nome Ferio Voreoti se destacava claramente.
Leonia ficou fascinada.
“Ouvi dizer que o Professor Bosgruni foi contratado depois que o Duque se formou. Alguns dizem que o Norte pressionou a Academia...”
Bopa falou com cautela, observando a expressão de Leonia.
Mas ela estava calma.
Na verdade, ela achava que o boato provavelmente era verdadeiro.
O ex-Duque Voreoti deve ter puxado os cordões.
A família Bosgruni era uma casa extremamente leal a Voreoti.
E, para que seu líder abandonasse a família e fosse para a capital com esposa e filhos? Não seria estranho se Ferio tivesse garantido que ele não fosse trabalhar na Academia enquanto estivesse estudando lá.
“De qualquer forma, todos que se formaram após o Duque até o ano passado foram, aparentemente, seus alunos. Muitos até trabalharam como seus assistentes.”
Bopa indicou para a parte direita da parede de placas.
Leonia olhou pelos nomes de forma casual.
‘Nenhum deles é melhor que o papai...’
Ela ia mandar uma vaia—até que—
“...”
Seus dedos pararam na última placa, onde estava o nome do mais recente melhor aluno.
Ela prendeu a respiração.
Seus olhos escuros, carregando aquele nome, tremiam.
“Essa pessoa...”
Ela tentou falar sobre o nome na placa, mas acabou soltando uma tosse pequena por causa do choque.
Engasgou-se de tanta surpresa.
Paavo rapidamente cobriu sua boca com a manga e lhe entregou uma garrafinha d’água.
Enquanto Leonia se acalmava, Bopa falou.
“Aquele é o Senior Erbanu.”
“Você... conhece ela?”
Leonia perguntou, ainda recuperando o fôlego.
“Ela era bastante famosa.”
Bopa escolheu suas palavras com cuidado.
“Uma veterana que morou no meu dormitório uma vez disse que nunca tinha visto alguém estudar com tamanha obsessão na vida toda. Aparentemente, ela praticamente não tinha vida social—só estudava.”
“...”
“Pensando bem, ela é igual ao Duque.”
“Quer dizer, igual como?”
“Ela entrou na Academia como a melhor da turma... e se formou também como a melhor.”
Leonia olhou novamente para a última placa.
Varia Erbanu.
‘Caramba...!’
Leonia mordeu o lábio com força.
‘Aquela mulher—ela regrediu!’