
Capítulo 69
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“Estou tão feliz...!”
Com o rosto corado de alegria, Leonia abraçou o livro recém-comprado com ambos os braços.
Ela finalmente tinha pego em mãos *Life Is Revenge*, o livro que desejava há tempos, enquanto estava na propriedade Rinne.
Isso é incrível!
Ela realmente sentia vontade de dançar no meio da rua de tanta felicidade.
Conseguir a continuação de um livro favorito não era tarefa fácil.
Não que ela realmente quisesse começar a dançar em público.
Ugh, acho que estou me parecendo cada vez mais uma criança.
Leonia mal conseguiu conter sua empolgação.
Claro, ela estava no corpo de uma criança, mas ser constantemente tratada como uma por adultos ao seu redor fazia ela se sentir ainda mais uma.
Ah, isso não dá.
Em vez de dançar na rua, ela se contentou em balançar os pés para cima e para baixo, no lugar.
Para ela, aquilo era uma forma extrema de contenção—mas ela não conseguiu impedir que suas shorts azulados balançassem energicamente a cada passinho.
Justo então, uma grande mão pousou na cabeça dela.
“Você está tão feliz assim?”
Ferio, que a tinha seguido para fora da livraria, deu um sorriso meio desgastado.
Ver ela tão radiante por um único livro deu a ele um sentimento de simpatia.
“Toda essa alegria por só um livro.”
Ferio achou que precisava comprar coisas melhores para ela—mais frequentemente—para que ela desenvolvesse um olhar mais apurado.
“Muito obrigada, papai.”
Leonia, ainda abraçando o livro com as duas mãos, agradeceu pela centésima vez, parecendo uma criança mesmo.
“Hmph...”
Ferio se abaixou apoiando-se em um joelho. Seus olhos se encontraram, e ele inclinou a cabeça um pouco.
“Só isso? Palavras?”
“Então vou te dar um beijo!”
Leonia arregalou os lábios como o bico de um pato e deu um beijo na bochecha de Ferio.
Naquele instante, um murmúrio forte e espalhado se fez ouvir entre a multidão próxima.
Mas o pai e a filha, duo de feras, não ouviram nada.
Leonia, exatamente como Ferio tinha ensinado, ignorou os olhares rude e os sussurros.
Ela achava que todos estavam apenas morrendo de inveja e, por dentro, zombou deles.
“Vamos, então?”
“Vamos!”
Pouco tempo depois, a carruagem preta se afastou da livraria.
No interior, Leonia cuidadosamente colocou o livro novo ao lado dela.
A capa dura era resistente o bastante para não se danificar, mas, por precaução, ela desfez o laço da capa e a envolveu delicadamente com ela.
“Hehe, está novinho.”
Ferio, que a observava, ficou completamente sem palavras.
Seu olhar irritado cutucou de leve Leonia.
“O que foi agora? O que foi?”
Leonia massageou a testa, olhando com desconfiança para Ferio.
“Você se atira em cima de mim, e agora...”
“...Nem é de se surpreender que o lugar pareça tão sossegado.”
O breve momento de carinho que tiveram na livraria claramente tinha sido uma ilusão.
Até Leonia achava que haviam se dado de modo incomum.
Na verdade, se ele não estivesse discutindo nem por um momento, provavelmente sua boca estaria toda coberta de espinhos.
Suspirando, Leonia balançou a cabeça.
Para ela, Ferio era exatamente como uma criança—quanto mais gostava, mais zoava.
Se Ferio soubesse disso, provavelmente se encheria de raiva e criticaria até a própria sombra.
“Você está morrendo de ciúmes do livro, papai?”
Leonia soltou a frase de brincadeira, tão tola que nem parecia uma resposta de verdade.
“....”
Porém, Ferio apertou os lábios e fechou um olho, claramente tocado no coração. Leonia arregalou os olhos.
Depois, ela explodiu em risadas.
“Ele está com ciúmes! Ele está com ciúmes!”
O poderoso duque de Voreoti, com ciúmes de um único livro que sua filha adorava—que história, se ela saísse espalhando por aí!
“Eu comprei esse livro pra você.”
“Uau, papai, que ...”
Aquela frase mesquinha deixava a outra parte sem reação alguma.
Leonia fez uma nova descoberta.
Ferio era um homem com um coração bem estreito.
E, mesmo assim, ele continuava sem vergonha, usando isso como justificativa para exigir mais afeto em troca.
“Já te dei um beijo.”
Leonia mais uma vez franzou os lábios, provocando com ◈Night◈ (Continue lendo).
Ferio gentilmente passou o dedo pelos lábios dela. Só então, aquelas bocas chatinhas se retraíram.
“Por amor de Deus, cresça um pouco. Você está mesmo comparando eu a um livro?”
“Pelo menos, sei que não sou tão bom quanto um livro.”
“Hahaha—pffft!”
Leonia finalmente explodiu de rir, jogando-se de lado, às gargalhadas descontroladas.
Ela ria tanto que quase não conseguia respirar e, por fim, se sentou novamente, ofegante.
“...Já parou de rir?”
Voz de Ferio apareceu baixa, de verdade, demonstrando insatisfação.
“Minha barriga dói de tanto rir...”
“Você é uma atrevida.”
“E agora estou com fome...”
“Impressionante, mesmo.”
Ferio abriu a janela traseira. O cocheiro, percebendo o movimento, começou a reduzir a velocidade da carruagem.
“Tem algum lugar perto que venda algo leve para comer?”
“Tem um vendedor de balas de fruta, senhor.”
“Ainda não é hora do almoço...”
Ferio hesitou por um instante, depois entregou ao cocheiro um saco de moedas.
Logo, a carruagem parou, e o cocheiro voltou com uma cesta de doces variados de um vendedor ambulante.
Cada pedaço vinha cuidadosamente embrulhado em papel amarelo, feito de fruta da estação coberta por uma camada de açúcar cristalizado.
Ferio pegou o menor deles.
“Eu quero o maior.”
“Você não vai conseguir almoçar.”
“Que chato.”
Apesar de reclamar, Leonia aceitou o doce sem resistência.
Dentro da cobertura de açúcar cristalizado, havia três bagas vermelhas escuras.
“Obrigada pela comida.”
Ela fez uma reverência educada e colocou uma das bagas na boca.
“... Parece açúcar.”
“É açúcar.”
Ferio distribuiu o restante pela janela para os cavaleiros que vinham logo atrás.
Antes que a janela se fechasse, a voz nervosa de Paavo pôde ser ouvida claramente—“Quer que a gente cuide da carruagem enquanto segura isso?!”
“Você não vai comer uma, papai?”
“Não sou fã de coisas muito doces.”
“Papai fala que não gosta de doces~”
Leonia cantou espontaneamente. Ferio sorriu sutilmente, impressionado com a espontaneidade dela.
“Que tipo de música é essa?”
“Uma canção de respeito filial.”
Yayayaya, é assim que vivemos.
Assim é que nós lamentamos.
“E choramos nossas lágrimas~!”
Leonia assobiou uma melodia antiga de sua memória, seguindo o ritmo com entusiasmo crescente.
Esta tradução é propriedade intelectual da Novelight.
“Tão ocupada sozinha, hein.”
Cantando, comendo bala e inspecionando seu novo livro com cuidado—Ferio se inclinou um pouco para frente, observando silenciosamente sua filha se divertir sozinho.
A forma como seus dedinhos e lábios se moviam enquanto conversava consigo mesma era surpreendentemente fofa.
Especialmente aquele queixo redondo—era bastante encantador.
“Antes do almoço,” disse Ferio, passando um pouco de pó de açúcar do cabelo dela, “vamos fazer uma paradinha rápida em algum lugar.”
“Para onde?”
Leonia perguntou com a última baga ainda na boca, inflando uma bochecha de leve.
“Para a Academia.”
“A Academia?”
Era um lugar estranho de se visitar, mesmo depois de ouvir a respeito.
“Por que você vai lá?”
“Preciso confirmar uma coisa.”
Como se quisesse comprovar as palavras de Ferio, a carruagem logo entrou em um prédio.
Na entrada, havia uma figura de uma coruja pintada, junto com o nome do edifício.
Ora, pensando bem...
Ao ler rapidamente o nome, Leonia lembrou-se de alguém.
Professor Ardea não tinha dito que trabalhava na Academia?
***
A Imperial Bellius era uma monarquia.
No entanto, ao examinar mais de perto, o país funcionava muito mais como uma federação.
Além da capital central onde residia o imperador, as outras quatro grandes regiões tinham há tempos governos poderosos, anteriores à fundação do Império.
Até hoje, seus descendentes governam essas regiões com títulos de nobreza.
Eram as grandes famílias nobres—como Voreoti, Hesperi e Ortio.
Por causa disso, a autonomia regional era extremamente forte, enquanto a autoridade imperial era relativamente fraca.
Essa estrutura singular do Império também se refletia em seus centros de influência.
Existiam três forças principais que moviam a nação.
Primeiro, o Conselho dos Nobres, onde a família real e os aristocratas mais importantes se reuniam para discutir os assuntos do estado.
Segundo, os círculos sociais na capital, onde as damas nobres se encontravam e trocavam informações.
E terceiro, a Academia.
Então, essa é a Academia...
Depois de descer da carruagem, Leonia inspecionou um monumento próximo.
Ele havia sido presenteado por ex-alunos da Academia de muitos séculos atrás, em homenagem aos professores da instituição.
O monumento carregava o nome oficial completo: Instituto Imperial Bellius para o Estudo e Avanço do Conhecimento e Tecnologia.
A Academia era um bastião de intelecto elevado, o depósito do conhecimento moderno, e a instituição mais prestigiosa do Império, onde apenas as mentes mais brilhantes se reuniam para estudar e desenvolver ciência e tecnologia.
Hmmm...
Leonia inclinou a cabeça para trás, olhando além do monumento para o edifício da própria Academia.
O exterior amarelado mostrava seus longos anos de história.
Ao mesmo tempo, revelava o quanto o lugar precisava de reformas urgentes.
A parede sob o telhado tinha um buraco grande, e algumas janelas de vidro estavam trincadas e remendadas com o que parecia jornal antigo.
“Eles não têm dinheiro aqui?”
Leonia sussurrou suavemente, apenas Ferio podendo ouvir.
Isso porque um grupo de adultos do prédio vinha na direção deles para recebê-los.
“Gastam o orçamento de reparos em materiais para suas pesquisas pessoais.”
Ferio deu um exemplo—sua tutora, Ardea.
“...Ah.”
Ardea Bosgruni, a ex-condessa que abandonou títulos e família para seguir sua pesquisa. Assim que pensou nele, Leonia entendeu imediatamente do que se tratava o lugar.
“Duke Voreoti.”
De repente, uma mulher da Academia chegou. Seus cabelos brancos nítidos estavam presos em um coque simples.
“Prazer em revê-lo novamente, Duque do Norte.”
“Muito tempo, professora.”
“Professora?”
Leonia arregalou os olhos redondos.
“Ela foi minha professora quando frequentei a Academia,” explicou Ferio, apresentando a mulher idosa como sua mentora.
Imediatamente, Leonia endireitou a postura e a cumprimentou educadamente.
Se Ferio estava a apresentando pessoalmente, ela tinha que ser alguém importante para ele.
“Olá, é um prazer conhecê-la. Meu nome é Leonia Voreoti.”
“Prazer em conhecê-la, Senhora Voreoti. Eu sou Strige Buffo. Já ensinei o Duque Voreoti aqui mesmo.”
Seu rosto, enrugado e suave, se curvou em um sorriso gentil. Leonia retribuiu com um também.
Ela parecia exatamente o tipo de avó que te dá doces na mão.
“Que tipo de aluna era meu pai?”
Leonia perguntou de modo direto, fazendo Strige soltar um pequeno suspiro de surpresa.
Mas depois ela riu suavemente, divertindo-se.
“Que tipo de aluna você acha que ele foi?”
“Uma aluna boa em tudo.”
Com isso, um leve sorriso brincou nos lábios de Ferio.
“Exatamente. O Duque Voreoti foi um aluno excepcional—não havia nada que ele não pudesse fazer.”
“Mas ele não consegue desenhar.”
Leonia revelou, lembrando que, entre catástrofe e destruição, residia a arte de seu pai.