Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 62

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Leonia era uma das poucas que sentia enjoos severos na primeira vez que passava por uma Portão.


Enfurecida, ela franziu os lábios.

“Mas normalmente você só fica doente na primeira vez. Depois, fica tudo bem.”


Mia tentou consolá-la.

“Então por que meu pai fez eu tomar remédio contra enjoo na última vez?”


“O mestre simplesmente... preparou, só por garantia.”


Na primeira vez, Leonia vomitou tudo dentro de si, então Ferio conseguiu uma poção poderosa contra enjoo enquanto o Marquês Ortio permanecia no Norte.


Não era preciso explicar o quanto uma poção feita pelo maior mago do império devia ter custado.


“Papai...!”


Movida, Leonia correu em direção a Ferio, que estava no meio de uma conversa com seus cavaleiros.


Ferio, que havia recebido o relatório final da inspeção do carroça, olhou surpreso para Leonia, que de repente se apega a ele.


Os cavaleiros ao redor dele estavam igualmente perplexos.


“......”


Ele observou a ela, pensando se algo havia acontecido, e percebeu que suas orelhas estavam vermelhas brilhantes.


E a maneira como ela escondia o rosto contra a perna dele — claramente, algo a tinha deixado feliz e tímida.


“Parece que a jovem senhora estava se sentindo sozinha.”


Um dos cavaleiros olhou para o par com um sorriso caloroso.


Os outros concordaram com a cabeça.


Para eles, ela parecia uma criança adorável fazendo birra porque não queria ficar longe do pai.


“Sério.”


Ferio balançou a cabeça, como se estivesse cansado.


“Você deveria ter esperado quieta.”


Ele a repreendeu por falta de paciência, mas ao mesmo tempo abaixou discretamente um braço para acariciar suavemente seu ombro.


Os cavaleiros lutaram para segurar o riso.


Se rirem agora, não será a capital do outro lado do Portão — eles irão direto para o inferno.


“Vamos partir, então.”


Ferio entrou na carruagem como se nada tivesse acontecido.


Logo, todos retornaram às suas posições. Os cavaleiros montaram em seus cavalos e formaram novamente a formação.


“......Uau, viu aquilo? Viu mesmo?”


“Nunca imaginei que nosso senhor fosse se transformar assim.”


“Bom, né? Uma mudança boa, não acha?”


Os cavaleiros ainda ficavam impressionados toda vez que presenciavam esse lado paternal de Ferio.


“É meio...ê, delicado, né?”


Um deles fez um gesto imitando coçar o próprio braço, e os outros suprimiram o riso.


Para os Cavaleiros de Gladiago, Ferio sempre foi o temível, forte Lobo Negro. Ver ele como pai ainda era estranho.


Porém, sem dúvida, era uma mudança positiva.


A passagem pelo Portão foi tranquila.


Entre duas enormescolunas retorcidas — distorcidas como se fossem agarradas por uma mão gigantesca — ficava a entrada. Logo atrás delas, a paisagem verdejante era projetada como se fosse numa tela, e a carruagem passou por ela.


‘Ah.’


Ao atravessar o Portão, Leonia sentiu uma sensação de aquecimento dentro de si.


Era a mesma sensação que ela tinha sentido na primeira vez.


Justo quando ela baixou reflexivamente a cabeça, a grande mão de Ferio lentamente passou por suas costas.


Era o modo dele de dizer que tudo bem se ela precisasse vomitar.


Um lampejo de preocupação passou pelos olhos do pai que cuidava de sua filha.


Por sorte, Leonia estava bem.


Graças aos preparativos detalhados, nem a carruagem nem os cavalos foram prejudicados.


Depois de passar com segurança pelo Portão, Leonia sorriu orgulhosa.


“Eu não vomitei!”


“Que bom.”


A mão que acariciava suas costas desapareceu como se nunca tivesse estado ali.


Ferio virou-se para olhar pela janela, como se nada tivesse acontecido. Leonia o encarou com um sorriso bobo.


“Papai me ama muito, muito mesmo!”


“Não comece a cantar música boba.”


“É verdade!”


“Chega. Olha ali.”


Ferio deu um cutucão suave na testa dela, irritado com a algazarra.


Mesmo tendo sido castigada por se comportar de forma infantil, Leonia sorriu brilhantemente e voltou para a janela.


“Waaah!”


De repente, a paisagem lá fora mudou como por mágica.


A floresta densa desapareceu, dando lugar a um campo amplo, pontilhado com algumas casinhas pequenas.

Na mesma hora, uma brisa passou pelo campo, e a grama e as flores ondularam como ondas.


“Que legal! A gente realmente mudou de lugar num piscar de olhos.”


“Não é sua primeira vez vivendo isso.”


Ferio a orientou a se comportar, colocando-a na posição correta.


“Quando fomos para o Norte? Eu estava zonza de tanto vomitar. Ainda bebi aquele orvalho...”

p>O que ela tentou descrever com detalhes vívidos foi o fato de ter engolido três garrafas de orvalho verde e ter ficado com ressaca no dia seguinte — mas ela parou no momento exato.


Depois, olhou de esguelha de maneira ardilosa.

“Orvalho?”


Afortunadamente, Ferio only percebeu a palavra “orvalho.”


“......Eu me senti tonta, como uma fada que só consegue beber três gotas de orvalho.”


“Onde foi que você deixou a sua consciência?”


Ferio percebeu tardiamente que precisava se preocupar mais com a moral dela do que com a inocência.


“Que foi? Você me ama tanto!”


“Você está ficando convencida demais porque eu deixo quieto.”


“Mas, nos seus olhos, eu sou uma fada, né?”


Que fofura, né?


Leonia balançou os ombros e piscou, com os olhos negros brilhantes.


“......”


Ferio ficou momentaneamente sem palavras.


“...Por que sou eu quem está me sentindo envergonhado?”


Toda a vergonha era só dele.


Ela era tão atrevida que até os dedos de Ferio se contorceram dentro das botas, sem que ele percebesse.


A fada autoproclamada Leonia tossiu com orgulho e voltou a olhar pela janela.


Mesmo assim, Ferio não negou.


E para Leonia, isso era mais do que suficiente.


Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


***


O lugar onde eles chegaram através do Portão Oeste ficava perto do ponto de controle de entrada da Capital Imperial.


Assim que a carruagem preta com o brasão do leão rugindo apareceu, o pessoal do posto e os guardas entraram em ação.


Leonia observava curiosa a confusão lá fora pela janela.

“O que aconteceu com eles? São todos recrutas novos?”


“Parece que sim.”


Na verdade, eles ficavam tensos por causa da chegada do Duque de Voreoti — mas Ferio não ligava muito.


Mais precisamente, ele nem se interessava pelo que acontecia do lado de fora.

“Seria bom se o Portão estivesse dentro da capital.”


“Tem um dentro.”


Enquanto esperavam, Ferio deu uma explicação rápida sobre os Portões.


“Existem quatro Portões ligados a cada região.”


“Quatro cada?”


Leonia levantou os quatro dedinhos fofos. Ferio os dobrou um por um enquanto falava.


“Por exemplo, acabamos de passar pelo do Ocidente — um desses está ligado à capital.”

Depois, o Portão do Leste, o do Sul e o do Norte.


Cada região tinha quatro assim.


“E o Norte tem cinco.”

“Cinco?”

“Os outros quatro são iguais aos demais, mas o quinto…”

Ferio fez uma pausa, olhando para sua curiosa filha pequena.

“......fica nas Montanhas do Norte.”

Ele contou onde era, mas não revelou qual região ele conectava.

Disse que contaria quando ela estivesse um pouco mais velha.

“Ai, não vou conseguir dormir de tanta curiosidade!”

“Você adormece no momento que a cabeça toca o travesseiro.”

“Com licença? Eu sou uma dama muito delicada.”

Leonia virou uma das tranças de cabelo sobre o ombro e arqueou um pouco o nariz com uma pose elegante.

“Você é quase do tamanho de uma ervilha.”

Divertido com a teimosa, Ferio deu uma leve batidinha na cabeça dela.

Incomodada, Leonia soltou um bufinho alto e deu alguns tapinhas na mão dele.

Enquanto brigavam de brincadeira, o posto de inspeção terminou sua verificação. A carruagem partiu novamente.


Logo, as altas muralhas ao redor da capital surgiram na vista.

A muralha de tijolos, com cada pedra do tamanho de uma pessoa, se estendia por coisas de tanto que parecia interminável.


“Mas você disse antes que também há um Portão dentro da capital.”


Leonia perguntou onde aquele se conectava.


“No Norte.”


“Então vamos conseguir chegar em casa mais rápido?”


“Se fosse possível, eu nunca teria te conhecido.”


Ferio sorriu convencido, cruzando as pernas com facilidade.


Mas Leonia as desenganchou de novo, dizendo que estava dobrando a coluna.

A maioria dos Portões que ligam cada região à capital fica na periferia da Cidade Imperial.

Porém, o que liga ao Norte fica dentro da própria capital — dentro do Palácio Imperial, para ser exato.

Por isso, a Família Imperial proibiu o uso do Portão do Norte na capital.

“Eles têm medo.”

Temendo que as bestas com Presas do Lobo Negro possam um dia se voltar contra eles, a lei que barrava seu uso foi promulgada séculos atrás.

“Total covardes.”

Leonia zombou.

Mesmo assim, por causa disso, ela pôde conhecer Ferio — então, não foi uma coisa tão ruim.

Talvez Ferio pensasse o mesmo, pois cutucou sua bochecha redonda com o dedo.

“E o orfanato onde eu fiquei?”

De repente, Leonia se perguntou em que região ficava o orfanato — o lugar onde ela despertou pela primeira vez como ela mesma.

Até então, ela não tinha tido tempo de pensar nisso.

“Você era...”

Ferio começou a falar.


Ring... ring...


Alguém bateu na porta da carruagem.


“Identificação, por favor.”


Um cavaleiro na entrada da capital se aproximou da carruagem.


‘Voreoti...’


O rosto do jovem cavaleiro transmitia tensão.


Ele encolheu-se sob a pressão ✪ Novelite ✪ (versão oficial) que emanava do carro.


O leão preto gravado na porta da carruagem parecia prestes a saltar e devorá-lo.

Ele olhou para trás — seus colegas cavaleiros mantinham uma distância cautelosa.


“......Você está se esforçando.”


Com um clique suave, a janela da carruagem se abriu e Ferio apareceu.

Ele também queria acabar com essa formalidade cansativa.

Seu olhar afiado foi uma ordem silenciosa: olhe com atenção e deixe passar.


Porém, o cavaleiro, que tinha a face tensa, congelou como uma estátua, sobrecarregado pela pressão terrível emanada do Duque de Voreoti.


“Papai.”


Naquele momento—


Dois grandes laços apareceram à vista.


Os olhos do cavaleiro se arregalaram visivelmente. Seu corpo, congelado, relaxou de surpresa.


“Tudo certo?”


“Como eu saberia?”


Ferio respondeu num tom bem mais amável, dando um leve gesto com que indicou o cavaleiro para ela perguntar a ele.


“Senhor Cavaleiro.”


Leonia sorriu radiantes. O cavaleiro, que estava distraído, reagiu de choque.

“Olá? Eu sou Leonia Voreoti.”


A filha do Duque Voreoti — famosa por boatos mas nunca vista — agora estava bem na sua frente.

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