
Capítulo 63
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
O cavaleiro viu Leonia como uma jovem dama nobre que claramente tinha sido criada com muito amor.
E ainda assim, o notório duque de Voreoti observava-a com um olhar cheio de ternura.
“Obrigado pelo seu esforço, senhor.”
Mas seu tom animado era bem mais controlado do que o da maioria dos adultos.
“Então, quando vamos partir?”
Só então o cavaleiro percebeu que era ele quem estava atrasando a carruagem de Voreoti.
“Você terminou de verificar nossas identidades, certo? Isso significa que já podemos seguir em frente, não é?”
Leonia perguntou inocentemente, inclinando a cabeça para o cavaleiro que tinha ficado pálido.
No entanto, por alguma razão, havia algo estranhamente feroz e autoritário na maneira dela falar, que deixou o cavaleiro arrepiado.
Voltando ao estado de alerta, o cavaleiro apressou-se a ficar de lado.
Só então, a carruagem preta entrou na Capital Imperial.
“Pai, consegue ouvir?”
Leonia fechou os olhos e colocou a mão na orelha.
O som de vozes murmurando ficou mais claro no funil de sua palma curva.
A chegada da carruagem de Voreoti havia causado um grande alvoroço na Capital.
Leonia sentiu-se secretamente satisfeita. Isso provava o quanto a reputação do Norte era poderosa e impressionante.
“Eles estão todos com medo da gente.”
“Tenha cuidado com as palavras.”
“Estão tão assustados que nem conseguem respirar direito.”
“Por que não aproveitar agora?”
Aquele homem malvado, Ferio, cutucou o nariz de Leonia com um dedo.
Com esse toque carinhoso, a pequena cria se contorceu timidamente.
“Então, o que acha da capital?”
O agora igualmente satisfeito pai besta virou o olhar para a paisagem lá fora.
Enquanto Leonia fixava o olhar na imponente, reluzente e distante residência real, ela virou a cabeça com um resmungo.
“Nada de especial.”
A risada curta e seca que veio depois demonstrava arrogância—exatamente como o pai.
***
Ao entrar na residência da Capital pela primeira vez, Leonia exclamou:
“... É mais comum do que eu esperava.”
A fazenda do norte, à primeira vista, parecia uma “toca da Besta Negra”, emitindo uma aura ameaçadora.
Era uma atmosfera onde não seria surpresa se alguém fosse encontrado morto a qualquer momento.
A fachada escura e opressora, de escala imensa e implacável, combinava perfeitamente com essa imagem.
Já a fazenda da Capital era surpreendentemente modesta.
Claro, como uma das duas casas ducais do Império, o tamanho e a presença da mansão não se comparavam às demais residências nobres pelo caminho.
Independentemente da relação com a Família Imperial, ainda assim, era uma residência que honrava a dignidade de um duque.
Porém, comparada à fazenda do norte, era praticamente metade do tamanho, e sua fachada era tão luminosa e vibrante que o nome “Voreoti” parecia fora de lugar.
Na frente, até havia uma escultura de uma coluna cor de limão amarelado, bem audaciosamente colocada no jardim.
Amarelo limão. Para a Casa Voreoti.
Essa ideia fazia a árvore de limão chorar.
“Pai, aquilo...”
Leonia apontou para a coluna.
“Quem foi que decidiu colocar aquilo ali?”
Ela estava genuinamente curiosa sobre o gosto—ou a falta dele—de quem escolheu aquilo.
Logo ao lado, havia uma topiaria moldada na forma de um anjo.
Agora, realmente desconfortável com a residência da Capital, Leonia levantou os braços em direção a Ferio, pedindo que a carregassem ❀ ❀ (não copie, leia aqui).
“Por isso que eu nunca venho pra capital.”
Ferio também claramente não gostava da vibe.
Suas sobrancelhas franzidas não mostram sinais de relaxamento.
Para alguém nascido e criado no Norte, essa mansão excessivamente fofinha e delicada estava longe do seu gosto.
“A fazenda do norte é muito mais legal.”
Nos braços dele, Leonia deu uma segunda olhada no jardim com um pouco mais de coragem.
“Este lugar não tem nada da imponência de Voreoti.”
Quando as pessoas pensam em Voreoti, pensam em preto. Mas a única coisa preta à vista tinha sido o portão da mansão, visto há pouco.
Até as insígnias de leão negro gravadas em cada lado da porta eram sinais de que realmente era uma residência Voreoti.
“Mas se você odeia tanto assim, por que não muda?”
Leonia perguntou por que ele não gastava um pouco da riqueza que tinha de sobra.
“Dá muito trabalho.”
Ferio respondeu indiferente.
“Por que se preocupar em fazer mais trabalho?”
Ele murmurou, enquanto olhava para a casa—e simplesmente a evitou mesmo.
“Se é tão trabalhoso assim, nem respire.”
Leonia repreendeu, puxando delicadamente a têmpora dele.
Claramente, essa atitude preguiçosa era a razão de a fazenda do Capital ter sido deixada intacta por tanto tempo.
Naquele momento, os funcionários da residência saíram para recebê-los.
Um homem, que parecia mordomo, avançou. Ele era um jovem que lembrava um gato.
“Seja bem-vindo, Senhor.”
Com o restante da equipe atrás dele, o mordomo fez uma reverência respeitosa.
Leonia achou seu rosto curiosamente familiar.
Ela o observou silenciosamente, e ele percebeu.
Ao cruzar o olhar com ela, ele sorriu gentilmente.
“Senhora Leonia, bem-vinda à Capital. Sou Tra, o mordomo responsável por esta residência. Sou filho do mordomo Castor, que cuida da propriedade do norte.”
“Castor?”
Leonia inclinou a cabeça, confusa com o nome incomum.
“Talvez você o conheça melhor como Kara.”
“Vovô Kara?”
Surpresa, Leonia bateu palmas.
“Você é filho dele?"
“Sim, minha mãe é ela.”
Só então, Leonia conseguiu perceber claramente as feições de Kara nele.
Tudo, exceto os olhos, era idêntico à dela.
Tra levou os dois para dentro da mansão.
Nenhum dos funcionários parecia surpreso ou comentava baixinho ao ver Leonia.
Era completamente diferente do que acontecia na fazenda do norte, onde ninguém tinha sido informado com antecedência.
Por outro lado, a residência da Capital era o lugar onde Ferio tinha primeiro demonstrado sua intenção de adotar.
E eles já tinham recebido um breve informe sobre a situação geral ao norte, então tudo foi tratado com calma.
“Ainda assim, foi um choque.”
Essa tradução é propriedade intelectual da Novelight.
Tra virou suavemente a cabeça, com um sorriso constrangido.
“Pensar que o Mestre realmente virou pai.”
“Eu disse que ia adotar.”
“Sinceramente, achei que estivesse brincando...”
Murmurando incrédulo, Tra de repente prantou os olhos.
“Sem querer falar mal de você, minha senhora! Estávamos muito animados com sua chegada!”
Tra se agitou, claramente preocupado por ter magoado os sentimentos de Leonia.
‘Bem, eu não posso realmente culpá-lo...’
Ele saiu só com ele mesmo e voltou com uma filha. Isso já era suficiente para surpreender qualquer um.
Leonia compreendia perfeitamente Tra. Os outros funcionários que a cumprimentaram antes provavelmente pensaram o mesmo.
Na verdade, as reações de surpresa no Norte tinham sido bem mais comuns.
“Tra, você é próximo do meu pai?”
Ela tinha percebido algo mais cedo—as conversas deles não eram exatamente a troca formal entre mestre e servo.
E aquele comentário casual sobre não acreditar que Ferio fosse adotar era um pouco estranho.
“Ah, somos irmãos de leite.”
Tra soltou uma bomba tranquilamente.
“Minha mãe foi ama de leite do Mestre. E, como nasci quase na mesma época, ficamos criados juntos. Conheço o Sir Lupe desde criança também.”
“Vovô Kara foi ama de leite do pai?”
Apenas agora, a relação entre Ferio e Kara começou a fazer sentido.
Isso explicava muitas dinâmicas estranhas.
Kara sempre ficava repreendendo Ferio, e Ferio, irritado, muitas vezes aceitava as broncas sem muita resistência.
“Não é de admirar...”
Leonia já tinha sido surpreendida diversas vezes ao longo do dia.
Mas tinha mais—Tra tinha um passado bastante decorado.
“Na verdade, servi por um tempo como cavaleiro dos Gladiago. Já fui cavaleiro.”
“Você também caçou monstros?”
“Três ou quatro vezes.”
Porém, ele admitiu com um sorriso de lado que usar a espada nunca foi realmente a sua praia.
Leonia concordou, então deu uma olhada rápida em Tra, da cabeça aos pés.
‘É músculo definido?’
Primeiro parecia magro, mas ao reparar melhor, as mangas do casaco estavam apertadas sobre braços firmes.
Leonia sorriu satisfeita.
Ela gostava dele.
“Tra.”
Ferio deu um leve gesto com o queixo na direção da Leonia sorridente.
“Ela é pervertida, cuidado.”
“Pai!”
Leonia gritou, mortificada por ter sido pega em flagrante.
***
“Este será seu quarto, minha senhora.”
Leonia foi levada a um cômodo ensolarado no segundo andar.
Já estava completamente mobiliado com itens feitos especialmente para ela.
O cômodo foi cuidadosamente decorado com base nas informações recebidas do Norte—nada faltava.
Tudo combinava com o gosto de Leonia.
“Gosta assim?”
Uma criada da fazenda do Capital perguntou hesitante.
Leonia olhou ao redor e assentiu.
Não havia nada que ela não gostasse. Desde os livros na prateleira até as roupas empilhadas no armário.
Tudo era perfeito para ela.
“Parece que já morei aqui antes!”
Ela comentou, bem à vontade. A criada suspirou aliviada.
“Mas não acha isso um pouco exagerado?”
Ela só ia ficar na Capital por um curto período—será que tudo isso era realmente necessário?
“Isso também é sua casa, minha senhora!”
A criada parecia um pouco magoada com a resposta.
“Você vai passar cada vez mais tempo na Capital. Este é o quarto da garota mais importante do Império—como poderíamos decorá-lo de forma descuidada?”
Ela insistiu que era seu dever garantir que ela não faltasse nada, a qualquer momento.
Leonia inclinou a cabeça.
‘Não seria mais fácil sem um mestre por perto?’
Sem chefe, as coisas seriam bem mais confortáveis, ela achava.
Não entendia bem por que essa criada se esforçava tanto.
Mas, pelo constrangimento nos ombros de Connie e Mia, parecia claro que havia uma espécie de competição entre os funcionários de Voreoti.
“Não há poeira na moldura da janela.”
Connie murmurou, passando um dedo na moldura.
“As roupas também estão boas.”
Mia cheirou cada vestido no armário, uma por uma, só recuando ao confirmar que todas tinham o perfume que ela mais gostava.
‘Duas sogras...’
As duas criadas estavam inspecionando o cômodo com mais detalhe do que Leonia mesmo.
Parecia que o Norte tinha a vantagem.
A criada que as guiou ficava visivelmente tensa toda vez que Connie e Mia verificavam algo.
Até pela porta entreaberta, outras criadas observavam com olhares ansiosos.
Afinal, Connie e Mia eram as damas de companhia pessoais de Leonia.
Isso já as colocava em um nível especial.
Felizmente, a inspeção terminou sem problemas.
Connie e Mia assentiram satisfeitas, e a criada do Capital pareceu visivelmente aliviada.
Quando Leonia saiu do cômodo, as criadas que aguardavam por ela recuaram em perfeita sincronia, formando uma fila.
Eram de prontidão, esperando silenciosamente o próximo passo de Leonia.
“Uhh...”
Seus olhos negros se assustaram nervosamente.
Isso... era um pouco desconfortável.
Ela ainda não se acostumara a ter uma multidão de pessoas a seguir atrás dela.
Até no Norte, eram sempre apenas duas: uma criada e um guarda.
“Connie.”
“Sim, minha senhora.”
“Vou procurar meu pai.”