
Capítulo 55
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Se o Norte era conhecido por seu poder sobrenatural [Presas da Besta], e o Oeste pela sua aura, então o Leste era uma região abundante em mana, onde magos nasciam em grande número.
Entre eles, a Casa de Ortio era há muito tempo famosa por suas vastas reservas de mana, suficientes para formar gerações de Mestres da Torre de Magia.
Com esse poder, eles governaram o Leste por eras e contribuíram enormemente para o avanço da magia ao fundar a primeira Torre de Magia.
“A Torre ficou imunda enquanto eu estive fora.”
O Marquês Ortio havia limpa a Torre de Magia usando as informações que Ferio lhe passou.
A prisão subterrânea da torre agora fervia com magos que participaram do tráfico ilegal de monstros e outros considerados puníveis.
“Duque.”
O marquês, agora diante de uma pilha de tarefas ao retornar, chamou Ferio.
“Já está tarde. Podemos dar por encerrado por hoje?”
“Vamos nessa.”
Ferio concordou sem hesitar.
Ele também precisava terminar logo e voltar para Leônia.
Ele não conseguia deixar de pensar se ela havia causado problemas no Oeste—ou pior, se ela sentia muita falta dele. Esse pensamento o deixava inquieto.
Talvez por causa disso...
As Presas Vermelhas da Besta que haviam começado a piscarejando lentamente atrás de Ferio começaram a vacilar sutilmente.
Mas, como se nada tivesse acontecido, as presas rapidamente se transformaram num formato liso e arredondado.
Seu pequeno formato, arrumadinho, abriu o suficiente para não machucar os Cavaleiros Gladiago ou o próprio Marquês Ortio nas proximidades.
“...Isso dá um calafrio na espinha.”
O marquês Ortizio limpou uma gota de suor frio na testa.
Mesmo com um escudo mágico protegendo a si mesmo e aos cavaleiros próximos, a essência de sangue e a pressão das Presas da Besta penetravam seu corpo como agulhas.
Era um poder verdadeiramente intimidador.
“Ele está extremamente bravo.”
Mono, o vice-comandante, franziu a testa sob a aura opressora.
“Para o que consegue lidar com as Presas melhor do que ninguém, estar vazando sangue de tão pequenas... quer dizer que ele está furioso. E impaciente.”
“Impaciente?”
“Ele teve que se separar da Lady Leonia por causa delas.”
Hummm. Os Cavaleiros Gladiago todos assentiram em concordância.
O marquês Ortio inclinou a cabeça, confuso.
‘O que aconteceu no Norte?’
Quando o Duque Voreoti virou um pai tão dedicado assim?
E por que todos estavam explicando tudo com tantos detalhes excruciantes?
Mas nada disso importava agora.
O marquês Ortio decidiu ficar e assistir com seus próprios olhos o momento em que as presas penetraram os traidores amarrados.
Era uma cena rara e preciosa.
Os prisioneiros, esmagados pelo peso do intento assassino, mal conseguiam gritar—apenas gemidos grotescos escapavam de suas gargantas.
Suas bocas se abriam, babando descontroladamente, e alguns até babavam pela boca.
Antes que as Presas da Besta as atravessassem completamente—
“......”
Ferio franzi a testa ao olhar para Musca Tabanus, que tinha molhado suas calças.
‘Nem mesmo a Leonia comete esse erro...’
Tsc. Não podia acreditar que um homem daquela idade fosse tão completamente desprezível.
***
“Manus oppa!”
Leonia correu e jogou-se nos braços de Manus.
“Se escorregar enquanto está correndo, pode morrer.”
“Eu não morreria só com isso.”
“A gente morreria.”
Manus implorou seriamente, dizendo que o mestre os mataria ao invés disso.
Manus tinha sido um dos cavaleiros presentes quando Leonia foi adotada do orfanato por Ferio.
Ele quase se tornou o cavaleiro de escolta de Leonia, mas foi deixado de lado por razões imprevistas.
“Então, é...”
Fez um passo para trás, escondendo ambas as mãos atrás das costas, envergonhada, torcendo o corpo com timidez.
“Posso tocar nos seus músculos das pernas?”
“Não.”
Ao seu resposta imediata, Leonia ficou abatida.
“......Mas você me deixou surfar seus abs antes.”
Ela insistiu sinceramente, lembrando da vez que se aproximaram over sobre a “canção dos músculos” dele.
“Por isso mesmo não posso deixar.”
Na verdade, Manus gostava bastante de seus músculos.
E gostava que Leonia reconhecesse seu valor.
Ele ficava feliz que a futura herdeira do Norte tivesse tão refinado gosto por músculos.
Mas, ironicamente, era exatamente por isso que ele tinha sido desqualificado como cavaleiro de escolta dela.
Manus tinha a estrutura mais robusta da Ordem do Gladiago.
Era mais alto que Ferio e mais largo que até o Vice-Comandante Mono. Em forma física, era imbatível.
Ferio decidiu que colocar alguém assim ao lado de Leonia só traria problemas—por isso, o excluiu.
Do ponto de vista de Manus, essa razão parecia extremamente injusta.
“O mestre mandou especificamente isso. Disse que, se deixarmos a jovem tocar nossos músculos com tanta facilidade, ela vai virar uma pervertida. Não devemos mimá-la demais.”
“Já sou uma pervertida por músculos!”
Leonia respondeu sem vergonha.
“......”
Pela primeira vez, Manus sentiu pena de Ferio.
Até a poderosa Besta Negra do Norte devia ter dificuldades em criar uma filha tão audaciosa e pervertida.
“Jovenzinha.”
Incapaz de suportar mais, Manus fez um aviso sincero.
Ele não podia assistir a jovem se transformar em uma verdadeira pervertida.
“Tente pensar ao contrário. E se eu dissesse que gosto das suas bochechas macias e gostasse de ficar tocando nelas? Você se sentiria bem?”
“Contaria pro papai.”
Leonia respondeu com uma expressão séria, dizendo que o denunciaria e mandaria Ferio perfurá-la imediatamente com as presas.
“Não sou uma pervertida...”
“Exatamente!”
A tonalidade afiada dela era um pouco irritante, mas Manus se aliviou por ela ter entendido seu ponto.
“Se você realmente ama e valoriza músculos, deve se controlar.”
Manus murmurou tristemente que o gosto de Leonia por músculos poderia facilmente parecer uma perversão.
Leonia se lembrou de ouvir que Manus tinha sido recentemente largado pela ex-namorada por ser um “pervertido por músculos”.
Sobre isso, ela tinha que concordar.
“Mas eu ainda sou uma criança!”
Leonia respondeu com confiança, dizendo que era tão pequenina quanto uma migalha de fezes de rato, então isso não valia.
“Jovenzinha... você não quer dizer...”
Ao ver Manus recuar horrorizado, Leonia lhe deu um sorriso lento e malicioso ao invés de responder.
“...Você é diabólico.”
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
Manus tremeu com uma onda fria de traição.
Essa jovem astuta vinha usando sua idade e seu pequeno tamanho para se exibir e desejar ardentemente músculos o tempo todo.
Ela era descaradamente maliciosa.
“Mas tenho me controlado mais ultimamente.”
“Melhor...?”
Manus ficou boquiaberto.
A memória ainda fresca em sua mente era da Leonia gritando durante um treino entre o Duque e o Conde Rinne, exigindo que rasgassem as calças do Conde para ela ver a crista ilíaca dele.
“Mas sinto falta do papai.”
No meio de sua tagarelice alegre, Leonia ❖ Nоvеl𝚒ght ❖ (Exclusivo na Nоvеl𝚒ght) murmurou seu desejo de ver Ferio como se fosse uma respiração natural.
“O papai está mesmo ocupado?”
“Hmm, acho que deve estar chegando a qualquer momento.”
Ferio estava terminando a caçada no Norte, pensou Manus.
Já fazia dez dias que Leonia tinha chegado ao Oeste. Era hora dele acabar por lá e descer para o sul.
“Papai...”
Aquela voz sem vida chamou novamente.
“Por quê...”
E Ferio respondeu.
Assustada, Leonia virou a cabeça na direção da voz.
Ferio estava ali, segurando um pelúcia de leão com uma fita amarela brilhante ao redor do pescoço.
Era um peluche de leão com uma fita amarela bem na sua frente.
“Falei pra você usar casaco quando sair de casa.”
Mesmo após dez dias afastados, Ferio não a cumprimentou com um “Senti sua falta.”, ao invés disso, a repreendeu pela roupa.
Ele ainda acrescentou um ditado antigo e seco de que pegar um resfriado seria só perda para ela.
“Aqui.”
Ferio se aproximou e estendeu o peluche.
“Demorou um pouco mais para ficar pronto.”
Seu tom era plano, como se tivesse pego no caminho.
Na verdade, ele só não quis que ela soubesse que tinha encharcado o Norte de sangue e limpado a bagunça. Então, essa foi uma história de desculpa.
Mas o peluche de leão era um presente de verdade—algo que ele preparou com antecedência.
“......”
Leonia olhou para o peluche em silêncio.
Com dois olhos de gema negra, não se parecia nada com a fera feroz do brasão da família Voreoti. Era fofinho.
Seu pelo era tão macio que parecia pedir para ser esfregado no rosto dela.
“Vai gostar dele.”
Embora falasse com confiança, Ferio observava ansiosamente a reação dela.
Mas ela não respondeu com um agradecimento tímido ou uma arrogante ou sarcástica cheirada.
O que fez seu maxilar tremer foi um olhar vazio, boquiaberta, fixo no peluche.
“......Uwaaaaaah!”
E então, lágrimas gordas transbordaram de seus olhos enquanto ela chorava alto, quase como se o mundo fosse desabar.
“Waaaaah! Huhuhuuuaaaah!”
Segurando o peluche contra o peito, Leonia chorou tão alto que parecia que toda a terra poderia se partir. Ela começou a ofegar entre as soluços.
Os dois adultos ficaram paralisados, surpresos com aquele surto inesperado.
“Papai! Daaaad!”
Só quando ela gritou por ele, Ferio voltou à realidade e a recolheu nos braços.
Leonia, agora nos braços dele, chorou ainda mais forte.
“Seu idiota! Seu bicho burro!”
Num soluço, ela começou a gritar com ele.
“Por que você me enviou aqui sozinha, sem avisar?!”
No momento em que viu seu rosto, todas as emoções que ela tentou segurar até então explodiram.
Era saudade.
“Senti sua falta! Tava com medo!”
“Leo...”
“Não me deixe sozinha! Não vá a lugar algum sem mim!”
Desde que acordou na carruagem, Leonia se lembrou do medo que tinha esquecido.
O pesadelo de acordar um dia numa terra estranha, num corpo estranho.
Ela achava que tudo isso tava acontecendo novamente. Seu coração quase caiu no estômago.
Sem entender o motivo, ela veio parar no Oeste, e toda a viagem foi cheia de tristeza e solidão.
Ela odiou Ferio por tê-la mandado sozinha.
E, mesmo assim—todas as noites, ela se agarrava ao pote de doces e esperava, na esperança de que ele viesse.
Porque sentia sua falta demais.
“Hicc...”
Depois de chorar até o cansaço, Leonia limpou os olhos com a manga, exausta.
“Nem quero mais ver sua cara agora...”
Ela tentou franzir a testa, olho inchado e vermelho, mas não conseguiu.
“......”
A face que ela via através das lágrimas parecia desconhecida.
Mesmo durante as provocações e discussões habituais, mesmo quando ele zombava dela, Ferio sempre parecia relaxado e calmo.
Mesmo quando ria alto, nunca perdia sua dignidade.
Mas agora, parecia uma criança que tinha cometido um grande erro e tinha sido pega.
Ele parecia nervoso, inseguro e assustado.
“Papai.”
Então, foi isso que Leonia ensinou a ele.
“Peça desculpas.”
Com uma voz carregada de lágrimas, ela falou claramente e com firmeza—agora era hora de ser honesto e pedir desculpas.
“...Desculpa.”
Ferio, ainda pasmo, pediu desculpas também.
Foi a primeira vez que Leonia ouviu uma desculpa tão desajeitada e sem emoção.
Talvez fosse a primeira desculpa que Ferio tinha pronunciado em seus vinte e sete anos de vida.
Nem mesmo uma reverência de meio-período tinha sido tão ruim.
“Sinto muito.”
Mas a segunda desculpa foi diferente.
“Sinto muito mesmo.”
Ferio acariciou delicadamente a face ensopada de lágrimas de Leonia, observando cuidadosamente sua reação.
Como alguém que tinha cometido um pecado grave, tentou descobrir como consolá-la, o que fazer.
Então, como naquelas outras vezes—quando ela tinha se sentado chorando sozinha—ele a envolveu nos braços e passou um tempo acolhendo suas costas com suavidade.
“......”
Observando de perto, Manus silenciosamente se afastou.