Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 56

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Agora, só Leonia e Ferio permaneciam no jardim.


“Que vergonha...”


Leonia fungou alto e murmurou de forma constrangedora.


Já tinha sido a segunda vez que ela chorava na frente de Ferio. Ainda sentia vergonha e constrangimento.


Mas ao menos o peito dela agora parecia mais leve.


Ferio puxou um lenço e cuidadosamente limpou seu rosto molhado pelas lágrimas.


“......”


Porém, como seu nariz continuava a escorrer, o lenço logo atingiu um ponto sem volta.


Ferio até se perguntou, por um momento passageiro, se o corpo inteiro da criança poderia ser feito de muco.


O lenço encharcado de catarro foi queimado até virar cinzas com o poder das Presas da Fera.


“Por que você queimou?”


Leonia fez uma expressão carrancuda e perguntou rude, sentindo-se ofendida só de assistir.


“Estava imundo.”


“Você disse que se desculpou comigo antes.


E agora esse mesmo homem queima um lenço só porque tem muco da sua filha? Leonia segurou a nuca com frustração, dominada por uma nova onda de raiva profunda.


“É exatamente nesse momento que você devia mostrar serviço colocando o lenço sujo no bolso!”


“Eu já sou legal sem precisar fazer isso.”


“Quer dizer, isso é verdade!”


Sem ter mais o que discutir, Leonia bateu repetidamente nos lábios de Ferio com o brinquedo de pelúcia na mão.


Ele era cheio de algodão, então doía bastante.


“Então...”


Ferio, que silenciosamente tinha suportado a pancadaria, finalmente empurrou de lado o brinquedo e questionou:


“Você está bem agora?”


“O que você quer dizer?”


“Terminou de chorar?”


Foi só então que Leonia percebeu que não chorava mais.


O peso que sentira, a dor de vontade intensa que a fazia sentir tanta saudade dele—ambos haviam se dissipado como uma mentira.


“Pai.”


De repente, nervosa, Leonia mexeu na pata de pelúcia de seu brinquedo de estimação.


“Bem-vindo de volta...”


Com um cumprimento tardio, ela colocou os braços ao redor do pescoço de Ferio.


Ferio apertou ainda mais o abraço nela mais uma vez.


A pelúcia do leão, presa entre os dois, ficou achatada.


“Tô de volta.”


E com essa troca de cumprimentos tardia, o pai e filha Voreoti silenciosamente deram risada.


***


“Droga, é assim que é o Voreoti mesmo.”


Carnis voltou tarde da noite, com o rosto exausto.


Porém, parecia animado, como alguém que tinha acabado de ver algo extremamente divertido.


“Rapidamente espalhou que você chegou ao Oeste.”


Havia recebido mensagens intermináveis de nobres do oeste durante todo o dia.


Estava já sobrecarregado de trabalho, mas responder a cada mensagem drenava ainda mais sua energia.


“Seria mais estranho se não reações assim.”


Abipher balançou a cabeça ao lembrar da carruagem em que Ferio tinha chegado.

“Que tipo de carruagem parece que vai devorar uma pessoa?”


A enorme e majestosa carruagem negra era praticamente uma arma. Era tão intimidante que parecia esmagar você com sua presença.


Sem mencionar, os cavalos negros que a puxavam não eram como cavalos comuns.


De um olhar rápido, as coxas deles pareciam precisar de uma fusão de dois homens adultos só para serem do mesmo tamanho.

“Quando os colocamos no estábulo, nossos cavalos ficaram totalmente assustados.”


“Mas eles se acalmaram rápido, né?”

“Não foi acalmar, eles foram dominados.”

Os cavalos Voreoti bufaram alto e relincharam várias vezes, fazendo os demais imediatamente abaixarem o olhar e se recolherem sozinhos nos cantos.


“Eles colocam monstros na ração dos cavalos ou algo assim?”


“Que chute divertido.”


Assustada, Abipher se virou. Ferio estava ali, com uma expressão séria e claramente desinteressada.


Sintindo-se constrangida, Abipher esclareceu a garganta.


“Era uma brincadeira.”


“Sei.”

“O que você estava fazendo?”


Carnis apontou para a dobra no centro da camisa de Ferio.


Ferio passou a palma na bainha amassada, como se não fosse nada.

“Acabei de vir de colocar a Leo pra dormir.”


O quarto de onde Ferio tinha saído era o quarto de hóspedes onde Leonia estava hospedada.


As dobras na roupa dele eram por ela segurar a camisa com força com uma mão até dormir.


Agora, a pequena mão que segurava a camisa do pai tinha uma pelúcia de leão preto em vez disso.

O fato de ela dormir com aquilo—mesmo não sendo do tipo que abraça brinquedos de pelúcia—significava que ela gostava mesmo dele.


“Ela acabou de dormir.”


Então, mantenha o volume—Ferio levou um dedo aos lábios em sinal de alerta.


“...Você sabe que essa é nossa casa, né?”


Carnis ficou boquiaberto.

Ferio tinha pedido ao dono para ficar quieto para não acordar a filha. Ele agia como se fosse #Noveleight# e morasse ali mesmo.


“Tenha compreensão. A moça sentiu muita saudade do Duque.”


Abipher tampou a boca e sorriu suavemente.


“Ela ficava perguntando quando o Duque chegaria.”


“Ela te deve uma.”

“Ah, por favor. Conversar com ela foi realmente encantador.”


Tratar com uma criança que parecia ter uma alma antiga era exaustivo, mas, de forma estranha, a conversa fluiu naturalmente. Não houve momento de tédio.


Parecia que estaba apenas conversando e brincando livremente com uma amiga da mesma idade.


“Meus cachorrinhos também já dormiram?”


Ao ouvir isso, Carnis de repente sentiu falta dos próprios filhos.


“Já é tarde. É claro que estão dormindo.”


“Então, vou só dar uma olhada rápida...”


“...Não os acorde com beijos e vá tomar banho já.”


Com a ordem severa da esposa, Carnis abanou como um cachorrinho reprimido e seguiu arrastando-se até o banheiro.


De alguma forma, Ferio compreendia completamente como Carnis se sentia.


O rosto de uma criança dormindo era uma cura milagrosa que derretia a exaustão instantaneamente.


Enquanto isso, Abipher instruiu uma criada a trazer bebidas.


Quando Carnis voltou de tomar banho, uma garrafa de uísque e alguns petiscos leves já estavam dispostos.


Os três adultos começaram a beber juntos.


Naturalmente, o assunto virou para o recente incidente de tráfico ilegal de monstros que haviam resolvido com fracasso.


“Bem, pelo menos o perigo imediato foi controlado.”

Carnis comentou, aliviado, enquanto servia um copo de uísque.

“Foi graças à sua esposa.”

“Eu não fiz nada.”

Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


Ao elogio de Ferio, Abipher acenou as mãos como quem faz pouco caso, fingindo humildade.


“Tudo que fiz foi emprestar um armazém de propriedade da minha família.”

A única razão de Carnis e dos Cavaleiros Revoo terem conseguido atacar de surpresa tão rapidamente foi porque usaram um armazém logístico registrado no nome da família de Abipher para esconder e observar a situação.


O Barão Hirqus só se preocupava com casas influentes do Ocidente, como a Hesperi, ou com famílias profundamente ligadas ao Norte, como a Rinne.

Então, a ideia de uma família de menor nobreza, como a de Abipher, cooperar com essas forças nunca passou pela cabeça dele.

Isso só provava o quão limitado era o barão, que só olhava para aqueles no topo.


“Enfim, estou ocupado limpando as consequências.”

O golpe em si foi fácil—Carnis fez um movimento de cortar com a mão, imitando a ação de empunhar uma espada.

O motivo de ter chegado tão tarde foi porque esteve ocupado limpando os horrores do Barão Hirqus.

E, como era primavera—época mais movimentada para as guildas de comerciantes—seu cansaço foi dobrado.

Ainda assim, era verdade que eliminar aquela sujeira o deixava revigorado.

“O Marquês de Hesperi enviou mensagem. Gostaria de se encontrar com você.”

“Vou entrar em contato com ele separadamente.”

“Se fizer isso, ficarei agradecido.”

Carnis sacudiu os ombros para relaxar a musculatura tensa.

“Então, tudo foi resolvido? Você os matou?”

Ele se referia às presas que tinham sido levadas para o Norte.

“Prisão na propriedade Voreoti.”

“Você não os matou?”

“Matei sim.”

Carnis falou surpreso—ele havia eliminado seus alvos sem hesitar.

“Já confisquei os bens deles e mandei expulsá-los do Norte.”

“Você é rápido na resposta...”

Abipher murmurou, sem parecer surpresa.

Na verdade, os preparativos de Ferio para a caçada foram meticulosos.

Ele não poupou esforço—desapossou os criminosos de tudo e os expulsou. Seus bens foram todos confiscados, e suas famílias banidas do Norte.

Foi graças ao trabalho incessante de Lupe, que confiou apenas no salário para agir.

‘Ele nunca foi do tipo misericordioso.’

Abipher, encarando seu copo, olhou para Ferio com expressão neutra.


Ele olhava fixamente para um camarão na travessa, como se ele tivesse oficialmente ofendido alguém.

De entre seus lábios entreabertos, saiu um murmúrio um pouco bobo: “Leonia gosta de camarão...”


‘Agora ele virou completamente um pai babão.’


Abipher fingiu que não ouviu.


De qualquer modo, a Besta Negra sempre foi igualmente impiedosa com todos.


“E...”


Ferio acrescentou calmamente,


“Ainda resta uma.”


Contador Tabanus.


“Ah, aquele voador?”

Carnis soltou uma risada amarga.

Há três anos, após a morte do antigo imperador, quando o novo imperador causou tumulto tentando promover sua concubina a imperatriz, Ferio se opôs firmemente. Enquanto isso, o Conde Tabanus tinha se aliado descaradamente ao imperador e à concubina.

Ninguém esqueceu a voz dele—zumbindo e incessante, como um inseto.

Durante três anos inteiros, ele passou a gritar do lado oposto de Ferio, até que a família imperial e o conselho de nobreza chegaram a um acordo elevando a concubina a consorte imperial.

Desde então, o Conde Tabanus se refugiou na sua fazenda na capital.

Por uma razão simples: tinha medo de Ferio.

Por isso, seu filho mais velho, Musca Tabanus, gerenciava os assuntos deles no Norte na ausência dele.

“Sempre achei que ele tinha coragem.”

Carnis rangeu a mandíbula audivelmente entre as palavras de zombaria.

“Aquele maldito patinho... ”

Pronto! Uma noz foi esmagada na palma da mão enquanto ele bateu na mesa com força.

“...E ainda ousa tocar no Ocidente?”

Revoltado, Carnis continuava bufando.

Seu sorriso habitual—tão apreciado por todos—não estava mais lá. Restava um cão raivoso com sua presa à vista.

Ele nem sentiu os fragmentos de noz grudados na palma da mão.

Porém, essa não era a única questão que eles precisavam tratar.


Abipher mencionou os Cavaleiros Imperiais que ficaram no local.

“O que fazer com o lado imperial?”

“Esses bastardos ainda estão no Norte, né? Você já descobriu algo deles?”

Ferio balançou a cabeça.

Os Cavaleiros Imperiais não tinham revelado nada.

Insistiam que não tinham nada a confessar, alegando que tudo era obra deles—uma demonstração repulsiva de lealdade mal dirigida.

Alguns até tentaram morder a própria língua para se matarem.

E quando Ferio tentou interrogá-los seriamente, sua presença avassaladora fez alguns desmaiar na hora.

“Não há dúvidas de que a família imperial esteve envolvida...”

Mas quem exatamente puxou as cordas?

Ferio levantou três dedos, depois imediatamente dobrou um deles.

“A única pessoa capaz de mover os Cavaleiros Imperiais é o Imperador. Então, a Imperatriz Tigria está descartada. Com seu caráter reto, ela jamais tramaria algo tão imundo.”

Outro dedo foi dobrado.

“O Imperador tem invejado o Norte mais de uma vez, mas ele não é ousado o bastante para arriscar algo assim...”

Só restou um dedo.

Uma pessoa que, mesmo sem autoridade direta para comandar os Cavaleiros Imperiais, poderia fazer acontecer de qualquer forma.

“Usia Olor.”

Ex-consorte do Príncipe Herdeiro. Agora, concubina do Imperador, e quem reivindicou o título de consorte imperial.

O Cisne Vermelho.

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