
Capítulo 58
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
A carruagem parou, e Ferio apontou pela janela.
“São os Cavaleiros Revoo.”
Estavam lá cavaleiros vestidos com uniformes brancos impecáveis, alinhados em formação perfeita.
Contrastando marcadamente com os Cavaleiros Gladiago, que usavam preto.
“...Não é por causa deles.”
Leonia respondeu com calma.
Ela não tinha a intenção de menosprezar a Ordem Revoo, mas seus Dentes não teriam reagido daquela forma tão sensível só por causa de cavaleiros.
Os Dentes da Fera não se agitavam por uma coisa tão trivial.
“Claro que não.”
Ferio apontou além dos cavaleiros.
“O que você reagiu foi...”
Um homem imponente, de pé atrás dos Cavaleiros Revoo.
“...aquele ali mesmo.”
Mesmo à distância, a aura que o cercava era tudo, menos ordinária.
Leonia colocou a mão no peito, segurando discretamente suas roupas.
No instante em que seus Dentes inquietos reconheceram a presença, eles silenciosamente se calaram de repente.
O Mestre do Oeste. Outro monstro.
O Marquês de Hesperi.
***
“Seja bem-vindo ao Oeste.”
O Marquês de Hesperi exalava uma presença imponente e uma pressão quase palpável, como um tigre em pé sobre duas patas.
Sua voz áspera soava como uma lâmina raspando em pedra.
“Recepção calorosa.”
Ferio deu um breve aceno na direção dos Cavaleiros Revoo.
“Estamos recebendo o próprio Fera Negra. Revoo não poderia ficar de braços cruzados diante disso.”
O cabelo do Marquês, grisalho, estava puxado para trás, fazendo sua testa brilhar.
'Uau...'
Prendendo a perna de Ferio, Leonia olhava para o Marquês de Hesperi com olhos curiosos.
Ele era tão enorme que seu pescoço doía só de inclinar a cabeça para trás.
'O pai parece tão pequeno...'
Até mesmo Ferio, com sua postura digna de um personagem de novela, parecia pequeno e compacto em comparação.
A mesma mão grande de Ferio, capaz de cobrir o rosto inteiro de Leonia, desapareceu num instante ao apertar a mão do Marquês.
E suas feições rústicas e ferozes rivalizavam em intensidade com as de Ferio.
Honestamente, só pela aparência, o Marquês de Hesperi tinha vantagem.
“A viagem foi cansativa?”
Enquanto ela admirava tudo, uma sombra grande caiu sobre sua cabeça.
“Senhora Voreoti.”
O Marquês de Hesperi suavizou sua expressão severa em um sorriso ao olhar para ela.
Mesmo abaixando-se até o nível de joelhos para diminuir seu enorme porte, a diferença de altura ainda era imensa.
“...De jeito nenhum.”
Leonia balançou a cabeça levemente.
Depois, deu um passo à frente e fez uma reverência educada.
Ao invés de usar vestido, ela estava de shorts hoje. Colocou a mão esquerda atrás das costas e a direita sobre o peito.
Parecia uma garotinha tentando parecer adulta.
“Sou Leonia Voreoti. É uma verdadeira honra conhecê-lo, Mestre do Oeste.”
“Ora, ora...”
O Marquês não conseguiu esconder sua surpresa.
Ver a jovem dama da Casa Voreoti—que ele só conhecia por rumores—lembrou-lhe Ferio na juventude.
O pai ~Nоvеl𝕚ght~ e a filha pareciam assustadoramente semelhantes.
Desde o olhar afiado até os lábios retos e fechados quando não estavam falando.
Até mesmo esses olhos negros que pareciam capazes de penetrar na alma de alguém.
Porém, o tom confiante e falador dela era completamente diferente do de Ferio.
Observando com mais atenção, suas feições eram um pouco mais suaves e arredondadas.
O sorrisinho delicado e bonito que ela tinha era algo que ninguém tinha visto em Ferio.
Os lábios do Marquês se curvaram em diversão.
'Ela foi profundamente amada.'
Havia rumores ruins sugerindo que a jovem Senhora Voreoti não era bem cuidada em casa, que ela tinha carências, atraso no desenvolvimento, até era indesejada.
Embora o Marquês não acreditasse em tudo, era razoável supor—considerando a personalidade de Ferio—que ele não fosse o guardião mais atencioso.
Depois de tudo, Ferio tinha uma relação notoriamente difícil com seus próprios pais.
Porém, o que o Marquês via ali era algo totalmente diferente.
A criança era inteligente e cheia de gás.
Ela não se intimidava diante de adultos grandes e desconhecidos e falava sem deslizar a língua.
Seu porte bem alimentado e a aparência bem arrumada denunciam uma criança criada com muito amor.
E Ferio, assistindo de trás, com uma expressão gentil enquanto sua filha cumprimentava, tinha claramente o rosto de um pai orgulhoso.
Por um instante, o Marquês questionou se realmente era a mesma pessoa que ele conhecia.
Os Cavaleiros Revoo ao seu lado também compartilhavam da mesma incredulidade.
Embora não dissessem nada, os olhares que jogaram na dupla selvagem estampavam sua confusão.
'...Estão numa fase doce.'
O Marquês escondeu um sorriso desejoso por trás da barba.
'Olha só, pai!'
Ele também teve uma filha—pequena e corajosa, exatamente como Leonia.
Um tesouro que nunca trocaria por nada no mundo.
“Vamos entrar.”
O Marquês virou as costas, deixando escapar uma nostalgia amarga de um passado irrecuperável.
A propriedade do Marquês de Hesperi no oeste tinha um estilo refinado e minimalista, contendo apenas o essencial.
Embora houvesse obras de arte e esculturas decorativas, ainda assim era a residência nobre mais simples que Leonia já tinha visitado.
No entanto, em tamanho, podia facilmente competir com a propriedade Voreoti.
Entraram juntos no escritório do Marquês.
“Quer que a jovem me acompanhe?”
Um homem que caminhava ao lado do Marquês virou-se e falou com Leonia.
“Provavelmente será uma conversa de adultos bem entediada.”
O Marquês sorriu gentilmente, concordando que ela talvez fosse melhor em outro lugar.
Ele achava que Leonia iria se entediar aqui.
“Papai.”
Leonia inclinou um pouco a cabeça e olhou para Ferio.
“Vai demorar muito?”
“Provavelmente.”
“Hmm, então me chama depois, tá?”
Leonia obedientemente foi até o homem, segurando sua mão.
Apesar de sua aparência gentil, a mão dele era áspera e calejada.
“Se dormir, vamos te deixar pra trás.”
“Me leva comigo!”
Leonia olhou de lado para Ferio com um olhar brincalhão. Ferio sorriu e acenou para ela seguir em frente.
Ao sair do escritório, Leonia sentiu uma pontadinha de birra.
'Se for para fazer isso, poderiam ter me deixado ir sozinha desde o início.'
Esta tradução é de propriedade intelectual do Novelight.
Era um incômodo ter que levá-la até o escritório e, logo depois, ter que acompanhá-la de volta.
“Se caminhar estiver desconfortável, quer que eu carregue você?”
“Vou andar com minhas próprias pernas.”
Ainda desconfortável com a sensação de ser tratada como uma criança, Leonia segurou a mão do homem e caminhou confiante ao lado dele.
“Mas... quem é você, senhor?”
“Sou o secretário do Marquês.”
O homem que se apresentou como Ibex sorriu gentilmente e disse que ela podia chamá-lo normalmente.
“...Mas você era cavaleiro, não era?”
Ao questionar, Ibex parou no ato.
“Sua atitude entregou.”
Leonia sacudiu a mão que segurava, mostrando os punhos ásperos dos cavaleiros e tias, tão firmes quanto os de Ferio.
A mão de Ibex carregava claramente as marcas de alguém que um dia manuseou uma espada.
“...Você é muito observadora.”
Ibex ficou realmente surpreso.
Ele não vestia o uniforme de cavaleiro como os outros Revoo, nem parecia um de fato.
“Só de olhar na mão, dá pra perceber?”
“E pelos músculos também!”
Como estivesse esperando por isso, os olhos negros de Leonia brilharam intensamente.
“Você tem músculos igual aos cavaleiros! Ombros largos, e as coxas bem firmes!”
“Incrível mesmo...”
“Você não é só uma criança comum, não.”
Ibex riu, cobrindo a boca com as costas da mão, diante do tom confiante da criança.
“Esta é a sala.”
Disse que ela poderia esperar ali.
“De quem é essa sala?”
“Ninguém a usa agora.”
“Mas...”
Leonia olhou ao redor, inclinando a cabeça.
Os móveis e objetos mostravam sinais evidentes de uso frequente.
Estavam todos impecavelmente limpos—sem uma poeira sequer.
A sua dúvida foi logo respondida.
“Era do quarto da jovem senhorita.”
Enquanto explorava a estante de livros, Leonia de repente sentiu uma pontada forte no peito.
Quando olhou para cima, Ibex estava silencioso ao seu lado.
“Até ela partir para o Palácio Imperial.”
Ibex traçou suavemente os livros na estante com as pontas dos dedos.
Seu olhar, que percorria os pertences carregados de vestígios de alguém que não estava mais ali, parecia não só nostálgico, mas também dolorido.
“Este foi o quarto onde a Imperatriz Tigria Hesperi Belius ficou antes do casamento.”
***
A conversa entre Ferio e o Marquês de Hesperi continuou por bastante tempo.
Após tudo, o tráfico ilegal de criaturas mágicas não era uma questão leve, e até quem não capturou as feras diretamente, mas apoiou indiretamente por trás das cenas, precisava ser identificado e punido.
Isso por si só já seria suficiente—mas o que agravava era a evidência esmagadora de provável envolvimento da Família Imperial no incidente. Isso tornava qualquer ação precipitada perigosa.
“...No Norte, planejamos expulsar essas três famílias e confiscar seus bens. Quanto aos demais, aplicaremos multas conforme o grau de envolvimento.”
O Norte, sob comando de Ferio, não mostrava misericórdia.
“Também, iremos à capital até para pegar a última ratinha.”
Ferio pretendia punir todos os envolvidos em nome de Voreoti—e aproveitar a oportunidade para pressionar fortemente a Família Imperial, que ousou sujar as mãos.
Ele aguardava uma chance de atacar, e ela agora se apresentava.
“O que você pretende fazer, Marquês?”
Ferio perguntou após expor sua própria estratégia.
“Provavelmente faremos o mesmo.”
O rosto do Marquês carregava sinais de cansaço.
Nas mãos, tinha uma lista de nobres do oeste ligados ao incidente.
Os nomes eram todos muito familiares.
Especialmente no topo—Barão Hirqus, alguém em quem ele confiava profundamente.
“A vida realmente é...”
O Marquês soltou um suspiro vazio.
“...imprevisível.”
Traído por quem ele mais confiava doía mais do que esperava.
Mesmo tentando manter a calma, a raiva ardente e a sensação de vazio eram indescritíveis.
“Fiz tudo que pude para proteger o Oeste. Acreditei que era o certo a fazer. Mas agora, olhando pra trás, começo a questionar se eu não estava enganado o tempo todo.”
Como poderia tudo ter acontecido assim?
Para o Marquês, tudo parecia uma amarga decepção. O passado que viveu com tanta convicção agora se despedaçava em ondas de arrependimento.
'...Provavelmente,'
pensou Ferio, observando de lado o Marquês.
'...ele realmente não tinha envolvimento.'
Durante a investigação, Ferio tinha suspeitado mais do Marquês de Hesperi do que do próprio Imperador.
Ele se perguntava se o Marquês fechou os olhos para tudo, consciente do que estava ocorrendo.
Era uma suspeita razoável.
Muitos nobres envolvidos vinham do Oeste, e o local do leilão planejado para as crias das feras traficadas era na região oeste.
Mas felizmente, isso parecia não ser o caso.
Não havia vestígios de engano no Marquês.
Apenas culpa e arrependimento o preenchiam.
“‘Não fico pensando no passado.’”
Ferio, observando silêncio, de repente citou alguém.
“‘Apenas olho para o futuro.’”
A frase inesperada fez o Marquês arregalar os olhos, confuso.
Era a primeira vez que Ferio citava algo pessoal no meio do trabalho—e até sorriu, perceptivelmente.
Quase parecia sinistro.
“Foi algo que a Leo disse.”
Ferio revelou a fonte da citação.