
Capítulo 52
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Uniforme de cavaleiro negro, uma capa branca drapeada sobre ele—embora fosse tarde, Mono vestia toda a regalia dos Cavaleiros Gladiago.
Connie, que havia saído para esvaziar a água do enxágue, voltou acompanhada de Mia—ambas em trajes de passeio.
Perto deles estavam malas de viagem.
“A carruagem?”
“Está pronta.”
Com sua resposta, Mono abriu a porta.
Ao sair, Ferio puxou Leonia para mais perto de seu abraço.
Embora fosse primavera, o vento noturno ainda era cortante e frio.
“Senhorita Leonia...”
Connie, reunindo toda a coragem que tinha, falou suavemente. Mia parecia horrorizada.
“Ela vai ficar triste quando acordar...”
“Porque não estou lá?”
“Ela te adora, senhor.”
Embora o rosto de Ferio não fosse visível enquanto ele caminhava à frente, Connie conseguiu perceber—seu mestre estava sorrindo.
Mesmo Mia nunca imaginou que Ferio iria responder assim.
“Ela é melhor não fazer birra como da última vez.”
Sempre que ficamos separados, algo acontece. Sua voz era calma, mas o sorriso amargo por baixo era inconfundível.
Connie entrou primeiro na carruagem e guardou a bagagem em um canto.
Mia a seguiu e, reunindo coragem, estendeu os braços pedindo pra segurar Leonia.
Porém, Ferio balançou a cabeça.
Em vez disso, ele cuidadosamente colocou Leonia deitada no banco da carruagem.
“Mmgh...”
Leonia murmurou sonolenta, com os lábios franzidos em um meio-sonho.
Ferio não conseguia desviar o olhar dela.
Ele alisou os fios de cabelo que saíam por baixo do seu cobertor, cuidadosamente atrás da orelha dela.
Depois ajustou o cobertor que tinha escorrido enquanto ela se deitava.
“...”
Connie e Mia, já sentadas, olhavam constrangidas para o chão, sem saber o que fazer.
A porta da carruagem fechou logo em seguida.
O calor suave do pai, cheio de amor ao segurar a filha, desapareceu.
No seu lugar, emergiu a intenção de matar, cortante e fria, de uma besta.
As presas estavam prontas.
“Cavaleiros Gladiago.”
Minhocas minhas.
Os Cavaleiros Gladiago, trajando uniforme completo de gala, alinharam-se ao lado de Ferio em formação precisa.
Um brilho avermelhado piscou nos olhos negros de Ferio enquanto um raio de luar se infiltrava por uma camada de nuvens.
“A partir deste momento—que comece a caçada.”
***
Toc-toc. Toc-toc.
“...”
Leonia franziu a testa.
O barulho de batidas irregulares era desconfortável. Sua coluna estava dura, e seu corpo parecia preso.
Quando tentou mover os membros, percebeu que estava envolta por algo—apertada.
Mesmo assim, era melhor do que na casa de crianças Orfãs.
“Senhorita, está acordada?”
A voz gentil era de Connie. Ela acrescentou que Leonia poderia dormir um pouco mais se estivesse cansada.
Agradecida, Leonia tentou enfiar a cabeça mais fundo no travesseiro.
“Ainda assim, fico feliz por você não ter enjoado desta vez.”
Justo quando Leonia soltou um suspiro e tentou pegar no sono novamente, ouviu a voz de Mia próxima a ela.
“Ela piorou bastante na última vez, não foi?”
“O senhor disse que aconteceu no instante que cruzamos o Portal—”
“Espera... Você não está namorando com o Senhor Gaber, é isso mesmo?!”
“N-Não! A senhora Levipes—quer dizer, a senhorita Meleis me contou!”
À medida que suas vozes ficavam mais altas, Leonia sorriu contra a vontade. As duas empregadas imediatamente silenciaram, assustadas.
‘Mia está aqui?’
Porém, não foi a conversa delas que fez Leonia franzir a testa.
Connie era sempre quem a acordava de manhã.
Mia só aparecia no dia de folga de Connie—e mesmo assim, ela sempre avisava no dia anterior.
Dessa vez, ela não tinha dito uma palavra sequer.
Então—tac. Outro solavanco.
Um pressentimento frio tomou conta dela.
Leonia se endireitou de repente.
“Ih!”
Assustada, Connie soltou um grito.
Do outro lado, Mia fez um gesto de pavor, ofegante.
Porém, a atenção de Leonia estava fixa na janela do ➤ Nova Luz ➤ (Leia mais na nossa fonte).
“...”
O rosto refletido no vidro era um desastre.
Pessoa inchada de sono, com olhos arregalados e boquiabertos, encarava-a em branco. O céu azul claro e as árvores verdes lá fora contrastavam de forma dura com sua expressão.
Naquele instante, Leonia soube.
“Onde vamos?”
Este não era o Norte.
“Passamos pelo Portal enquanto você dormia. Agora estamos no Oeste.”
Connie abriu levemente a janela, deixando entrar o ar fresco.
“Quando?!”
Exigiu Leonia.
“Enquanto você dormia, senhorita.”
“Sim, mas QUANDO?!”
“Bem...”
Connie hesitou, então explicou.
O remédio contra enjoo que Ferio deu a Leonia antes de dormir foi o que ela chamou de “medicamento contra enjoo.”
Graças à poção, ela entrou em um sono mais profundo do que o habitual, permitindo que atravessassem o Portal no meio da noite sem acordá-la.
Só agora Leonia percebeu o ar quente e fragrantemente aromatizado que preenchia seu nariz.
Era o clima moderado, típico do Oeste.
“...”
Leonia ficou congelada.
E permaneceu assim durante três dias inteiros de viagem.
“On… Onde está o papai?”
Ela finalmente perguntou por Ferio pouco antes de entrarem na propriedade Rinne—seu destino final.
Até então, ela ficara sentada num estado de choque, olhando fixamente para a janela da carruagem, sem falar nada.
Isso por si só mostrava como ela estava abalada.
“Cadê meu pai? Onde ele está?!”
O pânico finalmente apareceu. Leonia não conseguiu mais se controlar e virou-se para Connie.
Foi a primeira vez que ela viu a garota tão claramente angustiada. Connie sentiu uma dor no coração.
Ela sempre agia com tanta maturidade—porém, ainda era pequena, e frágil.
“O mestre disse que logo mais ele chegaria.”
“Ele te enviou adiante por causa de uma coisa urgente.”
Connie e Mia tentaram, ao máximo, acalmá-la.
“Ah—certo…!”
Connie rapidamente vasculhou uma bolsa e puxou um pote de vidro.
Envolto em duas toalhas grossas, o pote era o do doce de morango com leite—que Ferio costumava dar a ela.
Leonia o segurou firme, e seu medo aos poucos diminuiu.
Depois veio uma onda de vergonha.
Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.
Ela tinha agido como uma criança de verdade.
Leonia escondeu o rosto atrás do pote cheio de doces.
Mas, através do vidro transparente, seu rosto vermelho ainda era perfeitamente visível.
Connie e Mia sorriam silenciosamente, respirando aliviadas.
Logo, a carruagem entrou numa propriedade.
Em forte contraste com a sombria Mansão Voreoti, esta era brilhante, branca e arejada.
“Jovenzinha Voreoti!”
Count Carnis Rinne a cumprimentou com braços abertos.
E só então Leonia percebeu toda a realidade—
Ela estava no Oeste.
***
“Passei a perceber o quanto o Duque realmente ama a jovem senhorita.”
“Heh? Agora mesmo?”
Probo inclinou a cabeça, surpreso com o quão tarde aquela revelação parecia vir.
Os dois conversavam brevemente, tendo finalmente encontrado um tempinho livre em suas agendas ocupadas.
“Na verdade, eu sempre soube.”
Lupe respondeu enquanto massageava o pescoço, cansado pelo excesso de trabalho.
O infame duo pai e filha Voreoti tinha se tornado uma sensação por toda a região Norte.
Todo mundo sabia que o Duque Ferio era fanático pela única filha.
Porém, o motivo pelo qual Lupe sentiu essa verdade tão profundamente desta vez... foi porque Ferio enviara Leonia para o Oeste sozinha.
Probo tinha sentido o mesmo.
Ela partiu na calada da noite. Foi totalmente inesperado.
“Provavelmente, ele não quis que ela visse algo desagradável.”
Probo lembrou-se da palavra que Ferio usara—caçada.
Por mais gentil e amigável que parecesse com a filha, Ferio era uma besta arrogante que desprezava o mundo por causa de sua força avassaladora.
Chamava pessoas problemáticas e incômodas de poeira.
E o ato de lidar com elas sempre chamava-se limpeza.
Porém, desta vez, ele chamou de caçada.
“Vai vir uma chacina.”
Lupe falou o que ambos pensavam.
Ele sabia o quão furioso Ferio estava desta vez.
Os pestinhas tolos tinham tocado Leonia—e tentaram quebrar a paz que a Casa Voreoti protege há gerações.
Pelo menos três famílias nobres desaparecessem da história.
Haveria sangue.
Ferio não quis que Leonia testemunhasse isso.
Algum dia, ela herdaria a casa, e experiências como essa seriam necessárias.
Porém, não ainda—não enquanto ela fosse tão pequena.
Era puro amor paternal.
E, para escondê-lo, Ferio deixou todas as três cavaleiras de escolta de Leonia no Norte.
Só por precaução—embora nada provavelmente acontecesse.
As pessoas costumavam ver Ferio como algo além do humano.
Porém, quando Leonia estava com ele, ele era como qualquer outro.
Por isso, as pessoas não podiam deixar de gostar dele.
Todos na Casa Voreoti sentiam o mesmo.
A atmosfera ficara muito mais calorosa—era fácil esquecer o quão rigoroso tinha sido o inverno passado.
“Foi uma boa mudança.”
“Concordo.”
E, por isso, Lupe e Probo estavam especialmente irritados com a situação atual.
Aqueles idiotas estavam provocando o milagre que trouxera paz à Casa Voreoti.
Estavam cutucando a besta.
E, por mais que ele tivesse mudado, a natureza de Ferio permanecia a mesma.
Enviá-la embora também era, em parte, por ela—mas, sobretudo, uma declaração clara: não haveria misericórdia.
Lupe e os cavaleiros nem achavam que aqueles idiotas merecessem um funeral.
“Vice-Comandante.”
Justo então, alguém chamou Lupe com tom urgente. Um de seus subordinados.
“Acabou de chegar uma mensagem.”
Ele entregou uma pequena nota. O remetente: o Marquês de Pardus.
Lupe leu a mensagem.
“...”
Sua expressão ficou pálida como a sua própria cabeça.
“...Onde está o Duque?”
Lupe se recompôs e perguntou pelo paradeiro de Ferio. Ao mesmo tempo, Probo saiu da sala.
Ele iria direto até Mono—para alertá-lo de que o comando do Senhor poderia chegar a qualquer momento.
Lupe fez o mesmo.
Não havia tempo a perder.
“Vamos nos mover. Agora!”
Lupe saiu apressado, seu oficial acompanhando-o, com a urgência estampada no rosto.