
Capítulo 48
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
“...Sim, senhor?”
Ao ouvir as palavras súbitas de Leonia, Probo parou abruptamente.
O pônei que ela segurava também parou, e naquele breve instante, Leonia desmontou.
Probo, finalmente, percebeu a presença suspeita. Quando outro cavaleiro tentou sacar a espada, Leonia rapidamente o impediu.
“Vou bloquear. Você pode seguir em frente.”
“Não posso deixá-la sozinha, senhorita.”
Probo colocou a mão no ombro de Leonia, puxando-a em sua direção enquanto olhava ao redor.
As crianças e os cavaleiros, sem perceber nada errado, ainda se divertiam alegremente na frente, aproveitando o passeio.
‘Ninguém notou?’
Os cavaleiros e as crianças continuaram brincando barulhamente, completamente alheios ao que acontecia.
Era o que Probo achava suspeito. Os Cavaleiros de Gladiago tinham sentidos apurados — treinados de forma brutal e especializados na caça a monstros.
E mesmo assim, não detectaram nada?
‘E essa presença...’
Probo apertou mais forte o grip em sua espada. Mas não a puxou.
Algo o impedia de agir.
Era uma sensação familiar. E não havia hostilidade.
“Vou só ali rapidinho.”
Leonia disse isso com expressão determinada. Probo imediatamente tentou impedir.
Mesmo sem hostilidade, a presença ainda parecia suspeita.
“Você não pode ir sozinha.”
“Então, pelo menos, mande as crianças de volta para a mansão primeiro.”
Leonia soltou sua mão e sorriu, confiante.
“Tenho presas, lembra?”
Graças ao seu treino recente, ela já conseguia manifestar a ponta de suas Presas. Isso por si só era suficiente para rivalizar com um cavaleiro médio.
E mesmo que ela tivesse perdido o controle antes, já tinha usado as Presas uma vez.
“Mande as crianças de volta e venha logo com os outros.”
“Mas—”
“Hurry!”
Foi só então que Probo começou a se mover, levando o pônei na direção dos outros.
Depois de confirmar que as crianças tinham sido levadas em segurança de volta para a mansão, Leonia correu rapidamente até onde sentira a presença.
‘As Presas reagiram.’
Sua pequena mão pressionada contra o peito pulsante.
Era uma sensação que ela nunca tinha experimentado antes.
Mas ela entendeu imediatamente.
Era um aviso das Presas adormecidas da Besta — alertando-a de uma presença estranha dirigida a ela própria.
Conforme tinha sido ensinada, Leonia se preparou para revelar suas Presas.
Uma névoa dourada lentamente brilhava sobre seus olhos negros.
Ainda havia alguma trepidação, mas comparado ao que aconteceu antes, seu movimento estava muito mais equilibrado.
De dentro dos estábulos, vinha o som de cavalos agitados. Eles estavam inquietos por causa das Presas que ela havia estendido.
Leonia silenciosamente pediu desculpas a eles e se moveu rapidamente.
Ao mesmo tempo, ela rasgou uma peça decorativa de sua roupa e deixou como sinal —
Para os cavaleiros que a seguiriam.
‘Mas por que só Probo oppa e eu sentimos isso?’
Não só os cavalos, que eram sensíveis por natureza, como os cavaleiros, que tinham sentidos muito mais aguçados que a maioria, também não perceberam.
Probo também percebeu — mas só depois de Leonia.
O local onde ela chegou foi um canto do jardim, não muito longe dos estábulos.
Ali, as altas muralhas que cercavam a vasta propriedade começaram a aparecer. No topo delas, cuspido de ferro como lanças.
E abaixo delas—
“...”
Uma criatura de pelagem branca permanecia imóvel.
Um animal com padrões azuis no pelo, que olhava fixamente para Leonia, balançando a cauda.
Seus olhos, fixos nela, eram profundos — como um universo silencioso escondido atrás do céu.
“...Um leopardo-das-neves?”
Leonia murmurou.
A fera orgulhosa tentou se assustar um pouco, como se estivesse intrigada, perguntando silenciosamente como ela sabia.
Leonia nunca tinha visto um leopardo-das-neves na vida real. A região ao redor do orfanato onde ela morava não era habitat natural para eles.
Talvez tivesse algum no almanaque de animais na biblioteca da propriedade, mas ela ainda não tinha lido.
Porém, em outra lembrança — ela tinha visto fotos.
Era inconfundível: era um leopardo-das-neves.
‘Um monstro... não é, verdade?’
Era quase zero a chance de ser um monstro. Faz poucos meses que Ferio saiu para caçar monstros dessa espécie.
Além disso, essa era a propriedade do Bicho Preto. Era o lugar mais próximo às Montanhas Nоvеl𝕚ght, e mesmo assim, monstros instintivamente evitavam-na.
O jovem animal e o leopardo-das-neves continuaram se encarando.
Nesse tempo, Leonia percebeu claramente que o leopardo-das-neves não tinha hostilidade.
Ela recolheu a minúscula ponta de suas Presas.
O leopardo-das-neves não atacou.
Aquela presença estranha de antes — certamente vinha dele.
Mas mesmo assim, não houve hostilidade.
‘...Huh?’
Então algo lhe ocorreu.
“Deve ser... leopardo-das-neves...”
Ela murmurou, mas justo ao terminar seu pensamento—
O leopardo-das-neves balançou a cauda uma vez, deu um salto gracioso sobre o muro e desapareceu do outro lado.
Quase atravessou as pontas de ferro afiadas.
“Senhorita!”
No instante em que o leopardo desapareceu, Probo e os outros cavaleiros chegaram.
“Senhorita! Está bem?”
“Probo oppa, e as crianças?”
“Elas retornaram sãos e salvos para a mansão. A Meleis está com elas na sala.”
“Obrigada.”
Depois de confirmar que as crianças estavam seguras, Leonia relaxou um pouco.
E o frio que ela tinha momentaneamente esquecido começou a penetrar, fazendo seu corpo estremecer. Probo a pegou suavemente nos braços.
“Você está machucada?”
“Estou bem.”
“O que aconteceu?”
Probo olhou ao redor do jardim vazio e perguntou.
“...Um gato.”
Leonia respondeu.
“Era um gato grande e fofinho.”
Era a única forma de descrever.
Porque ela sabia — aquele leopardo-das-neves não era apenas um leopardo comum. E ainda era cedo demais para revelar sua verdadeira identidade com a própria boca.
* * *
“Um gato?”
Ferio estreitou um olho.
Enquanto suportava a tediosa festa de chá, Probo veio lhe informar o que tinha acontecido no picadeiro.
Ferio se levantou e deixou a reunião.
“Leonia e as crianças — estão bem?”
“Elas estão na sala com a Meleis e o Paavo. Manus e os outros cavaleiros estão patrulhando o picadeiro e as áreas próximas.”
“Pode ter sido um monstro?”
“Não acredito. Só a jovem senhora e eu percebemos algo suspeito.”
“E os outros cavaleiros?”
Probo balançou a cabeça. Eles não perceberam nada.
Os olhos de Ferio se estreitaram de repente.
“Como era o gato?”
“Ela disse que era grande e fofinho.”
“Ela também chamaria um monstro de fofinho.”
Ferio murmurou casualmente, como se não fosse grande coisa — embora já estivesse imaginando Leonia implorando para que ele tivesse um monstro de estimação.
“Havia algo que valesse a pena guardar?”
“Você está de brincadeira, né?”
Probo, já atordoado com essa questão, ficou sem fala.
Ferio soltou uma risada suave ao olhar para ele.
Esteja certo de que essa foi uma brincadeira.
“Foi uma piada.”
“De qualquer forma, aquilo não era um monstro.”
“Você sabe o que aquela criatura era?”
“Se só você e Leonia perceberam...”
A resposta era óbvia.
“Senhor Probo Elefan.”
Ele chamou Probo pelo nome.
“Você pode ser da nobreza oriental, mas certamente não esqueceu quem governa o Leste, né?”
Os olhos de Probo se arregalaram a cada palavra de Ferio.
“N-Não pode ser...”
Só então ele percebeu por que aquela presença lhe parecia tão familiar.
Era a magia — mana.
Originalmente, a aura era mais facilmente percebida por quem a possuía, e a mana por quem a tinha em si.
Por isso, os outros cavaleiros não tiveram percepção da presença estranha antes.
“O Marquês de Ortio...!”
Probo pareceu quase desmaiar.
“Ele chegou mais cedo do que o esperado.”
Se isso o surpreendeu ou não, Ferio simplesmente virou-se e foi em direção ao seu escritório.
“...O que é isso agora?”
Ferio parou, com uma expressão de desgosto.
Havia duas pessoas inesperadas em frente ao seu escritório.
E a sensação desagradável que Ferio sentia era totalmente dirigida a uma delas.
“Pai!”
Leonia veio correndo em sua direção com passos rápidos.
Ferio a pegou nos braços e observou seu rosto. Felizmente, nada parecia errado.
Porém, a expressão da criança transbordava uma cautela voltada à pessoa que estava ao lado.
“Por que você está aqui?”
Ferio perguntou ao outro enquanto ainda olhava para Leonia.
“Sir Musca Tabanus.”
O “o que é isso” que ele tinha dito antes tinha sido dirigido a ninguém menos que Musca Tabanus.
Musca Tabanus recuou, assustado, da porta do escritório em pânico.
Sua mão tinha sido colocada de forma esquisita — pausada na altura da cabeça de Leonia, como congelada.
“Preciso perguntar de novo?”
“......”
“O que está fazendo aqui?”
“Eu-i... só...”
“Pai!”
Como se estivesse esperando por esse instante, Leonia apontou o dedo para Musca Tabanus.
“Um tempo atrás, eu tava com as crianças comendo biscoitos, lembra? Aí tentei tirar uma soneca, mas não consegui, então pensei em sair escondida para ver seu escritório, só que...”
Leonia começou a tagarelar como uma fofoca.
O resumo era que, depois de tudo que aconteceu mais cedo, ela não conseguiu dormir, então saiu passeando pelo quintal por tédio. E, ao passar pelo escritório do Ferio, viu um estranho.
Aquele estranho tinha a mão na maçaneta, como se tentasse entrar.
“E aí, mandei ele ficar fora, mas ele me ignorou completamente!”
“O que ele disse para você?”
“Aquele idiota...!”
“Não é estranho chamar algo tão nojento de ‘idiota’?”
Ferio interrompeu de forma desnecessária.
Leonia, no meio do seu relato animado, fez uma pausa por um instante.
“...Você tem razão.”
De qualquer forma, aquele louco — Leonia, sendo a boa filha que era, corrigiu sua fala.
Porém, seu jeito rude de falar, palavras como “de qualquer forma” e “louco idiota,” continuaram iguais.
“Fiquei na frente dele e disse para não entrar, certo? Mas ele me olhou de cima a baixo, sorriu de canto, e riu de mim!”
“Isso não é verdade!”
Musca Tabanus tentou explicar rapidamente.
Disse que precisava usar o banheiro, saiu da festa de chá por um momento, e, ao passar por aí, acidentalmente chegou em frente ao escritório do Ferio.
Depois, disse que confundiu com um banheiro e tentou entrar.
“Não minta, seu doente.”
Leonia rosnou, lançando olhares ameaçadores ao homem.
“Aquele idiota falou tão alto que deu para ouvir.”
“O que ele disse?”
“Falou... algo como ‘o sangue imundo de uma vadia de origem baixa’...”
Sua voz, que tinha estado cheia de entusiasmo enquanto contava tudo, aos poucos foi se apagando.