Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 49

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


“…Que porra é essa?!”


Leonia rapidamente se esconde atrás de Probo para se proteger.


A expressão de Ferio, de perto, era algo que ela nunca tinha visto antes.


Estava coberta por uma ferocidade que desafiava descrição.


Até Probo, segurando Leonia, começou a recuar passo a passo.


“Quase urinei nas calças,” sussurrou Leonia.


O ar gelado se espalhou instantaneamente.


Probo teve a ilusão de que até o hálito que exalava tinha ficado branco e congelado.


Era assim que o ambiente agora parecia frio e pesado.


Tap, tap.


Os dedos de Ferio tremeram perto da coxa.


“Tabanus...”


No instante em que Ferio pronunciou seu nome, Leonia passou a ter certeza de uma coisa sobre o futuro.


Aquele homem—se fosse Musca, Mascara ou qualquer outro—com certeza encontraria seu fim pelas mãos de Ferio.


Era exatamente o ‘algo muito errado aconteceu’ que Leonia tinha previsto anteriormente.


E a causa não seria uma desculpa idiota, como confundir um escritório com um banheiro—but por insultar o sangue dela como sendo algo vulgar.


“...Senhor Musca Tabanus.”


Após um longo silêncio, Ferio o chamou novamente.


Musca Tabanus, tremendo de medo, estremeceu tristemente ao ouvir seu nome.


“O banheiro fica à direita da sala de banquetes neste andar.”


“Ah, ah...sim...”


“Por favor, vá até lá.”


Surpreendentemente, Ferio não fez nada com Musca Tabanus.


Em vez disso, ele pegou Leonia de Probo e ordenou que ele mesmo fosse pessoalmente acompanhar o homem até o banheiro.


Probo arrastou Musca como se estivesse fazendo uma prisão.


“...Você está com raiva?”


Leonia o olhou com cautela, sutilmente.


Ferio olhou para ela sem uma palavra, depois soltou um suspiro profundo. Ainda lhe deu uma expressão que dizia: Estou perdendo a cabeça por sua causa.


“Você não está bravo?”


“Claro que estou. Foi por isso que esperei e te avisei.”


“Você fez isso da última vez também...”


A “última vez” a que Ferio se referia era o incidente envolvendo Kerena, a ex-professora de etiqueta.


Na época, Leonia tinha jurado que iria avisar assim que Ferio voltasse—mas acabou perdendo o controle e soltando as Presas no lugar.


“Só deu uma surra nele.”


Ferio disse que cobriria mesmo que ela o matasse por acidente.


“Eu ia fazer isso.”


Na verdade, havia uma coisa que Leonia ainda não tinha contado a Ferio.


Musca Tabanus havia cutucado sua testa com o dedo—como empurrando-a de lado.


Leonia não estava apenas irritada; ela estava realmente curiosa para saber que tipo de lunático ousaria tocar nela daquele jeito.


Era a primeira forma inovadora de suicídio que ela tinha encontrado desde Kerena.


“...Na horizontal ou na vertical?”


Ferio murmurou de forma ominosa após uma longa pausa.


“Huh?”


“Para qual lado eu devo rasgar ele—horizontalmente ou verticalmente?”


Depois, ele acrescentou que também considerava uma opção diagonal, só para ser meticuloso.


“...Sei que não estou numa posição para falar isso, mas...”


Pai realmente não sabe o que não dizer para uma criança.


Leonia levantou os braços e virou-se para Ferio, dando-lhe um grande abraço.


Porque ele se irritou por ela, toda a irritação e desconforto anteriores derreteram como neve ao sol.


“Estou com sono agora.”


“Quer que eu te leve até seu quarto?”


“Quero...”


Ferio começou a conduzi-la até o quarto dela.


Com seu ritmo lento e a mão suave e cheia de carinho nas costas dela, Leonia bocejou largamente. Quando ele a colocou na cama, ela já estava profundamente dormindo.


Ferio beijou sua testa e enfaixou cuidadosamente o cobertor.


Depois, voltou para seu escritório.


“Desculpe a demora.”


No interior, esperando exatamente como Leonia tinha descrito, havia o grande e rechonchudo “gato.”


“Hora do cochilo da minha filha,” disse Ferio.


“Ela é uma criança tão doce e encantadora.”


O leopardo-das-neves rosnou—um murmúrio baixo e satisfeito.


“E além disso, cheguei antes do horário previsto.”


O leopardo de neve ficou de pé, ereto, sobre duas patas.


Seu pelo fofo se transformou em um vestido branco cintilante. A roupa suave e fluida abraçava uma silhueta longa e delgada—de origem exótica oriental.


A forma felina rechonchuda virou o corpo curvilíneo de uma mulher, e o rosto da fera feroz se transformou no sorriso de uma mulher bonita, com olhos penetrantes e cabelo curto e azul.


“Para constar, é verdade que o Senhor Musca Tabanus insultou sua jovem dama. Ah, e ele também zombou enquanto tocava sua testa com o dedo.”


“Que modo extremamente criativo de cometer suicídio.”


Ferio imaginou-se delicadamente cortando o dedo de Musca Tabanus e encaixando-o perfeitamente na testa do homem. Era uma imagem surpreendentemente adequada.


A mulher sentada no sofá sorriu suavemente e cruzou a perna direita sobre a esquerda.


Sua perna branca como neve aparecia através da fenda alta do vestido.


‘...Parece frio.’


Ferio franziu as sobrancelhas.


Se Leonia tentasse usar algo assim quando fosse mais velha, daria um grande problema para ele.


Ele silenciosamente decidiu que, em futuras trocas comerciais com o Oriente, não importaria esse tipo de vestido.


“Primeiro de tudo,”


Disse Ferio, sentando-se em uma cadeira em frente a ela.


“Seja bem-vinda ao Norte.”


O mestre do Norte cumprimentou o mestre do #NoiteBrilhante# Leste.


“Marquês de Ortio.”

Seus olhos estreitos, como o céu noturno sem estrelas, curvaram-se numa expressão suave.


“Obrigada pelo acolhida calorosa, duque.”


Porém, ainda tinha nos olhos um sorriso de caçador.


***


Dois dias após o fim do chá.


A família do Conde Rinne embarcou na carruagem para voltar para casa.


Pousariam brevemente na região ocidental antes de seguir para a capital.


“Pessoas persistentes.”


Ferio comentou ao sair para se despedir deles.


“Você foi quem os convidou.”


Leonia, que já não se incomodava em esconder seu olhar suspeito, tentou parecer indiferente.


“Não me importa quem você gosta, pai. Mas casamento está fora de questão, ok?”


“Quantas vezes tenho que te dizer para não tirar conclusões erradas?”


“Vou ficar de olho! Você não engana meus olhos!”


“Você realmente sabe aproveitar a vida, né...”


Ferio comentou, bagunçando o cabelo dela.


O Papa-Besta decidiu simplesmente desistir e aceitar as estranhas preferências do Baby-Besta.


Assim era mais fácil.

“Bom, então, estamos indo.”


“Obrigada por nos receberem.”


Enquanto Carnis e Abipher trocavam despedidas finais, Leonia se despediu de Ufikla e Pinu.


“Não briguem com seus pais no caminho, lembrem-se de parar no banheiro toda vez que a carruagem parar e, se tiverem mau-estar, olhem pela janela para algo bem longe...”


Leonia fez uma despedida carinhosa para as duas crianças, por quem ela tinha um carinho especial.


O ponto principal era: não brigar na longa viagem e obedecer aos pais.


“Sim!”


“Okaay!”


As crianças responderam com entusiasmo.


Em algum momento, Leonia já tinha domesticado completamente os irmãos Rinne como seus próprios minions.


“…Sua filha tem sete anos, né?”


Carnis sussurrou baixinho.


Naquele instante, ele viu Abipher—a mãe das crianças—sobrepor-se a essa pequena garota.


“Ela diz que sua idade mental é quase trinta.”


“Isso... é assustadoramente preciso.”


Esta tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


“Essa idade parece meio crível,” ela riu suavemente.


“Então, realmente precisamos ir agora.”


“Se cuidem, moça.”


“Sim. Boa viagem para vocês também.”


Leonia fez sua despedida formal desta vez, acompanhando a família Rinne com os gestos de cortesia que não havia mostrado no primeiro dia.


“...Jovenzinha.”


Carnis se abaixou até o nível dela e pegou sua mão, seu pescoço apertando de emoção.


“Fico mesmo feliz por você ter se tornado família do Ferio.”


Ele deu um forte fungada e sorriu—de verdade, como um amigo que se preocupa profundamente com Ferio.


Leonia não conseguiu sentir seus olhos, ficando repentinamente tímida.


“Eu também estou feliz... que o pai seja meu pai.”


“Tenho certeza de que o Ferio sente o mesmo.”


“Sim, eu sei disso agora.”


Uma grande mão repousou suavemente sobre a cabeça de Leonia.


Ferio tinha escutado tudo—e os cantos da boca dele se curvaram num sorriso caloroso.


A família Rinne terminou suas despedidas e embarcou na carruagem.


Viu-se pelos freios abertos que Ufikla e Pinu se inclinaram para fora, acenando com as mãos, gritando que queriam vê-la novamente.


“Falei pra não colocarem a cabeça pra fora da janela.”


Leonia soltou um suspiro curto, mas respondeu acenando entusiasticamente.


“Leonia unni! Venha nos visitar na próxima!”


“Tchau, noona!”


“Cuidem-se também, vocês dois!”


E assim, a carruagem partiu.


A família Rinne, que enchera a fazenda Voreoti de risadas e barulho por dias, finalmente saiu de cena.


Ferio e Leonia ficaram lá até que a carruagem sumisse, parecendo uma pequena mancha preta ao longe.


“......”


Sentindo-se estranhamente melancólica, Leonia tentou, cambaleando de um lado para o outro, se apoiar na perna de Ferio.


“Tá meio sozinho assim...”


“Ainda bem que aquela barulhada toda foi embora.”


“Pai, você não é nada honesto.”


Mesmo assim, Ferio não se mexeu uma polegada.


Chateada com sua falta de resposta, Leonia provocou um pouco mais.

“Suspiro... se o Conde Rinne não fosse casado, poderia ter escolhido ele como seu marido novo—”


“Você...”


Ferio tocou nos lábios dela delicadamente enquanto ela soltava besteira.


“…Não estou sozinho, porque tenho você.”


Leonia olhou para cima, surpreendida.


Ferio inclinou levemente a cabeça, como se dissesse: “Não é?”


E ela sorriu brilhando.

“Eu também não me sinto sozinha quando estou com você, pai!”


Pai e filha voltaram os olhos para a janela, onde a luz do sol filtrava através. No jardim, uma árvore apareceu na vista.


Leonia apontou para ela.

“As folhas estão ficando verdes.”


As pequenas folhas verdes pareciam tão alegres.


“Grossas e redondas—igual a você.”


Ferio comentou brevemente.

“...Aff, sério mesmo!”


O rosto de Leonia se contorceu de frustração enquanto seu reflexo brilhava suavemente no vidro.


A primavera tinha chegado silenciosamente.


***


“Que porra tá acontecendo?!”


Sir Musca Tabanus gritou com uma voz áspera.


“A quantidade entregue está menor do que no mês passado!”


Ele bateu o relatório de fornecimento na mesa com força.


“...Senhor Tabanus.”


Visconde Kerata, sentado à sua frente, pressionou seus dedos grossos na testa, tentando explicar pacientemente.


Já na terceira vez.


‘Será que é assim que ele se senteàs vezes?’


Ferio frequentemente olhava ao redor com aquela expressão de que o mundo era exaustivo.


Pela primeira vez na vida, o Visconde Kerata realmente entendeu esse sentimento.


Ter que lidar com pessoas que simplesmente não entendem poderia fazer sua cabeça ferver.

“Na primavera, os renas dão cria.”


Renas acasalam no outono e dão vida na primavera seguinte.


Por causa disso, no final da primavera e início do verão—quando cuidam de seus filhotes—a produção de couro é interrompida.

“Ainda assim, o corte não está demais?!”


Mesmo após três explicações detalhadas e diplomáticas, Musca Tabanus não conseguiu entender.


Continuava fixado na redução do fornecimento.


O Visconde Kerata reuniu toda sua paciência, deep down, na sua barriga grossa.

“Você esqueceu do ano passado?”


Com voz baixa, como se fosse uma caverna escura, Musca parou.

“Não foi um aumento significativo nos monstros?”


Ao ouvir a palavra “monstros”, Musca se encolheu visivelmente.

Kerata percebeu, mas fingiu que não.

“Nossa família Kerata também sofreu prejuízos na época.”


Na verdade, era uma grande mentira.

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