Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 46

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Mesmo ainda jovem, Flomus já tinha recebido Ferio três vezes.


A primeira foi enquanto passeava pela cidade com seu pai.


A segunda, em uma festa do chá realizada em sua própria casa.


E agora, essa era a terceira vez.


Apesar de ter encontrado o Duque do Norte—Ferio Voreoti—três vezes nos últimos meses, Flomus ainda sentia medo dele.


O medo avassalador teimava em não desaparecer. Era como uma parede que a pressionava, e se ela não fugisse imediatamente, parecia que iria fazer xixi nas roupas de baixo.


“-Oi...,”


Mas Flomus, mesmo tremendo, controlou seu medo e o cumprimentou com olhos marejados e voz trêmula.


Era uma façanha só possível porque ela já o tinha visto duas vezes antes.


“-A-agradeço pelo... convite...”


Já era uma melhora em relação à última vez, quando ela mal conseguiu falar.


Ferio esperou calmamente que Flomus terminasse.


Ele estava acostumado a crianças gritarem ou ficarem paralisadas de medo ao vê-lo, então não se importava mais com isso.


Ao contrário, achava admirável que Flomus estivesse se esforçando tanto para superar seu medo e cumprimentá-lo corretamente, por isso a observava silenciosamente.


De sua perspectiva, ele a observava com carinho—mas para Flomus, parecia que ela estava sendo avaliada severamente por não ter feito uma saudação perfeita.


“Seja bem-vinda.”


Somente depois que Flomus terminou o cumprimento e respirou fundo, Ferio virou-se para cumprimentar a família Visconde Kerata.


O casal visconde devolveu o gesto e agradeceu pelo convite.


“Para a senhorita também.”


Ferio ajoelhou-se de um joelho para ficar ao nível de Flomus.


“Obrigada por virem à festa do chá.”


Surpresa, Flomus deu um soluço—tão alto que todo seu corpo se revelou assustado.


Ferio inclinou um pouco a cabeça ao ouvir o som.


Um sorriso suave apareceu em seus lábios.


‘Acho que realmente me tornei um pai agora.'


Ele se sentiu instintivamente afeiçoado por crianças da idade de Leonia.


Como a doce Flomus, ou os jovens escudeiros da ordem dos cavaleiros.


Era uma sensação estranha—uma que ele nunca tinha experimentado antes. Mas, na verdade, não se importava. Pelo contrário, gostava bastante.


Essa mudança nele parecia... boa.


Ferio conduziu o casal visconde até o salão de banquetes onde a festa do chá acontecia.


“Acompanhe a jovem até o quarto de Leonia.”


Agora sozinha, Flomus foi delicadamente carregada nos braços de uma criada Voreoti enquanto se dirigiam ao quarto de Leonia.


Só então, a verdadeira Flomus começou a sair de sua concha, olhando maravilhada para a propriedade Voreoti.


Seus olhos verdes assustados agora brilhavam de curiosidade.


A mansão Voreoti parecia grande e assustadora do lado de fora—


Mas internamente, era magnífica.


Um lustre brilhava sob o teto alto e curvo. Tapetes macios se estendiam sem fim por cada escadaria e corredor, abafando cada passo.


As paredes eram decoradas com quadros deslumbrantes.


Vasos transbordavam de flores, seguramente caras, mesmo que ela não soubesse seus nomes.


Até o ar que tocava suas pontas dos dedos era quente.


“Flomo!”


Leonia a cumprimentou alegremente ao chegar.


“Seja bem-vinda! Estava frio lá fora?”


“H-Hello...”


“Você está com uma roupa tão bonita hoje.”


Flomus ficou envergonhada com o elogio, vermelha e tímida, mas feliz por isso.


“Obrigada pelo convite.”


“Foi meu pai quem enviou o convite.”


“Mesmo assim.”


Flomus acreditava que tudo era graças a Leonia.


Ela sabia que Ferio só pensava nela com carinho porque ela tinha se aproximado de sua filha.


Leonia sorriu satisfeita.


“Aww, você é uma gracinha.”


Ela balançou as mãos no ar como se estivesse acariciando as bochechas de Flomus.


“Senhorita...”


A criada ao lado dela engoliu um suspiro.


Se o Duque ouvisse aquele tom de voz novamente, com certeza reclamaria que ela parecia uma velhinha.


Curiosa, Flomus olhou ao redor do quarto de Leonia—era a primeira vez que via aquilo.


Era surpreendentemente aconchegante.


Claro, a cama e a escrivaninha eram enormes e luxuosas à primeira vista.


Mas as decorações e a atmosfera geral eram quentinhas e convidativas.


Por algum motivo, aquilo lhe lembrava o sorriso gentil de Ferio quando olhava para Leonia.


O assustador Duque do Norte, que assustava todo mundo, se transformava em um pai comum na presença de Leonia.


Seu sorriso suave—era bem como esse quarto.

“Leonia.”


Justamente nesse momento, Ufikla veio correndo. Ao lado de Leonia, Ufikla era visivelmente mais alta.


“Quem é esse?”


“Quem é isso?”


Pinu apareceu por trás da irmã, curioso, perguntando.


Os dois irmãos encararam Flomus com olhos grandes e cheios de curiosidade.


Só agora, Flomus percebeu que não era a única convidada no cômodo.


“Ela é minha melhor amiga.”


Leonia apresentou-a pessoalmente. Ao ouvir aquilo—minha melhor amiga—o coração de Flomus deu um pulo de alegria.


Leonia então apresentou os irmãos Rinne.


Felizes, os quatro se deram bem, surpreendentemente.


Pinu ficou um pouco tímido e se manteve grudado à Ufikla enquanto observava Flomus, mas quando seus olhos se cruzaram, ele se contorceu timidamente—não por antipatia, mas por constrangimento.


Os quatro crianças se davam bem.


Liam livros, desenhavam e jogavam jogos de tabuleiro populares no Norte.


Logo, a sala se encheu de risadas.


‘Estava um pouco preocupada com Ufikla...’


Leonia era quem mais se preocupava com ela.


Ainda se sentia um pouco culpada pelo primeiro contato, e se preocupava que Ufikla dissesse algo estranho para Flomus.


Mas Ufikla era surpreendentemente delicada.


Na verdade, parecia bastante afeiçoada por Flomus.


Ela até exclamou com entusiasmo ao saber que a propriedade Kerata criava renas e mostrou interesse genuíno.


“Os adultos têm tanta sorte...”

Ufikla murmurou enquanto jogava os dados durante o jogo.


“Podem fazer festas do chá.”


Ela empinou o lábio inferior num bico de desgosto.


“Eu também quero ir!”


“As festas do chá para adultos devem ser tão elegantes.”


Flomus concordou suavemente.


Ao dizer isso, Ufikla concordou com entusiasmo, balançando a cabeça.


As duas eram surpreendentemente compatíveis.


“Hmph...”


Leonia, por sua vez, permanecia indiferente.


Se fosse para ela, parecia cansada do assunto.


Entre as quatro crianças, só Leonia sabia a verdade—que a festa do chá de hoje longe de ser apenas uma reunião social agradável.


Esta tradução é propriedade intelectual da Novelight.


***

“Obrigada por terem vindo, apesar do aviso em cima da hora.”


Ferio dirigiu-se aos nobres presentes na festa do chá.


‘Não parece muito agradecido, na minha opinião.’


O marquês de Pardus sorriu de canto, suavemente.


Qualquer um podia notar a expressão de evidente irritação no rosto de Ferio.


Sua voz neutra e a expressão vazia o faziam parecer um garoto mal-humorado, puxado aqui pelos pais contra sua vontade—claramente querendo estar em qualquer outro lugar.


Sinceramente, o próprio fato de ele ter organizado o evento era um milagre.


O marquês de Pardus apostava toda a sua fortuna que a maioria dos nobres ali pensava a mesma coisa.


“Passei muito tempo na capital, negligenciando o Norte.”


O marquês quase soltou uma risada alta.


“Vou compensar agora, dedicando toda minha atenção a isso.”


E isso—isso era emocionante.


Ao mesmo tempo, sua lealdade à Casa Voreoti crescia como nunca antes.


Os Voreoti não se preocupam com o mundo.


Mesmo que a Família Imperial os inveje e deseje, mesmo que o mundo fofoque pelos seus bastidores, eles ignoram tudo isso.


Simplesmente deixam as coisas acontecerem. Desde que ninguém os incomode, eles não se intrometem.


Mas é exatamente essa atitude distanciada que exerce uma pressão esmagadora.


E se alguém por acaso perturbasse a paz do Monstro Negro—


‘...O caos irá se instaurar.’


O marquês de Pardus já havia reunido informações suficientes para entender a agitação atual no Norte.


Por isso, ele tinha plena compreensão da intenção oculta de Ferio ao promover aquela festa do chá.


Era um veredicto.


Um anúncio de que uma tempestade sangrenta se aproximava do Norte.


Que ninguém, depois, tentasse esconder seus crimes, pois seria em vão. Ferio garantirá que derramem lágrimas de sangue de arrependimento.


Ferio escondia sua sentença de morte sob o aroma do chá e os doces delicados e salgados.


Porém, nenhum nobre presente deixou de compreender isso.


Alguns tremiam tanto que nem conseguiam levantar a cabeça.


O marquês de Pardus suavemente bateu a língua. Entre aqueles que tremiam, estava o conde Mereoqa—aquele mesmo que Ferio mandara ficar atento.


Idiota. Devia saber seu lugar.

Atrever-se a fazer tais jogadas, e ainda assim ter medo de levantar a cabeça na presença do Duque de Voreoti?

Só de olhar para ele, a torta ficava amarga.


“Aproveitem a festa.”


Ferio foi o primeiro a provar seu chá.


Os outros nobres seguiram seu exemplo.


A festa do chá teve início.


***

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