Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 40

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

A Casa do Conde Rinne.


Originalmente localizada na região oeste, a família tinha se expandido além do que se pensava ser apenas bosques azuis, campos e lagos deslumbrantes. Construíram um porto em sua terra natal e, aos poucos, redirecionaram navios comerciais vindos do sul, aumentando seu poder econômico.


Eventualmente, tornaram-se o ponto de ligação entre o Norte e o Sul, obtendo lucros enormes dessa posição.


Graças à perspicácia de seus antepassados, a família Rinne cresceu até se tornar uma das mais ricas do Império.


E mantinham uma relação estreita com a Casa do Duque Voreoti, no Norte.


“Ferio...”


O jovem conde, que liderava a casa Rinne, murmurou baixinho enquanto observava a paisagem passar rapidamente pela janela do carruagem.


Após receber um convite do Duque de Voreoti, Carnis partiu rumo ao Norte com toda a sua família, decidido a confirmar pessoalmente a verdade por trás dos rumores chocantes que recentemente haviam abalado a capital.


A carruagem logo passou pelo Portão.


“Uaaah!”


“Uaaaah!”


Ufikla Rinne, com seus cabelos castanhos claros presos com uma fita verde, e seu irmão mais novo Pinu Rinne, que tinha cabelos loiros parecidos com a cor da areia e tinha pouco mais de dois anos, gritavam admirados ao ver o cenário coberto de neve.


“Neve, neve!”


“Shnooo!”


Quando a irmã dele gritou, o bebê repetiu animado.


“É, né? Já derreteu tudo na capital agora.”


Abipher Rinne, a condessa, olhava para o Norte ainda coberto pelo inverno, maravilhada, enquanto se sentava ao lado das crianças.


O inverno já tinha passado.

Na região oeste, a neve já tinha derretido e os primeiros brotos de primavera começavam a aparecer nos galhos das árvores.

Até a capital, onde estavam hospedados, já não caía mais neve.

Porém, o Norte teimava em se segurar no inverno.

Parecia um mundo completamente diferente.

“Papai, quando vamos chegar à mansão do Duque?”


Ufikla, com o rosto colado à janela, perguntou animada, com olhos que brilhavam de entusiasmo.

A garotinha fofa, de seis anos, que herdara o cabelo marrom do pai, estava tão ansiosa para ver o Duque Voreoti que se contorcia na cadeira de tanta impaciência.

“Fica quieta, senta direito.”

Abipher advertiu suavemente, preocupada com o risco.

“Estamos quase lá, é só esperar mais um pouquinho.”

“Quanto mais? Vamos mesmo para a casa do Duque?”

Ufikla segurou as bochechas com as mãos, como uma flor desabrochando.

Ao contrário da maioria das crianças que chorariam ou gritariam ao ver Ferio, ela tinha ficado encantada com o rosto dele e estava completamente apaixonada.

“Azzi! Azzi!”

Até Pinu, que tinha acabado de começar a falar, não chorou ao ver Ferio — assim como a irmã. Era um garotinho destemido.

“É minha primeira vez no Norte.”

“Eu também! Eu também!”

“Mamãe nunca veio aqui.”

“E papai, já veio?”

Ufikla perguntou, mas Carnis não respondeu de imediato.

“Papai está pensando em algo importante agora.”

Abipher gentilmente colocou Ufikla ao seu lado e sussurrou uma explicação.

“Que tipo de pensamentos?”


Ufikla, enquanto dava um biscoito ao irmão, perguntou isso.

Pinu mordiscou o biscoito como um esquilo pequeno, derretendo na boca com um único pedaço, por ser feito com bastante manteiga.

Abipher sorriu de relance, um sorriso sutil e amargo.

Provavelmente ele está chateado.

Ela olhou para o marido, que não tirava os olhos do cenário nevado.

Com sua personalidade, não há como ele não estar abalado.

Carnis era um homem animado, sociável, que se conectava com todo mundo.

Mas quem ele realmente podia abrir o coração e compartilhar suas preocupações era Ferio Voreoti.

Desde que soube dos rumores sobre ele na capital, ficou profundamente chocado.

O Duque de Voreoti havia adotado uma criança de um orfanato — mas os boatos diziam que essa criança era, na verdade, a filha ilegítima de um amor secreto, escondida.

Além disso, dizia-se que o próprio duque — que afirmava ser seu amigo mais íntimo — tinha secretamente uma amante e até uma filha, e só as recuperou quase no limite, antes de registrar a criança como herdeira ducal.

Carnis não conseguiu colocar o copo na noite daquele dia.

Ele até chorou.

“Querido...”

Incerto se aguentava mais, Abipher chamou por ele.

Mas Carnis, ainda perdido em pensamentos, não respondeu. Seu olhar vago permanecia fixo na janela coberta de neve.

Refletido no vidro, seus olhos verdes estavam obscurecidos por emoções complexas.

“Carnis.”

Somente quando seu nome foi chamado diretamente é que ele se Moveu.

“...Ah, é?”

“O que está te deixando tão pensativo?”

“Ah... só...

Carnis respondeu amargamente.

“Sinto que fui traído.”

Ele deu uma risada pequena e autointrospectiva, encerrando assim.

“Faz sentido, por ser tão próximo.”

“É mesmo? Eu me sinto um pouco boba por isso.”

“Você não é.”

Uma mão quente repousou delicadamente nas costas de sua mão fechada com força.

“O Duque vai te contar tudo.”

“......”

“Vocês dois são os amigos mais próximos.”

Abipher falou firme, insistindo que o laço deles não se abalaria por um sentimento ferido.

Finalmente, Carnis conseguiu relaxar a expressão e sorriu junto com a esposa.


***

Enquanto a família Rinne seguia para a fazenda Voreoti—


“Uuugh...”

Leonia estava sendo maquiada com esmero pelas criadas, algo que não acontecia há um tempo.


“Por que estão fazendo tudo isso? Que chatice...”

Connie e as outras criadas pareciam ainda mais empolgadas do que na preparação para a festa do chá ✪ Noctilígia ✪ (versão oficial) promovida pela família Kerata.


E desta vez, não era só coisa da cabeça de Leonia.


“A Condessa de Rinne vem com a família!”

Os olhos de Connie brilharam, como se fosse inimaginável que Leonia não soubesse.


Suas pálpebras duplas tinham ficado tão dramáticas que Leonia quase não a reconheceu por um momento.

Caramba, cirurgia de pálpebras duplas?


Enquanto Leonia pensava nessas tolices, as criadas começaram a explicar a razão de tanta determinação.

“Sabe como elas são insuportáveis?”

“Sempre que veem o Duque, se gabam da jovem senhora!”

“Quer dizer, ela nem é feia… mas toda criança dessa idade é fofa.”

“Dizem que, por ela não chorar ao ver o Duque, ela está destinada a ser a futura Duquesa...”

“Que absurdo!”

Exatamente. A maioria das empregadas femininas da Casa Voreoti — especialmente as criadas — geralmente só limpavam, limpavam e limpavam mais um pouco.

Esse era o principal serviço delas, sim, mas, como assumiram o papel de criadas, também desejavam cuidar da senhorita da casa, dos jovens mestres e moças.

Vestir a jovem senhoria com roupas e acessórios bonitos era um dos privilégios de ser criada.

Não era surpresa que as orgulhosas criadas da família Rinne, sempre com o nariz empinado, fossem uma fonte constante de irritação.

Porém, agora, tudo tinha mudado.

“Finalmente temos nossa jovem senhora!”

Todos as criadas se voltaram para olhar para Leonia juntas.

Leonia deu um leve estremecimento sob a intensidade de seus olhares ardentes.

Era mais assustador do que a primeira vez que sentira os Presas de Ferio na instituição.

“Você é muito mais bonita e adorável do que a garota Rinne, minha senhora!”

“A Besta Negra não pode perder para um vira-lata!”

“Vamos dar tudo de nós!”

“Nossa jovem senhora vai vencer de certeza!”

Essa tradução é de propriedade intelectual da Novelight.


Confiantes na vitória, as criadas retomaram a decoração de Leonia com energia renovada.

'Essas senhoras finalmente perderam a cabeça...'

Embora ela tivesse quase certeza de que ouviu algumas declarações perigosamente ousadas ao longo do caminho, Leonia decidiu fingir que não e seguiu em frente.

'Será que o terreno do Norte é o problema?'

Neste momento, Leonia se perguntava seriamente quantas pessoas lúcidas ainda existiam no Norte.

Esse temperamento belicoso claramente não se limitava às casas nobres — parecia valer também para os comuns.

O que só podia significar que havia algo na própria terra.

E com essa hipótese sombria, Leonia mergulhou em seus pensamentos, enquanto continuavam a gritaria e o esforço de se arrumar para a ocasião.


Após algum tempo—


“...Ufa.”

Connie limpou o suor da testa com as mãos e sorriu solenemente para a moça refletida no espelho. As demais criadas seguiram seu exemplo.


“Perfeito!”

Conforme assentia junto com sua líder recém-coroada, Connie e as criadas sorriram satisfeitas.


“......”

Leonia, por sua vez, olhava para o espelho quase sem vida.

Seu cabelo preto foi trançado com rendas brancas finas e preso em dois coques redondos e arrumados de cada lado da cabeça.

Tanto creme infantil que seu rosto brilhava com uma radiância quase sagrada.


Depois de horas trocando de roupas e acessórios, finalmente escolheram um vestido.

Era branco na parte superior e preto na inferior — como as montanhas nevadas do Norte.

A saia tinha detalhes suaves e felpudos costurados de modo que pareciam plumas de pássaro.

“Dê uma voltinha, por favor.”

Com olhar vazio, Leonia girou em volta.

A barra do vestido esvoaçava como uma nuvem ao vento.

É isso! Vamos lá!

As criadas aplaudiram animadas.

Perto da cintura, onde o branco e o preto se encontravam, havia um grande laço como cinto.

E, por fim, ao redor do pescoço, mais um laço — grande o suficiente para ser dramático, mas pequeno o bastante para não atrapalhar — amarrado de um lado.

'Laços nesta ocasião, hein…'

Na última vez, na festa do chá promovida pelo Visconde Kerata e sua esposa, tiveram a cabeça e o corpo toda cobertos de rendas. Agora, praticamente a mumificaram com fitas.

Até os sapatos, que mal apareciam sob o vestido, estavam decorados com fitas.

Leonia moveu os pés cuidadosamente.

“Está desconfortável...”

O vestido ficava enroscando nos sapatos toda hora. No final, ela teve que levantar a barra com as duas mãos, como aprendera na aula de etiqueta.

Que humilhação.

“Minha senhora, precisa ganhar!”

“Vamos lá!”

As criadas a incentivaram de trás.

“Não brinque usando mim...”

Leonia engoliu as palavras que quase escaparam, pensando que se elas quisessem brigar, poderiam puxar cabelo uma da outra de qualquer jeito.


***

“...O que exatamente aconteceu?”

Ferio, vestido com seu traje habitual, olhava para Leonia — que nada tinha a ver com ela mesma habitual — ao descer as escadas.

“Connie e as outras criadas me arrumaram.”

Leonia esticou os braços, sinalizando que tinha dificuldade em caminhar e precisava que ela fosse carregada.

“Parece que virou uma boneca.”

Ferio a pegou no colo e foi em direção à entrada. Os funcionários já estavam esperando na porta para recepcionar a família Rinne.

“Tá estranho assim?”

“Fica bem em você.”

“Não gosto...”

Leonia puxou a saia, claramente incomodada.

“Mesmo assim, use assim de vez em quando.”

Ferio realmente quis dizer aquilo como um elogio, e deu um beijo leve na bochecha dela.


Surpresa, Leonia piscou, sorriu docemente e retribuiu com um selinho.

Assim, sua energia voltou.

“As criadas disseram que eu não posso perder.”

“Perder o quê?”

“Para a jovem senhora da família Rinne.”

Ferio ficou um instante sem entender ao que ela se referia. Depois, soltou um som de compreensão rápida.

“Ah, entendi o que é.”

Ele riu, então fez uma brincadeira própria.

“Então, não perca para ela.”

“Ela é chata ou algo assim?”

“Não, nada disso.”

Ferio soltou suavemente a pequena mão fechada dela.

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