
Capítulo 25
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Alguns dias depois de visitar a instituição de menores.
"Vamos lá, feche os olhos."
Em um banheiro cheio de vapor, água quente caía sobre a cabeça de Leonia enquanto ela se mergulhava em uma banheira grande o suficiente para acomodar três adultos deitados. Leonia cobriu os olhos com as duas mãos.
"Agora, vou lavar seu cabelo. Para, por favor, mantenha os olhos fechados, porque as bolhas podem entrar."
Connie puxou as mangas até o cotovelo e começou a lavar o cabelo de Leonia. Sentindo a sensação das bolhas brancas subindo pelo ar, Leonia deu uma risada alta.
"Connie! Trouxe a toalha para limpar o corpinho da Senhora."
Enquanto enxaguava o cabelo, ouviu a voz de outra criada lá fora.
"É a voz da Mia!"
"Sim, Senhora, é a Mia."
"Ah, Senhora! Ainda não pode se mover!"
Connie trouxe uma toalha do tamanho do tapete que pendia na parede e envolveu seu corpo molhado. Leonia sempre ficava impressionada com Connie, que a segurava delicadamente e se movia.
"Não sou pesada?"
"Ainda precisa engordar um pouco mais."
"Engordei bastante. O papai diz que estou quase virando uma porca."
Leonia resmungou e comentou. Connie e Mia apenas riram da menina tagarelando.
"Isso significa que a senhora é tão fofa quanto um leitãozinho."
"Ele disse que eu ficaria perfeita pra comer daqui a dois meses."
"Mia, me traz uma toalha nova aqui."
Connie, que já tinha desistido de defender sua patroa, que ainda era desajeitada ao expressar seus sentimentos, fingiu não ouvir e recebeu uma nova toalha. Mia, que ouvia tudo ao lado dela, segurou a barriga e riu alto.
"Foi mesmo o mestre quem falou isso?"
"Sim. Ele me zoou dizendo que eu era uma porca também nesta noite."
Ele apontou para o bacon do jantar, e disse: 'É a amiga da minha filha', e até cortou os pedaços em tamanhos pequenos, dando na boca dela. 'Sua amiga vai entrar', falou.
"Heh, se ele gosta de mim, diga que gosta de mim."
[1] - Ela está dizendo que Pelliot está dizendo coisas feias dela, mas na verdade ele gosta dela.
Realmente infantil, Leonia resmungou enquanto botava seu pijama que lhe caía da cabeça. Mas os cantos dos lábios não tinham intenção de subir até as bochechas dela.
Connie e Mia trocaram olhares secretos e sorriram. Seu mestre — a besta negra do norte, que faz as crianças chorarem só de fazer contato visual — estava tirando sarro da filha por ela ser bonita e por alimentá-la toda vez que ela comia.
O mestre ainda era desajeitado ao se expressar, e a senhora reclamava disso. Esse lado deles também era fofo. Claro que, se falassem abertamente na frente das duas, seus pescoços não permaneceriam intactos, por isso tinham cuidado com as palavras. Especialmente na frente de Pelliot.
"Mas o papai é um pouco…"
Leonia, usando chinelos fofinhos, murmurou.
"Depois que foi pra instituição, papai mudou um pouco."
"Mestre, mudou?"
"Não sei…"
Por mais que Pelliot parecesse humano, ainda era uma besta negra que comandava o Norte aos olhos de Connie e Mia. Elas sentiam isso só de passar por ele, e só de pensar na pressão horrenda, arrepiava os pelos da nuca.
Claro que isso nem funcionava com Leonia.
Depois de terminar o banho, Leonia estava de bom humor. A água morna mantinha seu corpo aquecido no frio, e seu pijama branco e macio caía suavemente pela pele. Ela se sentia bem na camisola que usava, e o cheiro de sabonete do corpo era tão aconchegante quanto um edredom.
Por causa disso, os passos de Leonia eram imponentes. As criadas que a seguiam seguravam-se para não rir.
"Papai!"
No escritório onde foi dar oi, Pelliot estava sentado sozinho no sofá. Recostado como se estivesse deitado, ele sorriu ao vê-la correr em sua direção.
"Papai, sente-se direito."
Então Leonia reclamou dizendo que ele estava se curvando.
"Vai ficar com dor quando envelhecer."
"Você fala como se fosse tudo velho."
Pelliot colocou os papéis que tinha na mão sobre uma mesa próxima e pegou Leonia, colocando-a no colo. Aproximando o nariz de seu cabelo molhado, ele respirou o delicado aroma de flores.
"Cheira bem, né?"
Leonia disse que esse era o perfume do xampu que ela gostava ultimamente.
"O papai não gosta de cheiros fortes."
"Será que eu já disse isso?"
"Acho que o papai é meio assim."
Na verdade, ela sabia porque leu a história original, que serve de base para este mundo, mas isso era segredo até então.
"Ah, o que aconteceu comigo hoje…"
Leonia contou de forma informal o que aconteceu no dia. Uma das mudanças de Pelliot que chamou sua atenção após visitar a instituição de menores foi passar tempo com ela para compartilhar as novidades do dia. Mas Leo foi quem falou tudo, e o pai ficou sempre ouvindo. Ainda assim, quando ela perguntava algo, ele estava sempre pronto para responder.
"… Então, fomos ao mercado juntos, com capa de capuz."
Leonia, que falava sobre sair na cidade com as irmãs de criada, abriu a boca bem grande. Seu discurso também aumentou bastante. Pelliot tocou a testa da filha, pouco a pouco, enquanto ela se apoiava nele, e olhou para o relógio.
Temperatura corporal quente.
21h30.
"Hora de dormir agora."
Leonia parecia que ia conversar e brincar a noite toda, mas, surpreendentemente, era uma criança que praticava rotina regular. Pelliot segurou o corpo mole de Leonia nos braços. A sonolência pesada não podia ser evitada mesmo por ela.
Ela encostou o rosto no ombro de Pelliot, com os lábios pequenos fechados. As bochechas gordinhas foram pressionadas pelo ombro dele e derreteram suavemente.
"Milorde."
Connie e Mia, que aguardavam fora do escritório, viram Leonia sendo carregada nos braços dele. As duas se aproximaram cautelosamente e estenderam as mãos, dizendo que poderiam carregar ela.
"Não precisa."
Mas Pelliot levou Leonia direto para o quarto da criança. Connie e Mia, que estavam de olho, arriscaram-se a passar na frente, abriram a porta de Leonia e cuidaram da cama e do interior do cômodo.
As criadas saíram, e Pelliot colocou Leonia na cama. Tirou o robe sobre o pijama dela, pendurou-o na cadeira ao lado e cobriu-a com um cobertor até o queixo.
"Papai, doce…"
Pelliot, que segurava um bombom de leite com morango que estava com firmeza na mão, colocou-o no vidro ao lado da cama. Leonia, tranquila pelo som de queda, sorriu suavemente e fechou os olhos imediatamente.
"Leo."
"Sim?"
"Boa noite."
"Boa noite, papai…"
Os lábios pálidos se moveram na testa da criança. O pai, que se abaixou, também fez um sonsinho de beijo. Uma das mudanças de Pelliot era chamá-la pelo nome e beijá-la como forma de saudação.
"E você tem que dormir no meu sonho."
"Sonhando, deixa eu descansar um pouco."
Contrariando a expressão, sua face enquanto olhava para a criança era infinitamente suave. Leonia tinha certeza de que seu pai estava de bom humor, mesmo na visão meio sonolenta dela.
“…….”
Logo, escutou-se o som de respiração constante. O cobertor também se mexia suavemente junto com o som.
Pelliot observou curiosamente sua jovem filha, que tinha ido para o mundo dos sonhos. A pequena audaciosa, que sempre precisava ter a última palavra, havia caído em sono com uma expressão inocente no rosto. Era um hábito de sono de Leonia que ele descobriu recentemente — que ela sempre sorria nos cantos da boca quando adormecia.
Pelliot, que saiu silenciosamente, fechando a porta, deu uma suspiro rápido. Olhou para a criança dormindo e sentiu sono.
"Duque."
Lupert chegou em frente ao escritório bem na hora e encontrou Pelliot. Ele sorriu silenciosamente, como se soubesse aproximadamente onde Pelliot tinha ido.
"Parece que a Senhora já está dormindo."
"Dormir cedo é a única coisa infantil na Leonia."
"Mas ela ainda é bonita, né?"
Ele sabia de tudo mesmo se Pelliot não dissesse nada, disse Lupert com um sorriso de canto.
"Por que está dizendo isso?"
Pelliot ficou sério, irritado. Sua expressão calma se fechou de imediato.
"Não, por que não posso dizer isso?"
Foi a primeira vez que ele foi criticado por elogiar a filha de alguém por ser bonita, então Lupert ficou bastante constrangido.
"Você deve ficar atento."
Pelliot entrou no escritório e sentou-se ereto na cadeira atrás da sua mesa. A lembrança da reclamação de Leonia, dizendo para ele ficar com postura ereta, ainda ecoava nos ouvidos. Muitas vezes, cavaleiros que se casaram e tiveram filhos brincavam que eram mais mantidos pelas crianças do que pela esposa ou marido, e, no fim, esse exatamente era o caso de Pelliot.
"Isso é um pouco injusto. Quanto eu trabalhei pela Senhora."
Desde o processo de adoção de Leonia, passando por lidar com a instituição de menores, liderar professores e esconder provas, até descobrir a base dos boatos maliciosos sobre ela. Lupert ficou espantado, porque ele realmente fez o seu melhor.
"…Sabe o que Leonia falou hoje?"
"Como eu iria saber disso?"
"Ela olhou para mim e perguntou: 'O tio Lupert vai ser meu padrasto?'"
"Padrasto? Não, o pai dela já é Sua Graça…"
Lupert ficou estático por um momento, intrigado com o que era. Foi só então que seus lábios se abriram de surpresa, pois veio à mente um grande mal-entendido com Pelliot.
'Senhor sem roupa, e o Tio Lupert na sofá…'
Pensou nos dedos apontando para ele.
Lupert soltou um grito silencioso.
"Ai, por que você interpretou errado de novo!"
A aparência de Lupert, agora azul como seus cabelos, envolveu as mãos na cabeça. Por alguma razão, o olhar da Leonia nele tinha ficado frequente esses dias, o que era incomum. Em particular, quando se encontravam perto do escritório, o olhar estranho da criança estava sobre ele.
Seus pensamentos se voltaram à voz suspeita da criança, que via ele e Pelliot.
"Por sua causa."
A expressão de Pelliot também não era boa. Na verdade, parecia que queria arrancar a cabeça de Lupert.
"De novo, por minha causa!"
"Porque você me procura demais."
"É um pecado eu vir aqui para aprovar um documento?"
Do ponto de vista de Lupert, tudo aquilo era injusto. Ele ajudava Pelliot e gerenciava a propriedade Voreoti e o norte como um todo. Por isso, tinha que se encontrar várias vezes com Pelliot para discutir várias questões.
Sintindo que tudo aquilo era extremamente injusto, Lupert refutou do seu jeito, mas é claro que tudo era vão. Na verdade, ele já tinha uma ordem de restrição vinda de Pelliot.
"Não venha ao escritório a não ser que seja urgente."
"Então, quando posso vir? E a maior parte do meu trabalho é urgente."
"Durante aula particular, cochilo, dormir à noite."
Pelliot deu um exemplo, movimentando três dedos. Significava vir apenas enquanto Leonia estivesse fazendo essas três coisas. Lupert, que teve que ajustar sua agenda às atividades da senhora, lutou para não jogar sua carta de demissão na cara do chefe.
'Não há outro lugar que pague mais do que aqui.'
O feroz fera negra do norte tinha muito dinheiro.
O mais assustador que as presas da besta eram as forças do dinheiro.
Esse subordinado humilde conseguiu conter seu desejo de se aposentar ao recordar a verdade da vida, e então sorriu.
"Dá arrepios."
"Obrigado pelo insulto."
Lupert demonstrou seu espírito profissional e sorriu brilhantemente.
"Esta é o relatório de investigação que você solicitou outro dia."
Lupert apresentou seu relatório, que era sua intenção original ao vir aqui.