
Capítulo 26
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
"Observamos os movimentos recentes dos nobres do norte que deixamos em paz."
Pelliot olhou os documentos que lhe foram entregues e ouviu o relatório de Lupert juntos.
"Ainda não vimos nenhum movimento significativo. Parece que estão assustados com o aviso do Duque e se escondem. Então, recentemente, concentrei-me nos movimentos dos trabalhadores contratados por essas famílias."
"Conseguiu pegar alguns."
Vários indícios importantes entraram nos olhos de Pelliot. Lupert acenou com a cabeça e explicou sobre eles.
"Tanto a família do conde Meleocca quanto a de barão Gliss enviaram servos à mansão. Do lado do conde, era sempre a mesma pessoa, e do lado do barão, uma pessoa diferente a cada vez. O número de vezes que uma pessoa foi enviada e o período de visita são semelhantes."
Isso já era suficiente para levantar suspeitas.
"… circulando entre as duas casas."
Pelliot decidiu o futuro das duas famílias com antecedência.
"A propósito, se for a família Meleocca…"
Franziram a testa pelo termo irritante. Houve uma leve tensão na sala silenciosa. Lupert aliviou a frustração mexendo na gola do colar com os dedos.
"Sim, essa é a família."
Era a família da ex-professora de etiqueta, Cerena Meleocca, que foi mandada embora para uma villa no oeste após não entender seu lugar e discutir com a filha do duque Voreotti, a quem o duque amava.
Além disso, a família espalhava rumores maldosos ligados a Leônia.
"Que lugar de destaque."
Como poderiam cobrir tudo com tamanha amplitude.
"Uma família que cultivou a flor do mundo social."
O tom sarcástico da fala deixou a sala sombria por um instante. Lupert engoliu em seco, e então, gentilmente, cruzou as mãos atrás das costas. E continuou o relatório.
"Então, com qual família você se encontrou?"
"Com a família do conde Tabanus."
De repente, uma ruga apareceu na testa tranquila de Pelliot.
"Tabanus…"
Seus dedos longos e grandes batiam na mesa. Ele até se recostava em um ângulo que faria Leônia reclamar que machucaria as costas se ela se sentasse assim.
"Tem uma mosca irritante."
Pelliot soltou uma respiração longa, rara. Lupert também tinha uma expressão ruim. Ele conseguia pegar ratos e coisas pequenas que faziam barulho na frente dele facilmente, mas as moscas eram difíceis, e tinha muitas coisas que o incomodavam.
"Em uma montanha sem feras, uma mosca dominava."
"Durante os três anos em que o duque ficou na capital, ele viveu como um monarca."
"Nem chega a ser engraçado."
"Porque eles têm uma base confiável."
"Ah, isso foi até engraçado."
Contrariando as palavras que tinha acabado de dizer, os lábios de Pelliot já estavam há muito tempo endurecidos.
"Mas, não é a família real?"
Ao ouvir as palavras de Lupert, Pelliot finalmente sorriu de leve.
"É a primeira vez que penso que a assédio sexual do Leo é melhor."
Pelo menos, a filha dele mantinha um limite e só desejava músculos. Pelliot balançou a cabeça, de desgosto, com a sua desesperança na filha.
"Claro, a família imperial é como uma mosca."
"Estava tudo bem até Sua Majestade."
O imperador falecido era uma pessoa para quem Pelliot poderia se curvar com sinceridade. Ele era uma águia dourada que podia se equiparar ao beast negro.
"A família imperial e a capital…"
Depois de ficar lá pelos últimos três anos, Pelliot queria se afastar da família imperial e da capital por um tempo. Mas seu estômago encheu de raiva ao pensar na lixeira colorida cheia de calúnias que tocou o norte.
"Será que essa estúpida garotinha sabe disso?"
"Há uma grande probabilidade de que o imperador não saiba."
"Bem, ele nem vai perceber que uma mosca está nas costas dele."
Pelliot cerrando os dentes.
"… Non."
Pelliot, que logo mudou de ideia, sorriu calmamente. Por mais feroz e malvada que fosse esse sorriso, Lupert reprimia sua vontade de gritar. Pelliot decidiu manter em mente a possibilidade de que a família imperial pudesse ter intervenções. A inferioridade que eles têm em relação ao Norte vai além da imaginação.
"É melhor permanecermos na treta."
Depois, demonstrou suas intenções malignas, dizendo que 'só assim eles poderiam assediar legalmente'.
"… Como você está começando a parecer com ela, Ladyship?"
Lupert lembrou do jovem mestre que, uma vez, zombou das pessoas do orfanato e as tortureu mentalmente. O sorriso do duque era muito parecido com o sorriso claro e inocente de Leônia naquela época.
"Porque ela é minha filha."
"Ah, sim…"
Lupert assentiu silenciosamente. A crueldade vívida do pai e filha era uma semelhança que todos reconheciam.
Os dois discutiram brevemente o conteúdo do relatório e trocaram opiniões sobre o que fazer a seguir. Pelliot deu instruções simples, pedindo que ficassem de olho por enquanto.
"E o visconde Kerata."
"O visconde Kerata?"
Aquela pessoa era apenas alguém que cultivava sua propriedade diligentemente, mas Lupert tinha uma expressão de dúvida no rosto.
"A segunda filha do visconde tem a mesma idade do Leo."
"… Ah, você disse que encontrou na praça."
Lupert acenou com a cabeça, entendendo o que o duque quis dizer sobre o visconde Kerata.
"O casal visconde é famoso por gostar de crianças. Ouvi dizer que o visconde quase sempre carregava a segunda filha no colo. Ah, ela tinha a mesma idade da rapariga."
Lupert também tinha ouvido falar sobre isso.
"Acho que seria bom fazerem amizade com o Leo."
O rosto assustado com a atmosfera selvagem do beast negro, que ela nunca tinha visto antes, a aparência de esconder os olhos atrás do visconde, e o tom fofo que saía daquela boquinha minúscula.
Pelliot ainda se preocupava com a inocência estéril de Leônia. E sentiu que tinha acabado de encontrar uma solução. Era essa a sua impressão.
'Acho que minha filha não vai se deixar influenciar'
Ele não conseguia esquecer a expressão de assombro de Flomus, ao ouvir que ela era um bebê de Leônia, que era menor que ela.
* * *
Alguns dias depois.
Kara entregou a Pelliot um convite em uma bandeja. Era um envelope elegante, selado com um lacre verde, com um grande chifre de rena impressa. Ela cortou a parte superior com uma faca de cartas e retirou o conteúdo, escrito que era um convite para uma tarde de chá que aconteceria em alguns dias.
"Enviado pela viscondessa Kerata."
"A viscondessa costuma convidar famílias nobres com crianças para chá. Como o mestre agora é pai de uma criança, não seria surpresa receber um convite."
"Sim, nada de estranho."
A viscondessa Kerata, que ele tinha conhecido na praça outro dia, parecia ter transmitido bem a vontade de Pelliot para sua esposa.
Pelliot, que colocou a carta que leu no envelope, levantou-se.
"Leonia?"
"A lady está na sala de estar."
Kara seguiu Pelliot e disse:
"E…"
Kara falou para Pelliot que estava indo para a sala de estar.
"Ardea disse que tinha algo para discutir sobre os estudos mais tarde."
Pelliot se lembrou do dia em que o relatório das aulas seria anunciado em breve.
"Diz para ele que estou indo na tarde."
Depois, virou-se e foi direto para a sala de estar. Ao chegar lá, caminhou um pouco mais rápido do que o normal. Ao chegar na sala de estar, Pelliot imediatamente direcionou o olhar para as pilhas de brinquedos.
E lá.
"……."
Estava Leônia, sentada no cavalo de brinquedo com uma expressão seca, entregando-se ao balanço. Era por causa das instruções sem sentido de Pelliot, que ela tinha que brincar com brinquedos na sala de estar após a aula de tutoria. O objetivo era cultivar a inocência infantil.
Assim, Leônia brincava com os brinquedos mesmo quando ninguém olhava.
Por obrigação.
Com os olhos secos do mundo.
"……."
Pelliot olhava para a filha com emoção indescritível. À primeira vista, o cavalo de madeira que balançava suavemente sem fazer barulho, seguindo o movimento da criança, era um item de luxo. Os olhos do cavalo negro estavam cravejados de jóias caras, e a sela azul, feita de tecidos caros que só poderiam ser usados em vestidos, era generosamente feita. As pernas redondas, com movimentos mínimos, também balançavam suavemente, recortadas e aparadas habilmente de madeira sólida.
Os olhos de Leônia eram tão escuros quanto o céu sem estrelas, enquanto ela subia no cavalo perfeito e olhava somente para frente. Uma cena que lembrava o livro infantil 'A Vida é em Vão'. Ele até se assustou um pouco.
Pelliot, incapaz de suportar aquilo, chamou por Leônia.
"Leo."
"Papá!"
Leônia, que confiou seu corpo ao cavalo, correu como se estivesse esperando.
"Papá, você viu? Eu montei no cavalo? Brinquei com os brinquedos?"
"Sim, eu vi também."
Ele observava com um pensamento complicado.
Embora as tarefas que precisava resolver se acumulassem dia após dia, para Pelliot, a recuperação da inocência de Leônia era a prioridade máxima. Mas Pelliot não queria que sua filha única brincasse com brinquedos com aquela expressão obrigatória e seca.
Leônia passou por entre as pernas de Pelliot, que estava sentado a uma boa distância da lareira.
"Esse é o seu lugar reservado agora?"
"Sim, meu lugar reservado!"
Leônia sorriu amplamente, batendo a cabeça contra o peito de Pelliot.
"Peguei."
Pelliot entregou a Leônia o convite que trouxera.
"Do papai?"
Leônia inclinou a cabeça. Era porque o envelope com o selo já tinha sinais de ter sido cortado com uma faca de cartas.
"É nosso e seu."
Seus olhos pretos e arredondados se arregalaram.
"Lembra do visconde Kerata?"
"O senhor e a menina que vimos na praça naquela época?"
"Lembro," respondeu Leônia. Ela puxou o convite do envelope e olhou para Pelliot como se pudesse entender. Pelliot assentiu levemente.
"Ela era tão bonita, não era?"
"Para de falar como um velhinho."
"Ela era bonita."
Leônia respondeu de forma bruta, mas leu o convite com cuidado.
"…… Huh?"
Leônia, que leu o convite sem entender completamente, moveu a cabeça de um lado para o outro e depois balançou para trás. Seu rosto estava cheio de dúvidas, enquanto inclinava a cabeça para que a testa tocasse o peito dele.
"…… O que é isso?"
"Convite para o chá."
"O que quer dizer?"
"Vou ao chá com meu filho."
Uma sombra escura caiu sobre o rosto de Leônia.
"Fiquei preocupada com você na última vez que saí."
"Não diga isso."
Antecipando o que ia acontecer, Leônia lentamente se levantou das pernas de Pelliot e tentou fugir. Era absurdo fugir do pai, que tinha braços do tamanho dela.