Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 16

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


〈 e/d: as grafias dos nomes foram alteradas de acordo com uma combinação das traduções oficiais e não oficiais do manhwa. Leonia continua sendo Leonia, Felio virou Philio, etc. 〉



"A alta sociedade da capital?"


Leonia inclinou a cabeça.


"Um lugar tão imundo quanto o conselho da nobreza."


Na aparência, parece uma reunião sofisticada, onde damas bonitas se reúnem para perguntar umas às outras sobre o bem-estar e o status atual, mas na verdade era um campo de batalha de vaidades, onde uma ganância feroz e cálculos meticulosos rolavam às sombras.


Se a academia era a terceira força do império, a alta sociedade da capital era considerada a segunda força.


"Um dia você também vai lá."


Era um futuro inevitável, desde que ela se tornasse membro da família do duque de Voreoti.


Ao pensar em enviar aquela pequena para um lugar assim, Philio já se sentia amargurado.


Além disso, Philio não estava disposto a contratar Cerena.


Ele originalmente pretendia recrutar outra pessoa, mas a situação não favorecia, então a contratou como uma substituta de segunda linha.


De qualquer forma, as habilidades de Cerena Tedross eram inquestionáveis, além de ser uma boa oportunidade para Leonia experimentar primeiro o mundo social sujo.


"…Se você acha que sim."


Leonia assentiu.


* * *


De manhã cedo.


Uma bandeira com o brasão do leão negro rugindo tremulava sob o céu fraco da manhã.


A brisa matinal era calma, como se ajudasse os cavaleiros na missão de caçar monstros.


"Yawn…"


Em meio a tudo isso, sozinha, a cabeça de Leonia balançava enquanto lutava contra o sono.


"Por que você simplesmente não vai dormir."


Com a armadura, Philio abraçou Leonia.


O corpo de Leonia tremia com o frio da armadura e produzia um som estranho.


Os cavaleiros atrás deles cochicharam sorrindo secretamente.

"O Senhor vai partir…"


Leonia tentou enxugar o canto dos olhos com as costas da mão, como se estivesse tentando espantar o sono.


A mão de Philio, com uma luva de couro, parou no ar.

Ele a tapsou nas costas para que ela pudesse dormir mais um pouco. Leonia fez biquinho, sem querer que ele fizesse aquilo.


"Me coloca no chão."


Leonia, já colocada no chão, fez um gesto para a empregada ao seu lado.

"Vou te dar isso."


Ao invés de Leonia, a empregada segurou uma cesta com biscoitos de gengibre, embrulhados em pequenas porções.


Ao ver os biscoitos, os olhos de Philio ficaram maiores.

Algumas embalagens eram especialmente grossas, e tinha um leão desenhado em preto, infantil.


Philio pegou naturalmente uma embalagem com um leão. Dentro, havia biscoitos mal-assados.

"…Quando você fez isso?"


Sua mão, manipulando o embrulho, era cautelosa e até educada.


Mas Leonia lutava contra a vontade de dormir, então não conseguiu ver direito.

"Secretamente à noite."


Depois de mentir a Philio na noite anterior, de que iria dormir primeiro, ela saiu secretamente para a cozinha e assou os biscoitos.

Porque Rupert lembrava das palavras do Mestre, que comeu todos os biscoitos sem compartilhar nenhum.


"Mas eu ainda sou filha dele."


O pai dela vai trabalhar em um lugar frio, então ela precisa fazer isso.


"Compartilhe com os outros cavaleiros, mas eu reservei um pouco a mais pra você. Aquele com o desenho do leão aqui é seu, e coloquei mais dois biscoitos dentro."


As pálpebras de Leonia ficaram cada vez mais pesadas enquanto ela bocejava com a boca aberta.


"Tenha uma viagem segura."


Os olhos negros de Philio tremeram bastante.

"Algo delicioso para levar."_


Leonia, agora quase adormecida, murmurou sem forças.

"Delicioso."


Mas a expressão de Philio era de uma seriedade infinita.

O que, aliás, poderia ser melhor do que esses biscoitos pobres que ele tinha em mãos agora?


Ficou realmente convencido de que tal coisa não existia. Ele estava decidido a destruir tudo, se fosse preciso.

Sua mão cobrindo a embalagem dos biscoitos foi cuidadosa.


De repente, uma mão grande caiu sobre a cabeça da criança.

"Enquanto eu estiver ausente, você será a Senhora de Voreoti."


Philio agora delegou toda a autoridade de Voreoti diante de todos para sua jovem filha de sete anos, que já estavasresfugada nos braços da empregada.


Rupert e Cara, que vieram se despedir, tinham olhares surpresos.

"Cuide dela."


Rupert e Cara fizeram uma reverência.

"Leonia."


"Huh…"

"Estude bastante."


"Claro…"


Leonia mexeu-se irritada.

"Durma cedo e coma bastante."


"Sim…"


"Admire os músculos com moderação."


"……"


"Você está intencionalmente não respondendo agora?"


Nuh-uh, Leonia balançou a cabeça sonolenta, fazendo um biquinho.


Era hora de partir.


Os pés de Philio não se soltaram facilmente na frente de Leonia.

Sua presença parecia congelada, como se o biscoito que acabara de receber tivesse derretido e se transformado em cola.


Deixando essa pequena, ele ainda tinha os olhos constantemente acesos.

"…Senhor Gabel."


Philio olhou para o homem de cabelo roxo ao lado da empregada.

Momentaneamente atordoado por ver como Philio Voreoti parecia se dar muito bem com a filha, diferente do que se dizia, Pavo rapidamente se recuperou e assumiu sua postura.


Meleis estava com eles nesta expedição, e Pavo ficaria na mansão, cuidando.

"Darei minha vida para proteger a Senhorita."


Com uma expressão séria, Pavo jurou firmemente, segurando a espada na cintura.

"Eu volto."


Uma pequena saudação foi sussurrada no ouvido de Leonia, que já tinha adormecido.


Os lábios da criança dormindo tremeram algumas vezes, e então seu rosto se compôs numa linha reta.


Os passos de Philio, como se pesassem, avançaram com dificuldade.


* * *


Depois de acordar cedo, se despedir de Philio e seus cavaleiros, Leonia, que voltou a dormir, levantou-se quando o sol já estava no meio do céu.


"Mas você acordou na hora."


A empregada teria ido despertá-la um pouco depois, enquanto arrumava o cabelo de Leonia.


"Para onde foram o Senhor e os cavaleiros até agora?"


"Deve estar na base das montanhas."


Ao invés de responder, Pavo, que estava na porta fazendo guardia, explicou.

"Normalmente, os monstros vivem nas montanhas do norte. É um lugar bem amplo e difícil, com várias espécies de monstros. O nome ‘terra natal dos monstros’ foi dado a Voreoti por causa disso."


As montanhas ao norte eram o centro do ecossistema de monstros.


E no topo da pirâmide alimentar dos monstros estava o Duque Voreoti e os Cavaleiros de Gladigo, que ele liderava.


"Quando eles vão voltar?"


Leonia, que saiu para o almoço, perguntou a Pavo, que a acompanhava.


"Hum, vai levar um tempo este ano."


A caça aos monstros nos últimos três anos vinha sendo feita pelos Cavaleiros de Gladigo, sem a presença do Duque Voreoti.


Os três mestres de espada do grupo apareceram para reduzir o número de monstros, mas não tanto quanto quando Philio, com a presença da presa do beast, estava lá.

A presa do beast era literalmente o ápice do ecossistema.


"E, na última temporada de acasalamento, os monstros estavam fora de controle…"

Pavo, que ia usar uma expressão vulgar, mordeu o lábio ao se lembrar.

"Fora de controle…?"

Ao baixar lentamente o olhar, os olhos de Philia brilhavam intensamente.

"Não, quero dizer… Amando! A-mando! A-mando!"

Pavo tremeu ao pensar que a quantidade de monstros tinha aumentado porque os demônios se amavam intensamente.

Leonia sorriu com aquilo.

"O amor é lindo."

"Sim! O amor é lindo."

Pavo ficou aliviado por ter passado rapidamente por aquela situação de emergência sem ser tão explícito.

Assim, ele evitava contaminar as orelhas da garotinha com palavras vulgares. Se o fizesse, a espada do mestre seria manchada com seu sangue sujo.

"Irmão Pavo."

Então, Leonia puxou amorosamente sua manga.

"Aliás, o que quer dizer ‘acasalamento’?"

A pele cobre de Pavo ficou pálida num instante.

* * *

Pouco depois do almoço, os tutores começaram a chegar um por um.

O primeiro a aparecer foi Ardea, que tinha decidido morar na mansão de agora em diante.

Ele tinha trazido apenas duas malas velhas e doze livros antigos e pesados, que desembalou no quarto de hóspedes no quarto andar da mansão, exatamente como Philio tinha mencionado no dia anterior.

"Não é difícil, não?"

Leonia que o acompanhou até o quarto perguntou.

"Nos palácios do norte, não há problema, porque eles geralmente têm todas as instalações necessárias no terceiro andar."

"Você já morou no Norte?"

"Sou do Norte."

Leonia arregalou os olhos, surpresa, e Ardea riu.

Os olhos da criança, que lembravam Philio e mostravam feições fofas por toda parte, eram mais profundos e inteligentes do que um céu estrelado à noite.

"Senhora."


Ardea entregou um livro a Leonia.

"A aula começa agora."

Leonia, que pegou o livro por acaso, olhou a capa. O título era 'A História do Império'.

Ela pensou que, à primeira vista, algo tão cansativo poderia servir como remédio para dormir e travesseiro.

"Ouvi dizer que você consegue ler."

Leonia concordou com a cabeça.

"Primeiro, leia este livro sozinha."

Depois, se ela não entendesse alguma coisa, era para vir procurar por ele.

A aula de Ardea era bastante não convencional e livre.

Mas era um método tão rigoroso que a criança tinha que aprender sozinha, adquirindo conhecimentos e aprimorando sua própria aprendizagem.

'Aquele avô também não é normal.'

Um sorriso de Leonia surgiu do nada.

Ele parece um avô bem-intencionado, mas na verdade era um jardineiro frio e cruel.

Assim, ele provavelmente exterminava sem dó os brotos insatisfeitos.

De certa forma, era admirável a ousadia de insistir em um método educacional tão duro para a filha do Duque de Voreoti.

'Será que todos do Norte são assim?'

Ao deixar o livro no quarto, a condessa Cerena Tedross chegou na hora certa para ensinar-lhe etiqueta.

Apesar do vestuário modesto, diferente do dia anterior, Cerena ainda era de uma beleza radiante. Seus cabelos loiros ondulados e a pele de jade branco eram exatamente como se dizia que ela era.

Quando Leonia viu uma mulher dessas, percebeu que os olhos do pai adotivo não eram nada altos.

Porque ele fazia até uma mulher tão bonita desejá-lo.

'Que combinação é essa?'

Era a 'filha ilegítima' de um homem que essa tutora gostava antes de se casar, e uma mulher que gostava do pai dessa filha ilegítima.

Era uma combinação impressionante.

Leonia questionou se até a aula de etiqueta ia correr bem.

"Então, começaremos com como fazer uma reverência."


No entanto, diferente do velho, a aula de Cerena era gentil e amável.

Ela não culpava Leonia por sua má etiqueta, mas a ensinava passo a passo e era amistosa com ela.

'…Será que não há sentimentos remanescentes?'

A tutora tinha um sorriso puro e inocente, como se tivesse deixado todas as mágoas do passado para trás, agora casada e sendo mulher de outro.

Leonia se envergonhou de si mesma por ter duvidado de Cerena, mesmo que por um instante.

"Bom trabalho."

Ela cumprimentou corretamente de acordo com a postura que aprendera, e Cerena bateu palmas e a parabenizou.

Leonia sentiu-se culpada por achar que os olhos azuis dela eram tão bonitos, moldados em forma de luas crescentes. Sentiu-se mal por ter entendido mal a mulher.

"Eu não sabia que você aprendia tão rápido."

Com as palavras sinceras de Cerena, Leonia sorriu radiante.

"Você é mesmo incrível. Para ser honesta, estou até preocupada…"

Ao interromper-se, Cerena logo reconheceu seu erro e pediu desculpas.

Leonia ainda tinha um sorriso no rosto e continuou falando, talvez por estar aliviada.

"A jovem relembra muito o Duque, é tão madura e bonita. Por isso, é importante preencher as lacunas que faltam. Não vai ser fácil por causa dos seus velhos hábitos. Acho que vale a pena ensinar você."

O sorriso de Leonia se aprofundou.

Após a aula, Leonia assistiu até Cerena montar na carruagem e partir da mansão.

'Talvez por ser um mundo fictício…'

Leonia virou-se e olhou para o infinito, em silêncio.

'…Esse tipo de suicídio também é um método inovador.'

Leonia ficou chocada com as sutis palavras mordidas de Cerena.

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