Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 15

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

…Que logo?


Leonier parou de pegar a mistura de bacon picado, purê de batatas e legumes. Ela disse que partiríamos depois que a tempestade de neve acabasse, mas não esperava que a decisão fosse tão rápida.


Felio também comentou que o dia começava tarde. Se quisesse ir hoje, teriam que partir imediatamente.


"Seu tutor vai te visitar."


"Tutor?"


Uma ideia surgiu na cabeça de Leonier. Felio costumava dizer que ela tinha muito a aprender e precisava de um professor. Leonier mesma admitia que lhe faltava o conhecimento que uma nobre deveria ter, já que ela só havia vivido em um orfanato.


"Seu tutor chegará nesta tarde e só poderá ver seu rosto. As aulas completas começam amanhã."


"Você precisa me avisar com antecedência para eu me preparar."


"Todas as preparações já estão organizadas lá e serão trazidas até você."


"Que diabo..."


A mão de Leonier, que havia parado, voltou a se mover. A comida quase não cabia na boca dela, salgada e deliciosa.


Após a refeição, os dois fizeram uma caminhada pelo jardim para continuar falando sobre o tutor. Nesse curto período, os criados cuidadosamente limparam a neve branca e reluzente que havia acumulado até a altura de um adulto. Os passos de Leonier eram seguidos pelo som de pegadas.


"Mas o que eu estou aprendendo?"


"Etiqueta e História."


Felio acompanhou as pegadas da criança com o olhar. Ele se moveu no próprio ritmo para acompanhar a rapidez de Leonier. Pequenas pegadas finas ficaram ao lado de pegadas maiores e largas.


"Só duas?"


Uma nuvem de ar saiu da boca da menina que perguntou.


"Você já aprendeu a ler."


Quando estava no orfanato, Connie reunia as crianças e as ensinava a ler e escrever sem o conhecimento da diretora. Ela ouviu dizer que era importante que as crianças fossem alfabetizadas para que não fossem ignoradas e para que fossem tratadas como seres humanos, mesmo se saíssem do orfanato mais tarde.


"Não reclame depois de achar difícil só duas."


"Hng, tenho medo de fazer besteira."


" Pode agir como sempre faz", disse Felio, ajustando com a mão o botão de sua cardigã. O segundo botão estava deformado porque foi colocado na casa errada. Leonier ficou ali, calmamente, observando o toque indiferente e gentil.


"Mas quando você arrumou um tutor?"


Felio andava distraidamente com Leonier todos os dias, por causa da neve e da impossibilidade de trabalhar. Mesmo assim, ela só conseguiu ver o rosto dele nos momentos das refeições até alguns dias antes de ele sair para caçar monstros.


"No dia depois que você veio aqui."


Os olhos de Leonier se arregalaram de choque. "Tão cedo?" exclamou.


"Tenho chamado pessoas do estúdio para decorar seu quarto, comprar roupas e também contratar tutores."


"Tio…"


Felio tinha feito tudo por ela desde então. O coração de Leonier doeu mais uma vez. Sentia uma dor vergonhosa no peito toda vez que descobria o quanto ele era gentil e se importava com ela, e isso a confundia.


Ainda é difícil chamá-lo de Papai, porque fica estranho.


Felio, que ainda não percebia os sentimentos da filha, colocou a mão sobre a cabeça dela. "Estude bastante enquanto eu estiver fora."


'Não chore por sentir saudades de mim,' Felio fez uma brincadeira travessa.


"……"


Mas não houve resposta.


'Será que o tio é bobo? Eu não vou chorar, sabia!


Felio, esperando uma resposta rebelde, se surpreendeu ao olhar para Leonier, boquiaberto.


A menina, que sempre tagarelava, ficou tão silenciosa que até assustou.


"…vou fazer o meu melhor," murmurou Leonier suavemente.


Felio, que não entendia bem, apenas perguntou de relance: "…Está doente?"


"Não estou doente!"


Felizmente, o latido alto dela respondeu rapidamente à pergunta dele. Felio presumiu que ela não estivesse doente e se preparou para estender o braço e segurá-la, como de costume.


"Ugh."


Leonier, que sempre era abraçada, balançou a cabeça.


Em vez disso, estendeu a mão.

"Aqui!"


Felio olhou para ela por um momento antes de tirar uma bala de açúcar do bolso.


"Não essa."


Leonier agarrou a mão de Felio, que não conseguiu ver. Três dedos grossos e calejados foram segurados nas pequenas mãos quentinhas e suaves.


Os olhos afiados de Felio se abriram de surpresa.

"Vamos segurar as mãos e seguir assim."


"…=."


"Você não gosta?"


"…Não é isso."


Ele ficou apenas surpreso, mas Felio não conseguiu soltar a mão dela. Leonier, então, moveu as pernas novamente, como se estivesse tudo bem. No entanto, o passo dele era tão largo e rápido que ela era puxada junto.


Felio não tinha ideia de quem puxava quem. O ritmo da criança era absurdamente lento. Mesmo estando bem de saúde, ela era menor do que a idade indicava.


Os passos dela eram naturalmente mais lentos que os de um adulto, motivo pelo qual Felio frequentemente a carregava no colo. Afinal, era a primeira vez que caminhavam lado a lado, de mãos dadas.


"…"


Felio foi desacelerando aos poucos, até perceber. O ritmo de caminhada da criança voltou ao normal.


"Vou estudar bastante, então volte logo para casa."


Quando falou isso, as bochechas de Leonier ficaram vermelhas. Não parecia ser por causa do frio.


'Isso é um pouco—'


Ele achava frustrante no começo, porque a caminhada era lenta e seria mais fácil carregá-la do que andar ao lado. Mas, ao caminhar assim, lado a lado, nenhuma dessas coisas passou pela cabeça dele.


Era uma sensação diferente de caminhar nos braços dele.


A sensação do pequeno calor e da ternura que os dedos dele transmitiam ao agarrá-la deixava o coração de Felio palpitante. "Quando voltarmos da caçada, vamos ao orfanato."


"Sim."


"Não chore por sentir saudades enquanto eu estiver fora."


"Não vou chorar."


Felio, secretamente, engoliu uma risada diante da resposta mais carrancuda de Leonier.


"Você acha que vai sentir falta de mim?"

"Bom, um pouco."

"Você é ruim em ser honesta."

"Não, quem é ruim é o tio."


Os passos grandes e pequenos, lado a lado, continuaram até que a conversa entre pai e filha chegasse ao fim.


*******


À tarde, duas carruagens chegaram à mansão do Duque.


"Sou Kerena Tedros. Dou aula de etiqueta."


"Prazer, sou Ardea e ensino história."


As duas tutoras ficaram na frente do Duque Voreotti e de sua filha. Uma era uma mulher bonita, e a outra, um senhor idoso, sedento por conhecimento e experiência.


'Bela mulher e remédios para dormir,'


Essa foi a primeira impressão de Leonier sobre as tutoras.


A condessa Kerena Tedros, professora de etiqueta, era uma jovem e bela mulher. Leonier, que esperava uma pessoa idosa, ficou surpresa ao ver a jovem Kerena.


Seu vestido era tão bonito que formavam-se rugas entre as sobrancelhas dela.

A professora de história, Ardea, por outro lado, dava a impressão de uma detalhista obstinada.

Com as rugas e as barras gastas de suas roupas e na face, ela ficou admirada com a coragem do velho, que veio de roupa rasgada para encontrar o Duque Voreotti.

"Leonier."


Felio deu uma palmada nas costas silenciosa da filha.

"Prazer em conhecê-la, meu nome é Leonier Voreotti."


Depois do cumprimento tardio, Leonier fez contato visual com as professoras. Kerena sorriu e Ardea olhou com interesse.

"A condessa Tedros fará visitas semanais, e Ardea morará na mansão."


As tutoras partiram após uma breve apresentação. Leonier, que observava as carruagens das professoras partirem, correu até Felio e tomou sua mão.


"Tio."


Felio abaixou-se, segurando as mãos dela.


"Preciso ter cuidado com alguma coisa?" ela perguntou.


"Por que você precisa tomar cuidado?"


Felio franziu a testa. Talvez ela quisesse ser cautelosa com as duas ou perguntar sobre mais alguma coisa. Felio insistia que a Jovem Senhora do Duque Voreotti nunca precisaria se preocupar com isso no Norte.


"Independentemente do que fizer de errado."


"Até matar alguém?"


"Esse é um exemplo extremo, mas não importa."


Leonier riu das palavras de Felio, como fazia com visitantes do orfanato.


"Como esperado, uma pessoa nasce com poder."


"Tenho certeza de que você me agradece," brincou Felio.


"Sei que você é grata por eu suportar o jeito do Tio."


Por outro lado, Leonier estava preocupada com seu primeiro encontro com o tutor. Antes de começar as aulas, ela admitia honestamente que queria saber que tipo de pessoa eram.


"Ardea é muito talentoso."


"De que jeito?"


"Ele foi membro da Academia Imperial e também professor lá."


Os olhos escuros da criança se arregalaram de surpresa. A academia era uma instituição de pesquisa acadêmica que incluía apenas os maiores gênios do Império.


As realizações dos membros podem ser encontradas por todo o Império, conhecido também como a terceira potência do Império. A Academia era uma grande instituição de ensino na Capital, de onde provinham a maioria dos seus membros.


Felio também tinha se formado na Academia. Ela ficou preocupada com seu passado como professora.

"Existe de verdade alguém tão grandioso aqui no Norte?"


Felio refletiu por um momento antes de olhar para o rosto da filha.

"Uhm," Leonier encolheu os ombros, olhando para ele.

"E a condessa Tedros?"


Deve ser algo difícil de falar, então Leonier não insistiu e mudou de assunto. Felio deu uma palmada na cabeça dela e pegou um doce de leite com morango.

"A mulher veio me procurar outro dia."


"Tio!"


A impressão de Leonier mudou.

"Por que você contrataria uma mulher assim!?"

Agora, ela pensava que Felio era filho ilegítimo da condessa. O fato de ela ser filha de Regina foi mantido em segredo e só Leonier, Felio, Kara, Loupe e Mono sabiam.

Mono ligou e descobriu isso no mesmo dia em que Felio e Leonier foram ao campo de treinamento. Quando soube a verdade, cuspiu a bebida.

"Agora que vejo, aquela tia também é estranha."

Leonier não consegue acreditar que a condessa ensinaria o filho ilegítimo de alguém de quem gostava. Ela rapidamente fez um esquema mental dos três, incluindo ela própria.

A mulher gostava do homem, o homem tinha uma filha escondida, e a mulher virou professora particular dela. Que confusão!

"Estranha?"

Os olhos de Leonier ficaram tão frios e severos quanto a pesada neve.

Felio olhava para aquela criança de uma maneira estranha, mas profundamente comovente. Sua filha devia ser a única pessoa ousando fazer isso com ele, uma fera selvagem no Norte. O olhar frio, por outro lado, capturou sua atenção.

"Ninguém no Norte tem melhores modos aristocráticos do que essa mulher. Sim, ela é bem conhecida nos círculos cultos e religiosos. Não estou dizendo que ela é uma tola ou ignorante."

Assim, Felio falou como se estivesse tentando se justificar diante da senhora sem perceber.

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