Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 11

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Ao descobrir a verdade chocante, Leonier procurou por Kara.


"Vovó Kara! Vovó Kara!"


Kara estava dando instruções aos empregados quando viu Leonier correndo e procurando por ela, e então sorriu gentilmente.


"Não corra. Você pode se machucar."

"Tio me disse que ia quebrar o nariz dele."

"E isso não significa que ele levante a voz conosco."

"Mas não estou acostumada com esse jeito."

"O mestre é uma boa pessoa, ao contrário de alguém que faz tudo do jeito que quer."


Kara apenas perguntou por que ela estava procurando por ela após uma gentil encorajada.


Leonier agarrou as roupas de Kara, enjoada de tanto reclamar.


"É uma história secreta."

Ela sussurrou, com as mãos cobrindo a boca caso mais alguém ouvisse.


O rosto de Kara e dos empregados se aqueceu.


Após enviar a empregada a pedido de sua jovem senhorita, Kara e Leonier entraram na sala de empregados próxima.


Felizmente, ninguém estava descansando ali, pois todos estavam trabalhando no momento.

"Por que você veio me procurar?"


Ela perguntou a Leonier, enrolando um cobertor ao redor do corpo, caso estivesse frio.

"Tio acabou de me dizer algo."


"O que foi?"

"A que me deu à luz."


"Ah, então… o quê?"

Os olhos de Kara se dilataram, como se fossem saltar para fora. Leonier ficou surpresa com as rugas ao redor de seus olhos, que se estendiam como se tivessem acabado de ser pinceladas.

"Ele disse isso à Senhora?"


"Sim."

Leonier assentiu com a cabeça.

"O tio me contou que a minha prima me fez"

"Como ele descobriu isso?"

"Com os dentes de uma besta."

Seus pequenos dedos apontaram para seus olhos negros e arredondados.

"Eu também tenho."

"……"

"Alguém que me deu à luz também tem isso—."

"….."

"Vovó, você está chorando?"

Surpresa com as lágrimas que escorriam, Leonier pulou e balançou os braços.

Kara tirou os óculos redondos e limpou os olhos molhados com as mãos guarnecidas de luvas.


Assim que sua visão turva voltou ao normal, Leonier, preocupada, se aproximou.


"Desculpe. Acho que estava certa."


Fazia apenas alguns dias que ela tinha conversado com Loupe sobre a possibilidade de Leonier ser filha de Regina.


Kara não esperava descobrir a verdade tão rapidamente. Era como se uma pedra pesada que tinha estado em seu peito por muito tempo estivesse lentamente sendo removida.


No entanto, pouco tempo depois, outro obstáculo caiu no seu caminho ao recordar algo.


'Você não está mais neste mundo.'

Ela conseguiu deixar sua propriedade em segurança, mas encontrou um fim trágico ainda jovem.


"Obrigada, agradeço sua preocupação."


Kara sorriu calorosamente enquanto rapidamente enxugava as lágrimas. "Está tudo bem", disse Leonier, tentando consolá-la.


Ver lágrimas de um mordomo forte, responsável pelos empregados e pela segurança da casa, parecia estranho para ela, mas presumiu que fosse por estarem bem próximas de Regina.


'Pergunte a Kara se estiver curiosa.'


A revelação de Felio sobre o grande segredo do seu nascimento teve um final pouco elaborado.


'Eu pensei que você não gostava da Regina.'


Mesmo referir-se à falecida como "a mulher mais irritante do mundo" na frente de sua filha não era intencional.


Leonier imediatamente saiu à procura de Kara.


Primeiro, contou exatamente o que tinha ouvido de Felio.

Ela se perguntou se Kara ficaria chateada, mas ela balançou a cabeça com um sorriso amargo, como se soubesse que isso iria contra as expectativas.

"Tio odiava a mulher que me deu à luz?"


"Não foi bem assim."

Kara respondeu prontamente.

"Se o Mestre realmente odiava a Senhora Regina—."

Kara, que ia dizer não, hesitou por um momento para pensar na resposta.

Leonier entendeu exatamente o que Kara tentava dizer.

Se Felio realmente desprezasse Regina, ele mesmo teria levado a prima naquele carruagem. Ele parecia não gostar dela ao ponto de achar que era só uma questão de família, algo que poderia ser tolerado.

'Esse é o tipo de homem que meu tio é.'

No romance, Felio era descrito como um leão.

A visão de que apenas as leoas eram caçadas era uma mentira, pois implicava que o leão era preguiçoso e incompetente, mas na realidade, eles rondavam seu território de tempos em tempos, cuidando dos filhotes que sobravam, caçando, e ajudando-os quando estavam em perigo.

O autor comparou Felio a um leão assim.

Felio exalava uma aura vibrante e dominadora na superfície, mas não poupava atenção ao que acontecia ao seu redor ou se alguém fazia alarde sobre isso.

Por outro lado, era impiedoso se algo o incomodasse, não mantendo uma postura adequada.

"Lady Regina é—"

Kara, incapaz de encontrar uma expressão suave para descrever Regina.

No entanto, ela considerou se seria difícil encontrar palavras novamente nesta ocasião.

Kara fechou os olhos firmemente e os abriu lentamente, como se tivesse passado um longo tempo se preparando.

"Ela era muito sem jeito."

"….Sim?"

"Sei que não é algo que uma empregada deva dizer. Mas, pelo menos, o Mestre pensava assim. Claro, ela era gentil. Muitas pessoas a adoravam."


Para falar de forma gentil, ela cuidava de todos. E, de forma mais direta, Kara dizia que Regina era tão ingênua que não conseguiria perceber quando estava bem decorada ou quando algo caía de seu lugar.

A maioria optava por caracterizá-la como a primeira opção, mas Felio claramente a via como a segunda.

"Lady Regina, na verdade, era única. Ela tinha o sangue da família Voreotti, mesmo assim, sempre sorridente, doce com todos e sonhava com ideais românticos, por mais que eu diga isso várias vezes."

"Só isso?"

"Ela valorizava o amor e a paz."

O sorriso de saudade de Kara reforçou a credibilidade de suas palavras.

"Havia uma área vazia em algum lugar."

Ela achava estranho dizer isso com um sorriso, mas Leonier franziu o rosto em silêncio.

"Lady Regina gostava muito do Mestre. Como nenhum deles tinha irmãos, queriam se conhecer melhor e brincavam juntos. Ela fazia isso de coração, sem maldades—"


Observando Kara, que também não poupava palavras, Leonier assentiu como quem compreendia.

Agora, não havia mais necessidade de ouvir os detalhes restantes. Ela sabia que Felio e Regina eram opostos extremos.

'Ela era o oposto do tio.'

Felio não suportava pessoas que apareciam de surpresa na sua frente.

Mas, aparentemente, sua prima, com quem morava sob o mesmo teto, era exatamente esse tipo de pessoa, o que provavelmente lhe causava bastante estresse.

'Ela é tão sem jeito…'

Até onde Kara tinha contado, Regina devia ser uma pessoa consideravelmente mais ingênua do que ela pensava. Ela queria saber mais após isso.

Nada era mais preocupante do que um idealista sem tato, como Leonier experimentou em outro mundo.

Elas falavam bobagens sobre algo tão bom sem entender a verdade, causando muitos problemas ao redor, e, ao se envolverem nisso, acabavam na lista de espera para transtorno de raiva.

'Será que tudo isso foi armado pelo autor?'

Porém, ela agora entendia que o motivo de Regina não aparecer no romance era porque Felio simplesmente não se interessava por Regina ou sequer falava dela, nem a mencionava.

Ter uma prima era algo incômodo na vida dele, e ele poderia viver sem isso.

Assim pensando, sentiu um pouco de pena de Regina.

"Senhora, por acaso..."

Kara fez contato visual com Leonier ao se ajoelhar e abaixar-se. Seus olhos cinzentos profundos piscavam lentamente.

"Quer ver Regina?"

Não, de jeito nenhum.

"….."

Ela quis dizer algo, mas a boca não se abriu.

O interesse de Leonier por Regina não era tão grande.

Não fazia sentido uma mãe que deu à luz uma criança sem memória dela ser lembrada.

Como prova, Leonier nunca chamou Regina de "mãe".

"Tudo bem, já que tenho o Tio, a Vovó e a empregada."

Leonier abraçou Kara com os braços.

"Obrigada por me contar."

Para ser honesta, ela não deveria ter perguntado.

O segredo do nascimento, que tinha pouco mais do que uma dúvida, não passou de uma decepção.

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