
Capítulo 12
Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.
Você não tem trabalhado muito recentemente, tio.
Leonier, como uma esposa enganada, perguntou com um olhar desconfiado. (nota do tradutor: "rip-off" aqui pode também indicar que alguém, especialmente um vendedor, está te explorando ou cobrando demais.)
— Quando você come salgadinhos, não faça bagunça.
Felio apontou para as roupas casuais de Leonier e perguntou: "Quanto você faz sujeira ao comer?"
Hoje, a Jovem Senhora do Duque Voreotti usava um vestido branco grosso, meia-calça preta e um avental costurado com renda apertada.
As provocações de Felio fizeram Leonier gritar.
— É só na roupa! É um vestido com avental!
Leonier inclinou o avental. Ela, naturalmente, jogou no chão como uma criança, resmungando: "Tudo nesta vida é inútil."
— Você derramou tudo toda vez que comeu salgadinho. Além disso, está babando.
— Eu só fiz isso uma vez, sabia?
Leonier se sentiu extremamente injustiçada por uma acusação falsa.
Alguns dias atrás, ela fez uma reação de frouxidão no dente da frente, talvez por ter comido uma refeição nutritiva.
Ela cometeu um erro infantil, tocando a frente dos dentes com a língua, fascinado pelo espaço faltante.
— Comi sem fazer sujeira alguma.
— Você realmente pretende me vencer, tio?
— É de grande importância aprender direito assistindo a coisas como isso atualmente.
— O que eu deveria ter visto e aprendido!
Leonier não via Felio trabalhar desde a tempestade de neve.
Ele passava muito tempo deitado no sofá, zombando de Leonier ou brincando de bobo.
Leonier estreitou os olhos e fixou o olhar em Felio.
Se ela precisava aprender alguma coisa com Felio, era um fato evidente que só poderia ser por causa da sua riqueza, status elevado, caráter excepcional e habilidade — até mesmo alguém que abandonasse uma personalidade assim seria apoiado pelo bom nome de seu mestre.
— Ugh!
Foi nesse momento que Leonier, fervendo por dentro, pegou o livro que tinha caído e voltou a se concentrar na leitura.
— De qualquer forma, não vou voltar para casa em breve.
— Huh? Por quê?
— Está na hora de aparecer o monstro.
— Não é um pouco estranho dizer "sair" assim?
'Esse tipo de linguagem não ajuda em nada as crianças', disse Leonier.
— Tio, você tem muita sorte de eu não ser uma criança comum.
— Você também tem sorte de eu não ser um pai comum.
Felio continuou o que havia dito anteriormente, deixando uma breve expressão de esforço, sem sinais de ceder um milímetro.
— A propriedade Voreotti tem tantos monstros que é conhecida como um covil de demônios.
Por isso, após a tempestade passar, ele lideraria os cavaleiros numa caçada ao monstro para reduzir a população.
Ambos, pai e filhas, observavam a janela ao mesmo tempo.
Por semanas, uma tempestade de neve contínua cobria as janelas com cortinas vermelhas pesadas e tapetes valiosos.
Mesmo em comparação ao começo, isso ainda era uma situação relativamente menor.
— Quanto tempo vai levar?
Leonier se aproximou dele e perguntou, com tom de preocupação.
— No máximo um mês, ou duas semanas no mínimo. O clima tem grande impacto na caça aos monstros. Se os dias estiverem claros durante a caça, vai acabar rapidinho; se ventar forte no meio, vai demorar um pouco mais. Porque monstros são fisicamente mais desenvolvidos que humanos.
Quando Leonier ouviu que quanto mais demora, mais os humanos ficam perigosos, ela assentiu e ouviu com mais atenção.
— Eu vou te levar depois.
— Aquí? Por quê?
— Porque você é minha sucessora.
As pupilas de Leonier se arregalaram. O rosto de Felio era sério, como se ela tivesse dito algo surpreendente.
— Não foi isso que eu trouxe você aqui inicialmente com essa ideia?
— Este tio é uma verdadeira caserna—
Leonier ficou sem palavras, insistindo em entregar a família do Duque ao orfanato que trouxe consigo, mesmo antes de perceber que ela era sobrinha dele.
Era triste e preocupante pensar que um homem tão impulsivo tivesse se tornado seu guardião.
— …Tio, você vai se casar?
— Agora, criar filhos é bem mais divertido do que isso.
— Como era de se esperar, Loupe e tio são—
Leonier riu e esfregou as mãos uma na outra.
— Se você falar de novo sobre salgadinhos, eu acabo com tudo.
Sua mão rápida cobriu a boca imediatamente. Felio ficou satisfeito e fechou os olhos.
'… Mesmo assim, ele é gentil comigo.'
Uma personagem típica de novela, com rosto atraente, mas personalidade fraca até mesmo em palavras vazias.
No entanto, ele era sinceramente um pai amoroso com a filha dele.
— Tio.
Leonier, que deu um passo de joelhos ao lado dele, apoiou o queixo no sofá e perguntou.
— Você vai me mandar embora depois disso?
— Quem você acha que eu sou?
Felio abriu rápidamente os olhos e franziu o cenho, como se tivesse ouvido alguma coisa extremamente desagradável.
Depois, ele lentamente voltou a respirar e retomou a expressão. Estava pensando se sua filha ficaria surpresa.
Felizmente, o pequeno animal corajoso permaneceu tranquilo.
— Leonier.
Um dedo longo e grosso tocou delicadamente o pequeno nariz da criança.
— Você é minha filha.
Leonier olhava para ele com olhos negros honestos, sem mentiras.
— Então, serei responsável por você até o fim.
Ele a advertiu severamente para que não dissesse nada, parecendo que ia expulsá-la de novo.
Leonier sentiu um aperto no coração, talvez por causa da maneira como ele falou.
Mas, de jeito nenhum, ela ficou triste. Essa sensação era tão agradável e prazerosa que ela se sentiu envergonhada por não saber o que fazer.
A sensação quente e arrogante de alívio que envolvia todo o corpo ainda era estranha.
Leonier, que até então vivia apenas como "Leonier Voreotti", ainda tinha dúvida se deveria chamá-lo de pai. Contudo, Felio sempre a chamava de filha e cuidava dela com dedicação.
Apesar de toda essa relação impulsiva, Felio encarava Leonier com confiança e aceitava isso.
— …Hng.
Leonier ficou envergonhada de olhar nos olhos dele e desviou o rosto.
— Eu não adoro pais que zombam das filhas.
Depois, ela resmungou e abriu o livro novamente.
Felio deu um sorriso leve ao ver as orelhas vermelhas da criança.