Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 7

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


"Eu não vou te acompanhar até lá."


Leonia se despediu dos convidados após terminar tudo.


" Foi horrível te conhecer, nunca mais quero te ver. Espero que você acabe no inferno."


Em vez de acenar, ela ergueu o dedo do meio bem alto no ar.


A face dos convidados se encheu de desespero enquanto os cavaleiros os guiavam até o porão da mansão.


Para o caso de eles tentarem tirar a própria vida, os cavaleiros também tinham suas bocas amordaçadas.


Depois de se despedir, Leonia pegou sua caixas de música e correu para se enroscar nos braços de Paul.


"Nossa, que sensação gostosa."


Sorrindo, Leonia disse a Paul que o estresse acumulado nos últimos dez anos tinha sido lavado para longe.


"Você tem só 7 anos mesmo?"


"...Não leve tão ao pé da letra."


Ela o repreendeu por não entender o ditado. Então, do nada, Paul lhe entregou uma bala de morango.


Leonia olhou para ele confusa ao ver a bala.


"Eu não fiz nada fofo hoje, né?"


"Fez sim."

"Quer dizer, o que eu fiz antes? Torturar as professoras do orfanato?"


"Você se comportou como uma verdadeira Voreoti."


Leonia cobriu o rosto com vergonha pelo elogio inesperado.


Suas orelhas pequenas e redondas que surgiam atrás do cabelo preto começaram a ficar vermelhas.


Embora Leonia sempre tivesse sido precoce e atrevida, na verdade, ela ficava facilmente envergonhada.


Mais do que isso, quando ela ficava constrangida, tinha o hábito de esconder o rosto enquanto corava. Essa foi uma observação muito importante que Paul fez nas semanas em que a trouxe para casa.


A jovem mãe e filha conversavam felizes com doces nas mãos.


Embora fosse uma cena tocante, Loupe, por outro lado, ficou chocado com tudo o que via.


"Você vai torturá-los você mesmo?"


Leonia perguntou, mexendo um pedaço de bala na boca.


A bala na boca dela era outra que Paul lhe dera. Ela guardou a que ele deu antes na bolsa para usar mais tarde na sua jarra de vidro.


"Claro, já que são seus convidados."


"Você é tão incrível, velhinho!"


Essa conversa definitivamente não era normal entre pai e filha comuns.


"Você também tem potencial."


"Para torturar?"


"Sim. Quer aprender a fazer isso mais tarde?"


"A perfurar com uma espada?"


Ela fingiu perfurar alguém. Loupe apertou o estômago, como se tivesse sido atingido também.


" Agora que penso nisso, você deveria aprender um pouco de esgrima."


"Hum, não quero torturar usando armas, não."


Leonia não gostava de usar armas porque os gritos ficariam altos e o sangue se espalharia por toda parte.


'Não! Pare, por favor!'


Loupe pensou desesperado, implorando para que eles parassem aquela conversa violenta.


'Por favor, tenham uma conversa normal! Quem falaria coisas assim para uma criança?!'


Fazia sentido que Paul dissesse essas coisas, já que ele não era uma pessoa normal desde o início.


No entanto, Loupe começava a achar que a própria criança também era bastante estranha. Ela deveria odiar até pensar em torturar os outros, mas, ao contrário, ela só se preocupava com assuntos triviais por motivos tão bobos.


'Ela será que é mesmo filha legítima do Duque?'


Até então, ele tinha certeza de que o pai e a filha violentos eram realmente parentes consanguíneos.


Nesse momento,


"Senhora Leonia!"


"Foi incrível."


Algumas criadas elogeraram Leonia com aplausos.


As servas olhavam para Leonia com admiração, elogiando sua coragem ao punir os convidados.


Leonia colocou as mãos no rosto e se encostou nos ombros de Paul.


'...Será que eu sou a estranha aqui?'


'Será que sou a única que não se emociona com isso? Sou a única que acha isso estranho?'


Loupe olhava para todas as funcionárias aplaudindo Leonia, sem acreditar.


Até o mordomo precisou tirar os óculos redondos para enxugar as lágrimas.


Loupe queria entender por que todos estavam tão emocionados, para poder chorar com eles.


Então seus olhos encontraram os de Meles.


Ela era uma das poucas pessoas dentro da mansão que Loupe considerava mais racional.


No entanto, ao invés disso, ele viu Meles respirando com tanta admiração que precisou cobrir a boca com as duas mãos.


"Não mate eles imediatamente, okay?"


"Não farei nada disso."


"Sim. Vamos tirar o sangue deles até a última gota."


"De onde aprendeu a dizer coisas assim?"


"...Do orfanato?"


Por causa das palavras de Leonia, o futuro dos convidados parecia bem mais sombrio. Sem dúvida, seriam torturados ainda mais severamente depois.


"Ah, tenho uma ideia boa. Amarre os corpos deles e empurre-os de um penhasco. Eles vão cair, e com a corda vão ser puxados para cima de novo, cair de novo, puxados para cima, até que a corda quebre. Depois, podem deixá-los lá."


Leonia abriu a mão e a movimentou para cima e para baixo, como se estivesse quicando uma bola, enquanto explicava.


"Quando parar de se mover, é só deixá-los até a corda se romper por conta própria."


Paul assintiu após ouvir sua explicação.


"Vale a pena tentar. Tem um penhasco atrás da mansão para a gente testar."


"Não se sobrecarregue."


Claro, Leonia estava dizendo a Paul e aos cavaleiros para não 'se sobrecarregarem', não aos convidados.


"Você precisa estar saudável para torturar essas pessoas por bastante tempo."


Leonia deu o dedo mindinho para Paul, forçando-o a selar o acordo com uma promessa.


Os dois entrelaçaram os dedos, e a brincadeira de ameaça da filha, "Se não cumprir a promessa, eu dou um soquinho na sua testa," pintou uma cena bem calorosa de um relacionamento pai e filha.


Por outro lado, Loupe desejava que tudo aquilo fosse apenas um sonho.


* * *


"...Ela não é filha dele de verdade?"


Loupe finalmente ouviu a verdade com o mordomo Kara.


Kara ergueu os óculos ao ajeitá-los e disse para Loupe ficar quieto.


Felizmente, só havia eles dois na sala ao lado do escritório de Paul.


Paul havia ido até o porão, enquanto Leonia tinha voltado ao seu quarto com Meles.


Então Kara contou para Loupe sobre Leonia, exatamente como Paul ordenara.

"...Meu Deus."


Loupe esfregou a testa por algum tempo, percebendo que suas suposições estavam completamente erradas.


Não era incomum pessoas que não tinham qualquer relação serem parecidas em alguns aspectos. Mas essas duas eram definitivamente parecidas demais para serem apenas coincidência—mesmo que fosse só uma tentativa de associação, era muito forte para ser mera coincidência.


'Especialmente essas características negras e sua personalidade...'


Somente quem tinha sangue Voreoti possuía essas características negras.


Quando Loupe finalmente viu Leonia pela primeira vez desde a semana anterior, ela parecia tão parecida com Paul que deu até medo nele.


Além disso, a energia vibrante e alegre da sua sessão de tortura há poucos instantes era uma prova de que ela também tinha a natureza violenta dos Voreoti.


Para completar, agora que ela tinha mais peso e estava mais saudável, qualquer pessoa podia perceber que as duas pareciam relacionadas.


'Talvez...'


Duais rostos particulares surgiram na cabeça de Loupe. Contudo, ele rapidamente afastou o pensamento.


'Eu mesmo vi.'


Ele testemunhou o carro destruído que caiu no rio com seus próprios olhos.


Após pensar por um momento, Kara lentamente abriu a boca.

"...Você acha que ela se parece com a Lady Regina?"


Ao ouvir essas palavras, os pensamentos confusos de Loupe pararam. Ele virou a cabeça, e seus olhos estavam cheios de tristeza.


Loupe imediatamente percebeu o que a velha estava tentando dizer.

Ele apertou os olhos para ela.

"...Seria mais realista dizer que ela é a filha secreta do Duque."


Quando viu Leonia pela primeira vez, sua aparência suja, magra, não lembrava nada 'deles'.

Naquela época, ela parecia mais uma criança de rua, difícil de ver qualquer semelhança com Lady Regina.

Claro que a Leonia de hoje, que ele tinha visto depois, tinha mudado bastante—ela se tornara uma senhora bem cuidada, merecendo o nome Voreoti.

'Exatamente como aquela pessoa...'

'Loupe!'

Voz dela ainda ecoava em suas memórias.

Ela costumava chamar todo mundo pelo nome com energia e trazia tanta calidez para a mansão com seu sorriso, assim como Leonia agora.

'Mas elas realmente não se parecem.'

Sim, esse era o maior problema.

Se Leonia tivesse qualquer semelhança com ela, o nome dela teria vindo imediatamente à sua cabeça—ele não estaria aqui lembrando dela agora.

Loupe tinha que discordar das palavras de Kara.

"Lady Regina está morta."


Foi numa chover pesada naquele dia.

Naquela época, chuvas intensas caíam de forma incomum sobre o território Voreoti, e era o dia em que Regina decidiu fugir com seu amor. Paul e os cavaleiros, que saíram para procurá-los, voltaram encharcados para a mansão.


As gotas de chuva no manto dele, as nuvens escuros visíveis pela porta atrás dele, e as palavras de Paul enquanto tirava seu manto.

'Regina não é mais uma Voreoti.'


Com essas palavras, Paul parou de procurar Regina de vez.


A partir daquele momento, o nome 'Regina' nunca mais foi mencionado. Os moradores da mansão agiram como se ela nunca tivesse existido.


"Depois, eu mesmo recuperei o carrinho que levou água até o fundo do rio."


O carrinho, que corria sob a chuva forte, acabou caindo no rio e afundou até o fundo.


Ele foi destruído em pedaços.

Embora chamassem de carrinho, na verdade era uma caixa de madeira simples coberta de musgo.

O interior estava encharcado e riscado por causa das coisas jogadas lá dentro.

De verdade, o rio os levou bem longe, como se atendesse ao desejo desesperado de escapar da mansão.


"Contudo..."


O mordomo desviou o olhar com hesitação.

"…Você não conseguiu encontrar os corpos."


Loupe ergueu surpresa o olhar.

"Talvez, eles tenham conseguido sair com segurança do carrinho e escapado..."


* * *


"Acho que espirrou!"


Leonia tremeu com o forte espirro.


Seu espirro foi tão forte que fez seu corpo tremer. As criadas ao seu lado riram, encantadas com o quanto ela era fofa.


Envergonhada, Leonia se cobriu com as mãos.


Embora ela ainda fosse muito magra, mesmo após ganhar um pouco de peso, não parecia tão vítima.


"Não precisa ficar timida."


"Você foi tão legal antes."


"...Sério?"


Os olhos negros de Leonia olharam por entre os dedos finos e curtos.


Ao escutar sua pergunta, as criadas trocaram olhares entre si. Foi só por um instante, mas elas hesitaram antes de falar.


"Na verdade, foi um pouco assustador."


"Mas dizendo que você foi legal, a gente realmente acha."


Assistir Leonia cantarolando de forma despreocupada enquanto circulava pelos convidados amarrados era bastante inquietante.


E a visão de Paul, satisfeito, observando tudo, era ainda mais arrebatadora.


Mas elas não odiavam isso.


As empregadas já estavam acostumadas a esse tipo de comportamento após anos na mansão.


Na verdade, elas mesmas estavam longe de serem normais—a maioria das pessoas que trabalhava para os Voreoti não era.


Após tudo, eles eram pessoas da residência Voreoti.

"Olha só isso."


Leonia mostrou a jarra de vidro que mantinha ao lado da cama.

Ela estava cheia das balas de leite de morango que Paul lhe deu.


Leonia abriu a jarra e colocou dentro a bala que tinha ganhado antes. A criança sorriu ao ouvir o som da bala caindo na jarra.


"Um, dois, três..."


Havia mais de vinte balas na jarra.

Isso porque Paul às vezes lhe dava algumas, mesmo quando ela não fazia algo especialmente fofo.


"Você deu uma boa acumulada agora."


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