Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 6

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

A residência dos Voreoti era grande.


Ao passar pelo enorme arco de ferro da porta principal, você via um jardim que levava até a mansão principal.


Só após passar pela grande fonte no centro da paisagem perfeitamente simétrica, seria possível ver a própria mansão.


O telhado da mansão, de um preto profundo, contrastava fortemente com a neve branca e pura. Tinha um apelo sublime e antigo.


As portas da frente tinham maçanetas em forma de leão preto — o emblema da família Voreoti. Ao entrar, o visitante seria recebido por um hall amplo e uma escada que levava ao segundo andar.


Normalmente, os convidados eram levados à sala de estar.


No entanto, na ocasião, os convidados eram recebidos diretamente pelo dono da mansão, o duque Voreoti.


Os convidados, todos amarrados e em estado precário, eram obrigados a ajoelhar-se no grande hall.

"O que aconteceu com o orfanato?"


Paul perguntou, fixando o olhar em cada um deles.


Havia no total seis convidados. Formando um triângulo, na frente estava o diretor do orfanato, com a equipe e os professores atrás dele.


Ao cruzar o olhar com o do duque, os convidados tremeram de medo.

"Ele pegou fogo e queimou tudo."


Loupe, exausto de sua missão de "limpeza", entregou a Paul o relatório. Paul folheava os papéis enquanto ouvia e passava os olhos pelo documento.


"Enquanto vínhamos para cá, soubemos que um incêndio matou todos no orfanato. É uma pena. Além das crianças, a sábia professora Konie também morreu."


Se ela estivesse viva, teria sido trazida aqui.

Loupe continuou calmamente.

"Os orfanatos na nossa terra só se expandiram na primavera passada."


"Entendo. Se tivéssemos vindo um pouco antes, elas ainda estariam vivas."


Paul fez jogo de cintura com as mentiras de Loupe e analisou o relatório nas mãos.


Seus olhos negros começaram a brilhar com uma tênue luz vermelha. O papel branco na sua mão começou a pegar fogo e, logo, virou cinzas no chão.


O rosto dos convidados ficou ainda pálido.


Porém, aquilo já era rotina na mansão.


Era uma habilidade herdada pelos membros da família Voreoti.


Loupe pressionou os dedos nas têmporas em uma tentativa de aliviar o estresse e olhou para a pilha de cinzas no chão.


Havia várias razões que explicavam por que a família Voreoti tornou-se governante do Norte — desde a natureza violenta dos nobres do norte, ou a longa história da família que remonta antes mesmo do império existir, até seus inúmeros feitos ao longo das gerações.


Mesmo assim, Loupe sabia a verdadeira razão.


'É essa habilidade.'


Ela era completamente diferente da 'aura' de um mestre espadachim, ou do 'mana' que constitui a base da magia.


Era um poder estranho e misterioso que só quem tinha o sangue Voreoti possuía.


Ao usar esse poder, seus olhos negros brilhariam com a cor que representava sua força.

A aura da mesma cor então se manifestava na forma de um canino semelhante ao de uma besta.


As pessoas chamavam de 'Presilha da fera'.


Claro, essa 'Presilha da fera' nem sempre aparecia toda vez que o poder era usado.


Paul tinha usado apenas uma pequena fração de sua força, por isso apenas seus olhos foram afetados, brilhando com um tom avermelhado.


Embora fosse suficiente para incutir medo.


Os convidados tremeram de terror ao ver os olhos de fera tingidos de vermelho.


"Velho!"


Loupe arregalou os olhos diante daquela voz clara, completamente deslocada diante da atmosfera atual.


Os cavaleiros e os serviçais próximos pensaram a mesma coisa.


Leonia, que tinha chegado nos braços de Meles, correu até Paul assim que seus pés tocaram o chão.


Em suas mãos, uma caixinha pequena decorada com joias brilhantes.


"Você pode se machucar."


Paul advertiu Leonia enquanto a pegava no colo, mas ela apenas bufou.


"Que quer dizer? Eu era a melhor em fugir do orfanato, sabia?"


"Acho que só vai aprender a lição quando cair e quebrar o nariz, ou algo assim."

"Por que seus exemplos sempre são tão extremos, velhinho?"


"Mas por que você precisaria fugir do orfanato?"


"Porque aquelas pessoas tentaram me bater."


Depois, continuou dizendo que foi pega, espancada severamente no final.


Ao ouvir isso, a expressão de Paul — antes calma e relaxada — ficou rígida.


Um ar frio preencheu de repente o caloroso interior da mansão.


Isso afetou não só os funcionários do orfanato, que ainda ajoelhavam-se, mas também Loupe e todos os demais empregados da mansão — todos tremiam de medo.


Mesmo assim, Loupe sabia. Na verdade, o duque fazia o possível para segurar sua raiva, para não assustar a filha também.


No entanto, sua aura violenta era perceptível.

"Ah, é o homem-secretário."


Leonia — que parecia alheia ao clima tenso — cumprimentou Loupe com um sorriso brilhante e acenou para ele.


"…Saudações novamente, Senhora Leonia."


Demorou alguns segundos para Loupe responder. Porque o nome, 'homem-secretário', lhe soou estranho. Mas, mais importante, a atmosfera opressora dificultava qualquer tentativa de comportamento tranquilo.


"Por favor, pode me chamar de Loupe. Fico feliz em ver que está mais saudável."


"Tenho comido e dormido bem."


"Isso é uma verdadeira alívio."

Loupe ficou realmente surpreso ao ver o rosto saudável de Leonia.


Ela tinha a pele clara, sem manchas de sujeira, uma fita vermelha bonita enfeitando seus cabelos negros, um vestido de pele de uma besta das montanhas do Norte, meia grossa, e botas de peles com sinos vermelhos.


Com sua aparência, ela poderia passar facilmente por uma nobre de uma família amorosa.

Ao olhá-la, Loupe quase se envergonhou de ter se preocupado por uma adoção impulsiva.


"…Nia?"


Um dos convidados disse, com voz exausta.


"Nia! Nia, somos nós, seus professores!"


"Você está bem! Estávamos desesperados!"

"Por que não nos procurou? Está se alimentando bem?"

"Meu Deus, não consegui te reconhecer porque você ficou tão bonita."


Todo o pessoal do orfanato começou a falar com Leonia como se fossem amigos próximos.


Eles estavam tão desesperados que suas expressões — antes congeladas pelo frio do lado de fora — começaram a se contorcer na tentativa de sorrir.


Todos olhavam para Leonia com esperança, como se ela fosse sua salvadora.


"Nia!"


O diretor do orfanato chamou, chorando.

"Sou eu, o diretor!"

Ele chorou, parecendo realmente acreditar que tinha sido injustiçado.

A criança, por sua vez, apenas encarava o diretor em silêncio.


Impatiente, o diretor tentou manipular as memórias em sua cabeça a seu favor.

"Lembro-me do dia em que você chegou ao orfanato. Foi numa tarde de verão muito quente. Você sabe o quão fofo era? Era magra e frágil, como um ratinho. Eu até te chamei com meus próprios nomes…"

"Velhote."

Leonia interrompeu antes que ele concluísse. Ela puxou as roupas de Paul, pedindo para que o deixasse baixar.


Depois de lançar mais um olhar aos convidados, Paul a deixou no chão.

Alguns professores, incluindo o diretor, tentaram correr até Leonia, mas foram impedidos pelos cavaleiros próximos.

"São seus convidados."


Paul se abaixou, limpando a boca de Leonia com a manga. As migalhas do lanche que ela tinha comido caíram na manga dele.

"Como pai, tenho a responsabilidade de cuidar deles."


"Sim."


"Então, antes que eu assuma o cuidado com os convidados, é melhor que você os veja primeiro."


"Por quê?"


Leonia inclinou a cabeça, confusa.

Os dois já tinham combinado como cuidariam dos convidados — não havia necessidade de Leonia ser chamada.


"Quero saber se você mudou de ideia."


Se por acaso a criança tivesse qualquer empatia com eles, mesmo sem planejar realmente ajudar, Paul deixaria eles irem.

Claro, ele faria isso separadamente, sem que Leonia soubesse mais tarde.


Os olhos arredondados e negros de Leonia piscaram lentamente.

"Humm…."


Depois de fingir que pensava por um instante, Leonia abriu a caixinha que carregava. Uma melodia doce começou a tocar pelo salão.


Paul levantou uma sobrancelha diante daquela melodia que destoava completamente da situação atual.

"O que é isso?"


"Um presente para nossos convidados."


Leonia virou-se e sorriu.

"Um réquiem."


* * *


A cria da fera não mudou de ideia.

"Por que eu iria perdoar eles?"


Ela cuspiu nos adultos que ousaram chamá-la de 'Nia' e tentaram esconder seu passado violento com sorrisos forçados e falsa compaixão.


"Aqueles malucos, estão falando um monte de besteira mesmo."


O carruagem já tinha partido há algum tempo.


Leonia aproveitou para começar a se estar quieta, e começou a fofocar.

"Essa professora sempre beliscava meu braço, e essa pessoa tinha orgulho de bater nas crianças com um cinto de couro, e essa outra usou fundos do orfanato para ter um caso com uma mulher casada…"

Faz já uma semana desde que Leonia viu os funcionários do orfanato pela última vez, por isso ela estava meio empolgada, batendo na testa de cada convidado com a bota que tinha tirado.


"Yoohoo! Hora da tortura divertida!"

A criaturinha animada, que estava bastante feliz, corria de um lado para o outro de maneira um pouco cruel.

"Você devia ter sido mais gentil."

Leonia sorriu. Depois, falou sobre como nunca se pode prever o que a vida vai jogar na sua direção.

E toda vez que a caixa de música parava de tocar, ela corria de volta para fechá-la e abri-la de novo, para que a melodia tocasse mais uma vez.

Era tão cruel que um adulto chegou a chorar, implorando por misericórdia.

Leonia finalmente se colocou à frente do convidado mais importante.

"Diretor…."

O diretor não olhou mais para Leonia como quem ela havia sido uma salvadora.

Somente medo e desespero encheram seus olhos, a ponto de os enfeites luxuosos da mansão Voreoti perderem a importância para ele.

"Temos muitas lembranças juntos."

O lustre brilhante parecia uma corda pendurada, e a caixa de música realmente soava como um réquiem.

As escadas à sua frente pareciam uma escadaria rumo ao seu próprio fim.

"Por que você entrou em contato com o cafetão? Planejava me vender, a mim e às outras crianças, depois também?"

Leonia ajoelhou-se e perguntou.

"Por que vocês nos torturaram tanto?"

"…"

"Vocês, adultos como você e os professores, deveriam ter protegido a gente."

Não havia traços de raiva ou ódio nos olhos negros brilhantes de Leonia, enquanto ela continuava batendo na testa do diretor com sua bota.

Ela parecia indiferente, como se estivesse olhando para uma praga.

"Por que você viveu assim?"

Leonia perguntou.

"Hm? Por quê?"

O diretor não conseguiu responder.

Ele sabia que nenhuma desculpa ou súplica poderia salvá-lo dessa situação.

A essa altura, todos os convidados haviam perdido qualquer motivação de lutar, assustados pelo aura ameaçadora emanada dos olhos negros que Leonia fingia ignorar até então.

"E, para sua informação, meu primeiro dia no orfanato foi no inverno, não no verão."


Depois de lembrá-lo disso, a bota de peles de Leonia caiu pesadamente na testa do diretor.

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