Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 5

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.


Paul recebia muitos lojistas na mansão para visitar Leonia.


Por causa disso, eles podiam conhecer Leonia para saber suas preferências.


Assim, naturalmente, surgiam rumores, mesmo com seus esforços para silenciá-los. Afinal, o duque tinha feito tantas ordens.


Mesmo hoje, duas criadas que estavam de serviço de compras entraram e reportaram que os rumores sobre a pequena já circulavam.


"O que você vai fazer?"


Paul deu uma risada enquanto olhava pela janela.


Da janela, ele podia ver a cabeça redonda e preta de Leonia.


Ela usava um casaco de pele grosso enquanto explorava o jardim com as criadas.


Com o laço vermelho e o cabelo recém cortado, Leonia parecia completamente diferente de quando Paul a viu pela primeira vez no orfanato.


Mesmo de longe, dava pra perceber que ela parecia muito mais saudável na época.


Ela lembrava um pequeno animal preto, pelo jeito de sorrir e correr pelo jardim coberto de neve.


As criadas que a acompanhavam também cuidavam bem dela e conversavam com ela.


Seus passos confiantes realmente faziam parecer uma pequena fera.


"...Ela já está se ostentando como se fosse dona do lugar."


Paul sorriu enquanto a observava.


Kara, Mono e Meles não conseguiam acreditar no que viam. Nunca, em um milhão de anos, imaginariam que seu mestre seria capaz de fazer um sorriso tão caloroso.


Começaram a se preocupar se todas as geleiras iriam derreter no dia seguinte.


Então, Paul respondeu à pergunta de antes.


"Deixa pra lá por enquanto."


Seu olhar ainda estava fixo lá fora.


"...Porém."


Meles o interrompeu.


Paul, que estava com o olhar fixo na direção do jardim, finalmente virou seu olhar. Embora seus olhos não mostrassem raiva, Meles tremeu um pouco.


Ela admitiu o erro e abaixou os olhos. No entanto, ainda precisava expressar o que pensava.


"Podem surgir rumores ruins."


Os nobres do Norte eram mais leais ao duque Voreoti do que ao imperador que residia na capital.


Uma razão era a força do ducado Voreoti há várias gerações, mas a principal era sua paz e prosperidade duradouras.


No entanto, isso não significava que sempre seriam totalmente leais à besta.


A filha que o duque solteiro trouxe era o assunto mais comentado atualmente dentro do ducado.


O boato se espalhava facilmente entre as pessoas, levando a rumores desagradáveis também.


"O fato de as pessoas falarem mal da pequena…"


A mão de Meles tremeu silenciosamente.


Leonia tinha trazido uma atmosfera quente ao frio ducado.


Havia risadas por onde ela passava. Meles, que tinha a missão de protegê-la, também se apegou muito a ela.


Ela não queria que a pequena fosse malfalada pelos outros.


Não queria que dissessem coisas ruins sobre ela.


"...Entendo."


Paul olhou para Meles. Sua expressão indiferente mostrava uma leve satisfação.


"Tenho certeza de que ninguém vai falar abertamente disso, a menos que queira ser condenado à morte."


Desde que o Senhor do Norte voltou, ninguém podia falar tão abertamente sobre esses assuntos.


Porém, se os rumores chegarem até Leonia de alguma forma,


"Podemos simplesmente acabar com eles."


Paul não se deixava influenciar facilmente por rumores. Ele era indiferente até mesmo às fofocas sobre si próprio.


Mas Leonia era diferente.


Embora estivessem apenas na relação de pai e filha há alguns dias, Paul não queria que essas coisas chegassem aos ouvidos dela.


Assim deveria ser. Mesmo que ela fosse madura, ainda era uma criança.


Ele não conseguia esquecer o assombro que sentiu ao ver a terra de Voreoti coberta de neve.


Mesmo assim, ela corria alegremente na neve.

"Se você encontrar alguém espalhando esses rumores, tenho a honra de permitir que derrame sangue com sua espada."


Meles fez uma reverência.


"Senhor."


Naquele momento, uma batida na porta. Paul autorizou a entrada.


Um homem grande, com cabelos castanhos presos, cumprimentou Paul.


Era Manus, que tinha ficado no orfanato com Loupe. Paul se levantou antes que Manus pudesse dizer alguma coisa.


"Temos convidados."


Seus olhos negros calmos brilhavam com um vermelho metálico.


* * *


As bochechas pálidas de Leonia estavam coradas após brincar no jardim.


"Você se divertiu?"


A governanta principal, Pelica, sorriu calorosamente ao levar Leonia para a sala de jantar.


Leonia assentiu e contou o que viu no jardim.


"A neve chegou até meu tornozelo. Parecia que agarrava cada passo que eu dava."


"Entendo. Vou pedir aos criados que limpem a neve?"


"Não, eu gosto de neve."


Leonia balançou a cabeça e sorriu. Depois, revelou seu grande plano de sair novamente para fazer um boneco de neve.


Enquanto falava, as criadas colocaram o casaco molhado e os sapatos dela ao lado da lareira.

Aquecida pelo calor da fogueira, a atmosfera da sala de jantar ficou mais aconchegante.


Logo, a chef preparou petiscos para Leonia.


"Uau!"


Os olhos pretos de Leonia brilhavam diante das guloseimas.


Uma xícara quente de leite com espuma branca fofinha, legumes coloridos e carne, e pão focaccia com queijo cortado em pedaços pequenos.

O prato onde serviam os petiscos tinha uma imagem de um filhote de leão preto pintada nele.

Isso significava que era dela.

"Obrigada pela comida."


Leonia agradeceu ao chef, que pessoalmente lhe trouxe a comida. O chef sorriu de volta.


Ao dar uma mordida na focaccia, ela sentiu o sabor do queijo.

Um sentimento quente se espalhou em sua boca ao beber o leite branco depois de engolir metade do pão.


"Hmm!"


Leonia exclamou alegremente.


"Está deliciosa!"


Os adultos que a observavam também sentiram uma certa satisfação ao ver sua reação.


Durante a semana que passou no Ducado de Voreoti, a saúde de Leonia melhorou visivelmente.


Seu cabelo, antes sujo e desleixado, ficou macio por causa do óleo aplicado. Seus braços e pernas, finos, também começaram a ganhar um pouco de gordura.


Antes de tudo, seu rosto ficou mais redondo e fofinho, parecendo menos sofrido.


Foi quase no momento em que ela terminou seus petiscos que...


"Lady Leonia."


Meles entrou na sala de jantar.


"Meles!"


Leonia pulou da cadeira e correu em direção a Meles.


"A exploração do castelo foi divertida?"


"Sim!"


"Você deveria falar comigo de modo informal."


*Nota do tradutor: Leonia esteve falando formalmente o tempo todo com Meles


Leonia fez bico ao ouvir as correções repetidas de Meles. No entanto, Meles achou aquilo muito fofo.


"Mas eu me sinto mais à vontade falando de jeito formal..."


"Não é aceitável que a Lady do Ducado de Voreoti converse de modo formal com um simples cavaleiro."


"Mas você precisa se esforçar muito para se tornar cavaleiro."

Leonia não concordava que cavaleiros eram 'pouco nobres'.


Meles beijou a mão da jovem, que compreendia as dificuldades de ser cavaleiro.


Ela ficou aliviada ao ver que a pele de Leonia tinha ficado mais suave comparada ao primeiro contato. Quando Meles levantou o olhar, Leonia desviou os olhos, envergonhada.


"Lady Leonia."


Meles finalmente explicou o motivo de ter vindo.


"O Mestre pediu sua presença."


"O velho? "


Leonia inclinou a cabeça, franzindo os olhos desconfiada.


"…Ele quer que eu faça de novo alguma 'coisa fofa'?"


Paul deu tudo o que Leonia precisava. Uma cama, livros e até um pônei, que ela usaria para praticar equitação.


'Que desperdício de dinheiro.'

Sua reação ao receber todos esses presentes era diferente do que seria de uma criança.

'Eles devem ser mesmo parentes de sangue.'

'A maneira como ela fala é igual ao mestre.'

'Ambos tão indiferentes.'


Todos os empregados da mansão sussurravam sobre isso.

Leonia fingiu que não se importava. No entanto, Meles percebia que ela se tocava—suas orelhas ficavam vermelhas quando um dos sussurros chegava até ela.


Por mais que Paul gastasse dinheiro, nada afetaria as finanças do clã Voreoti.


Era como se espetar o dedo com uma unha, descobrir que não sangrou, nem sentiu dor.


Mas Paul tinha uma condição.

'Dizem que as coisas fofas que seu filho faz realmente podem alegrar seu humor.'

Ele pediu a Leonia que fizesse 'alguma coisa fofa' para ele pelo menos uma vez por dia, tudo por causa do que seu único amigo, o Conde Canis Linet, lhe tinha dito.


Quando falou isso, ela fez uma careta como se tivesse tomado um copo de água salgada.

'…E se eu não fizer?'


Paul apenas encolheu os ombros como resposta.

'Então, acho que não criei bem minha filha.'

'…'

'Não vou expulsá-la se ela não fizer.'

'…Velho, você é pervertido?'


Leonia arcou as sobrancelhas desacreditada e recuou lentamente.


Paul cutucou a testa dela com o dedo.

'Quando você vai começar a me chamar de pai?'

'Vou tentar o meu melhor.'


Por causa disso, Leonia teria que fazer algo fofo para ele todos os dias.


"Você também deve estar gostando disso, Lady Leonia."


Meles sorriu ao pensar nas coisas fofas que Leonia já tinha feito.


Como quase sempre estava ao lado de Leonia, ela também testemunhava suas ações adoráveis com frequência.


"Eu não estou gostando…"


Leonia reclamou com os lábios tristes, fazendo bico como um pato.


Ela só fazia o seu melhor para mostrar gratidão a Paul por tê-la acolhido.


Isso funcionava bastante bem, na maior parte do tempo. Paul sempre parecia se acalmar ao ver as tentativas desajeitadas de Leonia em ser fofa.


Depois que a filha terminava, Paul dava um doce a ela como recompensa.


Um doce com sabor de morango com leite, embrulhado em papel bonito.

'O mestre e um doce de morango com leite…'

Uma combinação nada a ver. Ainda assim, aos olhos de todos, Paul era claramente um pai carinhoso ao entregar o doce para Leonia.


Enquanto Leonia guardava todos os doces em um pote de vidro ao lado da cama, ela era uma filha doce e adorável.


A criada contou a Paul que Leonia despejava todos os doces, colocava de volta no pote e repetia tudo várias vezes antes de dormir.

Meles, que tinha seu receio fundado na verdadeira razão da adoção, ficou aliviada ao ver que os dois tinham criado uma relação próxima, do seu jeito.


'Eles nunca deixam de me surpreender.'


A residência fria de Voreoti, como uma montanha de neve congelada, tinha começado a ficar um pouco mais quente.


"Mas por que o velho pediu para me ver?"


Meles olhou para Leonia, que estava nos seus braços.


"Temos alguns convidados."


A expressão de Meles, que tinha sido calorosa e suave alguns instantes atrás, ficou rígida. Leonia tocou suas bochechas nervosamente.


"Você está com raiva?"


"Não exatamente convidados bem-vindos."


"Por quê?"


"…São pessoas que feriram você, Lady Leonia."


Meles parou.

"O mestre pediu para te trazer, mas, sinceramente, estou preocupada. Tenho medo que ao vê-los, você sinta dor, Lady Leonia. Se não quiser ir, eu te levo até seu quarto. Vou explicar tudo para o mestre também."


Leonia arregalou os olhos.


Ela então abriu lentamente a boca.

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