Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Capítulo 9

Me tornei a filha adotiva do protagonista masculino.

Por que você está se arrumando?


A pergunta de Leonier claramente demonstrava decepção.


— Você acha que é por mim?


Então, apresse-se e coloque isso!


— Já terminei também. Minha filha acaba de me importunar de forma sexual.


— Hã-hã, desculpe.


Leonier, que imediatamente refletiu sobre si mesma, estendeu seu μικρό dedo, dizendo que agora iria assistir de forma secreta.


Ao invés de esticar os dedos, Felio murmurou que precisava encontrar um professor de etiqueta o mais rápido possível.


Leonier fez bico e inflou as bochechas.

— Mas por que você veio?


— Ah, é mesmo.


Nesse momento, lembrando o motivo de sua visita, Leonier tirou algo do bolso.


— Gostaria de te dar isso.


Havia cookies em um saquinho pequeno, amarrados com fitas de fita.


— Tio, você trabalhou duro para torturá-los mais cedo na masmorra. Eu fiz cookies com o chef porque achei que você estaria cansado. Coma isso e você vai se sentir melhor.


Leonier afirmou que usou menos açúcar porque Felio não gosta de coisas doces.


— Você sempre me dá doces quando nos encontramos, então desta vez eu vou te dar esses aqui.


Felio alternava entre olhar para os cookies que recebeu e para Leonier.


— Certo, vamos ver... então todos os ingredientes vieram do meu bolso?


O Duque Felio Voreoti possuía tudo nesta mansão, de residências enormes a papel higiênico.


— Toda vez que você faz isso, tio, eu te odeio.


Leonier pensava que ele era um homem tão frio. Mas ela ficava muito irritada ao vê-lo se gabar de seu dinheiro, com um rosto tão insensível e pouco atraente.


— Se você não vai comer, me dá aqui!


Ela estendeu a mão para pegar o cookie, mas não foi bem-sucedida. Felio guardou o cookie com segurança no bolso da calça.


— Quem é que não vai comer?


— Não quero te dar porque me dá uma pena. Enfim, fica triste se eu não tiver dinheiro?


— Mas agora meu dinheiro virou seu dinheiro?


— Era brincadeira, tio.


Você entende como me sinto, né? Leonier, que logo trocou de postura, esticou a língua e deu uma bufada no ar com a mãozinha fechada como uma criança.


Uma pálpebra tremia por ter sido forçada a fechar, pois não fechava direito.


…os dois.


Loupe, que naturalmente se tornara um solitário, virou-se para olhar o pai e a filha.


— Vocês esqueceram que eu existo?


O casal já havia se sumido em seu próprio mundo, esquecendo-se completamente da presença de Loupe.


*****


Loupe só conseguiu abrir a boca após Leonier, que lhe dera cookies, ter saído do quarto.


— Então você ainda está aqui.


Ele esqueceu dele, como esperava, e Loupe deixou os ombros caírem, como se soubesse que isso aconteceria.


Apesar de não ter feito nada, por alguma razão, sentia-se mais cansado. Queria realmente não fazer nada e descansar por cerca de quatro dias.


— O que foi que você veio procurar?


— Ainda nem falei sobre isso.


— Então, fale agora mesmo.


Ao encontrar Leonier, sua voz seca mudava completamente.

Felio rasgou o pacote de cookies deixado por Leonier. Depois, pegou um cookie e olhou ao redor.

Mesmo com uma forma pouco cuidadosa, estava bem assado até ficar dourado. O aroma era suave e saboroso.

Descia um pouco o sabor do gengibre com um toque de água. Parecia uma boa ideia comer quando estava cansado.

Isso impressionou Loupe.

— Não acredito que ele seja uma pessoa de verdade.

Um ser humano brutal, que costuma ser indiferente e desinteressado por todos, pega a criança no colo, faz contato ocular com ela e conversa.

Mesmo que use um tom zombador com Leonier, faz isso com carinho e responsabilidade.

O Duque Voreoti acompanhado de sua criança não era tão assustador quanto de costume.

—… Tem alguma coisa a ver com Lady Leonier.

Felio virou os olhos enquanto saboreava o cookie.

Certamente, essa era a expressão. Loupe recuou diante daquela atmosfera horrenda de Felio, que tinha voltado ao estado original.

— Acho que seria melhor fazer algumas investigações.

— Por quê?

— Primeiro, espero que você não fique bravo ao ouvir.

— Que absurdo.

Loupe estremeceu com seu tom sem emoções. Parecia decidido.

— Por favor, estou arriscando minha vida.

— Você também apostou seu dedo?

Felio mastigou um cookie, alegando que seus dedos eram muito valiosos. Os cookies eram exatamente do seu gosto.

— Acho que a jovem tinha ligação com a Lady Regina.

O ambiente na sala desapareceu de repente, como uma mentira. Loupe, que tocou as minas sozinho, fechou os olhos com força.

— Não consigo olhar nos olhos do Felio.

O inverno chega mais cedo no território Voreoti do que em qualquer outro lugar, e o ambiente na sala fica frio, e estranhamente, gotículas de suor escorriam pelas costas de Loupe.

Finalmente, havia um silêncio tão ensurdecedor que ele não conseguiu engolir nem uma gota de saliva.

—… Regina não está mais viva.

Felio falou após um tempo.

Loupe não conseguiu ver o rosto de Felio, mas sua voz, que se referia à sua falecida prima, indicava que ele não estava de bom humor.

— Ainda não encontramos nenhum corpo.

Como disse Kara anteriormente. Apesar de ter encontrado a carruagem, a equipe de busca não conseguiu localizar os corpos de Regina e seu amante na época.

A correnteza a jusante, onde a carruagem foi empurrada, era tão rápida que todos presumiram que as duas pessoas tinham morrido.


Felio também não se opôs.


— Se Miss Regina e seu amante tivessem escapado vivos na época, e se a criança nascida fosse Lady Leonier, o boato de que ela era uma filha ilegítima precisaria ser esclarecido.


— Então, por que vocês não verificam novamente os pais?


— Encontrar os pais falecidos e informar a criança?


Só então, Loupe entendeu o que estava acontecendo.

— A entrada de Leonier na institucionalização significava que, mesmo que Regina e seu amante tivessem fugido com segurança e dado à luz Leonier, ainda poderiam estar vivos hoje.

— Loupe mordeu a língua, parcialmente, em resposta à sua impaciência.

— E o passado de Regina e sua filha, não é bom para Leonier.

A jovem, filha de uma linha colateral, que fugiu com um homem que se opôs à sua família.

E a filha ilegítima do Duque Voreoti, o homem mais forte do Império e governante do Norte.

Ambas existiam, mas se tivesse que escolher uma e associá-la a Leonier, a última era muito mais legítima. Pelo menos, por trás da última, havia a hipótese de que Felio fosse seu pai biológico.

—… Cometi um erro.

Loupe pediu desculpas obedientemente.

Não conseguia pensar em voltar atrás agora, pois ficara um tempo preso ao passado. Era um erro claro.

— Mas você é melhor do que eu.

— Como assim?

Ele pensou em fazer um gesto para que ela se sentasse, mas Loupe, surpreendentemente, perguntou com um tom ingênuo, como um elogio inesperado.

Então, apenas olhou para o rosto de Felio.

—A filha de Regina—

Seu rosto estava tão calmo.

— Eu nem considerei isso.

Além disso, sua expressão era ainda mais tranquila.

— Como eu não percebi essa possibilidade?

Pela aparência da criança, que parecia demasiado magra? Ou por ela parecer uma mendiga?

O fato de Loupe achar isso, e Kara, o mordomo, também provavelmente pensar em Regina.

Desde que Felio virou duque, todos os criados da mansão eram novos.

Por isso, mesmo ouvindo histórias sobre Regina, eles não faziam ideia de quem ela era ou de como ela se parecia. Não é de surpreender que nem sonhassem em Regina, mesmo vendo Leonier.

E alguém que não era Felio.

Ele conhecia Regina desde criança. Era o único que tinha familiaridade com ela.

Porém, na opinião de Felio, Leonier e Regina não tinham nada em comum.

Muito pelo contrário, ele nunca tinha pensado nisso até Loupe mencionar o nome de Regina.

Ele dizia que tentaria esquecê-la, que queria fugir de Voreoti, mas parecia que ela realmente tinha se esquecido.

A boca de Felio torceu-se.

— Leonier te lembra Regina?

— Para ser honesto, minha resposta é não.

Leonier se parece mais com Felio.

Felio reafirmou que seus olhos não estavam errados.


—… É fácil de checar.


Felio não teve coragem de pedir a Leonier que procurasse por rastros de Regina.

Ele viu os olhos negros de uma criança brilhando como ouro numa instituição. Naquele momento, acreditou que Leonie tinha mana. Crianças que usam mana podem instintivamente usar magia de defesa em momentos de crise.

Mas, se não fosse mana.

Se ela tivesse presas de besta como ele ou Regina.

Ou se realmente o sangue Voreoti corresse pelas suas veias.

******

Uma neve pesada começou a cair.

A neve densa que caiu à vista de todos sinalizou que o inverno finalmente chegou ao norte.

Quando Leonier chegou pela primeira vez à propriedade Voreoti, onde o inverno chega mais cedo do que em qualquer outro lugar, fazia frio, mas nada comparado ao frio causado pela neve pesada.

— Leonier.

Leonier olhou com olhos extasiados para o grande ovo mexido do café da manhã e ergueu a cabeça.

— Na próxima vez, eu vou fazer o 'dingle dangle'.* (Nota do tradutor: expressão que remete a algo pendurado levemente e de forma repetida.)

Desde manhã, Felio, que estava cortando bife em pedaços pequenos e colocando na boca de Leonier, dizia isso.

“Dingle dangle” era o nome de uma nova tortura criada por Leonier no dia anterior. O nome do artista era Felio.

Leonier, que abriu a boquinha como um passarinho, olhou para a janela batida pelo forte vento de neve.

— Por causa do tempo?

Leonier escolheu uma blusa branca, grossa e fofa, hoje.

Ela também tinha cabelo preto curto, preso para trás com uma tiara amarela.

Suas bochechas estavam mais cheinhas que no dia anterior.

— Os cavaleiros de Amon morrem congelados enquanto servem os 'convidados'.

Felio murmurou baixinho, sugerindo que teria sido melhor pendurá-la no dia anterior.

Quando ela se levantou após a refeição, as empregadas que aguardavam atrás dela envolveram Leonier com um roupão vermelho pequeno.

Felio mandou que observassem bem a criança, que já estava frágil, mesmo com a casa aquecida por dentro.

— Isso é como o 'Super-Homem'.

— Quem?

— Aquela pessoa que usa cueca por cima da roupa.

Felio, imaginando a descrição de Leonier como era, fez uma expressão de desagrado.

— Existe mesmo um pervertido assim?

— Não é um pervertido, ah, só uma calcinha lá fora. É gosto pessoal.

— Isso é que é pervertido.

Felio, que normalmente escuta palavras de pervertido de Leonier, ficou muito chateado.

Ele odiava sua filha, que defendia aquele 'homem', mesmo tendo mais perversões do que ele.

Leonier, que não entende o ritmo do pai, o elogiou por estar muito forte.

— Será que é normal ficar radiante?*

Que vida horrível de orfanato deve ter sido.

Hoje, a intensidade do serviço na masmorra para os 'convidados' aumentou.

Felio assistiu Leonier correr à frente, balançando a capa vermelha, enquanto resmungava.

A criança, que caminhava vigorosamente com a capa voando, virou-se e acenou para Felio com um sorriso alegre.

— Você vai acabar quebrando seu nariz.

Os passos meio sonolentos ganharam velocidade.

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