O Estalajadeiro

Capítulo 2258

O Estalajadeiro

A Estalagem abriu numa quinta-feira qualquer. Quando todos os trabalhadores saíram, River e Pearl ficaram em frente ao prédio, olhando para ele com uma mistura de orgulho, expectativa e empolgação. Bem, pelo menos era isso que River sentia. Pearl apenas se sentia... confusa. Aquela era a casa dela agora? Quantos anos fazia que ela não tinha um lar?

A Estalagem era um prédio modesto. Sinceramente, não era algo que River teria condições de construir, por mais humilde que fosse. Ele quase não acreditava que o Senhor da Cidade tinha financiado tudo aquilo. Mas, pensando bem, aquilo provavelmente não era muito dinheiro para ele.

A Estalagem tinha um balcão de recepção na entrada, que também servia como balcão de bar, e uma sala de estar de tamanho médio com mesas e cadeiras, caso algum hóspede de passagem quisesse comer. Havia dois quartos de hóspedes por enquanto, com o prédio projetado de forma que pudesse ser expandido mais tarde.

Havia também um único depósito, uma cozinha modesta e um porão grande e vazio que, no papel, era uma câmara fria. Na realidade, River nunca tinha entrado lá desde que ficou pronto, nem tinha intenção de ir a menos que Cliff pedisse.

Tudo aquilo tinha sido ideia dele, e por isso River não sabia bem o que esperar. Mesmo que nada de concreto viesse daquilo, ele não ficaria desapontado. Afinal, já tinha dormido no meio do mato muitas vezes - quanto mais dentro do próprio prédio.

"E agora?" Pearl perguntou, parada na entrada do prédio, sem saber bem como proceder.

"Agora, deixa eu cozinhar meu famoso-" antes que River pudesse terminar a frase, o som de vidro quebrando vindo de um dos fundos o interrompeu.

O prédio e os quartos eram novos em folha, nem sequer tinham sido usados direito ainda, então o som de algo quebrando perturbou River profundamente, que correu até o quarto para investigar. Lá dentro, encontrou um pássaro grande, agarrando firmemente uma doninha branca, com a manchada de sangue. A doninha lutava pela vida, e o pássaro batia as asas com força, embora uma delas parecesse machucada.

Observando a luta entre os dois, animais comuns, River não conseguiu evitar rir de raiva. Sua janela preciosa! Custaria pelo menos doze moedas de cobre para trocá-la!

Pearl não conseguiu evitar uma risadinha ao ver River, a doninha e o pássaro brigando e gritando um com o outro, enchendo a Estalagem com seus primeiros sons de riso. Lex assistia a tudo acontecer de dentro do colar e não conseguiu evitar sentir-se um tanto melancólico.

Quando ele começou a Pousada, ela também era completamente silenciosa, preenchida apenas pelos sons dele e de seus trabalhadores. Parecia que ele estava se aproximando do seu 26º aniversário, pois a idade avançada o estava tornando cada vez mais sentimental. Ele não conseguia evitar comparar tudo com como costumava ser. Ou talvez... ele simplesmente estivesse sentindo falta da Pousada agora que não estava mais conectado a ela.

Um único suspiro profundo escapou de Lex enquanto ele se permitia sentir aquelas emoções por um tempo. Ao mesmo tempo, ele refletiu. Tinha aproveitado os bons momentos, então agora nos momentos mais difíceis tinha superado suas falhas.

Embora se permitisse entregar-se àqueles sentimentos, não havia nem um traço de fraqueza em sua postura. Em vez disso, ele gravou aquele sentimento fundo no coração. Por cada pingo daquilo, ele buscaria recompensa.

Por algumas horas a Estalagem foi preenchida com harmonia, e quando a noite chegou River e Pearl sentaram-se à mesa de jantar com alguns convidados extras. Ou melhor, sentaram-se com um pássaro engaiolado e uma doninha com coleira, que também receberam comida por insistência de Pearl.

River olhou para os dois animais comendo avidamente e conteve sua raiva, o que só fez Pearl rir. Ele se esforçava tanto para manter um rosto alegre que vê-lo expressar suas emoções era na verdade bastante refrescante.

Ouvindo-a rir, a expressão de River suavizou, e então ele olhou para a comida na mesa. Havia... mingau, e batatas cozidas, marinadas em suco de limão e cobertas de sal. Era uma refeição humilde, mas por algum motivo parecia tão grandiosa para ele.

Justamente quando ele estava prestes a comer, porém, o som de uma batida na porta o interrompeu. Ele olhou para Pearl e viu que ela também o olhava, sem saber como reagir.

River levantou-se rapidamente para receber os novos hóspedes em potencial, mas quando abriu a porta, não havia ninguém ali.

Um calafrio percorreu sua espinha enquanto pensava na possibilidade de fantasmas. Como ele poderia dar um tapa na cara de um fantasma com um escudo? Isso nunca funcionaria!

Antes que sua mente imaginativa entrasse em espiral, ele ouviu a batida novamente, e desta vez foi seguida pelo som de uma porta se abrindo.

A porta do porão estava aberta, e Cliff estava de pé nos degraus.

"Desculpe, espero que não tenha chegado numa hora ruim," ele disse com um sorriso antes de acenar para Pearl, que o olhava com confusão. Ela acenou de volta.

"Ela pode te ver," River exclamou de repente, percebendo que Cliff não estava mais se restringindo de aparecer diante dos outros.

"Claro que ela pode te ver. O que você achou, que eu era um fantasma?" Cliff perguntou enquanto avançava. "Já que você foi e estabeleceu a Estalagem, e fez tudo mais que eu pedi, achei que era hora de retribuir o favor."

Pearl de repente tirou o colar e olhou para ele, antes de se virar para Cliff.

"Você é o espírito deste colar?" ela perguntou, sua voz de repente muito mais imponente do que ele jamais tinha ouvido.

Lex riu.

"Pode-se dizer que sim," ele respondeu enquanto olhava para Pearl com apenas admiração nos olhos. "Eu não lhe desejo nenhum mal, se é essa a sua preocupação. Se eu quisesse te prejudicar, nunca teria ajudado River desde o início. Estou aqui, em vez disso, para oferecer retribuição pela ajuda que você me deu, e discutir o futuro com vocês dois."

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