
Capítulo 1967
O Estalajadeiro
"Espero que o Lex não arrume confusão enquanto estiver aqui", disse Serene durante a viagem. "Lutar sob a influência do limitador é complicado, e muito diferente do que as pessoas costumam imaginar. Ele pode não se sair bem se ninguém explicar direito que ele precisa usar seu poder de forma eficaz, mesmo com o limitador."
"Você está exagerando de novo", respondeu Leon com indiferença. "A Belle é quem vive provocando brigas, não o Lex. Ele é uma pessoa bem tranquila — tenho certeza que aqui ele deve fazer mais amigos do que inimigos."
"Você não está errado", disse Serene. "Mas o mundo da cultivação é diferente do que ele conhece. Meu pobre garoto, espero que ninguém tente enganá-lo. O coração dele é puro demais pra sua própria sorte."
Ambos, Serene e Leon, suspiraram ao mesmo tempo, preocupados com seu pequeno rapaz. Claro, ele já não era tão pequeno assim, e vinha se virando sozinho há anos, mas na cabeça deles ele sempre seria um garotinho.
Enquanto isso, na Montanha do Topo Rosa, Lex usava o rosto para bloquear os punhos de Diyor. Ou seria o contrário?
"Porra, do que é que você é feito?" exclamou Diyor enquanto recuava suas mãos ensanguentadas, mas era tarde demais. Lex se chocou com a cabeça contra a mão dele mais uma vez, quase transformando em carne moída.
Normalmente, Lex aproveitaria a oportunidade para deixar seu adversário mais furioso até a morte, mas ele mesmo estava irritado demais para isso. Lutar contra alguém com uma porcentagem de poder maior que a dele virou uma coisa bem mais complicada do que ele imaginava.
Sim, ele sabia que seria difícil. Na verdade, já esperava que o Archi-Céu se aliaria completamente a Diyor. Mas será que era tão necessário colocar tanta matemática na equação?
Ambos tinham apenas uma certa porcentagem do seu poder, sim. Mas, teoricamente, mesmo com uma porcentagem menor, Lex deveria ser mais forte que Diyor, se seu poder base fosse maior. Isso significava que os 11% de Lex eram mais poderosos que os 14% de Diyor. Até aqui, nada complicado.
O problema era que, para cada ponto porcentual que Diyor tinha a mais, a eficiência do seu poder contra Lex crescia exponencialmente. Ou seja, se Diyor tivesse uma vantagem de 1%, o efeito poderia aumentar em 5 vezes. Mas, se a vantagem fosse de 2 pontos, ao invés de um aumento de 10, chegava aos 12.
Resumindo: mesmo Lex sendo tecnicamente mais forte com uma porcentagem de poder menor, a aplicação eficaz desse poder estava sendo limitada.
Certo. Lex podia aceitar que o Archi-Céu recompensava uma porcentagem maior de poder com benefícios. Assim, iria estimular seus habitantes a buscarem porcentagens maiores, avançando mais a própria agenda do Archi-Céu de forma voluntária.
O que realmente irritava Lex era que a aplicação do seu próprio 11% de poder não era uniforme. Ou seja, ele não tinha 11% de força total, nem 11% de defesa, nem 11% de velocidade, etc. Todo seu poder era considerado uma única força, e dele, Lex tinha 11%. Isso, ao perceber que estava realmente lutando, ele viu que esse 11% representava quase nada de força real — era a resistência do corpo dele, com pouquíssima energia para sustentar.
Na prática, Lex era como uma bolsa de pancadas indestrutível e ambulante. Na verdade, por ser tão resistente, Lex causava mais dano a Diyor deixando Diyor lhe bater do que atacando diretamente.
Assim, contra esse cultista insano e alienado, Lex acabava enfrentando a luta mais frustrante da sua vida. O que era absurdo é que o poder que Diyor recebia acabava jogando contra ele próprio: quanto mais forte ele tentava bater em Lex, mais se machucava, enquanto Lex permanecia inteiramente ileso.
"Qual é, por que você está fugindo?" gritou Lex enquanto perseguia Diyor, com os punhos sangrando. "Venha, me ataque! Me ataque mais uma vez."
"Sai de perto de mim, seu freak!" gritou Diyor enquanto corria, mais frustrado e sem esperança do que Lex mesmo. Não era assim que a luta devia acontecer. O mais frustrante era que quanto mais tempo passava lutando com Lex, maior era o risco de ele falhar na sua prova para conquistar um cargo oficial.
Por um breve momento, eles chegaram a um impasse: Lex não conseguia alcançar Diyor, e Diyor recusava-se a enfrentar Lex de frente. Mas isso não durou muito.
Lex percebeu algo estranho acontecendo. A porcentagem de poder de Diyor caiu 0,5%, mas a estrutura do seu poder mudou. Assim como Lex tinha toda sua força concentrada na resistência do corpo, Diyor provavelmente tinha sua energia presa em áreas inúteis. Mas, ao se modificar, Lex percebeu que energia divina começava a preencher Diyor.
Naquele instante, Diyor se virou novamente para encarar Lex. Desta vez, com a benção da Divindade que adorava, ele atacou Lex, e um milagre aconteceu: mesmo sem força suficiente para ferir o corpo de Lex, seu ataque conseguiu machucá-lo.
"Vê só, seu verme sacrílego. O poder da senhora vai além do que você consegue compreender, e suas habilidades medíocres não vão ajudar agora", gritou Diyor enquanto lançava um contra-ataque mortal, deixando marcas por todo o corpo.
Contudo, Lex ainda não se preocupava com a possibilidade de falhar. Seu foco total era entender o que tinha acabado de acontecer com Diyor, tentando compreender o que tinha provocado aquela mudança. A dor mínima que sentia ao ser atingido por Diyor não era suficiente para machucá-lo seriamente ou inquietá-lo.
Isso resultou numa surpresa: Diyor atacava, e Lex sofria, mas a sua serenidade e a indiferença absoluta às próprias feridas tornavam tudo muito estranho. Na verdade, Diyor começou a sentir… um leve medo. Não importava o quanto ele cortasse, ferisse ou encarasse Lex, Lex não desacelerava, nem parecia distraído.
Quanto mais assim, mais Diyor tinha medo de Lex. E, ao perceber esse medo, Lex notou algo.
Algumas de suas habilidades… pareciam estar funcionando normalmente, como se não tivessem sido suprimidas pelo Archi-Céu. Sua capacidade de acumular energia divina através do medo e da disseminação de sua lenda era uma dessas habilidades que permanecia intacta, ele apenas não tinha percebido antes, pois parecia inútil.
Agora, porém, Lex tinha algumas ideias adicionais para testar.