
Capítulo 1966
O Estalajadeiro
A cidadeela de mármore no topo da montanha era realmente um espetáculo, infelizmente Lex não estava no clima para apreciá-la com entusiasmo, não que ele demonstrasse. Vox tinha lhe dito que Diyor era contra Lex, e agora James — um estranho qualquer — lhe dizia que ia acabar com muitas pessoas.
Ele não pôde deixar de pensar em quem seria esse Diyor e por que parecia que eles estavam destinados a entrar em conflito. Ainda assim, não adiantava ficar viajando na maionese, pois logo descobriria.
Logo, eles chegaram à parte superior da montanha, e Lex entendeu por que ela era chamada Montanha do Topo Pink. Flores de cerejeira cor-de-rosa estavam plantadas por toda parte, deixando a vista da montanha linda.
Porém, Lex não estava especialmente disposto a admirar a paisagem. Entraram em um dos edifícios maiores próximos ao cume, esculpido na encosta da montanha. O interior, naturalmente, ficava mais profundo na própria montanha.
"Esta é a Mina da Boa Fortuna da montanha", explicou James, visivelmente desconfortável com o silêncio. "Qualquer pessoa pode entrar e tentar encontrar uma oportunidade de sorte dentro dela. A maioria não consegue nada, mas às vezes aparecem Pedras de Bênção ou outros encontros fortuitos. Alguns até conquistaram cargos oficiais lá dentro."
Lex levantou uma sobrancelha. Parecia que Diyor poderia ser um desses que encontraram um cargo oficial.
O interior da mina era bastante complexo. Se estivesse sozinho, Lex levaria um tempo para achar o caminho certo, mas, com James conduzindo direto até Diyor, logo se viraram num corredor estreito e com iluminação fraca, que parecia não receber muitos visitantes antes.
Na ponta do corredor, estava um jovem humano. Ele tinha aparência asiática oriental, o que parecia incongruente com o nome dele, mas isso pouco importava. Lex sentiu a porcentagem de poder de Diyor — 14,8% — e percebeu que ele estava lentamente se aproximando de 15% naquele exato momento.
Além da porcentagem de força dele, Lex não conseguia perceber mais nada, nem qual era a origem dele ou seu poder real.
Normalmente, ninguém cultivava ao ar livre assim, mas talvez, por se sentir seguro pela rigidez das regras, Diyor não se importava com o ambiente e focava na sua tarefa. Lex desconfiava que ele não estava realmente tentando chegar a 15%. Em vez disso, ele tentava conquistar um cargo, e o aumento de poder era só uma consequência natural dessa busca.
Considerando que eles eram inimigos, seria inteligente interrompê-lo. Afinal, ele já era mais forte do que Lex, mas, ao contrário, Lex permaneceu quieto, esperando pacientemente.
Ele conseguiu perceber que, na sua taxa de crescimento atual, Diyor atingiria os 15% em cerca de quatro horas. Lex não se incomodava tanto de esperar. No entanto, muito antes disso, Diyor percebeu que alguém o observava.
Após um bom tempo sem sentir a sensação de estar sendo vigiado, Diyor abriu os olhos e olhou para ele — uma surpresa leve evidente nos olhos.
"Você parece me reconhecer", disse Lex.
"Você é bastante famoso", respondeu Diyor. "É natural que eu reconheça alguém da sua reputação."
Em vez de continuar sua meditação, Diyor se levantou, seu olhar fixo no corpo de Lex.
"Você está me deixando sem jeito", disse Lex, sorrindo de modo descontraído. "Infelizmente, não consigo reconhecer você. Já nos conhecemos antes?"
"Que desculpa conveniente", disse Diyor, com sarcasmo na voz. "Você aparece bem na minha frente, mas diz que não me conhece. Vou supor que estava procurando algo mais nessas cavernas? Talvez estivesse procurando por amor."
"Não, é sério", respondeu Lex, sorrindo constrangedamente. Ele tinha a sensação de que, mesmo querendo resolver tudo de maneira pacífica, Diyor não permitiria.
"Não estou aqui porque reconheço você, mas porque alguém me enviou em uma missão. Se pudermos conversar, quem sabe resolvemos isso de forma pacífica."
Diyor riu de forma zombeteira, a porcentagem de 14,8% de força dele aumentou ainda mais enquanto ele fazia isso.
"Pacífica? Por que eu iria querer resolver as coisas pacificamente, se tenho a chance de acabar com você de uma vez por todas?", exclamou, a voz ecoando pelo túnel.
Lex suspirou e balançou a cabeça.
"Beleza então, antes que eu te derrube, me diz por que você me odeia tanto", disse Lex, se esticando. Achou interessante Diyor ignorar Mango e James. Mas, pensando bem, talvez fosse porque toda luta precisasse ser combinada previamente, para evitar que as regras fossem quebradas.
"Eu sou Diyor Saliev, sacerdote da Sua Santidade Sekhmet. Não é motivo suficiente para acabar com você, verme? Venha, aceite meu desafio se tiver coragem. Prove ao mundo que sua coragem vai além de se esconder atrás do Henali."
O sorriso casual de Lex lentamente desapareceu, e finalmente ele entendeu.
"Ah", disse, tirando o casaco e começando a arregaçar as mangas.
"Retiro minhas palavras. Parece que não vou parar só em te dar uma surra. Aceito seu desafio."
A pedra de mármore poderosa resonou com as palavras de Lex, e uma projeção azul claro apareceu ao redor deles por alguns segundos, como se o local estivesse marcado por uma feira.
Assim que a luz desapareceu, Diyor atacou.
No interior de Céu-Arqueado, Lex ainda não tinha tido oportunidade de testar seu poder contra um oponente, então não sabia o quão significativa era a diferença de alguns porcento entre eles. Mas ele estava quase lá para lutar.
Sekhmet não era alguém que Lex pudesse esquecer, e seus subordinados também não recebiam muita atenção dele. Essas pessoas ousaram tocar em sua irmã, deixando-a passar décadas sozinha, enfraquecida, praticamente escravizada.
Para esses indivíduos… um banho de sangue talvez fosse a resposta mais adequada.
Seus ataques se chocaram, e Lex finalmente teve a chance de entender de perto por que até Dao Lords evitavam Céu-Arqueado. Aqui, nada era mais importante do que as regras do lugar, e quem tinha as regras do lado era mais forte. Pela primeira vez em muito tempo, Lex lutou contra alguém mais forte do que ele — embora 'mais forte' talvez não seja o termo exato, já que alguém com uma porcentagem de força maior claramente tinha vantagens — e percebeu que estava em desvantagem severa.