O Estalajadeiro

Capítulo 655

O Estalajadeiro

Embora Lex tivesse contratado esses trabalhadores especificamente para lutar, e eles possuíssem uma linhagem para voltar à vida, ele não queria forçar ninguém. Mesmo tendo dito que não daria uma segunda chance para desistir mais tarde, se algum deles realmente quisesse, Lex encontraria uma solução.

Além disso, ele já tinha visto o suficiente do universo para saber que tudo era possível. Mesmo que eles tivessem uma linhagem capaz de ressuscitá-los, quem garantia que não existisse outra linhagem por aí que pudesse contrabalançar essa habilidade perfeitamente? Como linhagens são baseadas em leis, e se eles encontrassem um inimigo que dominasse melhor as leis nas quais essa linhagem específica se apoiava?

Não poderia, teoricamente, contra-atacar ou até mesmo controlar sua linhagem?

Lex não tinha a resposta para essas perguntas, mas sabia que o melhor era dar a eles o máximo de autonomia possível nessa decisão.

Ele ficou ali observando todos os seus trabalhadores se dispersarem, mas se surpreendeu ao perceber que um deles ainda permanecia ali. Seus braços estavam cruzados nas costas, e sua cabeça olhava direto para frente. Seu corpo ainda tenso, ombros travados, peito empinado, como se estivesse em posição de sentido.

Por mais que estivesse se posturando assim, sua altura baixa e aparência jovem tiravam bastante da aura intimidadora que tentava transmitir. Parecia outro Z.

"Não quer dar uma olhadinha ao redor?" perguntou Lex.

"Não, senhor!" respondeu com firmeza. "Sei o que quero, e é lutar!"

Lex deu um leve aceno ao entusiasmo do garoto e perguntou: "qual é o seu nome?"

"Leônidas!" respondeu o garoto, com a voz ainda alta e firme.

"Pois bem, Leônidas, se tem certeza do que quer, vá procurar o vice-chefe Chad e se apresente. Vocês vão passar bastante tempo juntos no futuro."

Leônidas saudou Lex com a mão em posição de soldado e marchou pesadamente. Estava claro que ele não sabia exatamente como marchar, mas isso provavelmente iria mudar logo. Lex ficou observando o garoto entusiasmado por um tempo, até que sua projeção desaparecesse. De volta ao Reino de Cristal, seu corpo principal finalmente tinha chegado ao destino. Agora, precisava descobrir a formação de teletransporte adequada e aprender a utilizá-la.


Um grande réptil, semelhante a um camaleão, deslizava por uma rua movimentada. Em um planeta dominado por insetoides, ele não era exatamente bem-vindo, mas os habitantes locais só lançavam olhares de desdém. Afinal, ele já tinha uma fama por aqui, e todos sabiam que não era bom mexer com o Rei do Baile dos Répteis!

Com um sorriso ao recordar suas boas memórias daquele planeta e de como seus passos de dança tinham feito seus líderes ajoelharem-se, ele continuou se deslocando pela multidão até finalmente chegar ao seu destino: a Empório Infinito.

O canal de chat ao qual ele participava era bastante grande e ajudava bastante às vezes. Na verdade, tinha canais secundários para alguns reinos. O Reino da Origem, por exemplo, tinha seu próprio canal secundário. Ali, usuários mais experientes compartilhavam dicas e truques úteis. O empório recebia várias recomendações no canal.

Embora o empório ainda não tivesse se espalhado para outros reinos — pelo menos, não oficialmente — era bastante conhecido dentro do Reino da Origem, e manter uma boa relação com eles era muito útil. O rei do baile entrou, apenas para encontrar uma face conhecida esperando por ele no balcão.

"Powell, meu amigo, como você está?" perguntou o rei do baile.

"Ótimo agora que você apareceu," respondeu Powell, sorrindo de volta. Powell, claro, também parecia um camaleão — ou assim parecia. Era de conhecimento comum no chat que a raça do comerciante sempre era igual à pessoa que entrava na loja. Além disso, todos eles tinham o nome Powell.

Como ou por que isso acontecia nunca foi explicado, mas quase todo mundo no Reino da Origem tinha usado seu detector de sistema na loja e recebido uma resposta frustrada.

Isso poderia significar que Powell não era usuário de sistema, ou que seu sistema era tão avançado e potente que as máquinas deles nem conseguiam detectá-lo — o que, na prática, era melhor, para evitar problemas desde o início.

"Ainda bem que você está de bom humor, porque preciso de ajuda com uma questão incomum. Quero qualquer informação que tenha sobre um lugar chamado 'Inn da Meia-Noite'. E, se você tiver uma das chaves douradas deles, fico com ela também."

"Espere um momento," disse Powell, rapidamente consultando seu tablet. Mas sua busca foi mais rápida do que o esperado, e sua expressão desconfortável revelou ao rei do baile que o resultado não era bom.

"O que foi?" perguntou, tentando disfarçar sua preocupação crescente.

"Há uma proibição rígida para todos os funcionários do empório. Não atendemos a pedidos de negócios relacionados ao Inn da Meia-Noite."

O rei do baile ficou surpreso com essa resposta, pois nunca tinha ouvido falar de algo assim.

"Oficialmente, não posso ajudar," disse Powell sussurrando, aproximando-se dele. "Mas, não oficialmente... Não posso evitar passar a informação de que muitas das 'chaves douradas' que você mencionou têm sido vistas na Galáxia Pendal e arredores."

"Isso… isso fica a mais de 100.000 galáxias de distância!" exclamou o rei do baile, surpreso. Parecia que ele tinha aceitado uma missão difícil. Ou talvez não.

"Ok, esquece o Inn. Preciso de uma passagem para a balsa do Buraco de Minhoca."

"Ah, aí vai custar caro. Com o torneio dos Campeões Henali chegando, todas as viagens intergalácticas realmente dispararam de preço."

O rei do baile não hesitou em jogar uma sacola cheia de moedas de cristal sobre a mesa. Como nem todo mundo tinha cartão de crédito, eles tinham que se virar com sacos de moedas.

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