
Capítulo 512
O Estalajadeiro
A pessoa sentada ao lado de Lex olhou diretamente nos seus olhos. Apesar de ter ficado assustado e assustado ao acordar na situação atual, ele conseguiu se acalmar o suficiente para pensar. Ficou claro para ele, e para todos os outros, que Lex estava tentando fazer algo.
Provavelmente, ele estava tentando escapar, o que fazia mais sentido. Mas, honestamente, ele não via nenhuma maneira de saírem daquela situação. Nesse caso, o que ele tinha que fazer era garantir que não fosse arrastado para mais problemas.
"Acredito que quanto mais, melhor", conseguiu dizer o homem sem gaguejar. "Uma pessoa sozinha, que consegue valorizar a vida com propósito, ainda é só uma pessoa. Como ela pode competir com mais pessoas?"
O homem não sabia qual era o propósito de Lex, mas parecia que ele queria garantir sua própria sobrevivência em troca de abrir mão do restante, então ele não podia concordar com o que Lex dizia. Mas ele não percebeu que havia reagido exatamente do jeito que Lex queria.
"Sabe de uma coisa, você tem razão. Estava enganado. Estava muito preso na questão de quantidade versus qualidade, mas não há motivo para não poder ter ambos."
Por mais fraco e apressado que fosse, Lex queria estabelecer um precedente de que alguém poderia mudar sua opinião ao se deparar com uma alternativa melhor. Ele não esperava que o Mestre do Jogo mudasse seus planos apenas com argumentos baseados no seu bom julgamento. Não, ao fazer isso, Lex estava plantando uma semente no subconsciente do Mestre do Jogo, fazendo-o pensar que mudar de opinião era uma possibilidade.
Ele não sabia o quanto isso ajudaria, mas precisava de toda ajuda possível, pois seu plano real era muito mais agressivo e poderia dar errado com tanta facilidade quanto dar certo. Claro que, conhecer as emoções do Mestre do Jogo através dos dados fornecidos pela provação tornaria tudo bem mais fácil.
Pelo resto da rodada, Lex permaneceu em silêncio, com um sorriso casual, porém confiante. Os demais jogadores se apresentaram e trocaram algumas cartas, sem dizer nada desnecessário.
Quando chegou novamente a vez do Mestre do Jogo, ele virou-se para olhar para Lex, como se estivesse vendo se tinha algo a dizer. Sem desviar o olhar, o homem pegou o baralho e, com um movimento familiar e fluido, entregou mais uma carta a cada um.
"Consegue sentir seu coração batendo?" perguntou o Mestre do Jogo. Provavelmente se dirigia ao grupo inteiro, mas seus olhos nunca saíram de Lex.
"A carga da sua decisão assombra seus pensamentos? Você se sente… vivo? Mas será que realmente vive com propósito, tomando decisões por esse propósito, ou ainda está apenas... existindo? Basta pegar cartas e torcer para ter a melhor mão? E quanto a… manipular os outros para influenciar o que eles fazem?"
Por exemplo, o que você acharia se eu dissesse que só preciso de mais um Rei, e assim estaria quase certo de passar da rodada."
Muitas expressões mudaram de repente ao redor da mesa, e um dos concorrentes até puxou suas cartas mais para perto. Mas esse movimento súbito e evidente chamou muita atenção, e ele percebeu que tinha revelado pelo menos uma de suas cartas ao grupo. A aparente calma que Lex conseguiria criar até então já havia desaparecido.
"Por que você faria isso, me pergunto?" refletiu Lex em voz alta, sem nem se preocupar em olhar para a nova carta. "Qual é o propósito por trás da sua ação? É para tornar o jogo mais parecido com a natureza imprevisível do mundo, ou é apenas para proporcionar um pouco de prazer a um pequeno homem com ego ferido e complexo de inferioridade?"
Todos se viraram para olhar para Lex com horror nos olhos. Ele tinha sido vocal antes, mas nunca insultara o Mestre do Jogo desse jeito. Ele estava pedindo pela própria morte!
"E você?" perguntou o Mestre do Jogo, mantendo a voz perfeitamente calma. "Qual é o propósito que guia suas ações? Quer me provocar? acha que consegue escapar do inevitável baralho final se encontrar uma maneira diferente?"
O Mestre do Jogo pegou a nova carta que havia dado a si mesmo e assentiu, adicionando-a às cartas na sua mão.
"Será que preciso até provocá-lo?" perguntou Lex, balançando a cabeça. "Não vai fazer diferença se fizer. Para alguém que fala tanto em viver com propósito ao invés de apenas existir, é bastante óbvio que você também está apenas existindo na sua própria prisão."
"Existir? Eu não estou apenas existindo!" disse o Mestre do Jogo com entusiasmo que beirava a agressividade. Era a primeira vez que demonstrava qualquer emoção além de uma calma absoluta.
"Quebrarei todas as normas, todas as conveniências, todas as regras só para seguir meu propósito! Minha própria existência está repleta de propósito."
"Claro que está", respondeu Lex com sarcasmo. "Sou eu quem vive com propósito, não você. Pode achar que vive, por causa de quão fora do comum parecem suas ações, mas eu vejo através de você. Você não acredita em 'propósito'. Você só acredita em satisfazer sua doença mental."
"E não, não estou me referindo a sequestrar e ameaçar pessoas como uma doença mental. Estou falando da parte do seu cérebro que definiu as regras perfeitas que você deve seguir. A parte que definiu exatamente o que é 'propósito'.
A parte do seu cérebro que te disse que fazer as coisas de um jeito convence-te de que está vivendo com intenção consciente, ao invés de estar doente. A parte que desenhou cuidadosamente cada etapa desse jogo que estamos jogando. Aposto que você já tem algumas maneiras planejadas de tornar o 'jogo' mais interessante."
Na rodada relevante, você lentamente começará a introduzir mais e mais complicações, enquanto repete para si mesmo que tudo isso é só para enriquecer o jogo e incentivar os jogadores a viver com 'propósito'.
"Aposto que nem se limita só a isso, né? Aposto que seu 'propósito' infiltrou todas as facetas da sua vida."
Lex riu ao notar que o Mestre do Jogo tremia suavemente por baixo da máscara, embora os números acima da cabeça dele claramente mostrassem como ele estava se sentindo. Ele continuou a insistir.