O Estalajadeiro

Capítulo 513

O Estalajadeiro

A sala estava muito silenciosa e nem mesmo o som da respiração podia ser ouvido. Todos seguraram a respiração enquanto escutavam silenciosamente Lex, mas sem ousar sequer olhar na direção dele. Esse cara estava prestes a morrer, tinham certeza disso!

"É uma coisa estranha, não é? Ser prisioneiro da sua própria mente, mas ter a ilusão de que é livre. Aposto que você sempre faz tudo exatamente do mesmo jeito e acha que criou o sistema mais eficiente, mas a verdade é, você precisa fazer as coisas exatamente do jeito que sua mente gosta."

"Você segura suas cartas na mão esquerda, mas sempre as pega com a direita. Aposto que, ao colocar as luvas, você primeiro coloca a da mão direita."

Pela primeira vez, houve rápidas flutuações nos números acima da cabeça do Mestre de Jogo, e Lex soube que estava no caminho certo. Precisava estimulá-lo, só o suficiente.

"Aposto que é ainda mais do que isso. Acho que você se arruma na mesma ordem todas as vezes, mas provavelmente nem percebe. Deixe-me adivinhar: calça primeiro, depois a camisa. Você… está se vestindo assim de propósito, ou apenas vive na prisão que é sua própria mente?"

Lex olhou fixamente para os números acima do Mestre de Jogo, e sabia que era hora de parar. Já tinha preparado o homem, mas não podia começar imediatamente a próxima fase do plano. Tudo precisava ser feito sistematicamente.

Sentando-se de costas na cadeira, Lex fez contato visual com a pessoa que tinha a próxima jogada e deu um aceno sutil. Ela hesitou, mas vendo que ninguém falava ou fazia qualquer coisa, pegou suas cartas e optou por não trocar nenhuma.

Apesar de suas ações parecerem mínimas, as correntes que envolviam suas pernas tilintaram a cada movimento. Não era uma situação silenciosa, mesmo ela fazendo quase nada, e a atmosfera tensa aumentava o ruído em dez vezes. Mas nem Lex nem o Mestre de Jogo disseram qualquer coisa.

Entretanto, a próxima pessoa não escolheu imitar as ações de sua predecessora. Ela não só trocou de jogada dizendo: "Tenho dois reis".

Todos na sala se viraram para olhá-la, incluindo Lex e o Mestre de Jogo. Não havia como saber se ela estava dizendo a verdade, mas a afirmação dela foi como uma fagulha numa pilha de folhas secas.

Lex sorriu e comentou: "Que coincidência, eu também tenho um rei."

"Você só quer aproveitar toda oportunidade possível para me irritar?" perguntou o Mestre de Jogo, escondendo bem sua irritação.

"Ao contrário de você, que é preso às regras e não tem liberdade para fazer o que quer, eu posso fazer o que for necessário. Mas você… nem pode me machucar mesmo querendo, porque isso contrariaria as regras do jogo, não é?"

Quer dizer, você poderia tentar provar que suas ações seguem seu propósito matando-me, e não algumas regras invisíveis que te prendem numa prisão, mas aí pareceria que você só está tentando desabafar. Ninguém iria acreditar.

"E depois, todo o objetivo deste exercício será inútil. Todos seguirão suas regras e jogarão seu jogo. Mas não aprenderão que suas ações têm motivação com propósito. Não, eles apenas aprenderão a silenciar todas as reclamações e a seguir as regras invisíveis que os mantêm presos. Serão os peões perfeitos para a sociedade."

Lex se inclinou para frente, o máximo que conseguiu, e fixou o olhar no Mestre de Jogo.

"A verdade é, amigo, que de todos aqui, você é quem vive com o menor propósito. Posso até estar encadeado, mas você é quem realmente está preso. Porque, no pior dos casos, morrerei. Mas você… pode morrer pelo seu próprio jogo, aprisionado pelas regras que sua mente criou, ou sobreviverá, e continuará vivendo como um prisioneiro."

Lex deu uma pausa, deixando suas palavras ecoarem, antes de se reclinar novamente. "A menos que, de uma vez por todas, prove que não é o prisioneiro. Não, você é quem escolhe suas ações, mesmo que seu cérebro, seu captor, diga o contrário. Quebre completamente as regras do jogo. Tome o controle da sua própria vida — acabando com ela."

Lex observava o Mestre de Jogo com olhos ansiosos. Podia ver os números acima de todos e sabia das emoções que dominavam a sala. Também sabia que sua última provocação tinha sido um pouco precipitada, e que o Mestre de Jogo não iria terminar fazendo aquilo. Mas fez questão de fazer assim. Lex já não se importava mais em completar a provação do Mistério.

Não, ele queria passar pelo mesmo teste várias vezes, aprendendo como todos reagiam às suas abordagens diferentes. Desta vez, ele atuou como Mestre de Jogo, e sabia que, se tivesse feito as coisas um pouquinho diferente, teria ganho. Na próxima, quis ver se conseguia fazer algum dos outros capturadores desistir do jogo de propósito.

Sua maior habilidade, como acabou descobrindo, era ler as pessoas e fazê-las fazer exatamente o que ele queria. Talvez essa fosse uma habilidade que ele sempre teve, ou algo que aprendeu lidando com tantas situações delicadas na Taverna. De qualquer forma, ele estava se divertindo agora, e não ia parar tão cedo.

*****

De volta à Taverna da Meia-Noite, Larry acabou deixando William e seus irmãos porque sua namorada finalmente chegou. O que ele não sabia era que, após sua partida, William desapareceu da Taverna.

Seria impossível para ele alcançar o planeta natal da família William em apenas alguns anos, pois estavam em uma galáxia diferente, mas isso não significava que não pudesse contactá-los de onde estava.

Usando uma formação especial, ele permitiu que uma projeção de si mesmo aparecesse dentro de um templo sagrado, guardado pelos membros mais confiáveis e destacados da sua família.

"Ancestral!" exclamou um deles imediatamente, em alarme. Era a primeira vez que ele aparecia na presença daquele guardião, mas ele não ligava para esse tipo de coisa.

"Encontre todas as informações que temos sobre um planeta chamado Terra. E pegue o cadastro familiar enquanto estiver nisso. Quero saber se tenho um descendente chamado Lex Williams."

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