
Capítulo 487
O Estalajadeiro
A sensação de ser lançado para fora de um carrossel em alta velocidade foi bem mais prazerosa do que Lex esperava. Claro que isso aconteceu principalmente porque a força gerada pela rotação do carrinho não afetou Lex em nada, e também porque ele não estava usando nada como uma saia.
Por estar completamente absorto na novidade da experiência, Lex se esqueceu completamente do seu algodão-doce até quase vê-lo escapar voando! Felizmente, ele usou seu sentido espiritual por instinto e conseguiu pegar a massinha fofa no ar ao seu lado. Seu senso espiritual se manteve firmemente conectado a ela, mantendo-a perto de Lex independentemente de onde fosse.
De forma estranha, ele percebeu que, no que dizia respeito ao seu algodão-doce, podia manter controle perfeito do seu senso espiritual. Talvez, ao invés de um tesouro espiritual, ele devesse pegar mais daquele.
Assim que Lex foi lançado ao ar, ele teve apenas algumas dezenas de segundos para flutuar pelo céu antes de aterrissar com conforto. Ele tentou soltar-se de sua montaria, só para ver se podia desviar do padrão de voo do passeio. Mas ele foi preso com firmeza às alças, e o trajeto não se desviou do caminho planejado.
No final das contas, voar livremente pelo céu era apenas uma ilusão, pois, na verdade, o passeio seguia uma trajetória fixa.
Sentindo-se bem após sua primeira aventura, Lex não hesitou e rapidamente embarcou em outra. Essa era uma montanha-russa com um requisito mínimo de cultivadores de núcleo de ouro para poder andar. Então, a questão era: como ela se diferenciava das montanhas-russas comuns?
Bem, primeiro, ao invés de sentar, você só usava algumas alças que faziam você avançar de face. E como se não fosse o bastante, a velocidade do percurso, a intensidade das curvas, as quedas e as subidas superavam tudo que um ser normal poderia suportar.
Além disso, usando várias formações de ilusão, parecia mais de uma vez que o passeio estava prestes a colidir, ou tinha quebrado no meio, ou terminado na toca de um monstro perigosíssimo.
A excitação psicológica combinava de forma intensíssima com o esforço físico que o passageiro sofria, criando uma experiência empolgante, mesmo para cultivadores. E, mais: essa era só uma das estratégias que eles empregaram. Tinha muitas outras!
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Planeta Bastião Laranja, Sistema Pendal
Uma nave incomum se aproximou do planeta e pousou numa zona de desembarque cercada por uma cadeia de montanhas. O solo laranja característico do planeta tinha se espalhado até aqui, lá no alto dessas patrulhas rochosas, conferindo à neve uma tonalidade de algo que já havia se estragado.
O ar frio era difícil de respirar, e o vento carregava uma picada gelada que penetrava a pele e congelava os vasos sanguíneos sob ela. Nenhum dos habitantes parecia se importar, ou melhor, eles não tinham o luxo de se importar.
Bestas acorrentadas de diferentes espécies circulavam, realizando trabalhos simples. Um pequeno grupo aguardava perto da nave, e quando ela finalmente se abriu, revelou centenas de outras criaturas, também acorrentadas. Havia até alguns humanos entre eles, todos completamente nus e acorrentados.
O ar enchia-se com o som de chicotes, gritos e berros enquanto o grupo começava a se mover para fora da nave, embora ninguém lhes desviasse o olhar sequer uma vez.
Uma criatura saiu voando de uma das saídas da nave e se dirigiu a um prédio próximo, ignorando tudo o que acontecia no solo. A criatura tinha cerca de 90 centímetros de altura, com quatro braços extremamente curtos, finos, e duas pernas de tamanho semelhante. Na sua costa, havia quatro asas finas, quase transparentes.
Ela tinha quatro olhos, dois na frente e dois na parte de trás, além de duas bocas — uma na frente e outra na parte de trás.
Dentro do edifício enorme, a criatura foi até uma câmara especial, onde outro ser da mesma espécie estava sentado confortavelmente numa espécie de piscina de sangue.
"Informe ao líder da seita, trouxe um tesouro de valor," disse a criatura em uma voz sibilante, ambas as bocas falando em uníssono.
"Tesouro? Você não foi enviado para capturar escravos?" perguntou o ser sentado na piscina, com evidente ciúme na voz.
"Sim, fui," respondeu a primeira criatura, transbordando orgulho. "Mas também encontrei uma descoberta valiosa. Agora, vá logo informar ao mestre da seita. Você não precisa se preocupar com detalhes que estão acima da sua cabeça."
A criatura contorceu-se de raiva e ódio, mas saiu em silêncio. O primeiro ser sentiu um grande prazer ao ver o outro sofrer. Eles não eram inimigos. Na verdade, a criatura nunca tinha visto o outro antes. Mas, como uma Diplo, ela tinha sadismo impregnado em seu próprio ser.
A criatura sentou-se sem cerimônia na piscina de sangue deixada pelo outro, aguardando pacientemente pelo mestre da seita, mexendo com uma pequena sacola de couro que pendia do seu peito.
Quando finalmente chegou o mestre da seita, uma Diplo ainda menor — não atingia nem duas pés — também se sentou na piscina.
"Isso que você trouxe tem que valer a pena, ou você acabará como os escravos," disse o mestre da seita, com voz fria e arrogante.
A primeira Diplo não perdeu tempo e rapidamente retirou todos os itens de sua bolsa. Todos eram brilhantes, todos comuras de energia espiritual densa.
O líder da seita examinou-os um por um com grande interesse — mordendo-os cada um. A maioria dos itens se desfizeram sob sua força de mandíbula, enquanto alguns resistiram. Contudo, uma chave de ouro, uma peça especialmente importante, quebrou completamente e teleportou os dois Diplos para longe.
De imediato, ambos ficaram cautelosos com o ambiente ao redor, mas ficaram boquiabertos ao ver exatamente o que os cercava.
Contruções metálicas preenchiam o ar com milhares, quiçá centenas de milhares, de escravos acorrentados ou presos, sendo arremessados e torturados de formas espetaculares.
"A terra sagrada prometida," sussurrou o líder da seita ao ver alguns escravos sendo jogados aleatoriamente no ar. Eles nem sequer estavam usando os escravos para trabalho, apenas torturando-os sem motivo algum. Era tão belo que lhe fez lacrimejar de emoção.