O Estalajadeiro

Capítulo 340

O Estalajadeiro

Lex estava decidindo o que fazer com aqueles caras. Não tinha nenhuma chance dele simplesmente soltá-los. Além de precisarem ser punidos, era importante que eles entendessem que, se tentassem se vingar dele ou de seus funcionários futuramente, as consequências seriam bem pioras.

Mas primeiro…

Lex voltou-se para o restante dos convidados na sala, principalmente os marinheiros, e disse: "Desculpem vocês terem que ver isso. No máximo, pode considerar um pouco de entretenimento. Para aqueles que preferem evitar problemas, é melhor saírem agora. Contudo, se alguém quiser assistir a um drama, fiquem à vontade e aproveitem."

Os marinheiros aplaudiram e griticaram, e nenhum deles se moveu. Por quê deveriam perder uma diversão gratuita sem motivo?

"Agora que isso está resolvido, alguém reconhece algum desses caras?"

A sala ficou em silêncio. Era esperado, já que esses marinheiros não eram locais. Mario e sua turma também não disseram nada.

Lex franziu a testa, então se aproximou do homem com a bengala e librou o rosto dele para que pudesse falar.

Imediatamente, ele começou a respirar ofegante, aspirando grandes quantidades de ar enquanto olhava para Lex com horror e pânico no rosto.

"Você… você... Você não pode… Você não pode…" o homem começou a gaguejar, incapaz de terminar a frase. Lex, por outro lado, não fez nada. Ficou de pé na frente dele, continuando a encará-lo com uma expressão impassível.

A simples magnitude da indiferença no rosto de Lex assustou o homem ainda mais por algum motivo, e ele rapidamente se viu incapaz de manter contato visual com ele. Quando desviou o olhar de Lex, o próprio Lex assentiu finalmente e começou a falar.

"Quem é você e de onde veio?" perguntou, procurando deixar a voz o mais neutra possível.

"Eu... Eu… Você…"

"Pare," de repente falou Lex, percebendo que o homem não conseguiria falar mais. "Só pare. Inspire fundo. Controle a ansiedade. E responda minha pergunta."

O homem obedeceu às ordens de Lex, mas quando se acalmou e finalmente conseguiu falar, ele também voltou a recuperar um pouco da sua sobriedade.

"Você sabe o quanto está em apuros? Sabe quem eu sou?" perguntou, a voz ainda trêmula, embora tentasse aparentar mais confiança.

"Claramente não sei quem você é, senão eu não perguntaria. E antes que tente me ameaçar com sua identidade, saiba que não me importo nem um pouco com isso. Então, agora, responda às minhas perguntas com cuidado. Ou, caso contrário, vou jogá-los todos na sala dos fundos e esperar alguém vir procurar vocês, aí perguntarei a essa pessoa."

A ameaça de Lex pareceu fazer efeito, e o homem rapidamente começou a explicar seu histórico, sem dúvida se esforçando ao máximo para exagerar. Resumidamente, a lei era bastante frouxa nas terras neutras, e, desde que não fossem demasiado excessivos, podiam viver do jeito que quisessem.

Como esse território neutro era controlado por um humano, muitas famílias humanas poderosas e ricas estabeleceram-se na região, formando uma sociedade de elites que, mais ou menos, se tratavam como reis e rainhas. Desde que não antagonizassem a família Noel, podiam fazer praticamente o que bem entendessem.

Depois de compreender tudo, Lex libertou um dos seguidores aleatórios de suas amarras e instruiu-o a procurar os financiadores deles, quem quer que fossem. Foi bem vivo ao deixar claro que não tinha intenção de liberar os demais até que cada uma das famílias ou potências por trás delas aparecesse.

Como ele já tinha bagunçado sua rotina de "taberneiro comum", era melhor ir com tudo.

Assim que o homem libertado saiu correndo, Lex virou sua atenção para Mario. Sem dizer uma palavra, foi e se sentou em frente a ele, o humor claramente bem diferente daquele de quando tiveram a última conversa.

"Sabe, eu ouvi falar de você. Não muito, mas o suficiente para formar uma impressão," disse Lex lentamente.

"Ah? E qual é sua impressão?" perguntou Mario, curioso.

"Minha impressão… é que é uma coincidência bastante conveniente que o grupo mais idiota de nobres de toalha na cabeça tenha vindo causar confusão na minha taberna justamente no dia em que vocês visitaram."

Mario levantou uma sobrancelha, de questionamento.

*****

Anakin I. McClane terminou seu drink e se levantou a contragosto. A apresentação da Lady Cosmos foi simplesmente demais… demais, mesmo, e lhe dava vontade de nunca mais sair dali! Além disso, ouviu um boato de que uma sessão de biquíni iria acontecer em breve.

Apesar de tentador, ele sabia que precisava partir para o trabalho. Sabia que, ao entrar no cofre do banco, era bem provável que acionasse algum tipo de alarme. Poderia ter comprado mais itens para se manter escondido na pousada, mas se tivesse dinheiro suficiente para isso, não estaria roubando um banco.

Ele pegou as várias bolsas que tinha deixado em um quarto que alugara na pousada, colocou uma máscara e saiu, entrando exatamente no meio do cofre.

Surpreendentemente, o cofre estava bem iluminado mesmo à noite. Isso facilitou ainda mais a sua ação. Sem se preocupar com furtividade, tirou a única arma que comprara na pousada, uma faca aquecida que cortava facilmente a pele mais dura de zumbi. Gastou todas as suas economias nela, mas estava prestes a compensar.

Começando por um canto aleatório, Anakin começou a abrir as caixas de segurança e encher suas mochilas com o que encontrava. Havia uma quantidade irritante de documentos, muitos nudes, alguns discos rígidos de computador, mas, na maioria, tinha dinheiro, joias e ouro.

Anakin não ficou ganancioso, assim que o alarme que posicionara no seu relógio despertou, empacotou suas coisas e voltou para a pousada. Talvez tivesse mais tempo, e talvez seu pequeno furto nem tivesse sido notado ainda. Ou talvez sim. Nada disso importava.

Anakin tinha regras para si mesmo e iria segui-las. Além disso, agora tinha dinheiro sobrando. Para garantir, pensou em ficar uma semana na pousada antes de tentar voltar.

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