
Capítulo 327
O Estalajadeiro
Lex passou várias horas visitando as lojas na Rua dos Padeiros. Achou que seria só uma rápida passadinha, se apresentaria, apresentaria a taverna e convidaria os lojistas para um drinque depois. Mas a maioria deles começou a conversar com ele, às vezes exclamando que ele era muito jovem para abrir uma taverna. Eram amistosos o suficiente, e a oferta de bebidas grátis os deixou ainda mais amigáveis.
Quando chegou na quarta loja, ao perceber toda aquela animação com as bebidas grátis, pensou se deveria oferecer um serviço de entrega em domicílio para seus clientes, assim que eles terminassem de beber. Com certeza, isso era algo que valia a pena explorar.
Por fim, ele se aproximou da última loja, que por acaso era também seu vizinho — uma padaria. Ao entrar, o cheiro de pão recém-assado o deixou ainda mais feliz com a localização de sua taverna. A maioria das prateleiras parecia vazia, com apenas alguns pães e alguns doces restantes. Ou essa loja era muito popular, ou bem o contrário.
"Oi, oi, bem-vindo, amigo," exclamou um homem particularmente alegre, de trás do balcão. "Seja bem-vindo à padaria da Rua dos Padeiros." O homem riu ao dizer o nome. Algo lhe dizia que ele fazia isso frequentemente.
"Nome inteligente," respondeu Lex de sorriso no rosto.
"Ah, sim, minha esposa me desafiou justo na hora de abrir a loja. Eu ia batizar de Padaria do Dino, em homenagem a mim mesmo, mas, bem, desafio é desafio."
"Deveria ter ido logo de 'Padaria dos Padeiros' mesmo."
"Hah! Ia ser ótimo. Mas já foi, agora não dá mais."
"Prazer em te conhecer, Dino," disse Lex enquanto estendia a mão para cumprimentar o homem. "Meu nome é Lex, acabei de abrir uma taverna bem aqui ao lado. Você devia passar depois que fechar. No primeiro dia, as bebidas são grátis, pra comemorar a inauguração."
"Grátis? Agora sim, irmão, essa é a palavra mágica. Com certeza vou passar. Melhor ainda, vou trazer a esposa também. Não há por que ela não aproveitar uma bebida de graça."
"Vou ficar feliz em receber vocês. Se puder espalhar a novidade, melhor ainda, assim mais gente vai saber que tem uma taverna aqui."
"Combinado, irmão."
Após a conversa, Lex saiu da loja, respirando aliviado. Felizmente, apesar de Dino ser amigável, não foi nada de conversa fiada. Essa foi sua visita mais rápida até agora.
Ele voltou para a taverna e encontrou Big Ben finalmente acordado, sentado no balcão, mais pálido e fraco. As bochechas tinham sumido visivelmente, e a camisa que antes ficava justa agora caía folgada. Ainda assim, parecia que aquilo não o preocupava — ou pelo menos, ele não tinha percebido — enquanto reclamava do quanto sua noite de encontro seria arruinada.
"O policial já veio te interrogar?" perguntou Lex, surpreso ao vê-lo ainda aqui.
"Não, claro que não. Quando o assassinato aconteceu, corri tão rápido quanto pude. Quando não consegui mais correr e parei para recuperar o fôlego, levantei os olhos e vi sua taverna. Desde então, estou aqui. O delegado provavelmente não faz ideia de que estou aqui."
Lex ficou boquiaberto por um momento. Se todas as testemunhas fossem assim, não era surpresa que o assassino ainda não tivesse sido capturado.
"Tenho uma ideia," disse Lex. "Por que você não conta pra garota que ia encontrar que viu um assassinato e está bastante abalado? Assim, ela pode vir aqui te consolar. E, enquanto isso, eu chamo o delegado. Quando ela ouvir a história de como você sobreviveu, acho que vai ficar impressionada."
"Sério? Você acha mesmo?" ele perguntou, olhando para Lex como se fosse um messias.
"De qualquer forma, você precisa contar alguém o que viu. E se o assassino aparecer de novo e arruinar outro encontro seu?"
Big Ben ficou convencido, embora Lex começasse a se perguntar seriamente como aquele grandalhão tinha passado pela vida. Lex ordenou que Rick fosse procurar um delegado e o trouxesse até o bar.
Enquanto isso, Lex pediu para Roan servir alguma coisa para Big Ben se recuperar. Observou também a taverna relativamente vazia e não via a hora de receber visitantes. Conferiu o horário e descobriu que eram apenas 15h. A luz perpétua confundia totalmente a noção de tempo, e Lex ainda não estava acostumado — era quase impossível dizer se era manhã ou tarde pelo sol.
Mas vazio não significava que não tivesse o que fazer. Lex ensinou Roan a preparar alguns petiscos para quando o movimento começasse. Como não havia equipe de cozinha, toda comida precisaria ser preparada com antecedência, para que Lex e Rick servissem. Um dia inteiro de servir comida em uma taverna. Só de pensar nisso, Lex já ficava ansioso para contratar sua equipe.
Noman Butt arrastou seu corpo exausto para fora do quarto de recuperação. Nunca na vida tinha se sentido tão bem e ao mesmo tempo tão mal. Estava bem, porque tinha sido totalmente curado. Sentia-se mal, porque, sem que ele soubesse, durante a perseguição, tinha sido envenenado. Levou semanas na cápsula de recuperação até que seu corpo se tornasse completamente imune ao veneno, e durante todo esse tempo sentiu dores imensas.
Se tivesse que celebrar alguma coisa, era o fato de seus recursos nunca terem acabado. Quando finalmente acordou depois de desmaiar pela primeira vez, a enfermeira Jubilation explicou quanto o tratamento tinha custado e que a família dele estava sendo cobrada diretamente pela despesa.
Heh, para outras pessoas isso poderia parecer um valor alto, mas para a sua família era quase uma pechincha. Mesmo se fosse descontado de sua mesada pessoal, teria dinheiro suficiente para sobreviver anos aqui.
O que precisava fazer agora era relaxar e se recuperar. Os óculos de Clark Kent garantiam que sua identidade permanecesse oculta enquanto estivesse ali. Com seu novo anonimato, estaria livre de problemas com pessoas que queriam encrenca com ele.
"Oh Julieta, te amo de todo o coração. Eu daria minha vida por você!" alguém exclamou perto do ouvido de Noman.
Ele virou para olhar o casal e, antes que a garota pudesse responder, Noman disse: "Ele está mentindo."
O casal ficou surpreso, mas antes que pudessem fazer alguma pergunta, ele seguiu em frente. Sim, ele finalmente estava livre de problemas, e sua experiência de esconder sua habilidade única garantia que ninguém mais iria encrencar com ele.