
Capítulo 328
O Estalajadeiro
Demorou vinte minutos para Rick encontrar um policial e voltar, embora ele nem se preocupasse em explicar muito a situação. Usando uma série de grunhidos e suspiros, o trabalhador sempre cansado de alguma forma conseguiu fazer o policial segui-lo.
No momento em que percebeu que estava sendo levado até uma taverna, o policial gemeu também, pois tinha quase certeza de que estava lidando com o resultado de uma briga. O que o aguardava, na verdade, era o enorme Ben, coberto de sangue seco, sendo paparicado pela namorada.
Ela tinha notado instantaneamente o estado fraco do homem e logo atribuiu isso ao trauma que ele sofreu, começando a dar atenção ao homem de oito pés como se fosse um bebê. A namorada, Betty, tinha quase 2,40 metros de altura, então sua presença não era brincadeira. A dicotomia de uma mulher gigante, com os braços musculosos, cuidando de um homem ainda maior, era, no entanto, bastante engraçada.
Apesar dos esforços de Ben para ser interrogado bem na taverna, o policial que conhecia o casal conseguiu convencê-los a segui-lo de volta ao escritório do policial.
Depois disso, a taverna ficou bem tranquila, até exatamente às 17h30, quando Roland entrou na Taverna da Meia-Noite, seguido de perto por um grupo de outros jovens. Considerando a sua missão, eles estavam relativamente bem vestidos, sem rasgos ou buracos evidentes nas roupas, e até eles próprios estavam limpos o suficiente para mostrar que tinham tomado banho recentemente.
Talvez fosse apenas um estereótipo de que crianças fazendo trabalho em cidades pequenas como essa eram todas órfãs sem lar. Talvez estivessem apenas fazendo bico para ajudar em casa.
"Conseguimos distribuir todos os panfletos que vocês nos deram, exatamente 712, cada um para uma pessoa diferente. Com 10 panfletos por moedinhas de cobre, isso dá 71 moedas."
Lex sorriu para as crianças e perguntou: "vocês têm certeza de que não prefeririam simplesmente comer aqui por uma semana?"
"Dinheiro é dinheiro, mano, não vamos romper o nosso acordo. Vocês não podem nos intimidar só porque somos jovens empreendedores."
Todas as crianças atrás de Roland assentiram firmemente, olhando para Lex com expressão firme.
Lex deu uma risada e pegou uma moeda de prata, que valia 100 moedas de cobre, entregando-a a Roland. "Muito bem, ótimo trabalho. Aqui, fica o troco. Vou ficar de olho, e se tiver bastante gente vindo aqui por causa do seu panfleto, entro em contato novamente."
Os olhos de Roland brilharam ao pegar a moeda, mas ele conseguiu manter a voz firme.
"Foi um prazer fazer negócios com você."
"Por que vocês, seus amigos, não pegam uma mesa? Como hoje é o primeiro dia, vou pagar uma rodada pra vocês."
"É… somos crianças — quer dizer, jovens empreendedores," ele hesitou.
"Não se preocupem, só vou servir chá. Vai fazer bem pra vocês."
As crianças trocaram alguns olhares e, no final, decidiram que seria de péssimo espírito de negócio recusar a oferta irresistível de ser 'de graça'!
Lex trouxe algumas porções de batatas fritas, junto com um chá gelado adoçado, servido em canecas para as crianças. Diferente da água com açúcar que era o chá gelado na Terra, essa bebida era feita com folhas de uma planta espiritual. Além de refrescante, iria nutrir seus corpos e curar qualquer ferimento. Era um chá com efeitos muito suaves, perfeito para não cultivadores.
A entrada de Roland pareceu um gatilho, pois, após as crianças se sentarem, pequenos grupos começaram a chegar. Muitos deles carregavam os panfletos distribuídos, mas ainda mais vinham perguntar sobre as bebidas gratuitas.
Nesse momento, Lex acabou usando seu charme. Com um sorriso que parecia mostrar que ele estava se divertindo mais do que ninguém, e uma bandeja na mão sempre cheia de drinks, Lex passou a recepcionar os visitantes. Primeiro eram poucos, mas logo a taverna começou a encher de marinheiros e trabalhadores que tinham acabado o expediente.
Assim que uma multidão começou a se formar, Lex levou as crianças para uma das salas privadas e deixou que terminassem de comer suas guloseimas no ritmo delas.
Depois, voltou ao salão principal e passou a atender quem se atrevesse a entrar na sala lotada. Até às 19h, o ambiente já estava lotado, e Lex começou a sair do grande salão distribuindo bebidas do lado de fora, para que os convidados ao menos pudessem tomar algo, mesmo que não ficassem.
Sabia que a maioria das pessoas que vinha naquele dia dificilmente se tornaria cliente frequente, mas, assim, sua taverna viraria notícia na cidade da noite para o dia.
Ele também tomou cuidado para ficar atento a qualquer arruaça. Confusão e brigas eram comuns nessas casas, ou pelo menos assim ele supunha, mas Lex não tinha intenção de tolerar brigas em seu estabelecimento.
Lex viu dezenas de rostos diferentes, pessoas entrando e saindo mais rápido do que conseguia acompanhar. A única maneira de monitorar tudo era pelo sistema.
Até às 20h, já tinha atendido tanta gente que até seus convidados ficavam impressionados, e alguém chamado Sujo Rye começou uma aposta para descobrir a hora em que a taverna ficaria sem drinks. Um dos marinheiros puxou uma harmônica e subiu ao palco, enquanto outros dois começaram a dançar.
Um homem, um carregador no cais, tentou cantar junto com a música, mas era tão ruim que logo foi puxado do palco, enquanto a plateia explodia em risadas.
Dino, o padeiro, apareceu com a esposa — uma mulher corpulenta que dava aulas na escola. Ela conhecia metade do público pelo nome, e a outra metade pelos nomes dos filhos. Depois de fazer algumas piadas, o casal entregou a Lex uma cesta cheia de pãezinhos fresquinhos como presente de boas-vindas à rua, e rapidamente foi embora.
Até às 21h, a taverna estava vibrando de alegria e risadas. Em exatos 60 minutos após a hora, tudo silenciou de repente, pois uma carruagem chegou em frente à taverna, anunciaram sua presença com um trompete que cortou o barulho e deixou todos parados em seus lugares.