
Capítulo 329
O Estalajadeiro
A carruagem de ônix branco, puxada por um Leão Fantasia de penas castanhas, parou bem na frente da taverna. O condutor saiu corretamente da carruagem, colocou-se diante da porta e a abriu. Durante todo esse processo, ele nem olhou para o local nem se deu ao trabalho de observar a multidão ao redor. Seu olhar permaneceu fixo apenas no chão.
De dentro da carruagem, saiu um jovem bonito, com a pele clara brilhando sob a luz do luar noturno. Ele tinha um sorriso suave no rosto, como se estivesse aproveitando a vida, e olhos cheios de curiosidade.
"Minha embarcação acaba de chegar ao cais e dizem que alguém está distribuindo drinks grátis," disse calmamente, como se explicasse sua chegada. No entanto, ninguém respondeu ou fez qualquer gesto, e todos os olhos continuaram fixos nele. O rapaz soltou um suspiro de derrota e balançou a cabeça, como se estivesse bem acostumado com cenas assim.
"Eu te mandei deixar que eu passasse despercebido e me misturasse. Agora olha só, você causou uma confusão."
"É uma honra estar na sua presença," respondeu alguém da carruagem, cujo rosto permanecia misteriosamente escondido. "Se você não está satisfeito com a reação, então volte para dentro da carruagem e vamos embora. Essas pessoas não se sentirão à vontade com um lord entre elas."
O jovem passou o olhar mais uma vez pela multidão, como se estivesse confirmando a fala do outro homem, e de fato todos estavam com expressões paralisadas, cheias de pânico e confusão.
O que ele não sabia era que quem o acompanhava estava secretamente expondo a todos na taverna sua aura. Ele não estava suprimindo ninguém, pois sinais desse tipo seriam facilmente identificados, mas só sua aura de imortal já era suficiente para deixar toda a taverna com medo por dias. O plano do homem funcionou — quase.
Enquanto todos estavam congelados, Lex pegou uma bandeja e colocou uma caneca e um copo sobre ela. Na caneca, despejou a bebida mais barata de sua taverna: suco de Dimmelon, e no copo, a mais cara: Vinho do Pôr do Sol. Claro, essa era a bebida mais cara que tinha, exceto as que estavam na adega.
Depois, Lex pegou a bandeja e caminhou casualmente em direção à carruagem. Na verdade, parecia uma caminhada descontraída, mas, na realidade, ele estava sob muita pressão. Contudo, só por o imortal não estar realmente direcionando a aura contra ele, Lex podia sequer pensar, quanto mais se mover. Afinal, ele já tinha experimentado como a coerção do Kraven até mesmo parava seus pensamentos, quanto mais suas ações.
"De fato, há drinks grátis, mas somente por hoje à noite," disse, levando a bandeja até o homem. "Em celebração à abertura da minha taverna."
O homem ficou inicialmente surpreso com o jeito de Lex, e depois abriu um sorriso largo. Sem dizer uma palavra, pegou a caneca e a bebeu de uma só vez. Esperava que precisasse se esforçar para beber, pois não sabia o que esperar de um estabelecimento de nível tão… mediano. Mas, seja o que fosse, a bebida era realmente fantástica, fortalecendo sua determinação.
De maneira brutal, o rapaz deixou um pouco da bebida escorrer pelo rosto, e, ao terminar, limpou a boca com a manga da camisa.
"Se é uma celebração, então temos que comemorar também," declarou o jovem. "Você pode seguir sozinho, porque eu, pelo menos, não posso recusar a hospitalidade do meu anfitrião."
O homem na carruagem soltou apenas um suspiro profundo, e, após isso, o condutor fechou a porta, voltou ao seu assento e colocou a carruagem em movimento.
Agora, livre da aura, a multidão na taverna começou a murmurar e todos olhavam para o jovem com medo. Muitos deles silenciosamente se esgueiraram, mas a maior parte permaneceu.
"Meu nome é Pvarti," disse o jovem com entusiasmo, olhando ao redor da taverna. Era a sua primeira vez em um lugar assim.
"Qual foi aquela bebida que você serviu? Estava excelente! Aposto que até meu irmão gostaria," comentou.
"Suco de Dimmelon. Tecnicamente, é só o suco da fruta Dimmelon. Acontece que a fruta naturalmente tem teor alcoólico, então não precisa de fermentação para ser servido."
Em todo o bar, só Pvarti e Lex conversavam; o resto observava, no máximo sussurrando entre si.
A situação não era das melhores, e Lex mal tinha começado a pensar em formas de aliviar o clima quando uma voz familiar gritou do lado de fora.
"BARBEIRO, SERVE OS DRINKS, QUE EU TÔ ME CASANDO!"
Antes que alguém pudesse imaginar quem tinha gritado, um gigante sem camisa invadiu o local, segurando uma mulher de vestido igualmente gigante.
Big Ben e sua noiva estavam sorrindo de orelha a orelha, sem dar atenção ao silêncio incomum na taverna.
Antes que Lex pudesse responder, Pvarti pegou a bandeja das mãos dele e entregou a Big Ben.
"Parabéns, irmão," disse, dando uma palmada nas costas do homem. "Toma aqui."
Sem pensar, Big Ben pegou a bebida e, antes que Lex pudesse avisar, engoliu tudo de uma vez.
"Ah, isso… era para cultivadores do Reino Nascente ou superior," explicou Lex de forma meio sem jeito.
"O quê?" perguntou Big Ben, sem entender ao certo o que Lex quis dizer. No instante seguinte, seus olhos reviraram e ele caiu no chão, inconsciente.
A taverna explodiu em risadas, incluindo a noiva de Ben. Antes que tudo pudesse mudar, Lex rapidamente começou a distribuir mais drinks enquanto Rick levava Ben de volta para um aposento. Ele havia despejado Vinho do Pôr do Sol esperando passá-lo para a pessoa na carruagem, mas ela nunca deu a Lex a oportunidade de entregar.
Lex virou-se para Roan e perguntou se Ben ficaria bem. Depois de coçar a cabeça por um momento, só conseguiu dizer: "Provavelmente."