O Estalajadeiro

Capítulo 240

O Estalajadeiro

Convencido de que tinha chegado ao lugar errado, Lex foi até a porta e bateu mesmo assim. Ao menos, poderia pedir informações.

Mas, ao bater na porta de madeira, ela se abriu ao meio e se dividiu, revelando o interior de algo que parecia um computador… se ele fosse do tamanho de uma casa.

Um globo flutuante apareceu, escaneou Lex e falou: "siga-me".

O globo levou Lex para dentro da casa, até uma sala cheia do que parecia ser roupas feitas de malha de ferro preta. O equipamento escaneou as roupas até encontrar uma que servisse em Lex e disse: " Vista-se com essas roupas. Cubra todo o corpo e certifique-se de que nenhuma pele fique exposta."

Confuso e curioso, Lex colocou as roupas de malha e os equipamentos, incluindo uma peça de cabeça incomum que não só cobria o rosto, mas também tinha óculos e máscara de oxigênio.

Depois de estar equipado, Lex foi conduzido mais fundo na casa até entrar numa sala especialmente quente. Foi então que ele viu outra pessoa, possivelmente uma mulher – ou melhor, uma mulher robusta, não… um humano mais saudável que Lex já tinha visto. Com cintura que devia ter uns dez metros de perímetro, a figura parecia não ter a menor falta de destreza que se poderia esperar.

Ao dar um passo mais perto, Lex percebeu que a pessoa tinha as mãos dentro de um recipiente de… parecia lava. Os olhos de Lex se arregalaram em choque, mas, antes que pudesse entender o que estava acontecendo, a mulher – que Lex presumiu ser uma mulher pela voz feminina – falou.

"Depressa, vem cá. Coloque as mãos no recipiente e comece a raspar a vareta para limpá-la. Não se preocupe, seu equipamento vai te proteger de se queimar."

Lex foi hesitante ao se aproximar, não muito animado com a ideia de colocar as mãos na lava, mas a mulher não estava para brincadeiras. Em um movimento mais rápido do que Lex podia compreender, ela agarrou sua mão e a mergulhou fundo na lava.

"Pegue na vareta e comece a esfregar! Ela está soltando muitas impurezas e não podemos deixar nenhuma delas se grudarem na vareta."

O que aconteceu a seguir foi provavelmente uma das experiências mais horríveis da vida de Lex. Não por causa da lava, do perigo ou qualquer outro motivo, mas por causa das palavras da ferreiira. Lex não sabia se ela fazia de propósito ou se ele era apenas malicioso, mas… parecia que ela só falava por meio de duplos sentidos.

A 'vareta' que ela pedia a ele para 'soltar' e 'esfregar' era o corpo de uma lança. Ele não conseguia entender a lógica, nem de que material ela era feita, mas, mergulhando a lança na lava e aplicando força, as impurezas dentro do metal eram expelidas.

No entanto, a não ser que fossem removidas manualmente, essas impurezas rapidamente envolviam a lança como uma camada exterior. Tudo que Lex precisava fazer era raspá-las.

Mas não era só isso. Depois que terminasse de trabalhar na lança, segundo as palavras da ferreiira, ele tinha que cuidar de espadas que "precisavam ir fundo", ou seja, enterrá-las em poços de areia feitos de algum metal incomum, ajustar certos rifles que "precisavam ser sacudidos até ficarem prontos", pois os componentes estavam muito apertados, e empurrá-los para o lugar, entre outras tarefas.

Se Lex algum dia fosse aprender algo sobre armas, ainda era um mistério, pois ele passava os dias nesse trabalho tentando não ficar marcado. A ferreiira, por mais excêntrica que fosse, parecia nunca parar de trabalhar. Ela estaria no laboratório quando ele ia embora à noite, e ainda estaria lá trabalhando quando ele voltasse no dia seguinte.

Segundo ela, se ela parasse de dar tudo de si, muita gente ficaria insatisfeita.

Ele nunca viu como ela realmente era, pois ela sempre estava de armadura de malha, nem soube o nome dela, pois ela só falava sobre suas armas e o que Lex tinha que fazer. Ele trabalhou com várias armas que nem sequer entendia.

Eram de um tipo de tecnologia que Lex nunca tinha visto ou experimentado, e, depois de lavá-las na lava, passá-las por um campo elétrico, literalmente esmagá-las com um martelo ou polir com óleo, ele ainda não conseguia compreender seu funcionamento. Pelo menos, recebia um bom pagamento, já que poucos queriam fazer esse trabalho. Ele ganhava 100 cristais por dia.

Esse era o nome da moeda daquele reino. Ele nunca tinha visto os cristais de verdade sendo depositados em sua conta de estudante, mas podia acessá-los quando quisesse.


Após oito dias de tanta tortura, o novo mês começou, e as horas de trabalho de Lex foram reduzidas em algumas horas por semana, para que pudesse focar melhor nas aulas.

Ele tinha aulas de combate três vezes por semana, enquanto as outras matérias eram diárias.

Naquele momento, ao entrar na sua primeira aula bem cedo, Lex se sentia extremamente ansioso. Não só pelo caos do trabalho, mas pelo fato de já estar nesse reino há cerca de duas semanas, mais ou menos.

Ele ainda não tinha conseguido entender como reunir energia suficiente para seu sistema; e, pelo ritmo das coisas, levaria meses, ou até anos, até conseguir.

Lex tentava ao máximo não se estressar com o que não podia controlar e focar apenas na tarefa presente, mas às vezes era impossível. Sem falar no deslocamento longo demais do dormitório até o local das aulas, que lhe dava bastante tempo livre para se preocupar.

Quando finalmente se sentou na sua primeira aula, cedo na manhã, Lex já estava completamente exausto. Ficava preocupado com a Estalagem, com sua vida, com…

"Por que é você de novo?" - uma voz agressiva, mas familiar, o despertou de seus pensamentos. Ele olhou para cima e viu que estava sentado ao lado de uma garota bem bonita. Ele a tinha visto em algum lugar antes? Ela parecia tão familiar.

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