O Estalajadeiro

Capítulo 239

O Estalajadeiro

—Por favor, entre — disse Qawain assim que viu a ajudante-gerente da pousada. Ela era uma mulher concisa e disciplinada, que supostamente cuidava da pousada na ausência do dona.

Qawain e Anita, as socialites que eram, fizeram amizades rapidamente assim que chegaram à pousada. Quando souberam que ambos tinham concluído sucessivamente o prova do Mistério, tornaram-se ainda mais populares, a ponto de alguns funcionários da Pousada da Meia-Noite, como o John, se aproximarem deles.

Logo aprenderam sobre o Dono da pousada, que geralmente era muito simpático e tinha uma reputação positiva. Essa ajudante-gerente tinha aparecido há pouco tempo, e embora a maioria da equipe a conhecesse, os hóspedes achavam que ela era extremamente formal.

No entanto, ela mantinha a ordem e realizava todas as suas tarefas sem parcialidade, então não havia do que reclamar.

—Tenho boas notícias — ela disse após entrar na cabana. —O Dono da pousada enviou uma mensagem. Para ingressar na Pousada da Meia-Noite, vocês devem passar por um teste para provar seu valor. Se conseguirem passar, poderão integrar o elenco como instrutores de esgrima e historiadores. No entanto, o Dono também quis que eu informasse as condições para entrar na Pousada da Meia-Noite.

Assim que entrarem, se tornarão membros permanentes da pousada, e não poderão desistir. Além disso, será imposta uma restrição para que não possam prejudicar a pousada, seus interesses ou qualquer funcionário dela também."

Ela entregou a ambos as chaves de platina e depois saiu para dar-lhes privacidade.

—Um historiador — Qawain disse com um toque de curiosidade. —Quero saber que tipo de trabalho vão te colocar pra fazer. Espero que não seja trabalho de campo, isso estragaria a ideia de vir pra cá.

—Vou lá perguntar à ajudante-gerente e explicar nossa situação. Espere por mim antes de fazer o teste.

Qawain assentiu, pensando na oportunidade de ensinar alguém. Ele nunca tinha ensinado ninguém antes; seria uma experiência interessante.

*****

Depois de comer, Lex tinha bastante tempo livre. Encontrou um lugar bonito e com uma vista agradável perto do refeitório, onde se sentou para descansar. Embora não estivesse fisicamente cansado, fazia um tempo que não relaxava de verdade. Foi aí que percebeu que nem se lembrava da última vez que tinha jogado videogame.

Não que estivesse triste por isso, mas passava seus dias fazendo coisas interessantes e lidando com pessoas divertidas — pelo menos na maior parte do tempo. Trabalhar para atingir seus objetivos, sentir que lentamente ficava mais forte e ver a pousada melhorar era uma satisfação que nunca tinha sentido antes.

Não era a rotina de um trabalho das nove às cinco, que acabava com suas forças tanto física quanto mental. Pelo contrário, isso tinha um sentido recompensador.

Mesmo assim, ele sabia que era preciso aproveitar os momentos de descanso de vez em quando. Infelizmente, sem jogos, filmes ou amigos para sair, o descanso logo virou tédio.

Se alongando ao levantar, Lex decidiu riscar uma coisa da lista de tarefas: arrumar um emprego. A academia oferecia a ele uma das acomodações mais precárias que já tinha visto, mas ao menos tinha um teto. No refeitório, poderia comer de graça se exibisse a carteira de estudante. Mas, se precisasse de algo mais, teria que pagar do próprio bolso.

Além disso, desde os tempos da faculdade, Lex sabia que trabalhar na universidade era uma ótima maneira de ampliar seu círculo social e conhecer gente nova. As únicas pessoas que ele conhecia nesse meio eram Honey, a enfermeira, e Vernan, o indecente, o que significava que ele queria evitar cerca de metade do pessoal que conhecia.

Como quase tudo na academia ficava longe, Lex precisou pegar um ônibus para chegar à secretaria de carreiras. Essa era a parte onde podia candidatar-se a empregos, e o processo foi muito mais simples do que ele esperava.

A pessoa no balcão primeiro verificou sua agenda, conferiu sua classificação e depois forneceu uma lista de empregos disponíveis que não conflitassem com sua rotina, além de oferecer experiências de trabalho relacionadas à sua área.

Da lista, dois trabalhos chamaram bastante a atenção dele. O primeiro era como assistente de um ferreiro de armas. Essa posição permitiria que ele conhecesse os diferentes tipos de armas usadas nesse mundo, embora não participasse da fabricação propriamente dita. Seu trabalho era cuidar de tarefas secundárias, como limpeza e organização. O segundo trabalho era transcrição.

Consistiria em escrever e registrar as pesquisas de professores e tutores da academia. Apesar de muito monótono, esse trabalho poderia fornecer vastas fontes de informação sobre diversos assuntos.

No fim, Lex decidiu aceitar o cargo de assistente do ferreiro de armas. O trabalho de transcrição era pouco confiável — e se ele acabasse preso gravando o trabalho de algum serviço ridículo?

Assim que fez sua escolha, recebeu as orientações de onde ir e que precisava fazer o check-in imediatamente. Ficou surpreso com a rapidez com que o trabalho começou, mas, na verdade, não tinha mais nada para fazer.

Ele pegou outro ônibus, porém seu destino agora era diferente de todos que tinha ido antes. Até então, todos os prédios que via na academia eram bem afastados e pareciam se integrar à natureza. Agora, no entanto, parecia que ele estava entrando numa cidade.

Arranha-céus que dariam inveja a Nova York dominavam o horizonte, com um fluxo interminável de veículos entrando e saindo. As ruas pareciam empilhadas umas sobre as outras, todas no mesmo sentido, para facilitar o deslocamento rápido. Pequimas naves voadoras zumbiam acima na atmosfera, e ao longe, parecia que Lex via um rio cheio de embarcações indo em direção à cidade também.

Parecia que tinha acabado de sair de um país das maravilhas fantasioso e entrado num futuro utópico cyberpunk. A coisa mais louca era que… isso ainda era só uma região da academia. Lex absorvia a paisagem — principalmente porque, ao sair do ônibus, se perdeu no caminho até seu trabalho. Não tinha o hábito de navegar por uma cidade sem um mapa no celular.

Depois de ajudar-se com vários estranhos na rua, Lex finalmente se encontrou na frente de uma casa charmosa, com um pequeno jardim na frente e uma cerca de picaretas amarelas. Isso… definitivamente não era o que ele esperava de um "ferreiro".

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