O Estalajadeiro

Capítulo 155

O Estalajadeiro

Haviam várias batalhas acontecendo nos jogos, principalmente perto do segundo baú. Era uma luta frenética, uma batalha de um contra todos, mas mesmo com os melhores esforços, o baú permanecia sob controle da horda de zumbis que parecia lentamente puxá-lo de volta para o centro.

Os elefantes encontraram o seu igual em zumbis de dez metros de altura, os lobos foram parados pelos zumbis com tentáculos; os humanos desaceleraram por uma raça especial de zumbis que conseguiam cavar no chão. De verdade, era um espetáculo.

Perto do centro do mapa, 99 soldados destemidos lançavam ataques repetidos com o que parecia ser lançadores de foguetes, como se nunca fossem ficar sem munição. A verdade é que essas armas eram alimentadas por energia espiritual, então, nas condições atuais, eles realmente não ficariam sem munição.

Isso, junto às emoções excessivamente exaltadas devido à energia acumulada em suas cabeças, levou a uma situação onde eles estavam lutando contra as hordas como crianças jogando videogame, ao invés de apoiarem Alexander, que estava mais pra dentro da ação.

Porém, apesar de tudo isso, neste momento específico, a maioria das pessoas assistindo aos jogos tinha sua atenção voltada para Alexander. Quando ele foi arremessado no chão pela primeira vez, ficou completamente atordoado, a aura dourada ao seu redor desapareceu e ele ficou sem ar. Mas aquilo era só o começo.

Pramod não desacelerou seus movimentos e começou a espanca-lo como uma boneca de pano. Com uma pegada forte o suficiente para amassar aço, abalando a perna do adolescente, ele o girou sobre sua própria cabeça e o projectou contra o chão. Uma, duas, três vezes.

Quando estava prestes a esmagar Alexander no chão pela quarta vez, sem resistência, as pessoas já suspeitavam que ele estivesse morto, mas foi nesse momento que as seis lâminas que haviam caído no chão levantaram voo, mirando perfurar a mão de Pramod.

Originalmente, o demônio gigante pretendia ignorar as lâminas, pois confiava plenamente na sua armadura escamosa, mas quando a primeira lâmina cortou seu antebraço, o demônio não teve escolha senão soltar Alexander e recuar.

O demônio olhou para seu braço sangrando com uma mistura de dor e fascínio, dando ao adolescente derrotado algum tempo para se levantar. Mesmo cambaleando, sua cabeça girava e ele não conseguia pensar direito. Pela primeira vez em muito tempo, Alexander foi pego totalmente de surpresa e ficou perdido.

Antes que sua energia física infinita pudesse ajudá-lo a se recuperar completamente, Pramod decidiu atacá-lo novamente.

Mas as coisas não saíram como planejado. Mesmo sem um pensamento coerente, essa não foi a primeira batalha de Alexander. Seus instintos estavam afinados por horas de combate incessante e treinamento de especializado.

Seus seis lâminas, ainda tão afiadas e letais quanto sempre, atacaram imediatamente Pramod assim que ele se moveu em direção a Alexander. Os poucos segundos de atraso dele foram suficientes para que Alexander se recuperasse por pouco.

Ele não parecia mais um jovem bonito, saído da capa de uma revista. Cabelos bagunçados e uma camada de sujeira no rosto eram o menor dos seus problemas. Estava com o nariz quebrado, várias fraturas pequenas nas costelas e provavelmente uma perna gravemente deslocada. Se o osso tinha sido esmagado ou não, ainda se poderia debater, mas seus músculos e tendões certamente estavam rompidos.

Mas, mesmo ao erguer as mãos para arrumar o nariz, Alexander exibia um sorriso desordenado. Para que cultivo seu corpo, senão para suportar esses ferimentos, ou piores? Ainda levando em conta a rapidez com que poderia se curar com sua energia de espírito infinita.

"Foi uma boa surpresa," disse ele, antes de franzir a testa. Depois de mexer a língua na boca por um segundo e descobrir o problema, cuspiu alguns dentes quebrados.

"Você me deu uma boa surpresa," repetiu, com seu sotaque apenas levemente alterado pela falta de dentes. "Nem me lembro da última vez que tive uma concussão."

"Não foi algo direcionado especificamente a você," disse Pramod, sua voz surpreendentemente suave e doce, como se fosse uma criança. "Mas adorei ter te encontrado. Com essa sua cara sisuda e atitude de que o mundo inteiro gira ao seu redor, você tava mesmo começando a me irritar. Vou aproveitar bastante te derrubar."

Alexander sorrindo, olhou para o gigante demônio à sua frente. O garoto ainda não tinha atingido seis pés de altura, então precisou levantar a cabeça, mas sua postura parecia como se estivesse olhando de cima para baixo para Pramod.

Por um momento, considerou trocar mais algumas palavras com o adversário, mas decidiu partir logo pra cima.

Auras douradas voltaram a envolver Alexander, que então avançou contra o demônio. As seis lâminas levantaram voo, afastando-se dos dois, mas mantendo o foco em Pramod. Mesmo sem fazer nada, a ameaça de ser atacado de seis direções diferentes parecia real, até para Pramod, mas a maior ameaça era a espada na mão de Alexander.

Porém, o demônio não recuou. Uma aura roxa se envolveu em suas mãos enquanto ele golpeava diretamente a espada, empurrando Alexander para o lado. A força monstruosa de Pramod já era perigosa por si só, mas a aura roxa também tinha efeito corrosivo na lâmina.

Alexander precisou usar rapidamente sua energia de espírito para remover a aura roxa residual, apenas para descobrir que sua espada havia embotado um pouco na metade.

Ele abaixou-se, ainda olhando para a espada, justo a tempo de desviar de uma grande palma e dar um passo mais perto do corpo do demônio. Usando ambos os braços, balançou a espada para cima, rasgando o pescoço do demônio. O demônio se moveu agilemente, sua velocidade não sendo afetada pelo tamanho gigante.

Os dois trocaram golpes, cada um mais letal que o anterior, tentando matar um ao outro. Ainda assim, apesar da velocidade e do skill impressionantes, até então todas as técnicas tinham sido apenas de aumento simples. Alexander aumentava a letalidade da sua espada, enquanto o demônio fazia o mesmo com as mãos.

O adolescente humano foi o primeiro a romper o padrão, uma descarga de energia dourada escapando da ponta de sua espada enquanto ela passava perto do rosto de Pramod após um desvio. Alexander já se preparava para o próximo movimento quando o demônio desviou, mas, inesperadamente, o raio acertou-o em cheio na cara.

Pramod gritou enquanto caía para trás. Imediatamente, Alexander aproveitou a oportunidade e atacou de frente. Incapaz de desviar inteligência e habilmente como antes, Pramod soltou uma grande explosão de energia roxa da palma da mão, jogando a espada de Alexander para longe. Por um momento, pareceu que o demônio tinha conseguido se proteger.

Depois, uma das lâminas de Alexander, que há tempos havia sido esquecida, perfurou o pescoço do demônio pelas costas. Através do capacete que o gigante usava, Alexander só viu seus olhos surpreendidos, misturados com horror. Então, outra das lâminas cortou o pescoço do demônio, e mais outra, até que a cabeça fosse completamente arrancada do corpo.

No Inn, todos ficaram paralisados diante daquela conclusão repentina. A batalha sequer tinha acabado. Onde estava a luta desesperada? Onde estavam as técnicas escondidas? Como pôde terminar tão rápido? Será que aquele era tudo que havia no comandante do demônio?

Ou seu fim foi extremamente sem graça, ou esse Alexander era muito mais forte do que parecia.

As crianças da academia Troy explodiram em aplausos, despertando os demais de seu transe. No quarto dela, Loretta continuava assistindo à tela com uma expressão serena. Parecia que ela não se importava com a morte de Pramod.

"Para ser sincero, esperava algo mais," disse Alexander, olhando para a cabeça do demônio, já separada do corpo. Ainda tinha coisas na manga. Ele só estava se aquecendo. Mas foi um bom lembrete para ele: a vida nem sempre é como um filme. Nem sempre se tem uma batalha longa e elaborada.

Um descuido momentâneo pode decidir até mesmo o destino de um especialista antes da hora.

Usando toda sua força física e espiritual, Alexander de repente se moveu para o lado, um calafrio de medo invadindo seu coração, mas foi pouco suficiente.

Uma espada — sua espada descartada — perfurou suas costas e atravessou seu peito, atingindo seu pulmão esquerdo.

As pessoas no Inn, humanos e bestas, ficaram imóveis ao verem a cena. Atrás de Alexander, ficou um corpo sem cabeça.

"Para ser sincero, eu esperava mais," ouviu uma voz doce. Seus olhos olharam para o rosto, na esperança de ver seus olhos encarando de volta, mas seu rosto nem precisou ser visto, pois o olhar em seus olhos já dizia tudo: ele estava sorrindo.

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