
Capítulo 105
Flores São Iscas
Lee-yeon vinha evitando falar com Choo-ja, então Joo Dong-mi ligou para ela.
“Diretora, pode comparecer ao jantar da empresa só desta vez?”, ela perguntou.
“Como?”, Lee-yeon respondeu.
“É que ainda não fizemos uma festa de boas-vindas para Kwon Chae-woo”, disse Joo Dong-mi. “Precisamos de uma desculpa oficial para relaxar e comer à vontade. Aquele homem é louco... quer dizer, um mutante que nem sequer ouve o líder da equipe. Então, por favor, nos salve e nos dê um motivo para fazer esta festa!”
Lee-yeon checou o relógio e se levantou. “Choo-ja, já volto.”
Ela tinha que fazer isso para que seu marido se entrosasse bem com a equipe. Decidiu dizer sim a Joo Dong-mi, ignorando seu próprio desconforto.
“Ele realmente deveria ter vergonha do nome dele!”, Joo Dong-mi disse alto para que todos na sala ouvissem. Ela ainda não conseguia superar sua experiência com o homem chamado Jang Beom-hee.
Muitas pessoas agora olhavam em sua direção. Seus olhos estavam cheios de curiosidade e horror enquanto iam de Lee-yeon para Kwon Chae-woo e de volta para Lee-yeon. A curiosidade dos funcionários do centro era evidente.
Lee-yeon congelou quando Kwon Chae-woo bateu os hashis na mesa e olhou para eles com raiva. Seus colegas de trabalho desviaram o olhar no mesmo instante.
Ela suspirou para si mesma. Podia ver a reputação que aquele homem tinha entre seus pares. Sentia que era tudo culpa dela que ele estivesse agindo daquela forma.
Por outro lado, Joo Dong-mi estava cuspindo sua miséria enquanto meio que dormia.
“Eu nunca vi nenhum homem que agisse assim na frente de uma mulher com um corpo como o meu!”, ela disse. “Ele é um tigre, então como pôde? Ele não está fazendo jus ao nome dele! Se ele é um tigre, ele deveria agir como um!”
Kwon Chae-woo não se incomodou em esconder sua carranca ao vê-la naquele estado de embriaguez e continuou colocando toda a carne cozida no prato de Lee-yeon.
Ela tinha vindo para que seu marido pudesse ter bons relacionamentos com seus colegas de trabalho, mas parecia que eles estavam em um encontro. Lee-yeon largou os hashis. “Chae-woo, vá conversar com seus colegas de trabalho. Beba algo com eles, divirta-se.”
Kwon Chae-woo olhou para ela. “Você já bebeu com outros antes?”
Ele já estava insatisfeito quando ela disse que viria. Ficou feliz em vê-la, mas só por um momento. Não queria deixar Lee-yeon em um lugar lotado como aquele por muito tempo.
“Já estou irritado que minha esposa esteja sendo exibida, mas suas palavras me irritam ainda mais.” Kwon Chae-woo entrelaçou seus dedos com os dela embaixo da mesa. “Você quer que eu faça *o quê* com os outros? Conversar com eles? Sério?” Seus olhos estavam escuros e sua voz estava ficando fria. O espaço entre as pernas de Lee-yeon latejou. Ela estava confusa que seu corpo estivesse reagindo antes de sua cabeça.
“Diretora”, Joo Dong-mi encostou a cabeça nas mãos e olhou para eles. Seus olhos cansados estavam se movendo vagamente. Pareceu um pouco assustador por um tempo, mas então ela começou a dizer algo surpreendente: “Sabe onde eu acho que já vi seu marido antes?”
Lee-yeon sentiu seu coração parar. *Será que ela já viu Kwon Chae-woo antes?* O barulho no restaurante diminuiu e apenas o batimento cardíaco dela o preencheu. Pareceu uma eternidade antes que ela engolisse em seco.
“Eu acabei de me lembrar.” Joo Dong-mi apontou para Kwon Chae-woo. “Durante umas férias de verão quando eu estava no ensino médio, fui para a Europa com minha família. Eu vi uma criancinha em Viena, na Áustria, e seu marido se parecia muito com aquela criança. Se ele não tivesse mudado e crescido como era, ele pareceria exatamente o mesmo. Mas, é claro, eles não seriam as mesmas pessoas.”
Ela zombou de si mesma. “Aquela criança era ótima também, no entanto, como este cara que escalou uma montanha carregando um veado. [1] Eles também parecem bastante semelhantes. Mesmo que a idade e a ocupação deles sejam diferentes.”
“Uma criancinha?”, Lee-yeon perguntou. Suas pontas dos dedos estavam frias, mas se aqueceram rapidamente graças à mão de Kwon Chae-woo.
“Claro, ele não era um menino comum. Do rosto ao som que ele fazia, ele era tão impressionante que acho que não consegui esquecê-lo.” Joo Dong-mi deu de ombros levemente. “Ele era um violoncelista.”
***
Os ombros de Lee-yeon relaxaram quando ela soltou um suspiro.
“Ele era pequeno, então parecia estar no ensino fundamental”, disse Joo Dong-mi. “Eu o procurei depois que voltei e ele não era muito conhecido na Coreia para alguém que tinha estreado na Europa. Não é estranho?” Joo Dong-mi inclinou a cabeça como se ainda fosse misterioso. “De qualquer forma, meus pais estavam sempre me enchendo, sempre me comparando a ele.”
Ela estremeceu como se não quisesse ser lembrada. Então, ela olhou para Kwon Chae-woo novamente. “Mas, coincidentemente, nosso júnior aqui também parece saber bastante sobre música clássica.”
Kwon Chae-woo parou de mover as mãos e os olhos de Lee-yeon se arregalaram. Esta era a primeira vez que ela ouvia falar disso.
“Chae-woo?” Ela olhou para ele em busca de respostas.
“Ah, você não sabia?”, Joo Dong-mi perguntou. “Na festa do meu tio outro dia—”
“Pare de falar bobagens.” Kwon Chae-woo impediu Joo Dong-mi de continuar.
Mas Lee-yeon agora estava curiosa para saber o que ela ia dizer em seguida. “Eu também quero saber”, ela disse.
“Eu—” Kwon Chae-woo começou a falar instintivamente quando viu seus olhos inocentes. Ele era sempre irritantemente obediente.
Joo Dong-mi estalou a língua como se dissesse que tinha terminado de beber.
Kwon Chae-woo pigarreou. “Eu consegui adivinhar o título da música imediatamente.”
“Sério?”, Lee-yeon perguntou.
“Sim”, Joo Dong-mi assentiu. “Pode ser isso.”
Os olhos de Kwon Chae-woo foram para Joo Dong-mi por um momento, mas ela estava muito ocupada tentando desbloquear seu telefone.
“Pensando bem”, Lee-yeon se mexeu em seu assento. “Quando você dorme, Chae-woo, eu ligo a música às vezes. Você dorme muito bem.” Então, ela murmurou para ele: “Você nem chora”, para que ninguém além de Kwon Chae-woo visse.
Ele sorriu. Ele se inclinou para ela e abaixou a voz. “Essa não é a única maneira de impedir seu homem de chorar.”
“O quê?”, Lee-yeon piscou.
“Eu não choro dormindo depois do sexo”, ele disse.
Suas orelhas ficaram vermelhas imediatamente.
Kwon Chae-woo apertou a mão dela com mais força embaixo da mesa. “Então, eu choro hoje à noite ou não?”
[1] - Alusão à bravura e força.