
Capítulo 104
Flores São Iscas
“Se você me entendeu, nunca mais mostre essa sua cara.”
Jang Beom-hee ficou sem palavras. Kwon Chae-woo, o homem que invadiria um território no instante em que visse sangue, agora estava sendo tão educado. Só de pensar nisso, ele se encolheu.
Kwon Chae-woo foi embora sem olhar para trás e Jang Beom-hee franziu a testa para ele enquanto segurava o braço dolorido.
Ele sentiu o celular vibrar e enfiou a mão no bolso para pegá-lo.
Era um número desconhecido, mas ele já o conhecia bem demais. Só de olhar para ele já lhe dava dor de cabeça. Era uma mensagem de alguém com quem ele havia passado a noite por acidente. Ela estava mandando mensagens para ele há alguns dias e isso estava começando a ficar problemático.
Você pode esquecer meu nome, mas sei que se lembra do meu corpo.
Jang Beom-hee coçou a nuca enquanto lia a mensagem e, em seguida, olhou para onde Kwon Chae-woo havia desaparecido.
Nada estava dando certo para ele.
“Ele deveria ter vergonha do nome dele!” Eles estavam em um restaurante de churrasco coreano e a conversa era alta e agitada.
“Diretora, você sabia que os tigres acasalam 100 vezes?” Joo Dong-mi perguntou despreocupadamente.
“Hã?” Os olhos de Lee-yeon se arregalaram enquanto ela engasgava e cuspia a água que estava bebendo.
“Aquele homem, o nome dele era Beom – significa tigre,” Joo Dong-mi arrastou as palavras. “Ele era tão doce quanto um herbívoro!”
Lee-yeon assentiu, um pouco confusa. “Claro, tudo bem.”
“Não é possível, não é!” Joo Dong-mi exclamou. Ela levantou o copo e derramou um pouco da bebida na mão. Ela lambeu.
Lee-yeon podia ver a garrafa de soju meio vazia ao lado de Joo Dong-mi e olhou para a mulher que estava vermelha no rosto e soltando absurdos. Ela pensou nas últimas semanas e tentou se lembrar de como eles chegaram a esse ponto.
O torneio havia sido cancelado graças ao deslizamento de terra. O Hospital Spruce Tree e o Hospital Mi receberam um novo caso para o torneio cerca de três semanas após o desastre natural.
O caso era curar a árvore espiritual, que era conhecida por ter um fantasma vivendo dentro dela—
“Eles são loucos? Eles sabem que tipo de árvore é essa?” Choo-ja bateu na mesa e olhou furiosamente quando Lee-yeon contou a ela.
Lee-yeon deu de ombros. “Talvez eles estejam apenas com medo de nós,” ela sugeriu.
“Não seja tão ingênua!” Choo-ja rosnou.
A questão sobre a árvore era que, no passado, todos os médicos que tentaram tratá-la encontraram alguma forma de infortúnio ou outra enquanto tentavam concluir a tarefa. Desde os filhos reprovando nos exames até divórcio, passando por golpes de investimento e todos os tipos de doenças psicológicas e acidentes físicos imagináveis.
Todos os médicos de árvores em Hwaido sabiam disso, e é por isso que evitavam a árvore o máximo que podiam.
“Você definitivamente não pode fazer isso,” Choo-ja disse. “Você estaria se colocando em terrível perigo!”
Lee-yeon brincou com sua xícara de chá e olhou para o padrão de folha na mesa.
“Ouvi dizer que todos os outros hospitais ficaram aliviados ao ouvir isso,” Choo-ja continuou. “Estou tão irritada!”
O rosto de Lee-yeon caiu quando ela começou a se preocupar. Não importava o quanto ela pensasse em uma saída para isso, não havia solução. Ela também começou a sentir que, por alguma razão estranha, estava sendo designada para algumas das tarefas mais difíceis, incluindo a avalanche. Mas ela tentou ignorar isso.
Havia um pequeno templo ao lado da árvore espiritual de 500 anos. Os moradores da cidade estavam fazendo o possível para salvar o protetor da cidade, mas nada parecia funcionar. Por causa dos rumores cada vez maiores em torno da árvore, o momento perfeito para ela ser tratada já havia terminado e agora estava prestes a morrer.
Lee-yeon pensou que o ministério florestal havia escolhido um caso irritante.
“Não posso fazer nada sobre isso,” ela disse. “Eu tenho que tentar. Você já me viu escolher meus pacientes?”
Choo-ja franziu a testa para isso.
“Você deve escolher seus amigos, mas não sua árvore,” Lee-yeon continuou.
Choo-ja zombou e olhou para ela com os olhos semicerrados. “Claro,” ela disse, revirando os olhos. “Parece que foi ontem que você estava irritada com aquele homem perigoso em estado vegetativo. Você sempre dizia o quanto ele era uma praga e me fez mentir também. Mas agora você está com ele.”
Lee-yeon estremeceu e rapidamente bebeu seu chá.
“Mas, é claro, você deve escolher seu amigo, mas não a árvore,” Choo-ja zombou dela, rindo.
Lee-yeon fez o possível para esconder o rosto atrás de sua xícara de chá.
Outra coisa que havia acontecido desde o deslizamento de terra era que Kwon Chae-woo havia se tornado estagiário no Centro de Resgate de Vida Selvagem, sua posição logo abaixo de Joo Dong-mi. Ele era o reserva para resgatar animais feridos e transportá-los, e estava muito ocupado indo a locais de resgate, bem como estudando. Graças a isso, ele e Lee-yeon passaram um pouco menos de tempo juntos.
Mas, surpreendentemente, eles ainda faziam três refeições por dia juntos. Ele sempre ia ver Lee-yeon durante o intervalo do almoço. Ela sabia o quão ridículo isso era de um ponto de vista externo, então sempre tentava mandá-lo de volta, mas ele nunca ouvia.
Lee-yeon começou a ter medo da hora do almoço. Ela ficava ansiosa toda vez que a porta se abria, preocupada que fosse Kwon Chae-woo vindo buscá-la.
Além disso, todas as noites, ele a atormentava tanto que Lee-yeon sentia como se suas costas estivessem sendo quebradas todos os dias. Algumas noites, ele nem a deixava piscar e ela ia trabalhar no dia seguinte sem dormir nada.
Algo estava errado. Ambos estavam ganhando renda, mas Lee-yeon sabia que algo estava um pouco estranho!