
Capítulo 67
Flores São Iscas
Kwon Chae-woo mordia o lábio, a ponto de sangrar, numa tentativa de não emitir nenhum som. Ele enterrou o rosto na coxa de Lee-yeon e gemeu.
“Nós somos apenas pessoas comuns!” Lee-yeon tentou implorar aos traficantes.
“Pensem bem,” disse o homem com a marreta, “É mais vantajoso para nós deixar vocês viverem ou matar vocês?” Lee-yeon apenas encarava os homens, aterrorizada.
“Piquem o cara para podermos ensacá-lo e levá-lo para o barco para desovar.”
Todos os bandidos avançaram de uma vez. Eles arrancaram Kwon Chae-woo de perto de Lee-yeon e começaram a chutá-lo e golpeá-lo com os canos de aço. Kwon Chae-woo não resistiu e apenas se encolheu em posição fetal para tentar proteger as partes vulneráveis de sua anatomia.
“Kwon Chae-woo!” Lee-yeon gritou enquanto se debatia contra as amarras. “Parem! Por favor, parem!”
O corpo de Kwon Chae-woo se convulsionava no chão. Ele tinha um corte na testa que jorrava sangue, e hematomas arroxeavam cada centímetro de sua pele exposta. Lee-yeon se debatia com mais força, mas não havia nada que ela pudesse fazer.
“O que você está fazendo? Levante-se, Kwon Chae-woo! Você vai deixá-los te espancarem?” Lee-yeon gritou, com a voz trêmula.
Um dos traficantes levantou um cano de aço, mirando para que ele caísse sobre a cabeça de Kwon. Lee-yeon tentou se levantar, ainda presa à cadeira, e acabou caindo.
“Por favor, não na cabeça! Não bata na cabeça dele! Se precisar bater nele, bata em qualquer outro lugar, só não na cabeça!” Lee-yeon gritou. O homem parou; o cano de aço pairava sobre sua cabeça.
“Por favor! A cabeça dele é fraca! Se ele for atingido na cabeça, pode ser muito ruim! Por favor, não faça isso!” Lee-yeon tentou rastejar pelo chão até seu marido, arrastando a cadeira à qual estava presa. O cano de aço começou seu movimento descendente. “Kwon Chae-woo, se mexa!”
Kwon Chae-woo de repente rolou para o lado. O cano de aço atingiu o chão vazio. Mas o resto dos homens não pararam de socá-lo.
“Kwon Chae-woo, o que você está fazendo!?” Lee-yeon gritou. “Por que você está deixando eles te espancarem!? Você não é essa pessoa! Bata neles, bata neles! Você é capaz de revidar!”
“Eu não deveria estar fazendo isso.” Ele gemeu entre os golpes. “Você não quer que eu me torne violento.”
Lee-yeon não podia acreditar no que estava ouvindo. Essa situação era completamente diferente. “Você é realmente tão estúpido? Eles estão te matando! Esta não é a hora de bancar o nobre! Mate esses filhos da p*, ” ela gritou.
Os lábios de Kwon Chae-woo se curvaram em um sorriso de alegria. Ela finalmente havia chegado ao nível dele. Seus olhos se clarearam e ele gemeu de prazer. Pegando uma adaga que ele havia escondido em seu casaco, ele começou a cortar os bandidos, cortando os tendões de seus tornozelos e apunhalando os músculos de suas panturrilhas.
As ações de Kwon Chae-woo eram fluidas, e os homens começaram a cair como cana-de-açúcar recém-colhida. Lee-yeon estremeceu e fechou os olhos. Ela podia ouvir os sons repugnantes enquanto Kwon Chae-woo começava a esmagar seus crânios, batendo suas cabeças contra a mesa.
Quando os sons de sofrimento diminuíram, Lee-yeon lentamente abriu os olhos. Era como se a sala tivesse sido lavada com sangue. Ele se acumulava no chão, escorria pelas paredes e pingava do teto. Lee-yeon lutou contra a vontade de vomitar e balançou a cabeça, tentando remover a visão diante dela. No entanto, se essa situação ocorresse novamente, ela diria a mesma coisa para Kwon.
Um traficante ainda estava de pé nesta fazenda de drogas na bela ilha de Hwaido. Eles precisavam passar por ele para poder revelar às autoridades este local. Talvez houvesse mais antros de drogas nas outras montanhas. Era importante que encontrassem todos eles.
“O que você é?” Foi o homem com a marreta quem ainda estava de pé, seus olhos arregalados de medo ao ver a bagunça sangrenta que era Kwon. Kwon Chae-woo limpou a lâmina de sua faca em suas roupas e ignorou a pergunta do homem.
O traficante tentou um último ataque em desespero. Kwon Chae-woo desviou da marreta pesada e entrou na guarda do homem. Agarrando os braços do homem, ele o jogou no chão. O homem jazia no chão, gemendo de dor. Ele pegou a marreta e a balançou para baixo nos pés do homem, assim como havia sido feito com ele. Então ele levantou a marreta novamente e a esmagou nas mãos do homem, em retribuição por tocar em Lee-yeon. Durante todo esse tempo, seu rosto não mostrava nenhuma emoção.
Quando o massacre foi concluído, Kwon Chae-woo vasculhou os bolsos dos corpos. Ele coletou vários telefones celulares. Então ele foi até Lee-yeon.
“Você está bem?” ele perguntou, enquanto a sentava e cortava as cordas que a prendiam.
“Sim.” Lee-yeon tentou controlar seu medo, não apenas dos traficantes que a haviam torturado, mas do homem que ele havia se tornado agora. Kwon Chae-woo viu o terror em seus olhos e ficou triste com o que a havia feito passar.