Flores São Iscas

Capítulo 68

Flores São Iscas

“Ninguém morreu,” Kwon Chae-woo garantiu. “Lee-yeon, você está bem?” Kwon Chae-woo parecia ser o mais machucado. Cortes e hematomas cobriam seu corpo.

“Kwon Chae-woo,” Lee-yeon sussurrou fracamente, “Ataque teria sido a melhor defesa.”

Seu coração estava pesado de culpa. Ela havia se esquecido de que Kwon Chae-woo era o tipo de homem que tomaria as palavras de Lee-yeon como se fossem as palavras de Deus. Ela se culpou, pensando que era culpa dela que ele se machucasse simplesmente porque ela tentou transformá-lo em alguém que ele não era. Kwon Chae-woo não resistiu, mesmo sendo espancado e torturado. A terrível dor que ele suportou deixou uma profunda marca em seu coração.

“Eu estou bem, Kwon Chae-woo.” Lee-yeon respirou fundo e olhou para ele. “Haverá momentos em que você vai querer quebrar coisas, e haverá momentos em que você só vai querer passar uma noite tranquila com outra pessoa. É totalmente normal se sentir assim. Você vai se sentir assim, não porque você está mentalmente doente, mas porque é o que seu instinto diz. Eu tentei te transformar em alguém que eu achava que você deveria ser, mas a verdade é que cada um é diferente.”

Lee-yeon balançou a cabeça como se tentasse se convencer. “De agora em diante, não tente mudar por mim. Hoje em dia, ser um bom lutador pode ser uma vantagem. Com o seu nível de habilidade, você pode ajudar Gyu-baek a pegar insetos com asas, ou você pode proteger sua família de pessoas más como esses homens que encontramos hoje. Obrigada por me salvar.”

Lee-yeon evitou o olhar de Kwon Chae-woo o tempo todo em que falou. Kwon Chae-woo franziu as sobrancelhas e abriu um sorriso doce. Ignorando a dor latejante, tudo o que ele conseguia sentir era um formigamento no coração. “Vamos para casa agora. Vamos sair daqui. Mas, antes disso, você pode tirar uma foto deste lugar?”

Lee-yeon ligou a câmera do celular e começou a coletar fotos para usar como evidência. Kwon Chae-woo remexeu nos telefones antigos que pegou dos bolsos dos homens. Todos pareciam ser celulares descartáveis. Enquanto ele examinava as caixas de mensagens com olhos frios, os cantos de seus lábios se contraíram para cima.

Tiriri-

De repente, um dos telefones tocou no ar frio da noite. Lee-yeon, que estava por perto, prendeu a respiração quando viu o nome na pequena tela.

「Jo Kyung-cheon」

Lee-yeon estendeu a mão para pegar o telefone quando uma mão a impediu. Ela gritou, quase tendo um ataque cardíaco, com Kwon Chae-woo se aproximando sorrateiramente por trás dela. Por alguma razão, ele tinha um fino pano preto sobre a cabeça.

“O que, o que você está fazendo?” ela perguntou.

“Lee-yeon, você quer andar de barco comigo?”

“O quê?” Ele estava assustando-a de novo.

“Nós não conseguimos terminar nosso encontro, então por que não vamos andar de barco?” Lee-yeon podia ouvir Kwon Chae-woo cantarolando alegremente sob o pano.


Hwaido é uma ilha. Quando você viaja alguns quilômetros das montanhas até o cais, você consegue ver os barcos de pesca flutuando em fila. Lee-yeon juntou as palmas das mãos enquanto observava a paisagem mudando rapidamente do lado de fora da janela do carro. A velha van chacoalhava muito cada vez que passava por uma lombada na estrada.

“Kwon Chae-woo, você está fora de si?” Lee-yeon perguntou nervosamente. “Por que você está fazendo isso comigo? Você está me assustando demais.”

Kwon Chae-woo ainda estava usando o pano preto na cabeça e tinha amarrado as duas mãos com uma corda. Qualquer um que o visse o confundiria com um refém.

“Você me disse para quebrar tudo se eu quisesse. Eu quero ser útil.” Ele tinha um olhar assassino nos olhos. “Eu vou me tornar seu marido orgulhoso que merece ser premiado.”

Seja lá o que você esteja tentando dizer, se você está vestido assim, nada vai soar convincente, pensou Lee-yeon. Se ela enrolasse uma corda em volta do pescoço dele, ele pareceria alguém que estava prestes a ser executado. O fino pano grudava em sua boca toda vez que ele respirava.

Lee-yeon não conseguia decidir se deveria ligar para o irmão de Kwon Chae-woo pedindo ajuda ou ligar para a polícia primeiro.

“A propósito, Lee-yeon. Arranjo floral era a única coisa que eu fazia antes de sofrer o acidente?”

“Por que você está me perguntando isso de repente?”

“Porque eu sinto que estou mais acostumado a usar uma faca do que a criar arte com flores. Eu sei onde e como preciso esfaquear as pessoas para matá-las instantaneamente. Meu cérebro pode me dizer centenas de maneiras de torturar as pessoas, maneiras que lhes darão a maior dor.” Kwon Chae-woo disse tudo isso sem o menor traço de emoção em sua voz.

Lee-yeon apertou as mãos com força e engoliu em seco. Retiro tudo o que eu disse. Você nunca deveria ter permissão para sair de casa. Ela fingiu como se não estivesse surpresa com suas palavras. Ela falou no que esperava ser uma voz calma e convincente. “Seu hobby… era boxe.”

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