
Capítulo 66
Flores São Iscas
Kwon Chae-woo baixou a cabeça, o rosto exibindo uma miríade de cores diferentes por causa da surra. O jovem não percebeu nenhuma mudança, mas os movimentos de Kwon Chae-woo pareceram ficar mais suaves, como se ele tivesse recuperado o controle do corpo.
“Com certeza tem umas coisas aleatórias nessa ilhazinha do caralho”, Kwon Chae-woo grunhiu desafiadoramente. “Eu não posso nem ir a um piquenique com a Lee-yeon mais, sem me sentir perturbado.”
Kwon Chae-woo franziu a testa e se virou para o homem segurando a faca. “Você não acha que é perigoso demais para alguém ter filhos aqui?”
O jovem, segurando o braço de Kwon Chae-woo, pareceu chocado, sem saber o que pensar do comportamento estranho do refém. Na verdade, o jovem estava mais assustado com Kwon Chae-woo. O jovem estava acostumado com loucura. As drogas que eles produziam destruíam qualquer senso de racionalidade. As pessoas afetadas regrediam a uma natureza primordial, quer quisessem ou não. Ele já tinha visto de tudo, mas nada como o que esse homem fez.
Kwon Chae-woo tinha pedido para ser espancado quando o jovem o flagrou espionando. E o mais estranho era que Kwon parecia ter uma mente clara. O jovem desferiu alguns socos, a pedido de Kwon, mas Kwon não achou suficiente e começou a se bater. Foi a ação mais psicótica que o jovem já testemunhou.
Depois que Kwon se espancou até ficar roxo e preto, ele se virou para o jovem e perguntou: “Eu pareço patético? Minha esposa cuida bem dos doentes e patéticos.”
O jovem tinha certeza de que Kwon estava sob alguma forma de droga que ele nunca tinha visto. Ele tinha ouvido falar que sais de banho causavam esse tipo de comportamento. Talvez Kwon tivesse vindo aqui para conseguir mais drogas? O jovem passou por todas as possibilidades em sua mente.
Então Kwon foi um passo além, pegando uma pedra. Como se os golpes iniciais não fossem suficientes, Kwon começou a golpear a pedra em seu nariz e lábios sem hesitação. O jovem realmente tentou impedir Kwon de causar mais abusos a si mesmo. Ele estava assustado, enquanto observava Kwon sangrar sem qualquer senso de arrependimento ou dor. Kwon terminou a surra, sujou terra por toda a roupa, bagunçou o cabelo e então entregou uma faca ao jovem.
“Me arraste como um prisioneiro”, Kwon ordenou.
“Você não precisa…” o jovem começou, realmente não querendo mais nada com Kwon.
“Você não sabe como lidar com um bastardo que estava te espionando, sabe?” Kwon perguntou. O jovem não sabia o que fazer. Ele tinha pensado em gritar para os outros. Eles tinham matado muita gente, mas por alguma razão o jovem não achava que eles poderiam matar Kwon.
Agora que eles tinham retornado à base, o jovem estava apenas esperando que ele sobrevivesse aos próximos minutos. Ele observou enquanto Kwon Chae-woo ia até a outra prisioneira amarrada a uma cadeira e se ajoelhava ao lado dela.
“Você está machucada?” Kwon perguntou a Lee-yeon. “Me desculpe, por ter deixado você ir.”
Lee-yeon se sentiu triste por tê-los colocado nessa posição. O rosto de Kwon parecia ainda pior, de perto. Seu coração disparou enquanto ela observava o grupo de traficantes de drogas lentamente cercando-os com tubos de aço na mão. No entanto, Kwon Chae-woo parecia nem mesmo vê-los, e repousou o queixo na coxa dela.
“Lee-yeon, você está com fome?” Kwon perguntou. “Devíamos montar nosso piquenique aqui?”
Lee-yeon olhou para ele como se ele tivesse enlouquecido. Claro, isso parecia uma cabana pacífica na floresta, se não fossem pelas drogas e pelos homens que pareciam ter a intenção de matá-los.
“Kwon Chae-woo, estamos encrencados”, ela disse asperamente, tentando tirá-lo de qualquer fantasia em que ele parecia preso.
Kwon Chae-woo balançou a cabeça levemente. Kwon Chae-woo se virou e cuspiu sangue nos homens que os cercavam. “Vocês estão cultivando drogas?” ele perguntou.
“Quem é esse bastardo maluco?” um dos traficantes de drogas perguntou.
Kwon Chae-woo se virou para Lee-yeon e disse: “Lee-yeon, vamos nos mudar amanhã.”
“O quê?” Lee-yeon estava começando a pensar que Kwon Chae-woo tinha pirado de vez.
“Você trabalha na montanha. Você acha que eu vou deixar você voltar ao trabalho depois que isso aconteceu? Você nem me deixa ir com você para te proteger. Então, se você quer continuar encontrando assassinos…”
O apelo de Kwon Ki-seok veio à mente de Lee-Yeon. Ele disse para ter certeza de que Kwon Chae-woo nunca deixasse Hwaido. “Eu gosto de Hwaido”, ela disse.
“Mesmo que esteja tão bagunçado assim?” Kwon Chae-woo disse, indicando os homens que os cercavam e estavam assistindo à conversa como se fosse uma novela diária.
Lee-yeon não tinha nada a dizer. *Como chegamos a isso?* ela pensou. Linda Hwaido. Ela amava a ilha desde a primeira vez que pisou nela, procurando um lugar para morar. Ela nunca poderia deixar essa maravilha natural, cercada por florestas e mar.
“Vocês estão me fazendo rir. Vocês ainda acham que podem ir para casa?” Um dos traficantes de drogas zombou da interação deles, então bateu a marreta que estava segurando no pé de Kwon Chae-woo. Kwon Chae-woo gritou, mostrando dor pela primeira vez.
Lee-yeon gritou. “Nós vamos fingir que não vimos nada!” ela gritou para os homens.