
Capítulo 786
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
— Por favor, me mostre o caminho — disse Katarina, gesticulando para que Michael fosse na sua frente.
Ele obedeceu e começou a caminhar para fora da margem do lago, seguindo pelo passadiço de madeira até encontrar, finalmente, a linha que delimitava os quadrantes.
Assim que seus pés tocaram o piso de pedra, ouviu o som de um mercado animado ecoando à sua frente.
Ele ignorou os mercadores e seguiu em direção ao centro de Nova Esparta, rumo à Torre Dracônica de Zovirru.
Avançou, enquanto Katarina caminhava logo atrás, a poucos passos de distância.
Seu olhar atravessava sua cabeça como uma lança.
Ela observava cada movimento dele, tentando descobrir o que fazia dele tão especial que o professor considerava digno de ser seu único e verdadeiro protegido.
— Nunca soube que o professor tinha uma escola — disse Michael, tentando iniciar uma conversa. — Ele nunca me falou nada a respeito.
— Não é algo que anunciamos — respondeu ela.
— Por quê? É um segredo ou algo assim? — perguntou com tom de brincadeira. Mas, na verdade, ele tentava puxar mais informações dela.
Infelizmente, ela não caiu na isca.
— É melhor para todos se a nossa escola não for mencionada. Temos muitas pessoas que discordam dos nossos ensinamentos.
Michael ficou grato por Katarina estar atrás dele, pois não conseguiu esconder a curiosidade em seus olhos. Parecia que sua hipótese era verdadeira. Sua organização secreta tinha muitos inimigos, por isso precisavam manter-se escondidos.
— Por que as pessoas discordam do seu currículo? Vocês ensinam algo… perigoso? — questionou.
Katarina ficou em silêncio por um instante antes de responder: — É complicado. Acreditamos no modo natural das coisas, enquanto eles acreditam no artificial. Eles acham que essa é a maneira de avançar a humanidade e o mundo como um todo, mas nós acreditamos que os ensinamentos deles só levam à ruína.
Artificial… — repetiu Michael, memorizando essa palavra-chave.
— Que tipo de artificialismo é esse? — perguntou, curioso.
Ela permaneceu calada, recusando-se a responder. Sabia que qualquer resposta que desse entregaria demais.
Percebendo sua intenção de manter segredo, Michael mudou de assunto.
— E a pesquisa do professor… ela é fundamental para garantir que esse caminho artificial possa ser barrado? — perguntou.
Ela assentiu. — Meu pai espera que sim.
Parece que o professor não fazia todo esse esforço apenas por si mesmo. Achava que o velho maluco era simplesmente obcecado por história, mas, na realidade, tinha um motivo muito maior para tudo isso.
— Chegamos — disse Katarina.
Michael parou a poucos metros de uma alta torre de pedra, que se erguia acima das nuvens. Antes que percebesse, eles já haviam chegado ao destino. Em frente a ele, encontrava-se o território do Zovirru dracônico.
Ele estava tão envolvido fazendo tantas perguntas que o tempo pareceu passar totalmente rápido.
Chegou até a desejar que a viagem fosse um pouco mais longa, para poder insistir nela por mais pistas sobre o verdadeiro propósito daquela organização secreta.
Mas, ao menos agora, sabia que estavam lutando contra um inimigo cujos ensinamentos difundiam um caminho ‘artificial’ pelo mundo, e ela, o professor e sua organização estavam empenhados em combatê-los.
Ainda era cedo para saber se eram heróis ou vilões nesse cenário, mas, pela primeira impressão que teve de Katarina, ela não parecia tão má assim.
— Hã… Como vamos entrar? Basta bater na porta? — perguntou em voz alta.
Katarina ia dar um passo à frente quando parou, olhou para cima, em direção ao céu. — Acho que não precisa mais.
Uma grande criatura com asas projetou uma sombra na direção deles.
Michael olhou para cima e viu um dragão vermelho acima deles, baixando as asas lentamente enquanto se aproximava, deslizando em direção ao topo da torre. A cada batida de suas asas, Michael e Katarina sentiram uma vibração no ar lá embaixo.
Era a primeira vez que Michael via um Dragão bem de perto. Parecia tudo o que ele já tinha visto em livros de fantasia e programas de TV do tempo em que vivia na vida anterior.
Tem uma pele cheia de escamas, e, neste caso, o corpo todo do dragão vermelho era coberto por escamas aveludadas de tom vermelho brilhante, que o faziam se destacar contra o céu azul ao fundo.
Ele tinha quatro patas e uma cauda enorme, de onde saíam labaredas de fogo. Seu focinho transmitia poder, e suas mandíbulas, uma força tirânica.
Agora eu entendo por que eles chamam os dragões de a espécie mais dominante do mundo. Se todos os Dracônicos podem se transformar em um dragão gigante como esse, poderiam facilmente sitiar uma cidade como Metrópolis, com só alguns trabalhando juntos.
Sem conseguir conter sua curiosidade, Michael sutilmente ativou seu Drones e sua visão para espiar os detalhes internos de um dragão.
E, ao fazer isso, viu uma cena semelhante à que vira na anciã cega.
Seus corpos transbordavam de Energia de Aubilidade. Cada fibra de sua pele irradiava fios, atuando como uma espécie de pelagem.
Era impressionante ver de perto. Pela quantidade de Energia de Aubilidade que permeava seus corpos, Michael podia afirmar que eram fisicamente incrivelmente fortes, a ponto de desafiar a própria realidade.
Seus poderes rivalizavam com os dos lobisomens em sua forma transformada. A Energia de Aubilidade corria por suas veias, elevando sua força bruta a níveis quase impossíveis.
No entanto, havia diferenças claras entre eles.
Se os lobisomens eram como essa confusão de fios de Energia de Aubilidade, enfatizando força bruta acima de tudo, então os Dracônicos tinham uma disposição muito mais refinada, com fios tecidos de forma a criar verdadeiros circuitos no corpo.
Michael percebia que os Dragões usavam sua força de maneira mais versátil do que os lobisomens. Podiam transformar seu uso de Energia de Aubilidade de uma força física para uma força mágica com um simples movimento mental.
Os lobisomens sacrificaram sua capacidade de modificarem o ambiente ao redor, como magos, para maximizar sua força, enquanto os Dracônicos conseguiam uma combinação equilibrada de ambos.
Devem ter um controle incrível de seus corpos, com a Energia de Aubilidade perfeitamente integrada a eles.
Mas, nesse momento, o dragão vermelho no céu decolou bruscamente e colidiu contra a torre onde ele deveria pousar.
Partes de pedra voaram pelos ares enquanto as asas do dragão raspavam no topo do telhado.
Depois da tentativa frustrada de pouso, o dragão deu meia-volta até encarar a torre novamente.
Seu voo era instável, com as asas batendo de forma desigual, fazendo-o inclinar mais para um lado do que para o outro.
— Que diabos? — murmurou.
Katarina balançou a cabeça, desviando seu foco do dragão cambaleante.
— Típico — resmungou, seguindo rumo à base da torre.
Assim que chegou lá, um portal vermelho começou a girar à sua frente.
— Entre — ela disse, avançando na direção do portal.
— Espera, ainda não recebemos permissão — protestou.
— Precisamos? Ele está bêbado — respondeu ela, desaparecendo dentro do portal.