
Capítulo 787
Renascido como o Gênio da Família Mais Rica
Isso explica tudo…
Quando pensou na sua primeira interação com Zovirru, tudo fez sentido. O cara era completamente desleixado e queria mais do que tudo ser entretido. Poxa, ele até estava disposto a abrir mão do Antigo só porque achava divertido ver eles brigando por isso.
Alguém assim certamente apreciaria uma boa taça de vinho algumas vezes por semana.
Então, seguiu Katarina e entrou no portal vermelho.
Assim que o fez, uma sala luxuosa se abriu diante dele. Tudo estava repleto de ouro e pedras preciosas caras, desde as cadeiras até os sofás, além dos candelabros que iluminavam o ambiente inteiro.
Era até mais impressionante do que o que reis e rainhas tinham na época medieval do seu mundo anterior.
Seria uma visão realmente impressionante se não fosse por um detalhe pequeno.
Estava tudo uma bela zona.
Eles estavam diante de uma montanha literal de mobília dourada, quadros e até barras de ouro, simplesmente empilhados como um monte de lixo.
Michael não podia acreditar. Parecia que o boato de Dragões serem acumuladores de ouro era verdade. Mas ele não imaginava que fosse pra tanto.
"Vamos lá," disse Katarina para ele. Ela já estava meio caminho de escalar essa montanha de ouro, usando uma estátua dourada de um dragão como apoio para ultrapassar o topo e chegar ao outro lado.
E, enquanto ela se movia, centenas de moedas de ouro escorriam, caindo em direção a Michael como uma chuva de ouro literal.
Mesmo já sendo absurdamente rico em moedas de ouro, ele ainda assim sentia vontade de guardar cada uma dessas para si. Que desperdício! Elas poderiam ter sido usadas para construir mais casas, estradas e toda a infraestrutura que a Nação do Renascido precisaria no próximo ano.
No fim, ele conseguiu chegar ao topo da montanha de ouro e conseguiu ver o lado de baixo.
E lá embaixo, deitado em uma pilha de moedas de ouro, como um anjo de neve, estava Zovirru, o Draconiano de cabelo vermelho.
Suas bochechas estavam coradas e o hálito tinha cheiro de álcool. Michael podia senti-lo de longe.
"Zovirru," chamou Katarina.
"Hyuk! Haaa hahaha…."
Parece que o Draconiano estava tão embriagado que nem percebeu que havia duas pessoas estranhas dentro de sua torre.
Michael seguiu Katarina, deslizando sobre nada além de moedas de ouro até finalmente chegar perto de Zovirru.
"Zovirru," chamou Katarina de novo, dessa vez chutando seu braço com o pé.
Michael levantou as sobrancelhas. Poxa, poxa, poxa, seu disfarce tá escorregando, ele pensou ao ver aquilo.
Ela deveria ser uma historiadora, assim como o professor, sem força física além da inteligência. Mas estava agindo de forma tão atrevida e rude com um dragão literal como se ele não tivesse acabado de ver sua pose intimidante há poucos minutos.
Michael já suspeitava de sua verdadeira identidade como uma Espiritual de Nascente Maugnetic, então entendeu por que ela tinha tanta facilidade em lidar com um Draconiano. Mas, mesmo assim, não era difícil para ninguém perceber sua verdadeira força.
"Hã?" Zovirru acordou, olhou ao redor desconcertado. Suas sobrancelhas vermelhas e selvagens eram bem expressivas, a ponto de Michael quase ouvir seus pensamentos. "Quem interrompeu meu sono?"
Então, os olhos dele cruzaram com os de Katarina. Ele franziu o cenho dizendo, "Quem… você… parece… familiar…"
Zovirru estava balbuciando e vomitando no meio da frase. Definitivamente, não estava em plenas condições mentais para pensar com clareza.
Katarina definitivamente não gostou nada disso. Seus olhos lacrimejantes mostravam sua impaciência.
Ela sabia o quanto os Dracônicos podiam ser despreocupados, mas não esperava que fossem tão tolos assim.
Ela até pensou se seria melhor voltar no tempo, quando as coisas estavam mais calmas, porque não iam conseguir tirar nada de alguém tão bêbado quanto Zovirru.
Porém, quando Zovirru olhou para Michael, reconheceu-o imediatamente.
"Você!... é aquele… pequeno com o professor! HAHAHAHA! Bem-vindo, bem-vindo!"
Zovirru se levantou de um pulo e caminhou até Michael, dando um tapa nas costas dele. O homem ainda parecia bastante embriagado, mas agora dava para falar com ele como uma pessoa de verdade.
Essa rápida mudança de atitude surpreendeu completamente Katarina.
"Como você e o professor—, humf. Com licença," disse Zovirru, pegando um vaso dourado pintado à mão com detalhes complexos de floresta e carregado de gemas, e usando-o como local para vomitar.
Após uma série de âcidos repugnantes, Zovirru jogou o vaso caríssimo de lado e ficou de frente para Michael.
Ele parecia menos bêbado agora, o que foi um alívio.
"HAHAHAHA! Você estava certo! Mauricio perdeu!"
Era uma boa notícia. Zovirru se lembrava do acordo que fizera com Sergio.
"Acho que tive sorte," respondeu Michael para Zovirru.
"Sorte ou não, foi uma bela apresentação. Gosto de você, pequeno humano! Qual é o seu nome mesmo?"
"É Keo."
Katarina ficou observando enquanto Zovirru continuava a bater nas costas de Michael, com as sobrancelhas levantadas.
Ela conhecia os Dracônicos. Eles não eram do tipo que gostavam de alguém tão facilmente. Preferiam passar o tempo sozinhos, sendo muito seletivos com quem escolhiam socializar. E, ainda mais, com quem escolhiam se lembrar.
E parecia que Keo tinha se mostrado uma dessas pessoas.
Não era só o professor quem via algo especial naquele garoto. Era Zovirru também.
Isso só confirmava que havia algo de diferente nesse garoto que ela ainda não tinha percebido.
"Keo, é? E o que veio fazer aqui? AH! Ah, sim! O Antigo!"
Zovirru imediatamente olhou ao redor do seu quarto e começou a vasculhar as pilhas de tesouros caros espalhados por todo lado.
"Agora, onde coloquei isso…," murmurou.
Eventualmente, Zovirru ficou entediado e optou por uma estratégia mais fácil para procurar.
Ele levantou as mãos e bateu com força no chão, fazendo toda a pilha de tesouros dourados levantar voo por alguns momentos.
E naquele instante, enquanto tudo flutuava no ar, havia apenas uma peça que permaneceu no chão.
Era nada mais, nada menos, do que o Antigo, um osso gigante de tíbia branco.
"Ah, aqui está," falou Zovirru, segurando-o numa das mãos. "Conforme prometido, esse Antigo agora pertence ao professor. Onde ele está?"
"Ele está fora a negócios," respondeu Katarina. "Pode me entregá-lo."
Entretanto, justamente quando ela ia pegar o Antigo das mãos dele, ele puxou-o de repente, tirando das mãos dela.
"Você… eu não te conheço," disse ele. "Esse Antigo pertence ao professor, e não lembro de você estar aqui."
Depois, virou-se para Michael. "Esse Antigo é seu por enquanto. Entregue ao professor quando ele voltar."
Michael ficou observando o enorme osso branco à sua frente. De perto, podia ver milhares de arranhões em sua superfície, alguns profundos alguns centímetros, outros quase na superfície.
Ele hesitou antes de levantar a mão.
No fundo, sabia que o Antigo era impregnado de uma estranha Força de Aubilidade. Ele testava o sangue de quem o tocava para ver se eram dignos de herdar sua herança.